domingo, 29 de novembro de 2009

Jesus, o Libertador - Divaldo P. Franco & Joanna de Ângelis


Havia uma grande expectativa em Is­rael, que aguardava ansiosamente o Mes­sias anunciado.

A voz dos profetas, que ficara silencio­sa fazia alguns séculos, não alterara as no­tícias de que Jeová enviaria o libertador do Seu povo no momento adequado.

A presunção exagerada, que havia elegido como filhos de Deus somente os judeus, continuava na conduta arrogante daqueles que aguardavam receber o pri­vilégio dos Céus em detrimento de toda a humanidade.

Descrevia-se a Sua chegada como o momento máximo da sua história de nação muitas vezes escravizada por outras mais poderosas, que então se curvariam humilhadas ante a grandeza da raça es­colhida pela sua fidelidade e devotamen­to aos divinos códigos.

Antevia-se o momento da libertação, especialmente naqueles dias em que o Império Romano escarnecia das suas tra­dições e da sua liberdade, esmagando os seus ideais de independência.


Sentia-se mesmo que aquele era o mo­mento, e que, em qualquer instante, os sinais de identificação apontariam o Es­colhido.

Os sofrimentos vividos na Babilônia, no Egito e em outros lugares cruéis, no passado, não haviam sido esquecidos. Embora a coação prosseguisse e a miséria rondasse as suas vidas, estremunhando-­as e dizimando-as, porque lhes retira­vam tudo quanto possuíam, inclusive os parcos recursos, em razão dos impostos exorbitantes, não conseguiam, porém, tomar-lhes a esperança que teimava em permanecer nos seus corações.

Aguardava-se, portanto, que Ele che­garia em triunfo mundano, cercado de poder militar e de despotismo, de forma que vingasse as humilhações e dores que os Seus haviam experimentado através dos tempos.

Sentando-se no trono e governando com insolência e perversidade, somente àqueles que Lhe pertenciam concederia compaixão e bondade, ternura e amor, oferecendo-lhes os reinos da Terra, a fim de que pudessem fruir o poder e a glória anelados.

Esqueciam-se, porém, da transitorie­dade da vida física e do impositivo da morte, que a todos arrebata, transferin­do-os para a dimensão da imortalidade.

Por mais longos e prazenteiros fossem os dias de efusão e de orgulho, que es­peravam viver, a fatalidade biológica os conduziria à velhice, ao desgaste, à con­sumpção do corpo e ao enfrentamento com a Vida Eterna.

Mas Israel e seus filhos estavam inte­ressados no mundo, nos negócios da ilu­são, nas conquistas terrenas.

A mágoa e o desejo de desforço acalen­tados por séculos demorados, consegui­ram diluir na vacuidade o discernimento em torno dos valores reais da existência humaria.

Somente eram considerados o gozo e a supremacia sobre os demais povos, submetendo-os ao talante das suas desorde­nadas ambições.

A cegueira do orgulho envilecera os sentimentos do povo, não ha­vendo lugar para a reflexão nem para o amor fraternal.


Ele veio e não O aceitaram.

Aguardavam um vingador que esmagasse os inimigos, enquanto Ele chegara para conquistar aqueles que se haviam transformado em adversários.

Esperavam que fosse portador de soberba, arbitrário e superior em crueldade àqueles que se fizeram odiados, mas Ele vivenciou o amor em todas as suas expressões, demonstrando que o Filho de Deus é lição viva de compaixão e misericórdia.

Em face das suas necessidades materiais, não poderiam receber o Embaixador do Reino de Deus, que vinha colocar os Seus alicerces na Terra, para erguer o templo da legítima fraternidade que deve viger entre todas as criaturas.

De início, antes da ira contra a Sua pessoa, desejaram arrastá-lO para as suas tricas farisaicas e para os seus domínios insensatos. E porque não conseguiram, voltaram-se contra Ele e Sua mensagem, perseguindo-O com insistência e ameaçando-O sem clemência.

Ele, porém, permaneceu integérrimo. A Sua tranqüilidade desconcertava-os, fazendo que arremetessem furibundos contra os ensinamentos de que se fazia portador e procurando um meio de en­volvê-lO em algum conceito que O pu­desse criminar, a fim de O matarem.

Encharcados de presunção, o único sentido para a vida centrava-se na busca do poder, do prazer, no vingar-se dos ini­migos reais e imaginários.

Não é de estranhar que Jesus não lhes representasse o cumprimento das profecias.

Embora o Seu fosse o maior poder que a Terra jamais conheceu, os ambicio­sos que desejavam o mundo não estavam interessados na Sua força incomparável, que se fazia soberana ante os ventos, as ondas do mar durante a tempestade, ou diante dos distúrbios da mente, da emoção e do corpo das criaturas que O bus­cavam.

Invejosos, não podendo negar-Lhe a grandeza, acusavam-nO de ser emissário do Mal, veículo satânico.

Jesus compadecia-se deles e exortava-os à liberdade espiritual, que é a verdadeira, conclamando-os ao despertamento para a realidade.

Mas os tóxicos do ódio haviam-nos envenenado desde há muito, não haven­do espaço mental nem emocional para o refrigério da compreensão nem para a bênção da paz.

Ainda hoje Israel não O entendeu. Prossegue esperando o seu Messias dominador, banhando-se de sangue e sacrificando-se, enquanto os seus filhos estorcegam em reencarnações purifica­doras e aflitivas através dos evos.

O amor, que é a solução para todos os problemas humanos e os conflitos que se abatem sobre a erra, ainda não é reco­nhecido como o único recurso capaz de gerar felicidade nos corações.


Passaram aqueles dias tormentosos e outros muitos, enquanto Jesus perma­nece como o libertador de consciências, conduzindo-as no rumo da plenitude.

Neste Natal, recorda-te dEle e entre­ga-te a Ele sem qualquer relutância.

Ele te conduzirá com segurança pelo vale da morte e pela noite escura das paixões, apontando-te o amanhecer luminífero por onde seguirás no rumo da felicidade.

sábado, 28 de novembro de 2009

André Luiz & Francisco C. Xavier - Lição e Auxilio



Aconselhas o outro para que se conheça e afirmas que para isso é forçoso

que o outro se desvencilhe das trevas que o sufocam...

Como podes, no entanto, formular essa ordem, sem auxiliá-lo a curar

as feridas ou a sanar as deformidades que o afligem, dentro da armadura

de sombras a que se acolhe?

Conseguirás, porventura, libertar um homem do cárcere a que se

prende, sem estender-lhe a chave?




sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Como Quem Pede Uma Esmola - Abgar Renault


Preciso de uma palavra.
Em que dia ou em que noite estará essa, que almejo,
ideal palavra insabida, a única, a exclusiva, a só?
Dela me sinto exilado todas as horas por junto,
com minha face, meu punho, meu sangue, meu lírio de água.
Soletro-me em tantas letras, e encontrá-la deve ser
encontrar a criança e o berço,
a unidade, a exatidão,o prado aberto na rua,
a rua galgando a estrela. Preciso de uma palavra,
uma só palavra rogo, como quem pede uma esmola.
Em florestas de palavrasos calados pés caminham,
as caladas mãos perquirem, os olhos indagam firmes.
Em que parábola cruel, em que ciência, em que planeta,
em que fronte tão hermética, em que silêncio fechada
estará viajando agora - mariposa de ouro azul -
a palavra que desejo?Lâmina sexo cristal
fulcro pântano convés voraginoso fluvial
Antígona circunflexa catastrófico crepúsculo
ênula ventre rosal sibila farol maré
desesperadoramente nenhuma será nem é
aquela do meu anseio. Como será, quando vier,
a palavra entrepensada, necessária e suficiente
para a minha construção de lápis, papel e vento?
Dura, espessa, veludosa ou fina, límpida, nítida?
Asa tênue de libélula ou maciça e carregada
de algum plúmbeo conteúdo? Distante, insone e cativo,
debaixo da chuva abstrata, eu me planto decisivo
no tráfego confluente, aéreo, terrestre, marítimo,
e espero que desembarque, triste e casta como um peixe
ou ardendo em carne e verbo, e pouse na minha mão
a áurea moeda dissilábica, a noiva desconhecida,
a coroa imperecível: a palavra que não tenho.

Oração da Serenidade


Concedei-me Senhor
A Serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar;
Coragem para modificar aquelas que posso;
E Sabedoria para distinguir umas das outras.

Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco - Podes, se Queres


Fracassado é aquele que abandona a luta ou nega-se a travá-la.
Dificilmente logrará vitória quem se recusa a enfrentar os desafios do
cotidiano.
O homem são as suas tarefas, que devem ser enfrentadas com decisão e coragem.
Em todo cometimento multiplicam- se as dificuldades e as problemáticas se repetem.
Quedas e aparentes insucessos são experiências que, repetidas, favorecem o homem com o êxito que deve perseguir até o fim.
Desistir do empreendimento porque se apresente difícil, significa
abandonar-se a contínuos insucessos.
Não recear jamais, nem ceder à tentação da desistência na luta de ascensão.

Se queres, podes.
Quando te propões realizar os labores que te dizem respeito, abres-te à vitória, que deves colimar na oportunidade própria.
Simon Bolívar, o excelente Libertador de quase metade da América do Sul não poucas vezes perdeu batalhas e esteve preso. Porque não desistiu, perseverando nos ideais e lutando, triunfou.
Benito Juarez, órfão e pobre, humilhado e sob injunções terríveis,
contribuiu para a liberdade do México, mais do que qualquer outro herói.
Franklin Delano Roosevelt, paralítico, vitimado numa cadeira de rodas não se compadeceu do próprio estado de saúde e desempenhou relevante papel no seu país, como Primeiro Mandatário, revelando-se extraordinário libertador, durante a Segunda Guerra Mundial.
Édison experimentou quase 10.000 testes para lograr o êxito da lâmpada elétrica e porque insistiu sem desânimo, ofereceu à Humanidade um valioso contributo.
Faraday, até aos 14 anos, permaneceu numa Gráfica, na condição de
encadernador. Lendo um dos livros em que trabalhava, interessou-se pela letricidade, revelando-se pioneiro nesta tecnologia de grande utilidade para a Humanidade.
Cervantes sofreu incompreensões e experimentou a miséria, teve os seus escritos desconsiderados, viveu em regime de mendicância para não morrer de fome, não obstante, prosseguindo, legou-nos o "Dom Quixote" de la Mancha" de valor literário e filosófico inegável.
Camões, sem uma vista, fez-se cantor de "Os Luzíadas".
Confúcio, aos 55 anos, foi abandonado pelo seu mestre. Sem desânimo, prosseguiu, oferecendo extraordinária contribuição filosófica para o pensamento universal.
Maomé, na busca de fiéis, padeceu terrivelmente, até que, sem abandonar a luta, espalhou o Alcorão pela Terra.
Buda, procurando a iluminação, provou solidão e abandono, conseguindo que a mensagem da paz passasse a impregnar as vidas...
A história de Jesus é por demais conhecida para que se ampliem
considerações...
A galeria daqueles que não desistiram e confiaram na vitória que souberam esperar, é muito grande.
Não te abatas ante impedimentos nem persigas sucessos improvisados, imediatos, que cedem lugar a terríveis desencantos.
Se queres vencer superando quaisquer problemas, prossegue em paz, insistindo na ação operosa e confiante, assim conseguindo o fanal que é a meta essencial da tua vida.
Disse Jesus: "Aquele que perseverar até o fim, este será salvo."
É necessário permanecer fiel e otimista.
Se queres, portanto, a vitória, insiste.

Francisco C. Xavier & Emmanuel - Pecado e Pecador



"Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem, é de Deus; mas quem faz o mal, não tem visto a Deus." — ( III João, 11.)



A sociedade humana não deveria operar a divisão de si própria, como sendo um campo em que se separam bons e maus, mas sim viver qual grande família em que se integram os espíritos que começam a compreender o Pai e os que ainda não conseguiram pressenti-Lo.
Claro que as palavras "maldade" e "perversidade" ainda comparecerão, por vastíssimos anos, no dicionário terrestre, definindo certas atitudes mentais inferiores; todavia, é forçoso convir que a questão do mal vai obtendo novas interpretações na inteligência humana.
O evangelista apresenta conceito justo. João não nos diz que o perverso está exilado de nosso Pai, nem que se conserva ausente da Criação. Apenas afirma que "não tem visto a Deus".
Isto não significa que devamos cruzar os braços ante as ervas venenosas e zonas pestilenciais do caminho; todavia, obriga-nos a recordar que um lavrador não retira espinheiros e detritos do solo, a fim de convertê-lo em precipícios.
Muita gente acredita que o "homem caído" é alguém que deve ser aniquilado. Jesus, no entanto, não adotou essa diretriz. Dirigindo-se, amorosamente, ao pecador, sabia-se, antes de tudo, defrontado por enfermo infeliz, a quem não se poderia subtrair as características de eternidade.
Lute-se contra o crime, mas ampare-se a criatura que se lhe enredou nas malhas tenebrosas.
O Mestre indicou o combate constante contra o mal, contudo, aguarda a fraternidade legítima entre os homens por marco sublime do Reino Celeste.


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Francisco C. Xavier & Emmanuel - Opiniôes Alheias



Se trazes a consciência tranqüila, porque te impacientares tanto com as opiniões alheias, desfavoráveis?

Cada pessoa fala daquilo que conhece oferecendo o que seja ou o que tenha.
A suposição dos companheiros, a nosso respeito, nasce daquilo que eles estimariam ou estimam fazer.

Cada qual de nós está no centro das próprias experiências.

Os irmãos que nos cercam são livres para pensarem a nosso respeito, da mesma forma que somos livres para anotar-lhes o comportamento.

Ninguém consegue obrigar determinada criatura a raciocinar com outro cérebro, a não ser aquele que lhe pertença.

Se uma pessoa se irrita contra nós sem razão, isso não é motivo para que venhamos a comprar uma rixa desnecessária.

Você está diante de uma criatura encolerizada, da mesma forma que você se encontra perante um doente: preste auxílio.

Toleremos os outros, para que os outros nos tolerem.

Hoje, alguém terá perdido a serenidade, à nossa frente; amanhã, possivelmente, seremos nós, em situação igual diante deles.

Elevação Espiritual - Francisco C. Xavier


A elevação espiritual não se nos incorpora à vida:

nem pela prosperidade;

nem pela carência;

nem pelo renome;

nem pela obscuridade;

nem pela cultura intelectual;

nem pela insipiência;

nem pela autoridade humana;

nem pela condição de subalternidade;

nem pelo ajustamento à vida considerada normal;

nem pelos conflitos psicológicos que se carregue;

nem pelos amigos;

nem pelos adversários;

nem pelo elogio;

nem pelo desapreço da injúria.

A elevação íntima depende unicamente de nossa reação pessoal ao aceitar e usar para o bem tudo isso.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Francisco C. Xavier & Bezerra de Menezes Tópicos da Prece



Elevemos o nosso coração, sempre que possível, ao Senhor e confiemos em Sua Infinita Bondade!

Na prece está a nossa força e no serviço do Bem o nosso refúgio!

Confiemos nosso pensamento à oração e nossos braços ao trabalho com Cristo Jesus.

E Jesus solucionará os nossos problemas com a bênção do tempo.

Paz e esperança ao coração! Cada noite, apesar do cansaço, não olvides alguns minutos com a oração, para que se nos refaçam as forças.

As tarefas seguem intensas, contudo, quanto possível, os Amigos Espirituais procuram amparar-nos as energias e acrescentá-las ainda mais.


Meus irmãos, muitos Amigos da Espiritualidade sustentam-nos as forças na travessia difícil das horas que passam.

Através da oração recolheremos, como sempre, a inspiração de que necessitamos na superação das lutas redentoras.


Guardemos a tranqüilidade mental!

Através da oração, as tarefas do lar são sustentadas com a bênção do Alto.

Receberemos, pela oração, o concurso espiritual, rogando a Jesus para que os nossos corações sejam fortificados no caminho de dor e luz em que nos encontramos.

Agradeçamos a Jesus as bênçãos de cada dia e confiemos na proteção divina, hoje e sempre!



Cada noite consagremos alguns momentos à oração, momentos esses de que se valerão os Amigos Espirituais que nos amparam, a fim de insuflar-nos novas forças para o desempenho de nossas tarefas.

Reanimemo-nos e guardemos o bom ânimo na certeza de que a fé viva em Deus é luz que nos auxilia a dissipar todas as sombras.

Jesus nos abençoe!

Roguemos a Ele, nosso Eterno Benfeitor, nos abençoe os planos de trabalho e renovação à frente do futuro.

Não Me Deixes!


Debruçada nas águas dum regato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava:
"Ai, não me deixes, não!


"Comigo fica ou leva-me contigo
"Dos mares à amplidão;
"Límpido ou turvo, te amarei constante;
"Mas não me deixes, não!"


E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
"Ai, não me deixes, não!"


E das águas que fogem incessantes
À eterna sucessão
Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
"Ai, não me deixes, não!"


Por fim desfalecida e a cor murchada,
Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
Que a não deixasse, não.


A corrente impiedosa a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
"Não me deixaste, não!"
(Gonçalves Dias)

sábado, 21 de novembro de 2009

Maria Dolores / Francisco Cândido Xavier - Oferta de Esperança

Quando a tribulação te mostre a face
Por ferida pungente
Que viesse e ficasse,
Dentro de ti e em derredor,
Não te permitas arrasar-te,
Recorda simplesmente
Que o Céu nos oferece, em qualquer parte,
Tão somente o melhor.

Quando a prova te alcance,
Na crítica mordaz que te magoa,
Que teu sonho se apure, cresça e avance
Na direção da Vida Superior;
Trabalha, serve e crê, eleva-te e perdoa,
Semeando alegria,
A relembrar que, em cada novo dia,
A vida é um cântico de amor.

Quando tudo, na senda, ao teu olhar,
Pareça desencanto, amargura e exaustão,
Não lamentes em vão,
Mesmo entre lágrimas, sorri!...
Ergue-te da tristeza e põe-te a trabalhar,
Que o trabalho te afasta as dores e os problemas...
Todos somos de Deus, segue e não temas,
Não olvides que Deus vela por ti.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Divaldo P. Franco & Joanna de Ângelis - Dor e Benção



Ninguém passa, na Terra, sem experimentar o aguilhão do sofrimento.
De uma ou de outra forma a vida física é uma experiência educativa com objetivos definidos, quais os de auxiliar o Espírito a lapidar as imperfeições e aproximá-lo, o mais possível, da felicidade.

Por isso mesmo, no educandário terrestre, todos lhe conhecem as garras que ferreteiam as carnes da alma, nas várias expressões em que a mesma se expressa.
Ansiedades e amarguras, necessidades e dissabores, enfermidades e infortúnios, fome e carências outras são recurso de que a Vida se utiliza para disciplinar as criaturas propondo-lhe sublimação.


Não te consideres desventurado, porque o sofrimento te alcançou diminuindo a intensidade festiva da tua quadra de ilusões.
Durante seu curso, recorda os momentos ditosos que passaram e torna menos ásperos estes que agora te visitam.

Da mesma forma, amanhã estará mudada esta paisagem aflitiva e te incorporarás às tuas conquistas.
Aprenderás a abençoar a saúde e a valorizar os bens da amizade, os dons do trabalho, prolongando as horas de bem-estar, cultivando pensamentos e atitudes positivos, que te favorecerão com energias e disposição para todos os embates que enfrentarás.

Compreenderás com mais facilidade os alheios padecimentos, tolerando as agressões e disparates de outros indivíduos mais atribulados do que tu.



Sentir-te-ás mais humano e sensível aos problemas do próximo, tornando-te, naturalmente, solidário com todos aqueles que te busquem a ajuda ou a simples presença fraternal.

Dilatarás a visão a respeito da vida e reflexionarás mais intensamente sobre a transitoriedade do corpo e o caráter eterno do ser em si mesmo.

Descobrirás o sentido dos acontecimentos, assimilando-lhes bem as propostas evolutivas, sem nadar contra a correnteza.

Os problemas, naturalmente, chegar-te-ão da mesma forma; no entanto, com esta experiência que proporciona sabedoria, poderás solucioná-los sofrendo menos aflições.

Quando te conscientizas das razões do sofrimento, estes se tornam suportáveis, tendo diminuídas suas cargas desgastantes.
Quando te resignas diante dos testemunhos, estes perdem a intensidade perturbadora.
Quando abençoas a própria dor, nela reconhecendo os benefícios que fruirás, encontras a técnica perfeita para vencê-la e ser feliz.

Rabindranath Tagore - Se me é negado o amor

Se me é negado o amor, por que, então, amanhece; por que sussurra o vento do sul entre as folhas recém nascidas?
Se me é negado o amor, por que, então,
A noite entristece com nostálgico silêncio as estrelas?
E por que este desatinado coração continua,
Esperançado e louco, olhando o mar infinito?

Francisco C. Xavier & Emmanue - Ante A lição Do Senhor

Louvando os “pobres de espírito”, Jesus não exaltava a ignorância, a insuficiência,
a boçalidade e a incultura.

Encarecia a benção da simplicidade, que nos permite encontrar os mais preciosos tesouros da vida.

Abençoava a humildade, que nos conduz à fonte da paz.

Salientava a sobriedade que nos garante o equilíbrio.

Destacava a paciência que nos dilata a oportunidade de aprender e servir.

Se procuras o Mestre do Evangelho, não admitas que a tua fé se transforme em combustível ao fogo da ambição menos eficiente.

Vale-te da lição de Jesus, à maneira do lavrador vigilante que sabe selecionar as melhores sementes a fim de enriquecer a colheita próxima ou à maneira do viajor que guarda consigo a lâmpada acesa para a vitória sobre as trevas.


Muita gente se alinha nos santuários da Boa Nova, procurando em Cristo um escravo suscetível de ser engajado a serviço de seus escusos desejos, buscando na proteção do céu, favorável clima à infeliz materialização de seus próprios caprichos, enquanto milhões de aprendizes da Divina Revelação se aglomeram nos templos do Mestre em torneios verbalísticos nos quais entronizam a vaidade que lhes é própria, tentando posições de evidência nos conflitos e tricas da palavra, em que apenas efetuam a mal versão das riquezas do espírito.

Se a Doutrina Redentora do Bem Eterno é o caminho que te reclama a sublime aquisição da Vida Superior, simplifica a própria existência.

Evitemos complicações e exigências que nada realizam em torno de nós senão amargura, desencanto e inutilidade.

Recebamos o dom das horas, como quem sabe que o tempo é o mais valioso empréstimo do Senhor à nossa estrada e, convertendo os minutos em ação construtiva e salutar, faremos a descoberta de nosso próprio mundo íntimo, em cuja maravilhosa extensão, a paz e o trabalho são os favores mais altos da vida.

Contentemo-nos em estruturar com bondade e beleza o instante que passa, cedendo-lhe o melhor de nós mesmos, a favor dos que nos cercam, e descerraremos o novo horizonte, em que a plenitude da simplicidade com Jesus nos fará contemplar, infinitamente, a eterna e divina alegria.

Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco - O Amigo Ideal

Sentimentos desencontrados se entrechocam nas tuas paisagens íntimas.
Em certos momentos, estás a ponto de explodir, tal a soma de desespero que te desgoverna, e, noutras ocasiões, pensas em parar, em desistir de tudo, tal o acúmulo de sofrimentos que te conduzem à exaustão.
Gostarias de encontar um amigo paciente e esclarecido, com quem pudesses desabafar, deixar que todas as tuas inquietações desfilassem, encontrando compreensão e diretrizes.
Sentes necessidade de novos afetos, como se fossem bálsamo salutar para o teu coração ralado de suspeição e tormentos.
Vê outras criaturas, sorridentes e felizes, que desfilam, dando a impressão de que a vida delas é um agradável convescote ou um carnaval permanente.
Como, porém, estás equivocado! A existência carnal é igual para todos os que se encontram na Terra, variando a circunstância e a intensidade das ocorrências para cada homem.
Corrige, desse modo, a tua óptica e cuida mais do teu critério de avaliação.
A aparência é a capa luminosa ou sombria que oculta a realidade.
uem te veja e desconheça o que se passa em teu foro íntimo, se não te queixares, terá a impressão de que vives bem aquinhoado pela felicidade, enriquecido pelos favores do prazer...
Tu, porém, sabes que não é bem assim, o que se passa contigo, da mesma forma que não é, quanto supões, tão áspera e desditosa a tua marcha.
Se reflexionares melhor, constatarás que o número de bênçãos suplanta os teus questionamentos queixosos.
Relaciona o que possuis e quanto te favorece, em referência a outros que não dispõem desses valores e conquistas.


Ninguém, no mundo físico, pode desfrutar de tudo quanto gostaria, pois que se conseguisse já fruiria do " reino dos céus" que, afinal de contas, não tem lugar na esfera física.
Este amigo, que exibe felicidade e paira na opulência, invejado e cercado de carinho, atormenta-se, intimamente insatisfeiro com a vida, sentindo- se obrigado a manter a aparência, escondendo-se, magorado.
Essa dama, que se apresenta adornada de jóias finas e caras, requestada por uns e por outros invejada, disfarça, nos sorrisos, pesadas frustrações conjugais que ninguém imagina.
Aquele jovem, bem apessoado, que conquista o futuro com audácia, envolvido num halo de triunfo, iridescente como uma estrtela e conquistador como a luz, amarga-se, nas horas distantes do briblicom vencido por conflitos desconhecidos de todos.
A moça, que passa deslumbrante, vendendo beleza e juventude, qual se fosse uma deusa renascida das páginas mitológicas, desprezando candidatos ou entregando-se a dissipaçoes absurdas, aturde-se em confuso estado de timidez, que a desconcerta e vence.
A legião dos infelizes-infelicidtados cresce, diariamente, e as estatísticas são assustaduras, especialmente nas áreas das patologias da loucura, do vício, das fugas espetaculares.
Há muita ilusão e sonhos tornados pesadelos do que imaginas.
A visão azul do corsmo não é real...
A Terra é educandário e não jardim edênico.
Da mesma forma que anelas por aquele amigo que te pudesse ajudar na solução das tuas dificuldades, alguém te observa, supondo que o és para as necessidades dele. Mesmo que não o sejas, esforça-te, passa a doar, a socorrer.
Começa, mediante pequenas tarefas gratificantes do amor fraterno.
Assume singelos deveres; gera alegria em tua volta; produze bem- estar; pensa em alguém com simpatia; supera o azedume...
Tentativas de renovação culminam em conquistas, em realizações edificantes.
Assim fazendo, tua mente abrirá espaço para ouvir a orientação anelada, e os sentimentos renovados propiciarão a tua sintonia com o amigo Ideal, que é Jesus, que espera somente Lhe concedas o ensejo de ajudar-te e conceder-te a alegria que buscas.

Abgar Renault - Noite


Há duas pombas brancas no telhado.
Junto delas pousa o silêncio do dia já parado,
e entre asas caladas o primeiro gesto da noite vai crescendo.

É tarde nos telhados e nas árvores,
é tarde (triste e mais tarde) nessa rua
que se reabriu no fundo de um olhar,
onde se movem ressurrectos mármores
e começam a discorrer ventos e velas
por sobre a limpidez das mesmas águas velhas,
e pássaros azuis bicam frutos de astro soltos no ar.


Sobem (de onde?) vultos escuros de coisas
e de entes,alongam a última distância, somem a luz que se destece e a linha dos caminhos, apagam o verde prado.
Não há duas pombas brancas no telhado:sobre elas, seu vôo e seu arrulho
ausentes a lápide sem cor das horas desce.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Emmanuel / Francisco C. Xavier - Guardemos o Cuidado

O homem enxerga sempre, através da visão interior.
Com as cores que usa por dentro, julga os aspectos de fora.
Pelo que sente, examina os sentimentos alheios.
Na conduta dos outros, supõe encontrar os meios e fins das ações que lhe são peculiares.

Daí, o imperativo de grande vigilância para que a nossa consciência não se contamine pelo mal.

Quando a sombra vagueia em nossa mente, não vislumbramos senão sombras em toda parte.

Junto das manifestações do amor mais puro, imaginamos alucinações carnais.

Se encontramos um companheiro trajado com louvável apuro, pensamos em vaidade.

Ante o amigo chamado á carreira pública, mentalizamos a tirania política.

Se o vizinho sabe economizar com perfeito aproveitamento da oportunidade, fixamo-lo

com desconfiança e costumamos tecer longas reflexões em torno de apropriações

indébitas.

Quando ouvimos um amigo na defesa justa, usando a energia que lhe compete,

relegamo-lo, de imediato, à categoria dos intratáveis.

Quando a treva se estende, na intimidade de nossa vida, deploráveis alterações nos

atingem os pensamentos.

Virtudes, nessas circunstâncias, jamais são vistas.

Os males, contudo, sobram sempre.

Os mais largos gestos de bênção recebem lastimáveis interpretações.

Guardemos cuidado toda vez que formos visitados pela inveja, pelo ciúme, pela

suspeita ou pela maledicência.

Casos intrincados existem nos quais o silêncio é o remédio bendito e eficaz,

porque, sem dúvida, cada espírito observa o caminho ou o caminheiro, segundo a visão

clara ou escura de que dispõe.


(Do Livro: Fonte Viva.)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Abgar Renault - Fim


O que eu perdi não foi um sonho bom,
não foi o fruto a embebedar meus lábios,
não foi uma canção de raro som,
nem a graça de alguns momentos sábios.

O que eu perdi, como quem perde uma outra infância,
foi o sentido do enternecimento,
foi a felicidade da ignorância, foi, em verdade,
na minha carne e no meu pensamento,
a última rubra flor do fim da mocidade.

E dói - não esse gesto ausente, a que se apagam
as flores mais solares, mas uma hora,
- flor de momento numa breve aurora -
hora longínqua, esquiva e para sempre morta,
em cuja escura, inacessível porta
noturnos olhos cegamente vagam.

Bezerra de Menezes/ Francisco C. Xavier - Perseverar

...perseveremos no bem sobretudo.

...a estrada provavelmente se nos erigirá lodacenta ou agressiva pelos tropeços e espinhos que apresente ...

Perseveremos servindo para transpô-la.

...o ambiente terá surgido carregado de nuvens, na condensação de injúrias ou incompreensões que nos circundem...

Perseveremos ofertando aos outros o melhor de nós em favor dos outros e os outros nos auxiliarão para vencer as sombras e dissipá-las.

...ansiedades e esperanças nos visitam a alma, transformando-se em obstáculos para a obtenção da alegria que nos propomos alcançar...

Perseveremos agindo na prática do bem e, dentro desse exercício salutar de sublimação, surpreenderemos, por fim, a região de acesso às bênçãos que buscamos.

...as lutas e desafios se nos avolumam na marcha...

perseveremos na humildade e na paciência que nos garantirão a segurança e a tranqüilidade das quais não prescindimos para seguir adiante.

...discórdias e problemas repontam das tarefas a que consagramos as nossas melhores forças...

Perseveremos na serenidade e na elevação, dentro dos encargos que nos assinalem a presença onde estivermos, e seremos aqueles ingredientes indispensáveis de união e de paz nos grupos do serviço de que partilhamos atendendo às obrigações que nos competem ao espírito de equipe.

...filhos, provas e tribulações, pedras e espinhos, conflitos e lágrimas, desarmonias e empeços existirão sempre na estrada que se nos desdobra à visão...

no entanto, se é fácil começar o apostolado do amor, é sempre difícil continuar em direção do remate vitorioso.

...perseverar é o impositivo de que não nos será lícito fugir...

Perseverar trabalhando e servindo, entendendo e edificando, aprendendo e redimindo...

...perseverar sempre de modo a nunca desanimar na construção do bem a fim de merecermos o bem maior.

Emmanuel / Francisco C. Xavier - Paz Em Nós



A paz em nós não resulta de circunstâncias externas e sim da nossa tranqüilidade de consciência no dever cumprido e é preciso anotar que o dever cumprido é fruto da compreensão.

Compreender significa, na essência, desculpar as pessoas que nos cercam, nas oposições que nos façam e esquecer as ocorrências que nos mostrem adversas, a fim de que nos mantenhamos fiéis à tarefa que se nos indica.

Não te conturbem a censura ou a crítica dos outros no desempenho das obrigações que a vida te assinala, porquanto se aceitas os próprios compromissos dizem respeito a ti mesmo e não aos que te observam, nem sempre com lógica e segurança.

Em qualquer atividade edificante, convém lembrar que idéias e palavras, ações e atitudes dos outros pertencem a eles e não a nós.

No critério da reciprocidade, é justo recordar que não nos é lícito violentar essa ou aquela pessoa com opiniões e medidas tendentes a sufocar-lhes a personalidade.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Alan Kardec


"Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza."

"Estude a si mesmo, observando que o auto-conhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz."

"Ajude ao que erra; seus pés pisam o mesmo chão, e se você tem possibilidade de corrigir, não tem o direito de censurar."

"Não se pode ter, guia mais seguro, do que tomando como medida do que se deve fazer aos outros, o que se deseja para si mesmo."

"Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade."

"A felicidade dos Espíritos é sempre proporcional à sua elevação."

"A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não do estado material do meio em que se encontra."

"Possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea."

"O corpo existe tão somente para que o Espírito se manifeste."

"Possuímos em nós mesmos pelo pensamento e a vontade um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea."

"Não façais aos outros o que não quereríeis que vos fosse feito, mas fazei-lhe, ao contrário, todo o bem que está em vosso poder fazer-lhe."

Francisco C. Xavier / Emmanuel - No Crediário Da Vida



Deixa que a compaixão te aclare os olhos e lubrifique os ouvidos, a fim de que possas ver e escutar em louvor do bem.

Quantas vezes geramos complicações e agravamos problemas, unicamente pelo fato de exigir dos outros aquilo de santo ou de heróico que ainda não conseguimos fazer!.

À frente das incompreensões ou perturbações do cotidiano, procuremos reagir como estimaríamos que os demais reagissem, se as dificuldades fossem nossas.

A Terra está repleta dos que censuram e acusam.

Amparemo-nos mutuamente.

Às vezes, pronuncias palavras menos felizes, nas horas de irritação ou desânimo, que apreciarias reaver a fim de inutilizá-las, se isso fosse possível, e agradeces a bondade do ouvinte que se dispõe a atirá-las no cesto do esquecimento. Por que não agir, de modo análogo, quanto registras o comentário de ordem negativa, partido de alguém, no clima do desespero?

Nos atos injustos, nas decisões impensadas ou nos erros que perpetramos, somos gratos à misericórdia daqueles que nos acolhem com brandura e entendimento, extinguindo no silêncio os resultados de nossas faltas involuntárias. Como não esposar norma idêntica, quando algum de nossos irmãos escorregava na sombra?

Programamos a necessidade do progresso da alma, afirmamos o impositivo de nosso próprio aperfeiçoamento... Iniciemos esse esforço meritório a favor de nós, reconhecendo que os outros carregam provações e fraquezas semelhantes às nossas, quando não sejam problemas e obstáculos muito mais aflitivos.

Admiremos nossos companheiros quando se aplicarem ao bem ou quando se harmonizarem com o bem: entretanto, sempre que resvalarem no mal, busquemos tratá-los na base do amor que declaramos cultivar com Jesus, de vez que todo investimento de tolerância que fizermos hoje, em benefício do próximo, no crediário da vida, ser-nos-á amanhã preciso depósito que poderemos sacar no socorro àqueles a quem mais amamos, ou mesmo em nosso auxílio.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Francisco Cândido Xavier - No Livro D'Alma


Se tens fé, não te aflija a noite escura.
Ao coração que a lágrima domina,
Ele estende, amoroso, a mão divina
E abre as portas da paz, risonha e pura.

Alivia a aspereza da amargura
E sobre as trevas de miséria e ruína
Acende a estrela matutina,
Na esperança sublime que perdura.

Se a crença viva te dirige os passos,
Sob a carícia de celestes braços
Receberás o pão, a luz e o abrigo...

Ama a cruz que te ampara e regenera
E, envolvendo-te em santa primavera,
O Mestre Amado seguirá contigo.

(Auta de Souza "Correio Fraterno", de Francisco Cândido Xavier / diversos)

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier - As Três Escolhas


O discípulo apresentou-se ao orientador cristão e indagou:
- Instrutor, em sua opinião, qual é a lei que englobaria em si todas as Leis de Deus?
O interpelado respondeu:
- A Lei do Bem.
- Entretanto - acrescentou o aprendiz - quem diz "lei" refere-se a clima de ação que todos devemos observar.
- Isto mesmo.
- Nesse caso, onde ficaria o livre-arbítrio?
O orientador meditou alguns momentos e considerou:
-O livre-arbítrio é concedido a todas as criaturas conscientes, porquanto, "a cada espírito será dado o que lhe cabe receber, conforme as próprias obras". O Criador, porém, não é autor de violência. Por isso, até mesmo ante a Lei do Bem, a pessoa humana dispõe de três opções distintas. Poderemos seguí-la, parar na senda evolutiva, de modo a não seguí-la, ou afastarmo-nos dela pelos despenhadeiros do mal.
- Instrutor amigo, esclareça, por obséquio, a que resultados nos levam as três escolhas referidas?
O mentor aclarou, com serenidade:
- Os que observam a Lei do Bem se encaminham para as Esferas Superiores; os que preferem descansar em caminho, por vezes se demoram muito tempo na inércia, retornando a marcha com muitas dificuldades para a readaptação às tarefas da jornada; e os que se distanciam voluntariamente, nos resvaladouros do desequilíbrio, muitas vezes, gastam séculos, presos nos princípios de causa e efeito, até que, um dia, deliberem aceitar a própria renovação... Compreendeu?
O aprendiz fez leve movimento afirmativo e começou a pensar.

(Livro O Essencial - Emmanuel / Francisco Cândido Xavier)

Luz Redentora


Sobre a Terra de sombra e de amargura,
A treva espessa e triste se fizera...
A ciência e a fé, nas asas da quimera,
Mais se afundavam pela noite escura.

A alma humana de então se desespera.
E eis que das luzes místicas da altura
Desce outra luz, confortadora e pura
De que o mundo infeliz se achava à espera.

E Kardec recebe-a sobre o abismo,
Espalhando as lições do Espiritismo,
Em claridades de consolação.

Emissário da luz e da verdade,
Entrega ao coração da humanidade
A Doutrina de Amor e Redenção.



Casimiro Cunha(De “Lira Imortal”, de Francisco Cândido Xavier / diversos)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Bezerra de Menezes -- A Fé é a Única Chama Que Não Se Apaga Nunca



Diante de um jardim belo, coberto de roseiras perfumadas, o dono do jardim as espera florescer.. Não pensa na quantidade enorme de espinhos que seu tronco possui, toma cuidado com eles, mas espera o florir das rosas. Quando uma única rosa brota, enfeitando toda aquela roseira cheia de espinhos, o dono do jardim olha, avidamente, outros que podem surgir, sabendo que serão rosas a enfeitar amanhã.

Nós trazemos cravados na alma muitos espinhos do ontem, mas somos rosas, na essência sublime de Deus; nós também vamos florir em alegria. Se essas alegrias são poucas e as dores são muitas, alegrias aconteceram em nossas vidas e alegrias acontecerão sempre. Mesmo que sejam momentos, dias, algum tempo, mas como as roseiras, o sorriso brota, a paz chega e nós nos transformamos num canteirinho de paz.

Mas, existe o tempo, às vezes longo, em que só permanecem espinhos, o vendaval da dor assola e as pétalas de nossas esperanças, de nossas alegrias, caem pelo chão. Mas, não devemos nos esquecer de que essas pétalas caídas, serão adubo amanhã. Esse adubo precioso que mantém nosso espírito vivo, que mantém a roseira forte, que mantém a possibilidade de ela florir.

Nós trazemos muitos compromissos assumidos de vidas passadas, não podemos deixar que o desânimo, a tristeza, a desesperança nos domine. Porque só receberemos, realmente, um auxílio completo, à medida em que tivermos total confiança no alto. Aí sim, será possível Jesus nos estender as mãos e nós, desse amor imenso, desse grande médico de Deus que foi o mestre, recebermos a ajuda de que precisamos, lembrando de que toda a dor é cura para nossos corações, que toda separação é prognóstico de união, que todas as experiências são bênçãos preciosas que amealhamos no espírito.

Por isso, mantenham a chama da fé sempre acesa. A fé é a única chama que não se apaga nunca.

O Livro Dos Dias


Ausente o encanto antes cultivado
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito então sagrado

Meu coração não quer deixar
Meu corpo descansar
E teu desejo inverso é velho amigo
JÁ que o tenho sempre a meu lado

Hoje então aceitas pelo nome
O que perfeito entregas mas é tarde
Só daria certo aos dois que tentam
Se ainda embriagado pela fome

Exatos teu perdão e tua idade
O indulto a ti tomasse como benção

Não esconda a tristeza de mim
Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho
Força e cuidado

Este é o livro das flores
Este é o livro do destino
Este é o livro de nossos dias
Este é o dia dos nossos amores
(Renato Russo)

As Coisas Transitórias - Rabindranath Tagore


Irmão,
nada é eterno, nada sobrevive.
Recorda isto, e alegra-te.

A nossa vida
não é só a carga dos anos.
A nossa vereda
não é só o caminho interminável.
Nenhum poeta tem o dever
de cantar a antiga canção.
A flor murcha e morre;
mas aquele que a leva
não deve chorá-la sempre...
Irmão, recorda isto, e alegra-te.

Chegará um silêncio absoluto,
e, então, a música será perfeita.
A vida inclinar-se-á ao poente
para afogar-se em sombras doiradas.
O amor há-de ser chamado do seu jogo
para beber o sofrimento
e subir ao céu das lágrimas ...
Irmão, recorda isto, e alegra-te.

Apanhemos, no ar, as nossas flores,
não no-las arrebate o vento que passa.
Arde-nos o sangue e brilham nossos olhos
roubando beijos que murchariam
se os esquecêssemos.

É ânsia a nossa vida
e força o nosso desejo,
porque o tempo toca a finados.
Irmão, recorda isto, e alegra-te.

Não podemos, num momento, abraçar as coisas,
parti-las e atirá-las ao chão.
Passam rápidas as horas,
com os sonhos debaixo do manto.
A vida, infindável para o trabalho
e para o fastio,
dá-nos apenas um dia para o amor.
Irmão, recorda isto, e alegra-te.

Sabe-nos bem a beleza
porque a sua dança volúvel
é o ritmo das nossas vidas.
Gostamos da sabedoria
porque não temos sempre de a acabar.
No eterno tudo está feito e concluído,
mas as flores da ilusão terrena
são eternamente frescas,
por causa da morte.
Irmão, recorda isto, e alegra-te.

(Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera")

A Escola Terra



A Terra é abençoada escola para o espírito em evolução.
Cada existência no corpo é um estágio imprescindível ao seu aprendizado.
As dificuldades são lições valiosas.
As provações são testes necessários.
A dor é a educadora por excelência.
Os obstáculos são convites à superação.
O aproveitamento curricular depende do esforço individual.
Não há privilégios e favorecimentos ilícitos.
Toda promoção se baseia nos méritos pessoais.
O próximo é a cartilha viva.
Jesus é o Mestre.

(Irmão José / Carlos Baccelli)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Emmanuel/ Francisco C. Xavier - Livres Para Auxiliar


Atendendo-se à gradação dos valores evolutivos, temos no Cristianismo vários setores de liberdade espiritual.

Referimo-nos à libertação da ignorância ou ao afastamento das trevas de espírito para a luz do conhecimento.

Liberdade de confiar na Divina Providência, de orar com acerto, de colaborar nas atividades do bem a próximo, com o discernimento preciso, e liberdade de examinar as revelações de caráter religioso para saber interpretá-las, segundo a iluminação do pensamento para a Vida Superior.

Se já te encontras entre aqueles que atingiram semelhante nível de independência íntima, lembra-te da misericórdia e do perdão para construir.

Todos temos amigos admiráveis pela inteligência e pela segurança interior, que se dividem pelos setores de libertação a que nos reportamos, e que ainda não alcançaram a própria sublimação.

Esse, trabalha na causa do bem comum, no entanto, ainda não se decidiu à conquista de equilíbrio nos sentimentos próprios; outro, se caracteriza pela fé robusta, mas ainda não perdeu a agressividade exagerada; aquele, revela sinais de grandeza nas atitudes pessoais, entretanto, ainda se observa escravizado às teias do apego desmedido à possibilidades transitórias do campo material; aquele outro, já transporta consigo o fulgor da palavra fácil, contudo, ainda se demora nas sombras da crítica destrutiva.

Se já consegues discernir, podes ver melhor, analisando com facilidade as características menos construtivas desse ou daquele irmão de caminhada.


Do livro Paz.
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A Lua Nova - Rabindranath Tagore


Como discutem e como gritam!
Como desconfiam e se desesperam!
Nunca param de brigar!
Que tua vida se ponha entre eles, inalterável e pura
Como uma língua de luz
E lhes imponha silêncio com sua formosura.
Que cruéis os torna a cobiça e o ciúme! Como
Violências disfarçadas sedentas de sangue são suas palavras.
Ponha-se entre seus corações irados e que
Teu olhar sublime caia sobre eles como cai a indulgente
Paz do anoitecer sobre a batalha do dia.
Deixe que olhem tua face
E que assim compreendam o sentido de todas as coisas.
Que te amem, e assim amem um ao outro.
Vem ocupar teu lugar nos braços do Eterno.
Abre e levanta teu coração ao nascer do sol, como uma nova flor.
E quando o sol se pôr, inclina tua cabeça e reze
Em silêncio a oração da tarde.

Prece de Cáritas


Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!

Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!

Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor, para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.

Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.

E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.

Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.

Assim Seja.

Joanna de Ângelis/ Divaldo P. Franco - O Primeiro Desafio


Disposto a esquecer o mal, dedicando-te ao bem, enfrentas o

primeiro desafio.

Incidente doméstico ocorre envolvendo-te emocionalmente.

Tens a impressão que todo o planejamento para o dia se desfaz.

Sentes os nervos abalados e estás a ponto de aceitar a pugna.

Silencia, porém, e age.

O hábito da discussão perniciosa se te instalou no comportamento

e crês que não possuis forças para superar o acontecimento

danoso.

Recorda que estás num clima de efeitos que vêm dos dias anteriores,

quando te engajavas nas provocações, reagindo no mesmo

tom.

Os familiares não sabem das tuas disposições novas e, porque

estão acostumados às querelas e agressões, preservam o ambiente

prejudicial.

Em teu procedimento de homem novo necessitas do autocontrole,

reconquistando os familiares, que se surpreenderão com a

tua nova filosofia de vida.

Contorna o primeiro desafio, dilui por antecipação e com sabedoria

o mal-estar que ele podia gerar.

Este é o passo inicial para o teu dia feliz.


(Divaldo P. Franco/ Joanna de Angelis)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Citações de Rabindranath Tagore


Como as gaivotas e as ondas se encontram, nos encontramos e nos unimos.
Vão-se as gaivotas voando, vão pairando sobre as ondas; e nós também vamos.

Se de noite choras pelo sol, não verás as estrelas.
A luz do sol me saúda sorrindo.
A chuva, sua irmã triste, me fala ao coração.

Se faço sombra em meu caminho, é porque há uma lâmpada em mim que ainda não foi acesa.

Teu sol sorri nos dias de inverno de meu coração, e não duvido jamais das flores de tua primavera.

Quando o dia cai, a noite o beija e lhe diz ao ouvido:
'Sou tua mãe a morte, e te hei de dar nova vida'.

O mistério da vida é tão grande como a sombra na noite.

A ilusão da sabedoria é como a névoa do amanhecer.
Lemos mal o mundo, e dizemos logo que nos engana.

A borboleta conta momentos e não meses, e tem tempo de sobra.

Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes, e então saberás que eu me feri e também me curei.

Cada criança nos chega com uma mensagem de que Deus ainda não se esqueceu dos homens.

Elogios me acanham, mas secretamente imploro por eles.

domingo, 8 de novembro de 2009

Divaldo P. Franco / Joanna de Ângelis - Repouso Também


As muitas tarefas a que atendes exaurem tuas forças e o cansaço anula possibilidades valiosas, que poderias aplicar em realizações de maior profundidade.

Fascinado pelos serviços de variada ordem nos quais buscas esquecer problemas de outro quilate, ao te dares conta, estás vencido, sem o controle que se faz preciso, para maior avanço nas vias da evolução.

Examina os compromissos que te assoberbam e seleciona-os.

Põe em ordem o que deves executar para que o tempo te seja pródigo.

Disciplina as realizações para que se submetam ao teu comando otimista.

Trabalho que enfada é labor que deprime.

Há trabalhos que podes e deves fazer e há deveres que outros podem executar, na tua esfera de ação.

Os serviços de superfície absorvem e desesperam, porquanto se multiplicam sem cessar.

Fugir do que necessitas vencer, significa transferência de luta para tempo e espaço posterior.

Se buscas o cansaço para asfixiar a ansiedade que te persegue, raciocinas como o opiômano, que se entrega a um tormento para a outro tormento fugir.

A Doutrina Espírita, iluminando a mente do homem, dá-lhe os instrumentos de fácil manejo para dissecar os dramas que perturbam, libertando dos falsos problemas resultantes da indisciplina do próprio espírito.

Em face da necessidade de um exame acurado da dificuldade que se faz empecilho à evolução, o aluno do Cristo deve atirar-se ao trabalho, sem dúvida, mas, primeiramente precisa capacitar-se com os valores que o habilitem para a paz legítima, a fim de adquirir alegria nas realizações, desintoxicando-se dos vapores da estafa que irrita, entorpece e dispõe mal.

Usa a “hora morta” meditando.

Cultiva a leitura espírita como norma de aprendizagem.

Conhecendo a Doutrina, perceberás as sutilezas de que se utilizam nossos adversários, já desencarnados, e assim mais facilmente poderás enfrentá-los.

O autoconhecimento, como a auto-iluminação, constituem tesouros que devem ser trabalhados.

Ler ou estudar são hábitos.

O espírita não pode prescindir do estudo.

Estudo também é trabalho...

Não somente merecimento pelo esforço físico, mas também evolução pela renovação íntima ante a luz do conhecimento.

Não menosprezes, desse modo, nos teus labores, o significado da palavra refazimento.

Refazer as forças no repouso representa desdobrar possibilidade de ação contínua.

Nem o sono entorpecente, nem a ação devastadora.

Repouso pode ser entendido como troca de atividades, que funciona como higiene mental, em que encontres prazer sem tédio, alegria sem irritabilidade.

As atividades espíritas para o teu espírito são de alto teor. Dá-lhes prioridade.

Que se dirá de quem, tendo feito muito, nada fez pela serenidade de si mesmo?

Não vale semear uma gleba sem-fim, entregando-a aos parasitos, aos insetos e às ervas daninhas.

Planta e zela.

Levanta o caído e anda um pouco com ele.

Ajuda o necessitado e anima-o um tanto mais.

Os que são levantados e não dispõem de forças para manter-se, quando lhes falta o auxílio, retornam ao chão...

Trabalho e recuperação podem ser considerados termos do mesmo binômio evolutivo.

Amanhã farás o que hoje não conseguires.

Muitas vezes surgem interrogações a respeito dos desaparecimentos do Mestre, nas narrativas evangélicas.

Conjecturas de vária procedência tomam corpo, tentando elucidações.

No entanto, após os labores exaustivos junto ao povo, habitualmente o Senhor buscava orar em profundo silêncio, meditar em demorados solilóquios.

Retemperava, assim, as próprias energias para a áspera liça de esclarecer e consolar, atuando junto aos corações desarvorados e mentes em desalinho, pacificador e harmônico, distribuindo serenidade e equilíbrio como fonte inesgotável, cujas nascentes refrescantes tinham origem nos Céus.

(De “Dimensões da Verdade”, Divaldo P. Franco / Joanna de Ângelis)

Rabindranath Tagore - Cantar me enlouquece


Quando me ordenas cantar, parece que o meu coração vai arrebentar-se...
Pensei que poderia te pedir a grinalda de flores que levas no pescoço...

Essa que ficou sempre na profundidade do meu ser...

A minha libertação...
Daqui por diante eu me expressarei em sussurros...

Cantar me enlouquece...

Quando me ordenas cantar,
parece que o meu coração vai arrebentar-se
de orgulho. Então contemplo a tua face e as
lágrimas me vêm aos olhos.

Tudo o que é duro e dissonante em
minha vida se dissolve em única e doce
harmonia, e a minha adoração abre as
suas asas, como um pássaro alegre voando
sobre o mar.

Sei que tens prazer no meu canto.
Sei que posso chegar à tua presença apenas
como um cantor.

Com a ponta da asa imensamente
aberta do meu canto eu roço os teus pés,
que eu jamais poderia querer alcançar.

Embriagado pela alegria de cantar,
esqueço a mim mesmo e te chamo amigo,
tu que és o meu Senhor.

Pensei que poderia te pedir a
grinalda de flores que levas no pescoço,
mas não me atrevi. Fiquei esperando pela
manhã, quando tivesses ido embora, para
encontrar pedaços dela no leito. E fiquei na
madrugada feito mendiga, procurando
uma ou duas pétalas caídas.

Coitada de mim, o que foi que
encontrei? O que me restou do teu amor?
Nem flor, nem perfume, nem jarro de água
perfumada... Apenas a tua espada
poderosa, flamejante como chama e pesada
como raio na tempestade. A luz jovem da
manhã entra pela janela e se derrama em
teu leito. O pássaro da manhã começa a
cantar, e me pergunta: "Mulher, o que é
que encontraste?" Não, não foi uma flor,
nem perfume e nem jarro de água
perfumada. Encontrei apenas a tua espada
poderosa.

Sento-me e fico cismando, admirada
com essa tua dádiva. Não acho lugar onde
escondê-la. Tenho vergonha de usá-la, tão
frágil sou, e ela me fere quando eu a aperto
contra o peito. Mesmo assim, porém, eu
levarei no meu coração esse honroso fardo
de dor, que é a tua dádiva para mim.

Doravante nada mais temerei neste
mundo, e tu conquistarás a vitória em
todas as minhas lutas. Deste-me a morte
por companheira, e eu vou coroá-la com a
minha vida. A tua espada está comigo para
cortar as minhas amarras, e nada mais
temerei neste mundo.

Doravante eu abandono todos os
adornos fúteis. Senhor do meu coração,
não vou mais ficar esperando ou me
desesperando pelos cantos, e nunca mais
vou ser tímida ou caprichosa. Deste-me
como ornamento a tua espada. Não preciso
mais dos enfeites de boneca.

Essa que ficou sempre na
profundidade do meu ser, no crepúsculo de
vislumbres e percepções momentâneas; essa
que jamais retirou seus véus na luz da
manhã, essa irá ser a minha última
oferenda a ti, meu Deus, envolta na minha canção final.

As palavras a cortejam, mas não conseguiram vencê-la, e a persuasão inutilmente estendeu para ela os seus braços ansiosos.

Vaguei de país em país, conservando-a
no íntimo do meu coração, e ao redor
dela a minha vida ergueu-se e caiu, ao
mesmo tempo forte e frágil.

Embora habite sozinha e afastada, ela sempre reinou sobre todos os meus pensamentos e ações, sobre todos os meus sonos e sonhos.

Muitos bateram à minha porta,
perguntaram por ela, e foram-se embora,
sem esperança.

Ninguém no mundo conseguiu vê-la face a face, e ela continua em sua solidão,
à espera do teu reconhecimento.

A minha libertação, para mim, não está
na renúncia. Sinto o abraço da liberdade
em mil laços de prazer.

Daqui por diante eu me expressarei
em sussurros...
...Gastei muitas e muitas horas na luta
entre o bem e o mal. Mas agora o prazer do
meu companheiro de jogos nos dias vazios
é atrair o meu coração para o seu. E eu
não compreendo por que esse repentino
convite para não sei qual inútil
inconseqüência!

Cantar me enlouquece, e se eu me
desfizesse todo num vôo de canção, nada
me pesaria tanto...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Francisco C. Xavier / Emmanuel - Melhorar Para Progredir

"E a um deu cinco talentos e a outro dois e a outro um,
a cada um segundo a sua capacidade.. ." - Jesus. (MATEUS, 25:15.)

Melhorar para progredir - eis a senha da evolução.

Passa o rio dos dons divinos em todos os continentes da vida, contudo, cada ser lhe recolhe as águas, segundo o recipiente de que se faz portador.

Não olvides que os talentos de Deus são iguais para todos, competindo a nós outros a solução do problema alusivo à capacidade de recebê-los.

Não te percas, desse modo, na lamentação indébita.

Uma hora anulada na queixa é vasto patrimônio perdido no preparo da justa habilitação para a meta a alcançar.

Muitos suspiram por tarefas de amor, confiando-se à aversão e à discórdia, enquanto que muitos outros sonham servir à luz, sustentando- se nas trevas da ociosidade e da ignorância.

A alegria e o fulgor dos cimos jazem abertos a todos aqueles que se disponham à jornada da ascensão.

Se te afeiçoas, assim, aos ideais de aprimoramento e progresso, não te afastes do trabalho que renova, do estudo que aperfeiçoa, do perdão que ilumina, do sacrifício que enobrece e da bondade que santifica...

Lembra-te de que o Senhor nos concede tudo aquilo de que necessitamos para comungar-Lhe a glória divina, entretanto, não te esqueças de que as dádivas do Criador se fixam, nos seres da Criação, conforme a capacidade de cada um.

(Extraído do livro "Palavras de Vida Eterna", Emmanuel - F. C. Xavier)





Verdades - Rabindranath Tagore


Roubo do hoje a força
Fazendo nascer o amanhã.

Da janela acompanho com o olhar
As nuvens do céu.
De novo a sombra sinistra
Tolda tristemente meus sonhos.


Tua imagem me acompanha
Por todos os lugares por onde ando.
E em todos os momentos
É a tua presença que espanta
As brumas do desconhecido.


Não faço perguntas.
Tenho medo das respostas que já sei.
Liberta do invólucro físico,
Devolverei a matéria ao pó de que fora feito.


Vivi meus três caminhos na terra.

Purgatório. Inferno. Céu.
Tudo de acordo com meus projetos,
Minhas atitudes,
Procurando não reincidir nos mesmos erros.



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