sexta-feira, 30 de julho de 2010

Lei do amor


– “Rua!... Rua, infeliz que me ensombraste o nome!...”
– Clama o pai, a rugir para a filha que implora :
– “Não me expulses, meu pai!... Temo a noite lá fora!...”
E ele mostra o punhal na fúria que o consome.


Voa o tempo a rolar, sem que a vida o retome...
Ele, desencarnado, ansioso e triste agora,
Traz à filha exilada o coração que chora,
Espírito a sofrer, em sede, chaga e fome.


Ela sente-lhe a dor, através da lembrança,
E dá-lhe um corpo novo, ante a luz que o descansa
Nos fios da oração, em celeste rastilho!...


E, mais tarde, no lar que os apascenta e acalma,
Ele diz : “Minha mãe, doce mãe de minhalma!...”
E ela diz a cantar: “Deus te abençoe, meu filho!...”

(Narcisa Amália de Campos)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier - Abstém-se

Abstém-se de fixar as deficiências do companheiro e procura destacar-lhe as qualidades nobres, nas quais se caracterizem de alguma forma.
Examina o bem, louva o bem e estende o bem quanto puderes.
A paz pode passar a residir hoje mesmo em nosso campo íntimo. Basta lhe ofereçamos o refúgio da compreensão e isso depende unicamente de nós.
Se te encontras na condição de peça na engrenagem de hoje, a que se acolhem tantas criaturas aflitas, não te entregues ao luxo do desânimo e, sim, trabalha servindo sempre. É preciso aprender a suportar os revezes do mundo, sem perder a própria segurança.
Haja o que houver, trabalha na edificação do bem e segue adiante.
Dor, na maioria das vezes, é o tributo que se paga ao aperfeiçoamento espiritual.
Dificuldade mede eficiência.
Ofensa avalia a compreensão.
A própria morte é nova forma de vida.
Resiste aos movimentos que tendam a desfibrar-te a coragem e mantém-te de pé na tarefa a que a vida te buscou.
Recorda que tudo se altera para o bem.

(Obra: Caminho Iluminado)

Soneto


No exílio é que a alma vive da lembrança,
Numa doce saudade enternecida,
Tendo chorosa a vista que se cansa
De procurar a pátria estremecida;


Com dolorosas lágrimas avança,
Do sonho que teceu e amou na vida,
Para a morte, onde tem sua esperança,
Na celeste ventura prometida.


E Deus, que os orbes cria, generoso,
Na vastidão dos céus iluminados,
Concede a paz ao triste e ao desditoso


Na clara luz dos mundos elevados,
Onde, do amor, reserva o eterno gozo
Para as almas dos pobres desterrados.


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo. Pedro D´ Alcantara & Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ante Os Novos Tempos



Brilham áureos tempos novos,
A inteligência domina,
Fala a Razão cristalina,
Que estuda, aclara e deduz;
A Ciência larga a Terra,
Onde refulge de rastros,
Para a conquista dos astros,
Sob o fascínio da Luz!...

No bojo do firmamento,
Do chão à face da Lua,
A pesquisa continua...
Engenhos e lumaréus!...
A Eletrônica revela
Vida mais alta e mais rica
E o Homem se comunica,
Povo a Povo, Céus a Céus!...

A cultura pede frente,
Entre aplausos invulgares.
No ar, no Solo, nos Mares, -
Em tudo - o apelo ao Porvir!...
De ponta a ponta do Globo,
Em vasta ascensão na História,
Clama o Cérebro - mais Glória!
Grita o Mundo - Progredir!...

Mas no concerto dos louros
Em que a Ideia se embriaga,
Brado aflitivo pervaga -
O choro da multidão!...
São milhões de almas cativas
À ignorância na terra,
Que a noite da angústia encerra
Nos vales de provação!...

A mágoa segue a penúria,
O crime instala a doença,
Lastima-se turba imensa
Encarcerada na dor!...
A legião do protesto
Volve à barbárie sombria,
Supondo na rebeldia
o facho libertador!...

A guerra distende as garras,
Surgem conflitos de sobra,
A descrença se desdobra
Em chaga descomunal...
E a força do raciocínio
Do Píncaro a que se eleva
Não barra a invasão da treva,
Nem doma a fúria do mal...

Do Alto, porém, dimana
Visão diversa das cousas,
Os mortos rebentam lousas,
Irrompem vozes do Além,!...
São Mensageiros do Eterno,
Anjos do Céu sem escolta,
Trazendo a vitória do Bem!...

Companheiros do Evangelho,
Que o vosso Amor vibre, puro,
Edificando o Futuro
Nas leis Exelsas do Pai!...
Eis que o Cristo nos conclama,
Sob o fulgor do Cruzeiro,
Repetindo ao mundo inteiro:
- "Espíritas, educai!..."

(Castro Alves)

Obra: Doutrina e Vida - Francisco C. Xavier.

Supremo engano



Vê-se da Terra o Céu, em toda a vida,
Como um vergel azul de lírios brancos,
Onde mora a ventura, e em cujos flancos
Repousa a grande mágoa adormecida.


Céu! quanta vez minhalma entristecida
Anteviu tua paz, sob os arrancos,
Sob os golpes da dor, rijos e francos,
Na escuridão espessa e indefinida!


Não sonhei com teus deuses venturosos,
Com teus grandes olimpos majestosos,
Cheios de vida e de infinitos bens...


Antegozei, somente, em minhas dores,
A paz livre de trevas e pavores,
Do imperturbável nada que não tens!


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo. Antero de Quental & Francisco Cândido Xavier).

Momento de reflexão - Vitória ou derrota


Quando a dor o alcança, como você reage? Você se entrega e se lamenta ou a enfrenta e sai fortalecido?

Quando a dificuldade o martiriza, você reclama, chora e fica cheio de auto-piedade, ou luta, insiste, prossegue?

Tudo é uma questão de opção.

O jovem Karol Wojtyla sofreu os horrores da segunda guerra mundial. Os nazistas estavam determinados a apagar a Polônia do mapa da Europa.

Naquela época, aquele que se tornaria papa em 1978, atravessou um dos mais difíceis períodos de sua vida.

Ele precisava caminhar durante dias sob um frio congelante para trabalhar numa pedreira.

Também para arrumar comida e remédios para o pai idoso e doente, que morreria em fevereiro de 1941.

Além disso, arriscava a vida ajudando um grupo de teatro que fazia parte da resistência cultural à ocupação nazista.

Arriscava-se ainda a estudar para o sacerdócio como seminarista clandestino, escondido na casa do arcebispo de Cracóvia.

No ano de 1997, o teólogo encarregado de escrever a sua biografia perguntou ao então papa João Paulo II o que ele aprendera naqueles dias de tanta tormenta e incerteza.

A resposta foi breve e direta. Participei da grande experiência dos meus contemporâneos: a humilhação por meio da crueldade.

Algumas pessoas reagiram a essa humilhação de formas diferentes. Outras enlouqueceram, e algumas se suicidaram.

Houve quem aderisse ao caminho da resistência violenta. E quem se tornasse comunista, com a esperança de construir uma utopia no planeta.

O jovem Wojtyla teve uma reação muito diferente. Sob a pressão do mal e dos maus, ele se tornou forte, inquebrantável.

O fato de viver sob intensa pressão na resistência radical à perversidade daqueles dias de guerra, o tornou brilhante, capaz de atravessar obstáculos que o mundo imaginava intransponíveis.

Em 1981, João Paulo II foi baleado. Não arrefeceu na luta por defender os direitos do povo e a idéia de que o espírito humano pode conduzir a história de maneira positiva.

***

Ante os dias difíceis e as lutas constantes, pense em seu fortalecimento moral.

Reserve um lugar especial em sua vida para armazenar as preciosas lições resultantes do combate sem esmorecimento.

Ante a montanha das dificuldades, recorde sempre: aceitar a derrota ou batalhar pela vitória é sua decisão.

Pense nisso!

(enviada por Angela)

Amaral Ornellas - Exortação fraterna

Servidores do Bem, o Mestre nos conclama
Ao o trabalho da luz que abençoa e redime.
Espalhai sobre a Terra os dons do amor sublime,
Guardando a nossa fé por redentora flama.

Contemplai a aflição em que a sombra se exprime,
Assinalai a dor que se desvaira e clama!...
Ide e auxiliai a vida onde a cegueira e a lama
Tecem o espinheiro da miséria e do crime...

Ante o mundo que sofre em medonha procela,
O Espiritismo é luz consoladora e bela
Para a renovação do homem triste e inseguro!

Que o serviço cristão em nós se eleve e brade
Estendendo a beleza, a alegria e a bondade
E teremos com Cristo a Ascenção do futuro.

Emmanuel - Deserções

Sabemos o quanto dói
A deserção de amigos.

Esse alegou cansaço
Procurando repouso.

Aquele deu-se ao ouro
E ausentou-se de nós.

Outro nos viu as provas...
Julgou melhor deixar-nos.

Embora a pés sangrando,
Não te detenhas, segue...

Alguém não te abandona,
O Amigo Eterno; Deus.

(Obra: Ação e Caminho - Francisco C. Xavier)

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier - Alguém deve plantar

"Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus".
Paulo (I Corintios, 3:6.)

Nada de personalismo dissolvente na lavoura do Espírito.

Qual ocorre em qualquer campo terrestre, cultivador algum, na gleba da alma, pode jactar-se de tudo fazer nos domínios da sementeira ou da colheita.

Após o esforço de quem plantam, há quem siga o vegetal nascente, quem o auxilie, quem o corrija, quem o proteja.

Pensando, porém, no impositivo da descentralizaçã o, no serviço espiritual, muitos companheiros fogem à iniciativa nas construções de ordem moral que nos competem. Muitos deles, convidados a compromissos edificantes, nesse ou naquele setor de trabalho, afirmam-se inaptos para a tarefa, como se nunca devêssemos iniciar o aprendizado do aprimoramento íntimo, enquanto que outros asseveram, quase sempre com ironia, que não nasceram para líderes. Os que assim procedem costumam relegar para DEUS comezinhas obrigações no que tange à elevação, progresso, acrisolamento, ou melhoria, mas as leis do CRIADOR não isentam a criatura do dever de colaborar na edificação do bem e da verdade, em favor de si mesma.

Vejamos a palavra do Apóstolo Paulo, quando já conhecia os problemas do auto-aperfeiç oamento, em nos referindo à evangelização: "Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus".

A necessidade do devotamento individual à causa da verdade transparece, clara, de semelhante conceituação.

Sabemos que a essência de toda atividade, numa lavra agrícola, procede, originariamente, da Providência Divina.

De DEUS vem a semente, o solo, o clima, a seiva e a orientação para o desenvolvimento da árvore, como também dimanam de DEUS a inteligência, a saúde, a coragem e o discernimento do cultivador, mas somos obrigados a reconhecer que alguém deve plantar.

(Do livro Segue-me!...)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Pensamentos



"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor, nisso pensai." - Paulo. (Filipenses, 4:8).


Todas as obras humanas constituem a resultante do pensamento das criaturas. O mal e o bem, o feio e o belo viveram, antes de tudo, na fonte mental que os produziu, nos movimentos incessantes da vida.

O Evangelho consubstancia o roteiro generoso para que a mente do homem se renove nos caminhos da espiritualidade superior, proclamando a necessidade de semelhante transformação, rumo aos planos mais altos. Não será tão-somente com os primores intelectuais da Filosofia que o discípulo iniciará seus esforços em realização desse teor. Renovar pensamentos não é tão fácil como parece à primeira vista. Demanda muita capacidade de renúncia e profunda dominação de si mesmo, qualidades que o homem não consegue alcançar sem trabalho e sacrifício do coração. É por isso que muitos servidores modificam expressões verbais, julgando que refundiram pensamentos. Todavia, no instante de recapitular, pela repetição das circunstâncias, as experiências redentoras, encontram, de novo, análogas perturbações, porque os obstáculos e as sombras permanecem na mente, quais fantasmas ocultos.

Pensar é criar. A realidade dessa criação pode não se exteriorizar, de súbito, no campo dos efeitos transitórios, mas o objeto formado pelo poder mental vive no mundo íntimo, exigindo cuidados especiais para o esforço de continuidade ou extinção.

O conselho de Paulo aos filipenses apresenta sublime conteúdo. Os discípulos que puderem compreender- lhe a essência profunda, buscando ver o lado verdadeiro, honesto, justo, puro e amável de todas as coisas, cultivando-o, em cada dia, terão encontrado a divina equação.

(Livro: Pão Nosso - Emmanuel & Francisco Cândido Xavier)

Leôncio Correia - Escreve


Escreve...A folha escrita – um pássaro que voa.
Cada cérebro – um ninho, onde a idéia produz
Amor, ódio, verdade, engano, treva, luz,
Somando mal ou bem,de pessoa a pessoa.


Escreve... A pena talha anseio, glória, cruz,
Virtude, guerra, paz, grilhão, asa, coroa...
O pensamento cria, ampara, aperfeiçoa,
Degrada, oprime, salva, ilumina, conduz!...


Escreve...Mas escolhe o assunto, o verbo, a frase.
Reconforta, constrói, levanta, ensina, traze,
Onde estejas servindo, a inspiração de escol!...


Escreve aprimorando!...O texto mesmo breve
Transforma-se no Além, conforme o que se escreve,
Em cadeia de sombra ou caminho de sol.


(Livro: Poetas Redivivos – Francisco Cândido Xavier)

Emmanuel - Oração da Experiência

Deus de Bondade!
Pelas dificuldades de cada dia;
pelos amigos que se transformaram em opositores;
pelos companheiros que nos deixaram a sós;
pelas críticas destrutivas que nos vergastaram a alma;
pelos desenganos que nos atingem;
pelos irmãos que nos ridicularizam;
pelos entes amados que se nos fazem problemas;
pelas criaturas que nos induzem à tentação;
pelos adversários que nos acusam sem motivo;
por todos aqueles que nos obrigam a entesourar as luzes da experiência.
Nós te agradecemos com respeito, amor repetindo Tranquilos:
- Obrigado, meu Deus.


(Obra: Ação e Caminho)

Emmanuel - Espera

Paz que parece longe?
Espera trabalhando.

Tribulações à mostra?
Permanece em serviço.

Provas Multiplicadas?
Mais amor em ação.

Lutas e desafios?
Serve mais em selêncio.

Sob golpes na pedra,
é que surge a obra-prima.

Quem espera recebe
A resposta de Deus.

(Obra: Ação e Caminho)

domingo, 25 de julho de 2010

Soneto



“Quando cobrir-se o chão de folhas mortas
— Meu coração dizia em grave entono —
Extinguindo-se a vida que comportas,
Dormirás no meu seio o último sono...”


E murmurava a alma — “Findo o Outono,
A Primavera vem por outras portas;
Não existe no túmulo o abandono,
Ou a dor amarga e rude em que te cortas.”


Escutava as vozes comovido,
Morto de angústia, morto de incerteza,
Aguardando o sol-posto, entristecido;


E além da amarga vida de segundos,
Ressurgi da tortura e da tristeza,
Sob os ares sadios de outros mundos!


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo.
Antônio Nobre & Francisco Cândido Xavier).

Emmanuel & Francisco Cândido xavier - Herança

O exemplo de ontem é a raiz oculta que deita as vergônteas floridas ou espinhosas na árvore da tua experiência de hoje.

Tens do que deste, tanto quanto recolhes compulsoriamente do que semeaste.

Nos pais irascíveis e intolerantes, recebes os parceiros de outras eras, com os quais te acumpliciaste na delinqüência, a fim de que lhes reconduzas o passo à quitação perante a Lei.

Na esposa impertinente e enferma, surpreendes a mulher que viciaste a distância de obrigações veneráveis, para que, à custa de abnegação e carinho, lhe restaures no espírito a dignidade do próprio ser.

No companheiro insensato e infiel, tens o ânimo defrontado pelo homem que desviaste de deveres santificantes, de modo a lhe despertares na consciência, a preço de sofrimento e renúncia, as verdadeiras noções da honra e da lealdade.

Nos filhos ingratos, encontras, de novo, aquelas mesmas criaturas que atiraste ao precipício da irreflexão e da violência, a exigirem-te, em sacrifício incessante, a escada do reajuste.

Nos empeços da vida social dolorosa e difícil, recuperas exatamente os estorvos que armaste ao caminho alheio, para que venhas a esculpir, no santuário das próprias forças, o respeito preciso para com a tarefa dos outros.

No corpo mutilado ou desfalecente, impões a ti mesmo a resultante dos abusos a que te dedicaste, esquecido de que todos os patrimônios da marcha são empréstimos da Providência Maior e que sempre devolveremos em época prevista.

Herdamos, assim, de nós mesmos tudo aquilo que se nos afigura embaraço e miséria no cálice do destino.

Se desejas, portanto, conquistar em ti mesmo a vitória da luz, lembra-te, cada dia, de que o meirinho da morte chegará de improviso, reclamando-te em conta tudo aquilo que o mundo te confia à existência, sejam títulos nobres e afeições respeitáveis, sejam posses e privilégios que perduram apenas no escoar de alguns dias, para que, enfim, recebas, por vera propriedade, os frutos bons ou maus de teus próprios exemplos, que impelirão tua alma à descida da treva ou à glória imortal da divina ascensão.


(De "Religião dos Espíritos")

Marco Prisco & Divaldo Pereira Franco - Crise e você

Justificando suas aflições, você relaciona as crises que enxameiam o mundo:

Crise na balança do comércio mundial;

Crise nos negócios, que sofrem ágios altos;

Crise na saúde, que se decompõe por uso de drogas, agressões e permissividades;

Crise de trabalho, com o desemprego de milhões de cidadãos;

Crise ambiental, em virtude da poluição;

Crise de confiança, por falta de ética de fraternidade entre os homens;

Crise de amor, enxovalhado pelas explosões da sensualidade.

Há crise, mas você pode modificar a paisagem que lhe parece anárquica:

Não acuse o caído - levante-o.

Não exceda dos seus direitos - cumpra com os seus deveres.

Não semeie pessimismo - difunda ânimo.

Para sair da crise íntima, inicie um projeto dignificante em seu favor, seguindo a regra do Apóstolo Paulo: "deteste o mal e apegue-se ao bem", sempre e invariavelmente.


(Do livro “Sementes da Vida”)

sábado, 24 de julho de 2010

Casimiro Cunha - Na eterna luz


Quando parti deste mundo
Em busca da Imensidade,
A alma ansiosa da Verdade,
Do azul imenso dos céus,
Fugi do pesar profundo,
Lamentando os sofrimentos,
As mágoas, os desalentos,
Confiado no amor de Deus.


Mal, porém, abrira os olhos
Em meio de luzes puras,
Nas radiantes alturas,
Em célico resplendor,
Compreendi que os abrolhos
Que a Terra me oferecera,
Eram mesmo a primavera
Do meu sonho todo em flor.


Disseram-me então: – “Ó crente
Que chegais a estas plagas,
Fugindo das grandes vagas
Do mar revolto das lutas,
Aportai serenamente
Nesta estância do Senhor,
Pois aqui existe o amor
Nestas almas impolutas!


Aqui existe a pureza,
A meiga flor da Bondade,
O aroma da Caridade
Perfumando os corações;
Não se conhece a torpeza
Da lâmina – hipocrisia,
Que mata toda a alegria,
Provocando maldições.


Aqueles que já sofreram
No dever nobilitante,
Cujo peito sempre amante
Só conheceu dissabores;
Aqueles que conheceram
As feridas dolorosas,
Dessas mágoas escabrosas
De um triste mundo de dores,


Encontram nestas moradas
Tão formosas, resplendentes,
Os clarões resplandecentes
De afetos imorredouros!
As almas imaculadas
São flores das boas-vindas,
Luminosas, sempre lindas,
Ofertando-lhes tesouros:


Os tesouros peregrinos,
Formados de amor e luz
Do Mestre Amado – Jesus,
Arauto do Onipotente;
Os reflexos divinos
Quais lírios iluminados,
Alvos, belos, deífìcados,
Penetrarão sua mente.


Acordai, pois, ó vivente,
Contemplai-vos nesta vida,
Que vossa alma ensandecida
Procure a luz que avigora.
O Senhor sempre clemente,
Concede-vos neste instante
A bênção dulcificante
Do seu amor – doce aurora.


Sacudi o pó da estrada
Que trilhastes na amargura,
Pois agora na ventura
Fruireis consolações;
Nesta esfera iluminada,
Que aportais neste momento,
Não vereis o sofrimento
Retalhando os corações.


Só vereis clarões de luz
A despontar nestas almas,
Tornadas em belas palmas
Das mansões do Criador!
Bendizei, pois, a Jesus,
O Mestre da Caridade,
O Luzeiro da Bondade,
O grande Mestre do Amor!”


Então, eu vi que na Terra
Em meio da iniqüidade,
Na tremenda tempestade
Das dores e expiações,
A nossa alma que ema,
Tão longe das grandes luzes,
Só aproveita das cruzes,
Das amargas provações.


Venturoso, abençoei
A dor que amaldiçoara,
Que renegar eu tentara
Como os míseros ateus,
E feliz então busquei
As bênçãos, flores brilhantes,
Alvoradas fulgurantes
Do amor imenso de Deus.

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier - Murmurações


“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas.” – Paulo. (FILIPENSES, 2:14)

Nunca se viu contenda que não fosse precedida de murmurações inferiores. É hábito antigo da leviandade procurar a ingratidão, a miséria moral, o orgulho, a vaidade e todos os flagelos que arruinam almas neste mundo para organizar as palestras da sombra, onde o bem, o amor e a verdade são focalizados com malícia.

Quando alguém comece a encontrar motivos fáceis para muitas queixas, é justo proceder a rigoroso auto-exame, de modo a verificar se não padecendo da terrível enfermidade das murmurações.

Os que cumprem seus deveres, na pauta das atividades justas, certamente não poderão cultivar ensejo a reclamações.

É indispensável conservar-se o discípulo em guarda contra esses acumuladores de energias destrutivas, porque, de maneira geral, sua influência perniciosa invade quase todos os lugares de luta do Planeta.

É fácil identificá-los. Para eles, tudo está errado, nada serve, não se deve esperar algo melhor em coisa alguma.

Seu verbo é irritação permanente, suas observações são injustas e desanimam.

Lutemos, quanto estiver em nossas forças, contra essas humilhantes atitudes mentais. Confiados em Deus, dilatemos todas as nossas esperanças, certos de que, conforme asseveram os velhos Provérbios, o coração otimista é medicamento de paz e de alegria.


(Livro: "Pão Nosso")

Jardim interno


Comunguemos com Jesus todos os dias — minutos e segundos — na assertiva de que possamos trabalhar na intimidade, para que cresçam, no terreno de nossos corações, as flores do bem e da verdade.

É de grande valor que nos acautelemos em todas as investidas, porque a brandura é a feição divina na área humana. Que em cada passo que dermos possamos deixar a marca da tolerância, da compreensão e da fé; as flores devem perfumar os nossos sentimentos. Mas, para esse cultivo divino, não podemos nos esquecer de atender os nossos pensamentos, que devem ser:
brandos, joviais, firmes, caridosos...
ativando sempre a força do amor que possa, no círculo da fraternidade, expressar-se na presença de Deus.

Devemos nos apresentar como crianças nos braços de Jesus; Ele nos guia, bastando que Lhe entreguemos os corações como flores, nos cestos da fé.

Que cada coração seja um jardim de ouro, a ser cultivado com carinho, tirando a erva daninha para que as plantas resplandeçam para a devida fartura, na alimentação da grande esperança.

Soam os clarins da eternidade e tocam sinos em nossos sentimentos, no Marco Maior que destaca a Doutrina Espírita como sendo Jesus voltando sob o amoroso impulso da salvação da humanidade.

(Scheilla)

Pecado e Pecador


"Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem, é de Deus; mas quem faz o mal, não tem visto a Deus." — ( III João, 11.)


A sociedade humana não deveria operar a divisão de si própria, como sendo um campo em que se separam bons e maus, mas sim viver qual grande família em que se integram os espíritos que começam a compreender o Pai e os que ainda não conseguiram pressenti-Lo.
Claro que as palavras "maldade" e "perversidade" ainda comparecerão, por vastíssimos anos, no dicionário terrestre, definindo certas atitudes mentais inferiores; todavia, é forçoso convir que a questão do mal vai obtendo novas interpretações na inteligência humana.
O evangelista apresenta conceito justo. João não nos diz que o perverso está exilado de nosso Pai, nem que se conserva ausente da Criação. Apenas afirma que "não tem visto a Deus".
Isto não significa que devamos cruzar os braços ante as ervas venenosas e zonas pestilenciais do caminho; todavia, obriga-nos a recordar que um lavrador não retira espinheiros e detritos do solo, a fim de convertê-lo em precipícios.
Muita gente acredita que o "homem caído" é alguém que deve ser aniquilado. Jesus, no entanto, não adotou essa diretriz. Dirigindo-se, amorosamente, ao pecador, sabia-se, antes de tudo, defrontado por enfermo infeliz, a quem não se poderia subtrair as características de eternidade.
Lute-se contra o crime, mas ampare-se a criatura que se lhe enredou nas malhas tenebrosas.
O Mestre indicou o combate constante contra o mal, contudo, aguarda a fraternidade legítima entre os homens por marco sublime do Reino Celeste.


(De "Pão Nosso", de Francisco Cândido Xavier, por Emmanuel)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A evolução


Que nenhuma agressão exterior te perturbe, levando-te à irritação, ao desequilíbrio.

Mantém-te sereno em todas as realizações. A tua paz é moeda arduamente conquistada, que não deves atirar fora por motivos irrelevantes.

Os tesouros reais, de alto valor, são aqueles de ordem íntima, que ninguém toma, jamais se perdem e sempre seguem com a pessoa.

Tua serenidade, tua gema preciosa.

Diante de quem te enganou, traindo a tua confiança, o teu ideal, ou envolvendo-te em malquerença, mantém-te sereno.

O enganador é quem deve estar inquieto o não a sua vítima.

Nunca te permitas demonstrar que foste atingido pelo petardo da maldade alheia.

No teu círculo familiar ou social sempre defrontarás com pessoas perturbadas, confusas e agressivas.

Não te desgastes com elas, competindo nas faixas de desequilíbrio em que se fixam.

Constituem teste à tua paciência e serenidade.

Assim, exercita-te com essas situações para, mais seguro, enfrentares os grandes testemunhos e provações do processo evolutivo. Sempre, porém, com serenidade.

(Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco)

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier - Tudo passará...

Todas as coisas, na Terra, passam...Os dias de dificuldades, passarão...
Passarão também os dias de amargura e solidão...
As dores e as lágrimas passarão.
As frustrações que nos fazem chorar...um dia passarão.
A saudade do ser querido que está longe, passará.
Dias de tristeza... Dias de felicidade...
São lições necessárias que, na Terra, passam,
deixando no espírito imortal as experiências acumuladas.
Se hoje, para nós, é um desses dias repletos de amargura,
paremos um instante.
Elevemos o pensamento ao Alto, e busquemos a voz suave
da Mãe amorosa a nos dizer carinhosamente:
Isso também passará...
E guardemos a certeza, pelas próprias dificuldades já superadas,
que não há mal que dure para sempre.
O planeta Terra, semelhante a enorme embarcação,
às vezes parece que vai soçobrar diante das turbulências
de gigantescas ondas.
Mas isso também passará, porque Jesus está no leme dessa Nau,
segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a agitação
faz parte do roteiro evolutivo da humanidade,e que um dia também passará...
Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro, porque essa é a sua destinação.
Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos,
sem esmorecimento, e confiemos em Deus,
aproveitando cada segundo, cada minuto que, por certo...Também passarão..."
" Tudo passa...exceto DEUS!"

Gonçalves Dias

Debruçada nas águas dum regato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava:
"Ai, não me deixes, não!


"Comigo fica ou leva-me contigo
"Dos mares à amplidão;
"Límpido ou turvo, te amarei constante;
"Mas não me deixes, não!"


E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
"Ai, não me deixes, não!"


E das águas que fogem incessantes
À eterna sucessão
Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
"Ai, não me deixes, não!"


Por fim desfalecida e a cor murchada,
Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
Que a não deixasse, não.


A corrente impiedosa a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
"Não me deixaste, não!"

(Não me deixes!)

O Teu Amor



Dá-lhes amor. Dá todo o teu amor. O teu amor mais profundo. O teu amor mais intrínseco. Verbaliza o teu amor. «Fisicaliza» o teu amor. Diz o quanto amas. Toca, beija, abraça. Fala.

A cada minuto, a cada segundo da tua vida, ama, e demonstra esse amor. Toca em todas as pessoas que se cruzarem no teu caminho. Toca, e passa energia. Olha, e passa energia. Sorri, e passa energia. Ilumina-te, e passa esperança.

Toda a tua vida se vai transformar a partir desse toque, desse olhar, desse sorriso e dessa luz. Todo o Universo vai mudar um pouco à conta da tua atitude. Todo o Universo vai mudar um pouco porque tu escolheste mudar. Todo o Universo vai mudar um pouco porque tu escolheste amar.

E eu, aqui nas alturas, tão distante, vou receber essa energia que vocês escolheram emanar. E eu, aqui neste alto pouso, vou receber o amor que tu escolheste dar.

(Obra: O Livro da Luz – Pergunte, O Céu Responde,
de Alexandra Solnado)
Mensagem enviada por Angela.

A vigília da caridade


Sou a caridade que caminha
Na noite fria de inverno que castiga
A rua está deserta é toda minha
Perambulo como um ser que investiga

O vento frio que corta
A neblina que estende a sua bandeira
O convite ao repouso fecha a porta
Cada lar possui um leito por fogueira

Dorme o magistrado inteligente
Descansa o trabalhador fatigado
Repousa o patrão de muita gente
Todos sob um teto bem telhado

Estou só nesta longa caminhada
Com o vento terei de dialogar
Esperem... vejo um vulto na calçada
Que parece enorme bola a trepidar

São quatro frontes pequeninas
Recostadas em dois braços maternos
São apenas cinco almas peregrinas
Que soluçam por um trapo neste inverno

Suplicaria a ti alma risonha
A migalha que te sobra no guarda-roupa
Mas para quem dorme e profundamente sonha
A CARIDADE mesmo aos gritos tem voz rouca.


(José Grosso & Alvaro Basile Portughesi)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Jésus Gonçalves - A dor


Amiga inseparável dos meus dias,
Quanto sofri sob a pesada cruz
Que me vergava os pobres ombros nús,
Comprimindo-me o peito de agonias.


Bendita companheira de Jesus,
Precursora de eternas alegrias,
Por ti, chorando lágrimas sombrias,
Acendi em minh’alma nova luz.


Agradecendo o cálix de amargura
Que me destes no fel da desventura,
Afastei-me da trilha dos incréus....


Agora sei que sobre o mundo existes,
Ensinando em silêncio às almas tristes
A caminhar na direção dos Céus!

(Livro: Tende Bom Ânimo - Francisco Cândido Xavier - Carlos A Baccelli - Autores Diversos)

A oração


A princípio, é um rumor do coração que clama,
Asa leve a ruflar da alma que anseia e chora...
Depois, é como um círio hesitante da aurora,
Convertendo-se, após, em resplendente chama...


Então, ei-la a vibrar como estrela sonora !
É a prece a refulgir por milagrosa flama,
Glória de quem confia o poder de quem ama,
Por mensagem solar, cindindo os céus afora...


Depois, outro clarão do Além desce e fulgura,
É a resposta divina aos rogos da criatura,
Trazendo paz e amor em fúlgidos rastilhos !..
Irmão, guardai na prece o altar do templo vosso!
Através da oração, nós bradamos: - “Pai Nossos”
E através dessa luz, Deus responde: - “Meus filhos!”


(Do livro À Luz da Oração - Amaral Ornelas & Francisco Cândido Xavier).

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Peregrinações da alma


Do mesmo modo que do sangue a menor partícula,
Jorrando do coração, em nossas veias circula,
Nossa vida, emanando da Divindade,
Gravita o infinito durante a eternidade.

Nosso globo é um lugar de prova, de sofrimento;
É aí que estão os choros, os ranger de dentes;
Sim, é aí que está o inferno do qual nossa libertação
Prende-se ao grau do mal de nossos antecedentes.

É assim que cada um, deixando este baixo mundo,
Se eleva mais ou menos para um mundo etéreo.
Segundo seja mais puro ou mais ou menos imundo,
Seu ser se liberta ou se acha atraído.

Ninguém pode dos eleitos alcançar a carreira
Sem ter por inteiro expiado as suas faltas,
Se o cruciante remorso, o lamento, a prece,
Não lançaram sobre seus erros um véu de benefícios.

Assim o Espírito errante, ou antes a alma em pena,
Vem tomar um novo corpo neste mundo para sofrer,
Renascer para a virtude na família humana,
Depurar-se pelo bem, e de novo morrer.

Sua santa missão uma vez terminada,
Súbito Deus os retira para a celeste morada,
E progressivamente sua alma é elevada
Ao foco infinito do oceano de amor,

Ao nosso turno, também, nossa prova termina,
Pelo amor elevado às santas regiões,
Triunfantes iremos, no seio da harmonia,
Desses felizes eleitos aumentar as legiões.

Lá, para maior felicidade e por cúmulo de embriaguez,
Àqueles que nos são caros Deus nos reunirá;
Confundidos no impulso de uma santa carícia,
Sob um céu sempre puro sua mão nos abençoará.

No bem, no belo, mudando de modo de ser,
Elevar-nos-emos na santa cidade,
Onde veremos sem fim aumentar o nosso bem-estar
Pelo infinito tesouro da felicidade.

Dos mundos graduados subindo a escala imensa,
Sempre mais depurados mudando de confins,
Iremos, radiosos, acabar onde tudo começa,
Renascer cheios de amor, e brilhantes serafins.

Seremos os primogênitos de uma raça nova,
Os anjos guardiães de homens a chegar;
Celestes mensageiros do bem que Deus revela,
Dos mundos nós iremos enriquecer o futuro.

De Deus tal é, creio, a vontade verdadeira,
No imenso percurso de nossa humanidade,
Humanos, inclinemo-nos, sua ordem é imutável;
Cantemos todos: "Glória a ele, durante a eternidade!"

(B. Jolly, herborista de Lyon)

Caminhando com Jesus

Segues, com o passo acelerado, o caminho que traçaste para ti;

Destemido, olhas ao teu redor, como que desafiando os que intentam seguir-te;

Sempre cauteloso, desvias-te das armadilhas que pressentes em torno de ti;

Se, por acaso, te chamam, evitas parar a fim de não te atrasares.

Segues, assim, confiante, apressado e improdutivo.

Experimenta diminuir a marcha acelerada, e deixa desafogar o olhar; abandona a posição defensiva em que te colocas.

Ampara o irmão que sofre bem ao teu lado; sê para ele o abençoado bordão, ao qual ele poderá arrimar-se.

É meritória a tua pressa em alcançar os nobres objetivos a que te propuseste, mas, hoje, em que a luz do Evangelho já clareia o teu caminho, não podes mais, ou não deves mais, seguir sozinho.

Seguir, sim, naturalmente, mas seguir com Jesus, olhando para os que estão à margem da vida, para auxiliá-los. Muitos já passaram por ti e te ajudaram; faze o mesmo.

Não cogites sobre atrasos, nem desperdices oportunidades. Os que caminham praticando o Bem, nunca se atrasam. Ao contrário, toda ação boa, praticada, gera, sem dúvida nenhuma, progresso evolutivo.

Almejas a reforma moral, assim como desejas alcançar a paz na Vida espiritual; pois, então, inicia pela ação construtiva do amor ao próximo.

A vida, construída em torno do amor, da caridade e da fé, é progresso ascensional na caminhada.

Os que andam apressados e indiferentes às necessidades do próximo, atrasam os planos de Deus para com eles.

Os que encontram Jesus e O amam, empreendem, de imediato, a modificação dos hábitos; aprendem a servir e anseiam auxiliar os sofredores.

A construção dessa nova perspectiva, dessa nova visão, deve ser a meta de todo cristão. Almejar apenas a reta de chegada é esquecer de caminhar, firme e constantemente.

Se temes as armadilhas do caminho, protege-se delas pela sólida aplicação do Evangelho. Divulga o que aprendeste, auxilia os que te estendem as mãos, e verás que Jesus, o divino peregrino, te acompanhará.

Confia n' Ele e segue sereno.

(Amélia & Vera Cohim, no Lar Espírita Chico Xavier).

André Luiz - Calma


Se você está no ponto de estourar mentalmente, silencie alguns instantes para pensar.

Se o motivo é moléstia no próprio corpo, a intranqüilidade traz o pior.

Se a razão é enfermidade em pessoa querida, o seu desajuste é fator agravante.

Se você sofreu prejuízos materiais, a reclamação é bomba atrasada, lançando caso novo.

Se perdeu alguma afeição, a queixa tornará você uma pessoa menos simpática, junto de outros amigos.

Se deixou alguma oportunidade valiosa para trás, a inquietação é desperdício de tempo.

Se contrariedades aparecem, o ato de esbravejar afastará de você o concurso espontâneo.

Se você praticou um erro, o desespero é porta aberta a faltas maiores.

Se você não atingiu o que desejava, a impaciência fará mais larga a distância entre você e o objetivo a alcançar.

Seja qual for a dificuldade, conserve a calma, trabalhando, porque, em todo problema, a serenidade é o teto da alma, pedindo o serviço por solução.


(Francisco C. Xavier)

Soneto 71

Quando eu morrer não chores mais por mim
Do que hás de ouvir triste sino a dobrar
Dizendo ao mundo que eu fugi enfim
Do mundo vil pra com os vermes morar.

E nem relembres, se estes versos leres,
A mão que os escreveu, pois te amo tanto
Que prefiro ver de mim te esqueceres
Do que o lembrar-me te levar ao pranto.

Se leres estas linhas, eu proclamo,
Quando eu, talvez, ao pó tenha voltado,
Nem tentes relembrar como me chamo:

Que fique o amor, como a vida, acabado.
Para que o sábio, olhando a tua dor,
Do amor não ria, depois que eu me for.

(William Shakespeare)

Emmanuel - Serenidade e paciência

No sentido de preservar a própria paz, é indispensável nos disponhamos a manter criteriosa atenção sobre nós mesmos.
O conflito de resultados inavaliáveis pode surgir da explosão de sentimentos descontrolados; entretanto, não se obtém a paz sem esforço.
Quem acredite no imaginário valor da desinibição despropositada, no intuito de garantir o equilíbrio próprio, observe a força elétrica desorientada ou trânsito sem disciplina.
Ninguém possui uma serenidade que não construiu. Dai, o impositivo da vigilância em nós próprios.
Não se trata de prevenção contra ninguém e sim de auto-governo.
Para semelhante realização, ser-nos-á justo enfileirar certas obrigações primordiais que se nos mostram por alicerces da consciência tranquila.
compreendamos que somos colocados, uns à frente dos outros, a fim de aperfeiçoar-nos.
Abracemos as iniciativas de concórdia sem esperar que determinadas pessoas venham a promovê-las.
Pelos erros alheios que claramente nos preocupem, examinemos os nossos com a sincera resolução de corrigi-los.
Não nos aborreçamos com o trabalho que a vida nos confia, de vez que, através dele, é que atingiremos a promoção justa na escala de valores da vida.
Nunca nos esqueçamos de que a eficiência não se harmoniza com a pressa, mas não se fará vista sem apoio na diligência.
Convém lembrar que os nossos ouvidos podem ser transformados em extintores do mal, todas as vezes em que o mal nos procure.
Aceitemos a realidade de que o próximo não tem a nossa formação e saibamos respeitar cada criatura na posição em que se encontra.
Em suma, a serenidade não é uma aquisição espiritual que se faça em toque de mágica e sim, através do trabalho, muitas vezes, duro e áspero da paciência em ação.

(Do livro: Calma - Francisco C. Xaxier)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Soneto - Luis Caetano P.G. Júnior


Na escuridão dos anos procelosos,
Da velhice nos dias mal vividos,
Eu quisera voltar aos tempos idos
Da juventude, aos tempos bonançosos.


Mal podia julgar que inda outros gozos
Mais sublimes que aqueles já fruídos,
Nas esteiras de prantos esquecidos,
Acharia nos céus maravilhosos.


Pairar no Além!... volver ao lar primeiro,
Ressurgido em perene mocidade,
Clarão de paz ao pobre caminheiro!...


No limiar das amplidões da Altura
Penetrei, vislumbrando a Imensidade,
Soluçando empolgado de Ventura.


(Obra:Parnaso de Além-Túmulo - Francisco Cândido Xavier)

André luiz - Apontamentos cristãos

Meus amigos: Jesus conosco.
Em tarefa junto de nosso agrupamento, valendo-nos do ensejo para transmitir, à vossa casa, alguns apontamentos cristãos.

1º- Não te escolarizes.
O punhal de nossa ira alcança-nos a própria saúde impondo-nos o vírus da enfermidade.

2º- Não critiques.
A lâmina de vossa reprovação volta-se invariavelmente, contra vos, expondo-vos as próprias deficiências.

3º- Não comentes o mal do próximo.
O lodo da maledicência derrama-se sobre os nossos passos, enodoando-nos o caminho.

4º- Não apedrejes.
Os calhaus da nossa violência de hoje tomarão amanhã, por alvo, a nossa própria cabeça.

5º- Não desesperes.
O raio de nossa incomprienção aniquilará a sementeira de nossos melhores sonhos.

6º- Não perturbes.
O ruído de nossa discussão desorientar-nos-há o próprio raciocínio.

7º- Não escarneças.
O fel de vosso sarcasmo azedará o vinculo da alegria no caso de nosso coração, envenenando-nos a existência.

8]- Não escravizes.
As algemas de nosso egoísmo aprisionar-se-ão no cárcere da loucura.

9º- Não odeies.
A labareda de nosso ódio incendiar-se-á o próprio destino.

10º- Não firas.
O golpe de nossa crueldade, brandido na direção dos outros, retornará a nós mesmos, inevitavelmente, fazendo chagas de dor e aflição no corpo de nossa vida.

Amor de Deus

O Universo infinito que não podemos ainda desvendar pela nossa ignorância espiritual, é movido pelo Amor de Deus, vibrando constantemente, equilibrando astros, galáxias e demais corpos celestes.
O Amor de Deus para com todos os seus filhos que habitam os vários planetas espalhados pela imensidade do Universo; é tão grande quanto justo, que só se pode alcançar pela humildade e a sensibilidade dos corações puros.
Todas as leis que regem os mundos, nasceram do Amor de Deus pela Humanidade.
Quando alcançamos o verdadeiro o verdadeiro Amor em espírito e verdade é que poderemos dar o verdadeiro significado do Amor de Deus pela Humanidade, em toda a sua plenitude.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Máximas

*A humildade é o altar sobre o qual Deus quer que lhe ofereçam sacrifícios.
(La Rochefoucauld)

*O gesto amigo multiplica a dádiva.

*A resignação e a fé vencem a dor.

*A Deus nada se pede, se agradece.

*Serás feliz quando compreenderes Deus.

*A felicidade não se consegue em ter dinheiro, mas o valor com a sua aplicação.
(Irmão José)

*Nunca esqueças os benefícios que recebestes, mas esquece rapidamente os que fizestes.
(Públio Siro)

*Ide por todo o mundo a anunciar o Evangelho a todas as criatiras.
(João, o Evangelista)

domingo, 18 de julho de 2010

André Luiz & Francisco C. Xavier - Acordemos


É sempre fácil
examinar as consciências alheias,
identificar os erros do próximo,
opinar em questões que não nos dizem respeito,
indicar as fraquezas dos semelhantes,
educar os filhos dos vizinhos,
reprovar as deficiências dos companheiros,
corrigir os defeitos dos outros,
aconselhar o caminho reto a quem passa,
receitar paciência a quem sofre
e retificar as más qualidades de quem segue conosco...
Mas enquanto nos distraimos, em tais incursões a distância de nós mesmos,
não passamos de aprendizes que fogem, levianos, à verdade e à lição.
Enquanto nos ausentamos do estudo de nossas próprias necessidades,
olvidando a aplicação dos princípios superiores que abraçamos na fé viva,
somos simplesmente cegos do mundo interior relegados à treva...
Despertemos, a nós mesmos, acordemos nossas energias mais profundas
para que o ensinamento do Cristo não seja para nós uma bênção que passa, sem proveito à nossa vida, porque o infortúnio maior de todos para a nossa alma eterna
é aquele que nos infelicita quando a graça do Alto passa por nós em vão!...

(Obra: Caridade)

Ondas do mar


As ondas do mar se quebravam
Na praia de areia fina,
Refletindo a luz,
O sol,
O calor.

Brincando na praia
As conchas retinham o marulhar do mar,
Pra enganar.
No ar salgado,
A maresia brincava como o vento:
Juntos a correr pela areia
Macia,
Brilhante,
Leve.

Sonhos são levados pelas ondas da vida.
Saudade é maresia que traz hálito
De lembranças.
O sol aquece e nós esperamos anoitecer
E quem sabe, um novo amanhecer.

(Fonte: "O Canto da cotovia")

Diante das Ofensas


Não nos é lícito parar a máquina do pensamento para sopesar injúrias e desencantos. Se adversários desejam esmagar-nos através de sarcasmos que, em nos espancando o rosto e o coração, nos façam cair sob agonias morais insustentáveis, oremos por eles, pedindo a Jesus que os abençoe e livre do mal, a fim de que produzam o bem para que o bem permaneça.

(Batuíra & Chico Xavier)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Emmauel - Necessidade de ação

Os casos particulares não me permitem ser demasiado extenso, mas não me furto ao desejo de vos dizer duas palavras, corroborando a explanação elucidativa junto das preces da noite.
Espiritismo, filhos, é luz, e é necessário que cada um daqueles que o abraçam procure brilhar, testemunhando a sua claridade.

As nossas mensagens, a possibilidade de comunicação entre dois mundos, são permitidas por Deus, a fim de que o homem vislumbre as realidades espirituais, aplicando-as à sua passageira vida na terra.
É necessário cessar a época do verbalismo vazio.
Há muitos séculos a humanidade tem vivido uma época de pura predicação sem exemplos.
O que temos visto em todos os tempos? Tribunas, púlpitos, livros, prolixidade de pedagogia gratuita, dentro de uma multiplicidade assombrosa de demagogos e de arautos.
Chegaram os tempos da iniciativa própria, do esforço pessoal em favor da iluminação conscencial do individuo, perdido no oceano da coletividade.
Cada homem deve e pode possuir qualidade auto-didata.
Os espíritas necessitam compreender essa necessidade de ação no campo individual.
Ação essa que se irradiará naturalmente para o mundo largo das sociedades.
Sem esforço nada se terá feito.
As obras de caridade material têm sido edificadas pela igreja católica.
Seus hospitais, seus orfanatos, suas freiras, seus conventos, onde se efetuam sopas a pobres e recolhimento dos desvalidos, estão por toda a parte.
O que os espíritas não estão percebendo é que a eles competem organizar sua consciência verdadeiramente cristã nessa civilização da fome e da febre de ouro.
è preciso que se arregimentem os exemplos de predicações pelos atos, trabalhando e enfrentando corajosamente as penúrias da vida, sem estagnação, sem fanatismo, sem recuos para épocas primitivas do pensamento.
É doloroso que sejamos mentalidades que deveriam está afinadas em obras evangélicas, perdidas no lábaro ingrato de doutrinações inoportunas e desnecessárias.
Os espíritas precisam saber que obras materiais não faltam no mundo, os grandes colossos de pedra assombram as iniciativas dos mais ousados.
Eles ficaram, de fato, com o apostolado da pobreza da Humildade de Assis na restauração do cristianismo, mas compete-lhes fornecer com os exemplos na ação, na tolerância, no trabalho, no esforço, na piedade e na resignação, uma alma a esses gigantes de alvenaria.
Faz-me necessário dar calor às cátedras imensas e frias. E esse calor só poderá nascer da fé realizadora e ativa, que trabalha e opera, longe de qualquer cristalização teórica.
tempo da palavra vazia passou.
O tempo atual é dos atos.
Aliemos nossos esforços e trabalhemos.
Precedamos qualquer ensinamento com um exemplo de ordem pessoal.
O mundo está intoxicado pela generalização da cultura sem base, sem bússola, sem norte espiritual.
Aprendamos e pratiquemos, trabalhando, laborando com nossos desprendimento, sem nos finalizarmos, dentro das atividades que nos cabe desenvolver e dentro da tarefa que nossa cabe desempenhar.
Se emprego o "nós", nestes meus apelos é que também aqui não descansamos.
Não estamos inativos.
A luta é condição primordial de qualquer conquista.
Aprendamos com Jesus e coloquemos ao seu serviço toda a nossa boa vontade.

Obra: Doutrina e Vida - Francisco C. Xavier)

Elucidações...


*Desprezo de alguém é aula da vida para aquisição de humildade.

*Deus colocou a esperança em cada realização da natureza, por que haveremos nós de desesperar?

*Deus nos ampara, afim de que amparemos aos mais necessitados que nós mesmos.

*Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graça aos humildes. (TIAGO, do livro: A CARTA DE TIAGO p/ os Cristãos de todos os tempos).

*Deus, com o tempo, oferece ao homem todas as oportunidades que se lhe fazem necessárias ao aperfeiçoamento.

*Devo compreender que o erro de outrem, hoje, talvez será o meu amanhã, já que nas trilhas evolutivas da Terra todos somos ainda portadores da natureza humana.

*Diante de quaisquer dificuldades, e, sobretudo, nas horas de amargura suprema, confia à Divina Providência as dores que te vergastam a alma!... (Emmanuel - Chico Xavier, do livro: ALMA E CORAÇÃO)

*Diante do acesso aos mais altos valores da vida, Jesus e Kardec estão perfeitamente conjugados pela Sabedoria Divina. JESUS, a porta. KARDEC, a chave. (Do livro: OPINIÃO ESPÍRITA)

*Diante dos obstáculos, fazer o melhor e seguir para a frente.

*Dificuldade é um teste de paciência.

Dificuldades que te surpreendam são os testes aconselháveis em que te cabe encontrar aproveitamento. (Emmanuel)

*Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. (TIAGO, do livro: A CARTA DE TIAGO para os Cristãos de todos os tempos).

*Distribua o que lhe sobre à mesa, tanto quanto no guarda-roupa e na bolsa; contudo, siga além, doando a quem sofre os recursos positivos de seu sentimento.

André Luiz & Francisco C. Xavier - Viver melhor


Todos queremos ser felizes, viver melhor.
Entretanto, ouçamos a experiência.
A felicidade não é um tapete mágico. Ela nasce dos bens que você espalhe, não daqueles que se acumulam inutilmente.
Tanto isto é verdade que a alegria é a única doação que você pode fazer sem possuir nenhuma.
Você pode estar em dificuldade e suprimir muitas dificuldades dos outros.
Conquanto às vezes sem qualquer consolação, você dispõe de imensos recursos para reconfortar e reerguer os irmãos em prova ou desvalimento.
A receita de vida melhor será sempre melhorar-nos, através da melhora que venhamos a realizar para os outros.
A vida é dom de Deus em todos.
E quem serve só para si não serve para os objetivos da vida, porque viver é participar, progredir, elevar, integrar-se.
Se aspirarmos a viver melhor, escolhamos o lugar de servir na causa do bem de todos.
Para isso, não precisa você acondicionar-se a alheios pontos de vista.
Engaje-se na fileira dos servidores que se lhe afine com as aptidões.
Aliste-se em qualquer serviço no bem comum.
É tão importante colaborar na higiene do seu bairro ou na construção de uma escola, quanto auxiliar a a uma criança necessitada ou prestar apoio a um doente.
Procure a paz, garantindo a paz onde esteja.
Viva em segurança, cooperando na segurança dos outros.
Aprendamos a entregar o melhor de nós à vida que nos rodeia e a vida nos fará receber o melhor dela própria.
Seja feliz, fazendo os outros felizes.
Saia de você mesmo ao encontro dos outros, mas não resmungue, nem se queixe contra ninguém. E os outros nos farão encontrar Deus.
Não julgue que semelhante instrução seja assunto unicamente para você que ainda se acha na Terra. Se você acredita que os chamados mortos estão em paz gratuita, o engano é seu, porque os mortos se quiserem paz que aprendam a sair de si mesmos e a servirem também.

(Obra: Respostas da Vida).

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Ingredientes do êxito

O êxito espera por você.

Largue as sombras do passado como a árvore que lança de si as folhas mortas.

Mobilize o pensamento para criar vida nova e melhore os próprios conhecimentos, estudando sempre.

Saliente qualidades e esqueça defeitos.

Desenvolva os seus recursos de simpatia e evite qualquer impulso de agressão.

Habitue-se a sorrir e aprenda a escutar para saber compreender.

A melhor maneira de extinguir o mal será substituí-lo pelo bem.

Viva o presente, agindo e servindo com fé, sem afligir-se pelo futuro, porque, para viver amanhã, você precisará viver hoje.

A dificuldade é o meio de que a vida se vale para melhorar-nos em habilitação e resistência.

Ampare-se, amparando os outros. Censurar é fórmula eficiente de complicar-se.

Todo tempo é tempo de Deus para restaurar e corrigir, começar e recomeçar.

(Do livro “Respostas da Vida”, de Francisco Cândido Xavier, por André Luiz)

Quem tem poder

Muito curiosa é a marcha do ser humano em busca do que ele considera uma grande conquista. E dentro desse contexto, está a sede pela posse do poder.

E o poder tem se constituído numa verdadeira obsessão. Em todos os tempos há os que o buscam de forma incessante, incansável e perturbadora.

Há os que desejam o poder do dinheiro, mas a morte os afasta das propriedades e dos cofres abarrotados, para que experimentem, no país da verdade, as realidades da vida.

Há os que espreitam o poder da política terrena, ansiosos, mas a morte os exclui das decisões bem urdidas, dos conchavos escusos, onde se julgavam fortes, imbatíveis, para que possam identificar as realidades da vida.

Há aqueles que se impõem, respeitados por uns, temidos por muitos, dominando exércitos submissos ao seu comando arbitrário, caprichoso; mas a morte arranca-lhes a espada e a lança, fazendo silenciar a sua voz de comando, conduzindo-os ao contato das realidades da vida.

Em tronos de soberba e crueldade, há os que se envaidecem, os que se vangloriam, tendo os ombros recobertos de púrpura, tendo coroas de gemas e ouro sobre atormentadas frontes. A morte, porém, rouba-lhes o cetro, desaloja-os do trono de ilusão e lhes impõe o conhecimento das realidades da vida.

Há muitos que exercem poder sobre familiares indefesos que, frágeis, suportam ameaças, violências físicas e morais, pondo à mostra seu temperamento ácido. No entanto, chega a morte e lhes desarticula da presunção, desarma-lhes a prepotência, arremessando-os para as realidades da vida.

Nenhum poder tipicamente do mundo resiste às transformações que o tempo a tudo impõe.

Em verdade, somente a vida, a vida do espírito imortal, carrega em suas engrenagens as lentes ideais para que se veja e entenda o que realmente existe como força no mundo todo.

A morte, então, é transformada em eficiente mensageira da realidade, com o objetivo de destronar os orgulhosos, de desmascarar os enganados e desmoralizar os hipócritas.

Do mesmo modo, essa mensageira abençoa os que trabalham com honestidade e lucidez nos campos terrenos, permitindo-lhes usufruir da ventura semeada.

A morte, agindo sobre o corpo físico, determina o final das experiências enlouquecidas da alma sobre a terra, fazendo fechar-se o ciclo de abusos, de desmandos, a fim de que o espírito, esse viajante da evolução, possa cair em si, através de meditações profundas, despertando para as realidades da vida.

Quem detém o verdadeiro poder, no mundo, é todo o indivíduo que se acostumou a construir a paz dentro de si, por meio de árduas disciplinas, conseguindo espalhá-la em derredor.

O verdadeiro poder no mundo pertence àquele que trabalha com honradez, calejando as próprias mãos, simbolicamente, ajudando a iluminar as estradas sombrias do planeta.

Somente aqueles que sabem renunciar aos convites dos vícios do mundo, a fim de conquistar as virtudes sublimes que valorizam o íntimo da criatura, é que são reais detentores do mais grandioso poder: o poder sobre si mesmos.

***

O poder do mundo é passageiro, é precário, é temporal. O poder do espírito é imorredouro e propicia a verdadeira felicidade a quem o possui.

O poder real é daquele que tudo podendo exigir, torna-se, na terra, o verdadeiro servidor de todos.


(Cap. VI do livro: "Ante o vigor do espiritismo", de Raul Teixeira)

Começar outra vez


Alma querida, escuta!... Entre os lances do mundo,
Se escorregaste à beira do caminho
E caíste, talvez, em pleno desalinho,
Na sombra que te faz descrer ou desvairar,
Ante a dor de visita, a renovar-te anseios,
Não desprezes pensar! ... Levante-te e confia,
Porque a vida te pede, abrindo-te outro dia:
- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

Ergue-te regressando à estrada justa,
Contempla a terra amiga em derredor,
Vê-la-ás, pormenor em pormenor,
Por mãe que sofra e sangra, a recriar ...
Medita na semente à sós, que o lavrador sepulta...
Quando alguém a supõe, humilhada e indefesa,
Ressurge em brilho verde, ouvindo a Natureza:
- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

Fita o perfurador rasgando as entranhas da gleba;
O homem que o maneja, a golpes persistentes,
Pesquisa, sem cessar, todos os continentes,
Do deserto escaldante aos recessos do mar...
E eis que a lama oleosa, esquecida há milênios,
Trazida à flor do chão, é ouro e combustível,
Que o progresso conclama em ordem de alto nível:
- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

Toda força lançada em desvalia
Quando erguida, de novo, em apoio de alguém,
Retoma posição no serviço do bem,
Utilidade viva a circular...
Olha a pedra moída, em função do cimento
E o barro que assegura a gestação do trigo,
Falando a todos nós, em tom seguro e amigo:
- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

Assim também, alma fraterna e boa,
Se caíste em momentos infelizes,
Não te abatas, nem te marginalizes,
Levanta-te e retoma o teu próprio lugar!...
Aceita os grilhões das provas necessárias,
Esquece, age, abençoa, adianta-te e lida,
E escutarás a voz da Lei de Deus na vida:
- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...


(Livro: “Vida em Vida” Maria Dolores & Francisco Cândido Xavier)

Amália Rodrigues & Divaldo P. Franco - Silêncio Impossível



O progresso marcha, lenta ou aceleradamente, e ninguém o pode deter. É o processo natural da vida, que evolui sistematicamente sem nunca parar. O repouso, por isso mesmo, e a inércia não fazem parte dos seus quadros.
O mesmo ocorre com a verdade. Não pode ser impedida, porque o seu fluxo, o seu curso, é inestancável.
Quanto mais lúcida a civilização, mais claro se lhe desvela o conhecimento da verdade, ultrapassando o chavão comum, que fala a respeito daquela que é de cada um. Expande-se e, mesmo quando sombreada pelos cúmulos dos preconceitos e dos comportamentos arbitrários, rompe o aparente impedimento e brilha com todo o esplendor.
A verdade é única, embora sejam conhecidas apenas algumas das suas faces; particularmente aquelas que podem ser aceitas sem muitas discussões ou querelas.
As palavras, que pretendem apresentá-la ao mundo e às pessoas, não poucas vezes, alteram-na, confundem quem a busca, divide-a em ideologias e interpretações, causando dificuldades e problemas.
Dela se utilizam todos os indivíduos conforme a estrutura mental e o interesse moral de cada qual.
Matam em seu nome, embora ela proceda do Amor; personagem sob a sua bandeira, apesar de expressar-se como paz; confundem-na, mediante os seus textos, e a sua proposta é clara quão universal; preparam, seguindo as regras da interpretação que lhe concedem, mesmo originada do pensamento unívoco de Deus...
Todas as pessoas pretendem possuí-la, e quando pensam detê-la, ou querem retê-la, eis que escapa e expande-se.
Buscam asfixiá-la em um lugar e ressurge noutro.
Imbatível, termina por impregnar as mentes e acolher-se nos corações.
A verdade é transparente como a luz diáfana do amanhecer; é vida que nutre e pão que alimenta.
A verdade procede de Deus e a Ele conduz o pensamento, as realizações e os seres.
Por isso, é impossível o seu silêncio.
A inquietação é inimiga da serenidade, e esta resulta do conhecimento da verdade.
Na quietude da meditação e no recolhimento do trabalho, ei-la que se expressa, abrindo espaço para a iluminação.
Para perpetuá-la no seu conteúdo espiritual os místicos e santos de todos os tempos retiveram-na em indumentárias delicadas: contos, koans, lendas, e Jesus apresentou-a em encantadoras parábolas.
Os homens, em diferentes épocas, temiam-na, e, por isso, não a aceitavam desnuda. Mas a recebiam, para o entendimento, quando adornada de fantasias, de fábulas, de símbolos.
Naquela circunstância era necessário que todos a conhecessem na sua apresentação legítima: o fato consumado, inegável.
Todos quantos ali estavam viram-na e comoveram-se. Talvez não a entenderam.
Por isso, apelaram para os envoltórios, a que se acostumaram.
O coxo andara e prosseguia andando. Não se tratava de um impressionável adolescente, mas, sim, de um homem de quarenta anos, maduro, que sabia discernir, e dava o testemunho: - Eu era limitado; agora ando.
Este o fato: a verdade inconfundível!
Há pessoas que preferem ignorar a verdade, porque aceitá-la é ver-se na encruzilhada da decisão. Não mais pode ser como anteriormente, receando mudar e não possuir forças para prosseguir. Essa energia, no entanto, haure-se nela mesma, que impulsiona para a frente, que sustenta no desempenho a vivência dos seus postulados.
Adiá-la, significa prosseguir na ignorância, sofrer, quando se torna possível ser feliz.
Jesus afirmou que a verdade liberta, porque desalgema, dignifica, impondo responsabilidade e dever, que são as suas primeiras conseqüências.
Pedro e João conviveram com o Mestre, que a expressara nas palavras, na conduta e na autodoação.
Pedro fora vítima da própria defecção por fragilidade moral, porém, sustentado por ela reergueu-se e tornou-se seu embaixador.
Com o jovem amigo, que a tinha iluminando-o interiormente, pôs-se a apresentá-la de forma incorruptível. Agora era a hora de confirmá-la.
A notícia do feito alcançou os ouvidos das torpes e atormentadas autoridades da governança.
Receosos do efeito do acontecimento, tomaram providências, mandando seus esbirros aprisionarem os dois humildes galileus que provocavam tal reboliço.
Temiam que o fermento do bem levedasse a massa informe e ameaçasse a sua dominação inescrupulosa.
A alternativa para a sua mesquinhez era o poder da força.
E mandaram ao cárcere os inimigos em potencial conforme via sua óptica distorcida.
Sempre se repete a cena da covardia: intimidar a verdade, ameaçando ou vencendo aqueles que a apresentam. Porque não a podem vencer, buscam silenciá-la, inutilizando os seus porta-vozes.
Já era tarde quando os prisioneiros foram trazidos ao Tribunal, e por isso mesmo, foram arrojados ao cárcere até o dia seguinte, quando os submeteram a interrogatório diante do recuperado paciente, que prosseguia saudável.
Novamente mediunizado, Pedro enfrentou os algozes e não se deixou atemorizar ou confundir ante os hábeis sofistas enganadores do povo.
Haviam sido presos, porque fizeram o bem em nome de Jesus Cristo.
- Ele - afirmou o Apóstolo - é a pedra, desprezada por vós... Não há salvação em nenhum outro (*)... porque dentre os homens Ele é o maior.
Havia altivez no porte e exatidão no verbo.
Assombraram-se os pusilânimes e tomaram a atitude que lhes era habitual: conciliar-ameaçando, libertar-intimidando.
Assim, num conluio infame resolveram proibi-los de referir-se a Jesus, o Cristo.
Não detectaram nos discípulos do Rabi qualquer crime ou erro passível de punição, mas também por medo do povo, que glorificava a Deus, do que por outra razão.
Responderam-lhes, então, os interrogados:
- Se é justo diante de Deus ouvir-vos antes do que a Deus, julgai-o; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.
O silêncio era-lhes impossível.
Podiam perder o corpo; mas com a verdade ganhavam a vida.
Não se pode deixar de mencionar a verdade que decorre do encontro com os seus conteúdos.
As perseguições chegariam, mas a verdade permaneceria também, sem jamais ser abafada...

(*) Atos - 4: 1 a 22. (Nota da Autora espiritual.)

(Jornal Mundo Espírita de Agosto de 1997)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Nossa outra face


Expressando-nos na condição de espíritos da Terra e dirigindo-nos aos companheiros da Terra, convém recordar, em matéria de julgamento, que todos nós, os aprendizes de elevação, estamos conscientes de nossa outra face. A face oculta que trazemos.

Não nos reportamos aqui aos amigos que trabalham entre nós com o íntimo iluminado pelo amor, em seus mais altos estágios da grandeza.

Reportamo-nos a nós outros, os que pugnamos pelo auto-aperfeiçoamento.

Observemos que as Forças do Bem, claramente interessadas em nossa melhoria, suscitam, no mundo, em nosso favor, todo um acervo de situações que, em nos impulsionando à disciplina, nos induzem à educação.

Obrigações domésticas, deveres públicos e sociais, responsabilidades de profissão, preceitos de relacionamento e, sobretudo, os compromissos de caráter religioso, na essência, significam tarefa de acrisolamento interior, compelindo-nos à sociabilidade e à gentileza na superfície de nossas manifestações.

A Sabedoria da Vida procura esculpir-nos a imagem nos moldes da sublimação integral.

Recordemos as tempestades magnéticas do desespero e da revolta, do crime e da lamentação em forma de angústia vazia a que nos entregamos instintivamente e rememoremos as ocasiões em que fantasiamos o mal onde o mal não existe e, ainda, aquelas outras em que exercemos a opressão disfarçada, ampliando processos de crueldade mental sobre os outros e verificaremos que carregamos por dentro a nossa outra face, a exigir-nos atenção e burilamento.

Compreendamos semelhante verdade sem fixar-nos na crosta de nossas vestimentas psicológicas.

Voltemos para o âmago de nós em espírito, mas sem os prejuízos do azedume e da auto-condenação, plenamente integrados na certeza da Misericórdia de Deus, e encontraremos a nossa própria alma imortal a pedir-nos paz e luz, amor e sabedoria, a fim de altear-se com segurança para a Vida Maior.

(De “Urgência”)

Belmiro Braga - Rimas do outro mundo


I

Cheguei feliz ao meu porto,
Estou mais moço e mais forte,
Encontrei paz e conforto
Na vida, depois da morte.
Eis as rimas de outro norte,
Que escreve o poeta morto.

II

Com a ignorância proterva,
Que a morte é o fim, o homem pensa,
Julgando no talo de erva
A paisagem linda e imensa.
Ah! feliz o que conserva
As luzes doces da crença.

III

Quanta gente corre, corre,
Ansiosa atrás do prazer,
Sonha e chora, luta e morre
Sem jamais o conhecer.
Não há ninguém que se forre,
Sobre a Terra, ao padecer.

IV

Fecha a bolsa da ambição,
Não corras atrás da sorte,
Venera a mão que te exorte
Nos dias de provação.
Tem coragem, meu irmão,
Ninguém se acaba com a morte.

V

No mundo vale quem tem
Um cifrão de prata ou de ouro;
Mas, da morte ao sorvedouro,
Jamais escapa ninguém!
No Céu só vale o tesouro
Daquele que fez o bem.

VI

Que tua alma em preces arda
No fogo da devoção.
Deus é Pai que nunca tarda
No caminho da aflição.
Nas mágoas do mundo, guarda
A fé do teu coração.

VII

Entre a fé e o fanatismo,
Muito espírito se engana:
A primeira ampara e irmana,
O segundo é o dogmatismo,
Goela aberta de um abismo
Na estrada da vida humana.

YIII

A Terra, para quem sente,
Inda é torre de Babel,
Onde a prática desmente
As ilusões do papel:
Muita boca sorridente,
Corações de lodo e fel.

IX

Suporta a dor que te cobre
Na estrada espinhosa e má,
Quem é rico, quem é nobre,
A essa estrada voltará.
É uma ventura ser pobre,
Com a bênção que Deus nos dá.

X

Na vida sempre supus,
Sem muita filosofia,
Que, em prol do Reino da Luz,
Basta, na Terra sombria,
Que o homem siga a Jesus,
Que a mulher siga a Maria.

(Obra:Parnaso de Além-Túmulo - Francisco Cândido Xavier).

Irmão X & Francisco Cândido Xavier - Os três crivos



... certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:
- Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te em particular...
- Espera!... ajuntou o sábio prudente. Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?
- Três crivos? – perguntou o visitante, espantado.
- Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade.
Guardas absoluta certeza, quanto aquilo que pretendes comunicar?
- Bem ponderou o interlocutor, - assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e ... então...
- Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que queres me contar?
Hesitando, o homem replicou:
- Isso não... Muito pelo contrário...
- Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.
- Útil?!... – aduziu o visitante ainda agitado. – Útil não é...
- Bem – rematou o filósofo num sorriso, - se o que tens a confiar não é Verdadeiro, nem Bom e nem Útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificação para nós...

Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Emmanuel - Na luta vulgar

"Pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará."
-Paulo(Gálatas,6:7.)

Não é preciso morrer na carne para conhecer a lei das compensações.
Reparemos a luta vulgar.
O homem que vive na indiferença pelas dores do próximo, recebe dos semelhantes a indiferença pelas dores que lhe são próprias.
Afastemo-nos do convívio social e a solidão deprimente será para nós a resposta do mundo.
Se usamos severidade para com os outros, seremos julgados pelos outros com rigor e aspereza.
Se praticamos em sociedade ou em família a hostilidade e a aversão, entre parentes e vizinhos encontramos a antipatia e a desconfiança.
Se insultamos nossa tarefa com a preguiça, nossa tarefa relegar-nos-á à inaptidão.
Um gesto de carinho para com o desconhecido na via pública granjear-no-à o concurso fraterno dos grupos anônimos que nos cercam.
Pequeninas sementeiras de bondade geram abençoadas fontes de alegria.
O trabalho bem vivido produz o tesouro da competência.
Atitudes de compreensão e gentileza estabelecem solidariedade e respeito, junto a nós.
Otimismo e esperança, nobreza de carater e puras intenções atrem preciosas oportunidades de serviço, em nosso favor.
TODO DIA É TEMPO DE SEMEAR.
TODO DIA É TEMPO DE COLHER.

Não é preciso atravessar a sombra do túmulo para encontrar a justiça, face a face. Nos princípios de causa e efeito, achamo-nos incessantemente sob a orientação dela, em todos os instantes de nossa vida.

Obra: Fonte Viva - Francisco C. Xavier)

Casimiro Cunha - No caminho terrestre


Espírito reencarnando
No corpo que te contém,
Ante as provas necessárias,
Espera fazendo o bem.


Se aguardas tranqüilidade
Na luta que te advém,
Em qualquer lance da estrada,
Espera fazendo o bem.


Exerces muitos encargos,
Sem apoio de ninguém...
Não te queixes nem reclames,
Espera fazendo o bem.


Sobre a tarefa em que vives,
Muita pedra sobrevém,
Sê fiel à obrigação,
Espera fazendo o bem.


Calúnia veio ferir-te
Sem que se saiba de quem,
Não somes forças das trevas,
Espera fazendo o bem.


Padeces desilusão,
Sarcasmo, insulto, desdém...
Não permutes mal com mal,
Espera fazendo o bem.


Lamenta pesares, golpes,
Choras o escárnio de alguém,
Tristeza não edifica,
Espera fazendo o bem.


Alguém te falou com mágoa
Do lodo que o mundo tem,
Contempla o céu, fita o sol...
Espera fazendo o bem.


Se queres felicidade
Na terra e no mais além,
Não te afastes do serviço,
Espera fazendo o bem.


DEUS é Pai justo e Perfeito,
Dá tudo, nada retém,
Se anseias vida mais alta,
Espera fazendo o bem.



(Mensagem recebida por Francisco C. Xavier)

Resignação e Resistência




De fato, há que se estudar a resignação para que a paciência não venha a trazer resultados contraproducentes.

Um lavrador suportará corajosamente um aguaceiro e granizo na plantação, mas não se acomodará com gafanhotos e tiririca.

Habitualmente, falamos em tolerância como quem procura esconderijo à própria ociosidade. Se nos refestelamos em conforto e vantagens imediatas, no império da materialidade passageira, que nos importam desconforto e desvantagens para os outros?

Esquecemo-nos de que o incêndio vizinho é ameaça de fogo em nossa casa e, de imprevisto, irrompem chamas junto de nós, comprometendo-nos a segurança e fulminando-nos a ilusória tranqüilidade.

Todos necessitamos ajustar a resignação no lugar certo.

Se a Lei nos apresenta um desastre inevitável, não é justo nos desmantelemos em gritaria e inconformação. É preciso decisão para tomar os remanescentes e reentretecê-los para o bem, no tear da vida.

Se as circunstâncias revelam a incursão do tifo, não é compreensível cruzar os braços e deixar campo livre aos bacilos.

Sempre aconselhável a revisão de nossas atitudes no setor da conformidade.

Como reagimos diante do sofrimento e diante do mal?

Se aceitamos penúria, detestando trabalho, nossa pobreza resulta de compulsório merecimento.

Civilização significa trabalho contínuo contra a barbárie.

higiene expressa atividade infinitamente repetida contra a imundície.

Nos domínios da alma, todas as conquistas do ser, no rumo da sublimação, pedem harmonia com ação persistente para que se preservem.

Paz pronta ao alarme. Construção do bem com dispositivo de segurança.

Serenidade é constância operosa; esperança é ideal com serviço.

Ninguém cultive resignação diante do mal declarado e removível, sob pena de agravá-lo e sofrer-lhes a clava mortífera.

Estudemos resignação em Jesus-Cristo, A cruz do Mestre não é um símbolo de apassivamento à frente da astúcia e da crueldade e sim mensagem de resistência contra a mentira e a criminalidade mascaradas de religião, num protesto firme que perdura até hoje.


(De “Estude e Viva”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira - Emmanuel e André Luiz)

domingo, 11 de julho de 2010

Auta de Souza - Mãos

Harpas de amor tangendo de mansinho
A música do bem ditosa e bela,
As mãos guardam a luz que te revela
A mensagem de paz e de carinho.


Não te digas inútil ou sozinho...
Na existência mais triste ou mais singela,
Nas mãos todo um tesouro se encastela,
Derramando-se em bênçãos no caminho.


Ara, semeia, tece, afaga e ajuda...
Mãos no trabalho são a prece muda
De nosso coração, vencendo espaços...


E, aprendendo com Cristo, ante o futuro,
Tuas mãos, como servas do amor puro,
São estrelas fulgindo nos teus braços.


(Francisco C. Xavier)

Emmanuel - Mestre e Senhor

Mestre e Senhor!
Depois de recebidas numerosas expressões de Tua Misericórdia Infinita, temos os corações genuflexos, agradecendo a Tua Bondade!...
Nada somos, nada temos senão boa vontade, nada representamos senão instrumentos misérrimos de Teu Amor, nas esferas espirituais que cercam o Planeta como também quando encarnados, envergando o envoltório perecível da vida material.
Muitos foram os corações que nos buscavam ansiosos!Mas nós nos lembrávamos de quando distribuías as bençaos de Tua Bondade Indefinível, junto daqueles que se encontravam encarcerados nas concepções do mundo.
Recordávamos o tempo em que ias de Betsaida ou de Carfarnaum para Cesaréia de Felipe, abençoando as criancinhas
Eram velhos trémulos cujas mãos enregeladas Te pediam o calor da esperança, eram jovens simples e puros que solicitavam a Verdade do Teu Evangelho Divino, crianças que se agasalhavam na Tua Ternura Inesgotável!...
Rememorávamos tudo isso e suplicámos a Tua Assistência.
Muito foi o que nos deste dos Celeiros Infinitos da Graça, não pelo que valemos ou merecemos, mas por acréscimos de Misericórdia que nunca negaste aos espíritos de boa-vontade.
Agora, Jesus, nós nos curvamos perante a Tua Bondade!...
Dá-nos a força de compreender toda a Tua Exemplicação de renúncia, a caminho desse Reino de Deus, que constitui a Esperança Sagrada de todas as criaturas.
Concede, Mestre, que os nossos amigos encarnados sintam a vibração de nosso esforço espiritual no circulo fraterno.
Aos que nos buscarem, cheios de angústia do coração, concede a fortaleza para o encontro daquele bom-ânimo que sempre ensinaste aos Teus discípulos.
Dissipa as suas amargura, como o Sol radioso e amigo das almas,desfazendo a neblina das ilusões e dos enganos fatais das estradas terrestre!...
Aos que vieram saturados dos conhecimentos científicos do mundo, muitas vezes submersos na suposta infabildade do dogmatismo acadêmico, proporciona a claridade necessária para que se façam simples e felizes, de modo a entenderem aquelas verdades que reservas aos pequeninos.
A quantos chegarem atormentados pela saudade de todos os que os procederam no caminho escuros e triste das sepulturas, dá aquela luz maravilhosa da esperança em Teu Amor, para que, recebendo a Tua Mensagem Eterna no Evangelho, compreendam a redenção espiritual que nos há de reunir um dia, sob a Árvore Divina do Teu Desvelado Amor, no plano da Vida Imortal.
Que todos os trabalhadores de Tua casa se unam na fraternidade legítima e na edificação sincera de Teu Reino de Luz Imorredoura.
Dá-lhes a fortaleza de ânimo que realiza a tolerância recíproca, base sagrada de todas as obras do Teu Amor.
Eles são operários do Teu Jardim no mundo que se povoa se sombras antagônicas de destruição
Seus esforços serão muitas vezes perturbados pelos contrates e surpresas do caminho, onde as multidões de desorientados à distância da realização de Teus Ensinos.
Por Teu Nome, hão de sofrer naturalmente todas as hostilidades da estradas material, mas que todos eles se sintam unidos Contigo para a execução da Tarefa Divina.
Jesus, nós somos aquelas crianças que Te pedem proteção e amparo em todos os instantes da vida.
No momento de alegria, concede aos operários de Tua Oficina Santa os recursos necessários para a verdadeira compreensão na vigilância e na oração que nos Ensinastes.
Nos instantes de dor, sê o coragem da alma triste, que deverá despir todos os desalentos do caminho para a perfeita união com os Teus Desígnios amorosos e puros.
Mestre, seja a união fraternal de Teus trabalhadores o nosso último apelo!...
Que nossos irmãos desenvolvam a tarefa santificada que lhes foi concedida, sob a fraternidade verdadeira e sincera, onde cada discípulo compreenderá sempre aquele que se fizer o menor de todos, conforme os Teus ensinos.
Que as Tuas Graças sejam para nós novos motivos de esforços e de redenção no Sagrado Caminho.
E que todos nós, cooperadores do plano terrestre e operários da esfera invisível, estejamos sempre unidos no Teu Evangelho para o mesmo trabalho da edificação, assim seja.
(Obra: Ação, Vida e Luz)

O Mestre orienta


O jovem escutou os ensinamentos do Mensageiro e deslumbrou-se.

Pela sua mente perpassaram as esperanças de felicidade sem jaça, prenunciando-lhe o momento da libertação.

Aguardou que o mar humano ali presente se diluísse nas praias largas dos seus outros compromissos, e, porque o Benfeitor estivesse a sós, acercou-se-lhe e indagou:

— Quais são os maiores tesouros para o homem?

O Enviado penetrou-lhe a juventude com o olhar profundo e redarguiu, amoroso:

“— Os mais importantes bens do homem para a vida são: o Espírito — o Espírito — ser gerado por Deus destinado às glórias estelares, causa e fim da realidade soberana; a respiração — alicerce da vida orgânica, da nutrição e eliminação de venenos; e o sêmen — vibração co-criadora, perpetuando a espécie em homenagem ao Pai Criador.

Deles decorrem os três elementos-consequências: interação criatura-Criador; manutenção vital e sucessão ininterrupta.

O Espírito, depois de criado, é indestrutível; a respiração, no corpo físico, é indispensável, e o sêmen é essencial para a reprodução animal.

Sábio é todo aquele que se preserva em espírito, laborando para a imortalidade; nutrindo-se para viver e reproduzindo-se para preparar o futuro, quando se reencarnará.

O seu é o gozo do dever, exercido com elevação, porque, enquanto tudo o mais é transitório, ele é permanente e sempre viverá.”

— E se eu desejar entregar-me à Realidade última — voltou a interrogar o candidato — como me reproduzirei, abrindo oportunidade para o futuro?

“ — O sêmen — concluiu o Santo — é elemento vital, portador de energia orgânica e transcendental.

Há vidas que produzem vidas, gerando corpos; outras existem que fomentam beleza, multiplicando-se os valores eternos pela canalização das suas forças para a imortalidade.

O ato de criar é de Deus, porém, está em nós por herança do Seu excelso amor. Estamos sempre criando para a liberdade ou escravidão pessoal.”



(De “A um passo da imortalidade”, de Divaldo P. Franco, por Eros)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Casimiro Cunha - Ajuda, perdoa e passa


Se alguém te fere e apedreja,
Lançando-te fel à taça,
Não te detenhas na queixa,
Ajuda, perdoa e passa.

Escárnio? Provocação?
Disputa, sombra, arruaça?
Não te canses de servir...
Ajuda, perdoa e passa.

Se o ridículo te expõe
À aleivosia da praça,
Cultiva o bem com fervor,
Ajuda, perdoa e passa.

Quando a aflição te visite
Na injúria que te ameaça,
Trabalha e espera o futuro,
Ajuda, perdoa e passa.

Ante as fogueiras que surgem,
Quando o ódio sai à caça,
No silêncio da oração,
Ajuda, perdoa e passa.

Se a calúnia te persegue,
Na lama com que te enlaça,
Desculpa incessantemente,
Ajuda, perdoa e passa.

O culto da caridade
È a nossa eterna couraça.
Vencendo perturbações,
Ajuda, perdoa e passa.

Aos obreiros de Evangelho
A treva nunca embaraça.
Quem segue com Jesus - Cristo
Ajuda, perdoa e passa.

Auta de Souza - Alguém na estrada

Alguém te espera o amor, estrada afora,
Seja o dia translúcido ou cinzento,
Para extinguir a sobra e o sofrimento,
Nas empedradas trilhas de quem chora!...

Não te detenhas!... Vem!... O tempo é agora,
Há quem te arrase ao temporal violento,
E corações ao frio, à noite e ao vento
Ante a descrença que se desarvora...

Vem à estrada do mundo!... Ampara e ama!...
Esclarece e consola, alça por chama,
O próprio coração fraterno e amigo!...

Esse alguém é Jesus que te abençoa!...
Trabalha, serve, esquece-te, perdoa
E o Mestre Amado seguirá contigo!...


(Obra: Recanto de Paz. Francisco Cândido Xavier).

Emmanuel & Francisco C. Xavier - No Momento de Julgar

No momento de julgar alguém, como poderás julgar esse alguém, de todo, se não conheces tudo?
Terá sucedido um crime, estarrecendo a multidão.
Suponhamos que um homem desequilibrado haja posto uma bomba em certa casa, no intuito de destruir-lhes os moradores. Entretanto, por trás dele estão aqueles que fabricaram o engenho mortífero; os que o conservaram para utilização em momento oportuno; os outros que lhe identificaram o perigo, aprovando-lhe a existência; e aqueles outros ainda que, indiferentes, lhe acompanharam o fogo no estopim, sem a mínima disposição de apagá-lo.
De que maneira medirias o remorso do espírito de um homem assassinado, na hipótese desse mesmo assassinado haver provocado o seu contendor até que o antagonista lhe furtasse o corpo, num instante de insanidade? E como observarias o pesar do semelhante, às vezes, ilhado no fundo de uma penitenciária, na posição de um vivo-morto, quando o imaginado morto permanece vivo? E com que metro verificarias o sofrimento de um e outro?
Com que pancadas ou palavras agressivas conseguirias punir, durante algumas horas, a criatura menos feliz que já carrega em si o tormento da culpa à feição de suplício que lhe atenaza o coração, noite e dia?
Ante a queda moral de alguém, é mais razoável entrarmos para logo no assunto, na condição de partícipes dela, antes que nos alcemos à indébita função de censores.
Não precisaríamos tanto de justiça, se não praticássemos a injustiça e nem tanto de medicina se não tivéssemos doença.
Necessitaríamos, porventura, na Terra, de tantas e tão multiplicadas lições, em torno do bem, se o mal não nos armasse riscos, quase que em todas as direções do Planeta?
E onde estão aqueles que estejam usufruindo a glória da instalação segura no bem, sem o prejuízo de algum mal, ou aqueles outros que atravessam os espinheiros do mal, sem a vantagem de algum bem?
No momento de julgar, peçamos a Inspiração da Providência Divina para os magistrados que as circunstâncias vestiram com a toga, a fim de que acertem, nas suas decisões, em louvor do equilíbrio geral, porquanto é tão delicado o encargo do juiz chamado a interferir no corpo da ordem social, quão difícil é a tarefa do cirurgião convocado a interferir no corpo físico.
E quanto a nós outros, os que não somos trazidos a sentenças de lei, já que não nos achamos compromissados para isso, usemos a sobriedade e a compaixão em todos os nossos processos de vivência pessoal no cotidiano, conscientes, quanto devemos estar, de que os justos são as âncoras dos injustos e de que os bons constituem a esperança para todos aqueles que a maldade ensandece.
No momento de julgar, ainda que te coloquem no último banco, entre os últimos réus, e mesmo que se te negue o direito de defender a própria consciência edificada e tranqüila, a ninguém condenes, nem mesmo àqueles que, porventura, te condenem.
Usa sempre a misericórdia e acertarás.

(Mensagem publicada no livro "Chico Xavier pede licença)

Emmanuel & Francisco C. Xavier - No mundo pessoal




Quando te observares na verdadeira posição de criatura imortal, nascida de Deus, com estrutura original, decerto te habilitarás a compreender que o Criador te conferiu tarefas individuais que deves aceitar por intransferíveis.

Reflete nisso.

Ninguém possui o trabalho que te foi concedido executar, conquanto algumas vezes a obra em tuas mãos possa assemelhar-se, de algum modo, a certas atividades alheias, no levantamento do progresso geral.

Ninguém dispõe da fonte de teus pensamentos plasmados por tua maneira especialíssima de ser. Qual sucede com as impressões digitais, a voz que te serve se te erige em prosperidade inalienável.

Em qualquer plano e em qualquer tempo, mobilizas todo um mundo interior de cujas manifestações mais íntimas e mais profundas os outros não participam. À face disso, estarás em comunidade, mas viverás essencialmente contigo mesmo, com os teus sentimentos e diretrizes, ideais e realizações. Isso porque o Governo da Vida te fez concessões que não estendeu a mais ninguém.

Observa os compromissos que te assinalam, seja em família ou seja no grupo social, e descobrirás para logo as obrigações que se te reservam no imediatismo das circunstâncias. Se falhas no serviço a fazer, alguém te substitui no momento seguinte, porque a Obra do Universo não depende exclusivamente de nós; entretanto, seja como seja onde te colocares, podes facilmente identificar as tarefas pessoais que a vida te solicita.

Quis a Divina Providência viesses a nascer no Universo por inteligência única, de modo a cumprir deveres inconfundíveis, sob a justa obrigação de te conheceres, mas não nos referimos a isso para que te percas no orgulho e sim para que te esmeres no burilamento próprio, valorizando-te na condição de criatura eterna em ascensão para a Espiritualidade Superior, a fim de brilhar e cooperar com Deus na suprema destinação da Sabedoria e do Amor, para a qual, por força da própria Lei de Deus, cada um de nós se dirige.


(Obra: “Rumo Certo")
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