terça-feira, 28 de setembro de 2010

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco

Palavras de Estímulo

A experiência da dor e da soledade, cimentando os compromissos da redenção a benefício nosso, é dádiva de Deus, que nos cumpre valorizar sem qualquer amargura.
Não são os que fruem, nem os que se utilizam do corpo para o prazer, os que transitam ditosos.
Houve tempo em que assim pensando — usufruir até a exaustão — utilizamo-nos da vida para os atuais processos de recuperação afligente...
Hoje, os teus são os compromissos com o amor silencioso e a ação renovadora de espalhar a mensagem espírita quanto te permitam as possibilidades, sem esquecimento das tarefas normais, nas quais tens empenhado a existência.
Ora e serve, estuda e medita, sem cansaço, para servires sem desfalecimento.
Se a árvore temesse a poda, decretar-se-ia à inutilidade prematura...
Se os metais evitassem a fornalha, candidatar-se-iam ao aniquilamento pelo desgaste ante a umidade...
Se o solo se negasse à chuva abundante, terminaria em deserto infeliz...
É sempre a bigorna da aflição trabalhando hoje em dor, a fim de evitar destruição amanhã pela dor.
Aproveita com sabedoria tuas horas e ganha os teus minutos na ação edificante, sem pessimismo nem receio de qualquer porte.
Os espinhos do passado, cravados nas carnes da alma, abrir-se-ão em flores de paz, mais tarde.
Quando a fonte generosa tem os minadouros esgotados, diz-lhe a nuvem passante: "Espera!"
Quando o fruto verde estua, fala-lhe o sol amigo: "Espera!"
Quando o sofrimento domina, canta-lhe a fé: "Espera!"
Vem a chuva e a fonte se enriquece; o calor chega e o fruto amadurece; a fé arde e o sofrimento pacifica...
Em nossa área de evolução tudo segue marcha equivalente.
Espera!
Transfere as tristezas da Terra e confia nas alegrias do reino, desde hoje até mais tarde.
Não temas nunca!
A sós se encontra quem se afasta do amor de Deus e nem assim este se detém em abandono.
Conserva o otimismo e ajuda os corações em agonia maior, tu que sabes das agonias silenciosas do coração.

(De “Alerta”)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Kahlil Gibran Kahlil

Mensagens Espirituais


Existem mistérios dentro da alma que as
hipóteses não conseguem deslindar e que
nenhuma suposição pode desvendar.

*****
Como é selvagem o amor que planta uma
flor e extermina um prado inteiro, que nos faz
reviver por um dia e nos aniquila pelo resto
da vida.

*****
A prece é a canção do coração, que prepara seu caminho para o trono de Deus, mesmo através do emaranhado da lamentação de milhares de almas.

*****

A alma de algumas pessoas são como quadros-negros
escolares, onde o Tempo escreve advertências, regras e exemplos que são imediatamente apagados com uma especie de esponja úmida.

*****
Quão distante me sinto das pessoas quando me acho
com elas, e quão próximo, quando elas estão distantes.

*****

Deus fez de nossos corpos templos para nossas almas,
e eles devem ser mantidos fortes e limpos para
merecerem a divindade que os ocupa.

*****
Acreditar é uma coisa e fazer, outra. Muitos falam
como mares, mas suas vidas são pântanos estagnados.
Outros erguem suas cabeças sobre o topo das montanhas, enquanto suas almas aderem-se às paredes escuras das cavernas.

*****
O amor, como a morte, transformas todas as coisas.

*****
Quem poderá separar-se de suas tristezas e da solidão sem que seu coração sofra?

sábado, 25 de setembro de 2010

Aprendendo a Amanhecer

Todo dia é um novo dia, cheio de novas possibilidades, novas pessoas e novas propostas.
A vida é um banquete.
Se fechamos os olhos e ouvidos não conseguimos ver, nem escutar os sons e imagens que acontecem ao nosso redor.
Se fecharmos as portas do coração, somos incapazes de sentir afeto, amor e gratidão.
Deixamos assim, o trem da existência passar, enquanto pensamos nas perdas do passado e nas possibilidades do futuro.
A Vida é AGORA.
É essa tendência boba de pensar só nas perdas que nos faz perder ainda mais.
Por mais que a gente queira, ou não, as coisas vão continuar acontecendo.
Como um novo dia.
Amanhecendo no Colo de Jesus.

Nunca Fales

Nunca fales sem primeiro observar o que vai sair da tua boca.
A tua responsabilidade é muito grande pelo que falas aos outros.
A força mental que se transforma em idéias é carregada de magnetismo emprestado pelos teus sentimentos.
A tua mente é um campo de fusões eletromagnéticas, de onde partem todos os pensamentos que se consubstanciam em mensagens para os que te ouvem, levando a tua marca. Portanto, deves responder pela carga dos que recebem tuas palavras.
Se a tua mente for educada, o retomo será de paz.
Se não vigiares o que dizes e a indisciplina encontrar ambiente condizente com a desordem, a própria natureza devolverá o que deres aos teus companheiros, acentuando, de volta, as formas afins às tuas idéias.
Nunca fales mal de alguém, mesmo que te encontres atingido pela maledicência alheia.
Nunca penses ao contrário das leis do Amor, mesmo que o ambiente em que vives seja propício às conversações negativas.
O papel do homem de bem é vigiar a si mesmo no que pensa, fala e faz,
pois o maior beneficiado é quem se educa e quem disciplina a si mesmo.
Tudo o que fizeres de bom, saído da nobreza da tua alma, estarás fazendo exclusivamente para ti. Tu serás o maior premiado.
Quem cumpre o dever nada mais está fazendo do que o próprio dever.
Nunca penses e nunca fales que és um portador de luzes para a humanidade.
Cada um cuida da sua própria conduta.
Se falares sobre o que fazes de bom, começas a corromper o Bem que intentas realizar.
E quando anunciamos alguma coisa do grau de Caridade a que atingimos, a vaidade não deixa de aumentar as proporções que não foram atingidas.
Distorcendo a verdade, caímos na depressão urdida pela mentira e a consciência nos cobra o que deixamos de fazer e que anunciamos aos outros sem ter feito.
Colocamos uma lente no bem que tentamos fazer e fazemos questão de mostrar a quem passa, tentando colocar viseiras nos olhos dos nossos companheiros, no que se refere aos nossos atos indignos. Tudo isso são ilusões. Estamos enganando a nós mesmos, porque ninguém engana as Leis e nem Quem as fez.
O orgulho e a vaidade estragam muitas vidas.
O orgulhoso e o vaidoso não desconfiam que os outros estão observando e analisando o que falam a mais do que realmente são.
Se és verdadeiramente um benfeitor da coletividade, pelos exemplos e pelas ações, não te apresses em divulgar isso, porque o próprio ar se encarrega de transmitir os teus valores, os próprios objetivos ao teu derredor denunciam e refletem as luzes que se desprendem do teu coração.
A auto-valorização é falta de discernimento e escassez de educação. Tu és o que és e nada mais.
Se intentas anunciar o que fazes, o que foi feito apresenta falsificações nas suas mais íntimas estruturas.
Quem fala muito sobre o que fez tem o intuito de esconder os erros que
sempre estão à vista dos observadores.
O santo quase sempre nega seus feitos, mesmo os benefícios que atingiram a humanidade e, quando não tem outro jeito, responde que é um dever seu fazer o bem e, se isso é caridade, está fazendo por bem de si mesmo. Isso não ocorre com o ignorante, que sempre quer mostrar o que não é.
Fala menos de ti mesmo e, quando não suportares ficar calado, fala das tuas próprias deficiências, mesmo que não tenhas coragem de falar de todas.
Dize o que a tua coragem permitir e o teu coração suportar. Mas nunca fales sem pensar o que vais dizer.


(De “Cirurgia Moral” Lancellin & João Nunes Maia)

Augusto Frederico Schmidt

Vazio




A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente os homens,
Pequeninos, apressados, egoístas e inúteis.
Resta a vida que é preciso viver.
Resta a volúpia que é preciso matar.
Resta a necessidade de poesia, que é preciso contentar.

Joanna de Ângelis

Enredamentos Perigosos

Toda obra do Bem, no delineamento de propósitos, é nobre e transcendente, esmaecendo porém, quando se corporifica mediante a ação humana.

Sensibilizado pelos ideais de engrandecimento espiritual, o indivíduo emociona-se e procura entregar-se completamente, sonhando em tornar-se o instrumento da inspiração superior e, à vezes, consegue-o.

No entanto, porque é Espírito em rudes provas, embora os sentimentos que o animam, imprime as dificuldades pessoais, colocando sombra e empeços no labor a que se entrega.

Assim sendo, é compreensível que defrontemos no trigal dourado o escalracho infeliz, e na claridade do dia triunfante a nuvem carregada de sombras a impedir-lhe a irradiação da luz.

A Terra ainda não é o habitat, mas o educandário de homens e mulheres em lutas interiores, tentando arrancar a ganga externa para que brilhe a gema pura que lhe jaz no interior aguardando o momento de desvelar-se.

Valiosos e digno de encômios esse esforço hercúleo pela auto-superação, quando se constata o expressivo número daqueles que se escravizam aos comprometimentos torpes quão criminosos, que lhes exigirão oportuna reparação penosa.

O Senhor da Vinha não aguarda que venham cooperar com Ele os trabalhadores destituídos de mazelas ou imperfeições, pois que esses são raros, por isso aceita todos quantos despertam para a sua mensagem e se dispões a servi-lO.

Jesus conhecia a fraqueza moral de Pedro, todavia, convidou-o para o banquete da Boa Nova.

Francisco Bernardone vivia uma existência frívola e atormentada; apesar disto, doou-se, e, superando-se, tornou-se Sol medieval a clarear o futuro da humanidade.

Maria de Magdala, mesmo depois de O seguir, não ficou livre da suspeita nem da crítica severa do grupo no qual se movimenta.

Jesus aceitou-os a todos e transformou-os com o tempo em pilares da sua doutrina.

Descobrir o lírio no pantanal e a estrela além da tormenta constitui desafio para quem se candidata ao crescimento interior.

Nesse mister, surgem enredamentos perigosos, que complicam a marcha e dificultam a ascensão dos obreiros.

Dentre outros, a censura mórbida, constante, e a intriga perversa, intoxicam as melhores intenções e asfixiam muitos ideais em desenvolvimento.

São responsáveis pela crueldade da destruição de obras abençoadas e de esforços relevantes que são vencidos.

O cupim perseverante vence a madeira que sucumbe ao seu trabalho insensível.

Assim é a ação da maledicência impiedosa e insistente.

Para romper-se essa rede constritora, é necessário que o amor se compadeça do vigia dos atos alheios sempre pronto e a zurzir o látego, como se fosse inatacável.

Não te deixes contaminar pelo pessimismo nem pela censura contumaz que te tragam ao coração.

Tem paciência e dá-te conta que o acusador gratuito não ama, não coopera, apenas cria embaraços.

Ajuda em silêncio e confia em Deus, fazendo a tua parte da melhor forma ao teu alcance.

É mais valioso que teu próximo esteja tentando agir bem e auxiliar, apesar dos erros que comete, do que se estivesse no outro lado, entre os desequilibrados que aguardam a tua ajuda.

Viver em harmonia em um meio social - seja qual for, já que em todos eles existem dificuldades a vencer - constitui desafio para a evolução.

Ampara, portanto, o teu irmão que pensa em ser útil e ainda não o consegue, ao invés de hostilizá-lo, combatê-lo, semeares espinhos por onde ele segue ao levá-lo a julgamento público arbitrário pelos contumazes desocupados que se contentam em demolir.


Divaldo P.Franco. Da obra: Fonte de Luz.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Convite ao Estudo

"E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência,
acrescentei à vossa fé a virtude e à virtude a ciência..."
– Pedro (II PEDRO, 1:5.)


Milhões de criaturas possuíram a fé no passado, revelando extremada confiança em Deus; mas, porque a bondade lhes desertasse dos corações, ergueram suplícios inomináveis para quantos não lhes comungassem o modo de sentir e de ser.
Diziam-se devotadas ao culto do Supremo Senhor; entretanto, alçavam fogueiras e postes de martírio, perseguindo ou exterminando pessoas sensíveis e afetuosas em seu nome.
Milhões de criaturas evidenciaram admirável bondade no pretérito, demonstrando profunda compreensão fraternal no trabalho que foram chamadas a desenvolver entre os homens; no entanto, porque a educação lhes escasseasse no espírito, caíram em terríveis enganos, favorecendo a tirania e a escravidão sobre a Terra.
Denotavam obediência a Deus, no exercício da própria generosidade, entretanto, compraziam-se na ignorância, estimulando delitos e abusos, a pretexto de submissão à Providência Divina.
Nesse sentido, porém, a palavra do apóstolo Pedro é de notável oportunidade em todos os tempos.
Procuremos alicerçar a fé na bondade, para que a nossa fé não se converta em fanatismo, mas isso ainda não basta.
É forçoso coroar a fé e a bondade com a luz do conhecimento edificante.
Todos necessitamos esperar no Infinito Amor, todavia, será justo aprender "como"; todos devemos ser bons, contudo, é indispensável saber "para quê".
Eis a razão pela qual se nos impõe o estudo em todos os lances da vida, porquanto, confia realizando o melhor e auxiliar na extensão do eterno bem, realmente demanda discernir.

(Do livro Palavras de Vida Eterna.)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Meimei & Francisco C. Xavier

Colabora

Se a compreensão já
se te fez luz nos recessos da alma,
reflete nos problemas da fome espiritual.
Não existiria a delinqüência na Terra,
em tamanha extensão, não fosse a carência
de recursos na sustentação da alma.
Indaguemos dos companheiros
internados em sanatórios e instituições
outras de trabalho reeducativo,
para tratamento das alterações
psicológicas de que são portadores,
se teriam caso soubessem quanto lhes
custaria a recuperação.
Conheces as estatísticas, referentes às áreas
do Planeta, ameaçadas pela falta de pão.
Medita nas multidões, em todos os setores da
experiência terrestre que clamam por
esclarecimento e consolo, segurança e tranqüilidade.
Fotografas a presença de certas enfermidades
no corpo através da radiografia.
A biópsia fornece exata notícia do câncer.
Quem fará a identificação do desânimo no caráter
juvenil ou da tempestade de lágrimas que
arrasa um coração materno?
Sai de ti mesmo e ampara aos que esmorecem
de inanição na vida íntima.
A fome do estômago grita e agride.
A fome do coração, no entanto, é anestesiada pelas
sombras da ignorância, quando as sombras da
ignorância acerca de Deus e da imortalidade
alcançam as forcas do sentimento.
Tolera, serve, eleva e abençoa.
Para auxiliar na extinção das trevas de espírito,
ninguém te pede espetáculos de grandeza.
Basta te disponhas a estender essa ou aquela
migalha de amor num raio de luz.

André Luiz & Francisco Cândido Xavier

Nos Domínios da Voz




Observe como vai indo a sua voz, porque a voz é dos instrumentos mais importantes na vida de cada um.

A voz de cada pessoa está carregada pelo magnetismo dos seus próprios sentimentos.

Fale em tonalidade não tão alta que assuste e nem tão baixa que crie dificuldade a quem ouça.

Sempre aconselhável repetir com paciência o que já foi dito para o interlocutor, quando necessário, sem alterar o tom de voz, entendendo-se que nem todas as pessoas trazem audição impecável.

A quem não disponha de facilidades para ouvir, nunca dizer frases como estas:

"Você está surdo?", "Você quer que eu grite?", "Quantas vezes quer você que eu fale?" ou "já cansei de repetir isso".

A voz descontrolada pela cólera, no fundo, é uma agressão e a agressão jamais convence.

Converse com serenidade e respeito, colocando-se no lugar da pessoa que ouve, e educará suas manifestações verbais com mais segurança e proveito.

Em qualquer telefonema, recorde que no outro lado do fio está alguém que precisa de sua calma, a fim de manter a própria tranqüilidade.

(Sinal Verde)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

01 Ano


"Se eu pudesse deixar algum presente à você, deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos. A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo a fora. Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem. A capacidade de escolher novos rumos. Deixaria para você, se pudesse, o respeito aquilo que é indispensável. Além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação. E, quando tudo mais faltasse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída."

(Mahatma Gandhi)

André Luiz & Francisco Cândido Xavier

Ingredientes do Êxito


O êxito espera por você, tanto quanto, vem exaltando quantos lhe alcançaram as diretrizes.

Largue qualquer sombra do passado ao chão do tempo, qual a árvore que lança de si as folhas mortas.

Não se detenha, diante da oportunidade de servir.

Mobilize o pensamento para criar vida nova.

Melhore os próprios conhecimentos, estudando sempre.

Saliente qualidades e esqueça defeitos.

Desenvolva seus recursos de simpatia e evite qualquer impulso de agressão.

Se você pode ajudar, em auxílio de alguém, faça isso agora.

Enriqueça seu vocabulário com boas palavras.

Aprendendo a escutar, você saberá compreender.

A melhor maneira de extinguir o mal será substituí-lo com o bem.

Destaque os outros e os outros destacarão você.

Viva o presente, agindo e servindo com fé e alegria sem afligir-se pelo o futuro, porque, para viver amanhã, você precisará viver hoje.

Habitue-se a sorrir.

Recorde que desalento nunca auxiliou a ninguém.

Não permita que a dificuldade lhe abra porta ao desânimo porque a dificuldade é o meio que a vida se vale para melhorar-nos em habilitação e resistência.

Ampare-se, amparando os outros.

Censura é uma fórmula das mais eficientes para complicar-se.

Abençoe a vida e todos os recursos da vida onde você estiver.

Nunca desconsidere o valor da sua dose de solidão, a fim de aproveitá-la em meditação e reajuste das próprias forças.

Observe, todo o tempo é tempo de DEUS para restaurar e corrigir, começar e recomeçar.

(Livro: Respostas da Vida)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Enfermos da Alma

"...Não são os que gozam saúde que precisam de médico. - Jesus." (Mateus, 9:12).



Aqui e ali encontramos inúmeros doentes que se candidatam ao auxílio da ciência médica, mas em toda parte, igualmente, existem aqueles outros, portadores de moléstias da alma, para os quais há que se fazer o socorro do espírito.

E nem sempre semelhantes necessitados são os viciados e os malfeitores, que se definem de imediato por enfermos de ordem moral, quando aparecem.

Vemos outros muitos para os quais é preciso descobrir o remédio justo e, às vezes, difícil, de vez que se intoxicaram no próprio excesso das atitudes respeitáveis em que desfiguraram os sentimentos, tais como sejam:

.. os extremistas da corrigenda, tão apaixonados pelos processos punitivos que se perturbam na dureza de coração pela ausência de misericórdia;

.. os extremistas da gentileza, tão interessados em agradar que descambam, um dia, para as deficiências da invigilância;

.. os extremistas da independência, tão ciosos da própria emancipação que fogem ao dever, caindo nos desequilíbrios da licenciosidade;

.. os extremistas da poupança, tão receosos de perder alguns centavos que acabam transformando o dinheiro, instrumento do bem e do progresso, na paralisia da avareza em que se lhes arrasa a alegria de viver.

Há doentes do corpo e doentes da alma.

É forçoso não esquecer isso, porque todos eles são credores de entendimento e bondade, amparo e restauração.

Diante de quem quer que seja, em posição menos digna perante as leis de harmonia que governam a Vida e o Universo, recordemos as palavras do Cristo: não são os que gozam saúde que precisam de médico.

(Livro: Benção de Paz)

domingo, 19 de setembro de 2010

Alceu de Freitas Wamosy

A TI QUE ME OUVES


Como o dia ao findar, o decesso não trunca
O poder do ideal e a corrente da vida...
Nem ancinho a morder, nem mão em garra adunca...
A morte? Apenas sonho embalando a partida...


Se o caminho em que vais é trilha que se junca
De farpas, lama e fel, sem clareira ou saída,
Sê compaixão sòmente e não sentirás nunca
A sombra da tristeza ou a esperança perdida.


Se a agonia envenena o pranto de teus olhos,
Qual rocio letal no lodo que te banha,
Não te fira a visão de tremedais e abrolhos.


O amor é como o sol ante o charco profundo...
Amando, entenderás que a dor mais rude e estranha
É sempre a Lei de Deus que se move no mundo...

(Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.)

André Luiz & Francisco Cândido Xavier

REAJUSTE e SIMPLICIDADE




Não é pela desconfiança que atingiremos a certeza.
Aprenda a entesourar a fé, amealhando os grãos da esperança.
Não é pela violência que alcançaremos a realização.
Habitue-se a usar a serenidade, considerando que um edifício se constitui de insignificâncias mil.
Não é pela maldade que chegaremos à bondade.
Acostume-se a tolerar e a desculpar, corrigindo em você mesmo aquilo que lhe desagrada nos outros.
Não é pela desaprovação que improvisaremos o estímulo.
Procure as particularidades elogiáveis e os ângulos nobres das situações e das pessoas, para que o bem seja cultivado e reine soberano.
Não é exaltando a sombra que acenderemos a luz.
Evite os comentários obscuros, onde o mal encontra brechas para dominar os atos, as palavras e os pensamentos.
Não é semeando moléstias que sustentaremos a saúde.
Alie a carga mental das idéias enfermiças e plante o bom ânimo, o otimismo e a alegria, em cada minuto.
Não é contemplando feridas que ajudaremos a Humanidade.
Lembre-se do “lado melhor” do irmão de jornada e ajude-lhe o coração a esquecer todo mal.

Não é destruindo que construiremos o Reino Divino nos círculos da Terra.
Restaure o que puder onde o desastre passou proclamando perturbação e falência.

Não é descendo às furnas sombrias do desânimo e da tristeza que escalaremos a montanha da luz.
Use os seus patrimônios e as suas experiências no Evangelho e na Revelação dos Espíritos Benevolentes e Sábios, tanto quanto mobiliza a água e o sabão nas lutas de cada dia e verá a colheita sublime de sua nova sementeira.
O ministério de Jesus não é serviço de crítica, de desengano, de negação.
É trabalho incessante e renovador para a vida mais alta em todos os setores do mundo.
Ninguém precisa ferir, humilhar ou desesperar.
Reajuste e simplifique.
O Senhor fará o resto.

(Do livro "Nosso Livro")

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

NÃO CENSURES


Onde o mal apareça, retifiquemos amando, empreendendo semelhante trabalho a partir de nós mesmos.

O cirurgião ampara o corpo enfermo, empregando atenção e carinho, com bisturis adequados.

O artista afeiçoa a pedra ao próprio sonho, aformoseando- lhe a estrutura com paciência e vagar.

Ninguém desfaz a treva sem luz.

E reconhecendo- se que a luz nasce da força que se desgasta, em louvor da cooperação e do benefício, o amor procede do coração que se entrega ao trabalho para compreender e auxiliar.

Quando estiveres a ponto de desanimar ante os empeços do mundo, de espírito inclinado à acusação e à amargura, lembra-te de Deus cuja presença fulge nas faixas mais simples da Natureza.


A Divina Sabedoria apóia a semente para que germine, propiciando- lhe recursos imprescindíveis à existência;nutre- lhe os rebentos, doando-lhes condições precisas para que se desenvolvam, e, convertida a planta em árvore benfeitora, assegura-lhe a seiva e aguarda-lhe ocasião justa para a colheita dos frutos que enriquecerá o celeiro.

Em toda a parte da Terra, surpreendemos a esperança de Deus, em função ativa, seja na pedra que se erguerá em utilidade, no carvão que se fará diamante, no espinheiral que se metamorfoseará em ninho de flores, na gleba inculta que se transfigurará em jardim.

Deus opera com tempo igual para todos.

E a própria Sabedoria Divina nos auxilia a todos indistintamente, agindo, criando, renovando e sublimando com apoio nas horas; sempre que nos vejamos defrontados por dificuldades e incompreensões, saibamos servir com paciência e aprenderemos que, à frente dos problemas da vida, sejam eles quais forem, não existem razões para que venhamos a esmorecer ou desesperar.

sábado, 18 de setembro de 2010

Cruz e Souza

SOFRE

Toda a dor que na vida padeceres,
Todo o fel que tragares, todo o pranto,
Ser-te-ão como trevas, e, entretanto,
Serás pobre de luz se não sofreres.


É que dos sofrimentos nasce o canto
De alegria dos mundos e dos seres,
Pois que a dor é a saúde dos prazeres,
O hino da luz, misterioso e santo.


Doma o teu coração, e, no silêncio,
Foge à revolta, humilha-o, dobra-o, vence-o,
Chorando a mesma dor que o mundo chora;


Abre a tua consciência para as luzes
B, no mundo que o mal encheu de cruzes,
Do Bem encontrarás a eterna aurora.


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo. Francisco Cândido Xavier.)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vallado Rosa

Na Paz do Além

Dentro da noite grandiosa e calma,
Deixo a Minh’alma falar aqui,
Aos companheiros de luta e crença,
Da graça imensa que recebi.


Graça divina de haver sofrido,
De ser vencido no mundo vão,
Graça de haver sorvido tanto
O amargo pranto da ingratidão.


Na vida obscura e transitória
A nossa glória vive na dor,
Dor de quem so&e sonhando e espera,
Com fé sincera, no Pai de Amor.


Subi o Gólgota dos meus pesares,
Que os avatares da redenção
São todos feitos nas amarguras,
Nas desventuras da provação.


Perdi na Terra doces afetos,
Sonhos diletos de sofredor,
Mas recebendo na grande escola
A grande esmola do meu Senhor.


E a Morte trouxe-me a liberdade,
A piedade, o amparo e a luz!
Feliz quem pode na dor terrestre
Seguir o Mestre com sua cruz.


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo. Francisco Cândido Xavier)

Francisco Cândido Xavier & Autores Diversos

Lembra-te Deles


Lembra-te deles, os chamados mortos que embora invisíveis, não se fizeram ausentes...

Compadece-te daqueles que passaram no mundo sem realizar os sonhos de bondade que lhes vibraram no seio e volve o coração reconhecido para quantos te abençoaram a existência com alguma nota de amor.

Eles avançam para a vanguarda...

Muitas vezes, quando menos felizes, esmolam-te o reconforto de uma oração e, vezes outras, mergulham as dores que os afligem na taça de teu pranto, sequiosos de paz e libertação...

Outros muitos, porém, quais aves triunfantes nas rotas da Eternidade, buscam-te o coração por ninho de afeto que o tempo não destruiu, envolvendo-te o ser no calor de branda carícia para que o desânimo não te entorpeça a faculdade de caminhar...

Lembra-te deles e guarda-lhes a lição.

Ontem, apertavam-te nos braços, partilhando- te a experiência.
Hoje, transferidos de plano, colhem os frutos das espécies que semearam.

Aguça a audição mental e ouvirás o coro de vozes em que se pronunciam. Todos rogam-te esperança e coragem, alargando-te os horizontes. E todos se lembram igualmente de ti, desejando aproveites a riqueza das horas na construção do bem para a doce morada de tua porvindoura alegria, porque, amanhã, estaremos todos novamente reunidos no Lar da União Sublime, sem lágrimas e sem morte.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco

Desgraças Terrenas

Toda vez que uma desgraça se abate sobre um homem, a verdadeira desgraça para ele é não saber receber devidamente o infortúnio que lhe chega.

Desgraça, realmente, é o mal, o prejuízo, o dano que se pode praticar contra alguém e não o que se recebe ou se sofre.

O que muitas vezes tem aparência de desgraça - e isto quase sempre - é resgate intransferível e valioso que assoma à alfândega do devedor, cobrando-lhe os débitos livremente assumidos e aceitos. Das mais duras provações sempre resultam benefícios valiosos para o espírito imortal. Há que considerar cada um a própria posição que mantém na vida terrena para avaliar com acerto os acontecimentos que o visitam.

Quando somente se experimentam as emoções físicas e conceituamos os valores imediatos, desgraças, em realidade, para tais, são os pequenos caprichos não atendidos, as veleidades vaidosas não respeitadas, as ambições ridículas não satisfeitas que assumem papel preponderante e se transformam em infelicidade legítimas, porquanto, ignorando propositadamente as realidades superiores, esses descuidados se apegam às menores coisas e aos recursos de nenhuma monta, derrapando para a irritabilidade, as paixões, a loucura, o suicídio: desgraças que levam o Espírito às províncias de amarguras inomináveis, a vencerem tempo sem limite em etapas de dor sem nome...

As desgraças que foram convencionadas como: perda de saúde, prejuízos financeiros, ausência de pessoas amadas, desemprego, acidentes, abandono por parte de queridos afetos, se constituem áspero testemunho que chega ao ser em jornada redentora, se transformam também em portal que transposto estoicamente descera a dádiva da felicidade permanente e enseja paz sem refrega de luta em atmosfera de harmonia interior.

Quando o infortúnio não resulta de imediato desatino ou leviandade à bênção da Vida à vida, facultando vitória próxima.

Nesse particular os Espíritos Superiores levam em alta consideração os sofrimentos humanos, as desgraças que abatem homens, família, povos e, pressurosos, em nome da Misericórdia Divina, acorrem a ajudar e socorrer esses padecentes, dando-lhes forças e coragem para permanecerem firmes e confiantes, buscando diminuir neles a intensidade da dor, e, noutras circunstâncias, tendo em vista os novos méritos que resultam das conquistas individuais ou coletivas, desviando-as, atenuando-as, impedindo mesmo que se realize, pela constrição do sofrimento, a depuração espiritual, o que faculta capazes de anular o saldo devedor constritivo e perseverante, porque se a Justiça Divina é rigorosa e imutável, a Divina Misericórdia se consubstancia no amor, tendo-se em vista que Deus, nosso Pai Excelso, "é amor".

"Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados". Mateus: 5-4.

"De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida".



(Do livro “Florações Evangélicas”

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Hammed

A Verdade


"... Pilatos, então, lhe disse: Sois, pois, rei? Jesus lhe replicou: Vós o dissestes; eu sou rei; eu não nasci, nem vim a este mundo senão para testemunhar a verdade: qualquer que pertença à verdade escuta minha voz."

(Cap. II, item I.)



Não vemos a verdade, conforme afirmou Jesus Cristo, porque nossa mente trabalha sem estar ligada aos nossos sentidos e emoções mais profundos.

As ilusões nos impedem que realmente tenhamos os olhos de ver, e porque não buscamos a verdade projetamos nos outros o que não podemos aceitar como nosso. Tentamos nos livrar de nossos próprios sentimentos atribuindo-os a outras pessoas. Adão disse a Deus: "eu não pequei, a culpa foi da mulher que me tentou". Eva se desculpa perante o Criador: "toda a discórdia ocorrida cabe à maldita serpente". Assim somos todos nós. Quando desconhecemos os traços de nossa personalidade, condenamos fortemente e responsabilizamos os outros por aquilo que não podemos admitir em nós próprios.

Nossa visão sobre as coisas pode enganar-nos, pode estar disforme sob determinados pontos de vista, pois em realidade ela se forjou entre nossas convicções mais profundas, sobre aquilo que nós convencionamos chamar de certo e errado, isto é, verdadeiro ou falso.

Na infância, por exemplo, se fomos repreendidos duramente por demonstrarmos raiva, se fomos colocados em situações vexatórias por aparentarmos medo, ou se fomos ridicularizados por manifestarmos afeto e carinho, acabamos aprendendo a reprimir essas emoções por serem consideradas feias, erradas e pecaminosas por adultos insensíveis e recriminadores.

Porém, não damos conta de que, ao adotarmos essa postura repressora, tornamo-nos criaturas inseguras e fracas e, a partir daí, começamos a não confiar mais em nós mesmos.

Se a nossa verdade não é admitida honestamente, como podemos nos aproximar da Verdade Maior?

Sentir medo ou raiva, quando houver necessidades autênticas, seja para transpor algum obstáculo, seja para vencer barreiras naturais, é perfeitamente compreensível, porque a energia da raiva é um importante "fator de defesa", e o medo é um prudente mediador em face de "situações perigosas".

Para que possamos encontrar a Verdade, à qual se referia Jesus, é preciso aceitar a nossa verdade, exercitando o "sentir" quanto às nossas emoções, e adequá-las corretamente na vida. A sugestão feliz é o equilíbrio e a integração de nossas energias íntimas, e nunca a repressão e o entorpecimento, nem tampouco a entrega incondicional simplesmente.

O que é a Verdade? Disse o Mestre: "Vim ao mundo para dar testemunho da Verdade; todo aquele que é da Verdade ouve a minha voz".

Cremos no que vemos, mas muitas vezes os órgãos dos sentidos nos enganam. Vejamos alguns exemplos:

A Terra parece parada; o arco-íris nada mais é do que raios de sol atravessando gotículas d'água; e certas estrelas que vislumbramos nos céus já não existem, contudo, devido às distâncias enormes a serem percorridas, as suas luzes continuam aportando na atmosfera de nosso planeta, dando-nos a falsa impressão de vida real.

Cremos no que nos disseram, e, embora não sejam situações vivenciadas ou experimentadas por nós, aceitamos como sendo "verdades absolutas", quando de fato eram "conceitos relativos".

Maneiras erradas de se ver a sexualidade, a religião, o casamento, as raças e as profissões distanciam-nos cada vez mais da realidade das situações e das criaturas com as quais convivemos.

Procuremos sintonizar-nos com os olhos espirituais, pois nossa percepção intuitiva é ampla e precisa que a visão física.

Abramos as comportas de nossa alma, para que captemos as inspirações divinas que deliberam a vida em toda parte. Somente assim estaremos mais perto de conhecer a Verdade à qual se referia o Mestre Jesus.



“Renovando atitudes”, de Francisco do Espírito Santo Neto)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

André Luiz

Eis seus momentos de luz...


Se você está feliz, ore sempre, rogando ao Senhor para que o equilíbrio esteja em seus passos.
Se você sofre, ore para que não lhe falte compreensão e paciência.
Se você está no caminho certo, ore para que não se desvie.
Se você está de espírito marginalizado, sob o risco de queda em despenhadeiros ou perigosos declives, ore para que o seu raciocínio retome a senda justa.
Se você está doente, ore a fim de que a saúde possível lhe seja restituída.
Se você tem o corpo robusto, ore para que as suas forças não se percam.
Se você está trabalhando, ore pedindo a Deus lhe conserve a existência no privilégio de servir.
Se você permanece ausente da atividade, ore, solicitando aos Mensageiros do Senhor lhe auxiliem a encontrar ou reencontrar a felicidade da ação para o bem
Se você já aprendeu a perdoar as ofensas, ore para que prossiga cultivando semelhante atitude.
Se você reprova ou condena alguém, ore rogando à Divina Providência lhe ajude a entender o que faríamos nós se estivéssemos no lugar de quem caiu ou de quem errou, de modo a aprendermos discernimento e tolerância.
Se você possui conhecimentos superiores, ore para que não lhe falte a disposição de trabalhar, a fim de transmití-los a outrem, sem qualquer idéia de superioridade, reconhecendo que a luz de sua inteligência vem de Deus que no-la concede para que venhamos a fazer o melhor de nosso tempo e de nossa vida, entregando-nos, porém, à responsabilidade de nossos próprios atos.
Se você ainda ignora as verdades da vida, ore para que o seu espírito consiga assimilar as lições que o Mais Alto lhe envia.

Ore sempre.

A oração é o momento de luz, nas obscuridades e provas do caminho de aperfeiçoamento em que ainda nos achamos, para o nosso encontro íntimo com o amparo de Deus.

Mensagem "Momentos de Luz"
(Do livro “Tempo de Luz”, André Luiz, Francisco Cândido Xavier)

Alfredo Nora

Dor

A dor que a todos esbarra
Na luta que o mundo acirra,
Às vezes, provoca birra,
Tristeza, choro, algazarra...


No entanto, é a mestra bizarra,
Ante a qual a sombra espirra
E, embora grite “arre!” ou “irra!”,
Da vida se desgarra.


Se o fel se te fez masmorra,
Pede a Deus que te socorra,
Na angústia que se te aferra...


Mas não te faças caturra,
A dor que nos segue e surra
É a benção maior da Terra.


(Francisco Cândido Xavier - Livro: Poetas Redivivos)

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco

Nossos Roteiros



O caminho a percorrer é longo, às vezes assinalado pela urze ou entulhado pelos calhaus.

Todavia, o roteiro é igual para todos, porque ninguém existe que seja considerado como exceção.

Aqueles que encontram menos dificuldades, fazem jus às circunstâncias, em razão do seu comportamento em reencarnações passadas.

Os mais atribulados, da mesma forma, procedem dos seus atos infelizes.

Desse modo, ganha a distância evolutiva, passo a passo, e alegra-te com o destino feliz que te aguarda e que alcançarás.


(Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco)

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco

As Doenças




À semelhança do buril agindo a pedra bruta e lapidando-a, as doenças são mecanismos buriladores para a alma despertar as suas potencialidades e brilhar além do vaso orgânico que encarcera.

A doença é resultado do desequilíbrio energético do corpo em razão da fragilidade emocional do espírito que o aciona. Os vírus, as bactérias e os demais microorganismos devastadores não são os responsáveis pela presença da doença, porquanto eles se nutrem das células quando se instalam nas áreas em que a energia se debilita.

Causam fraqueza física e mental, favorecendo o surgimento da doença, por falta da restauração da energia mantenedora da saúde. Os medicamentos matam os invasores, mas não restituem o equilíbrio como se deseja, se a fonte conservadora não irradia a força que sustenta o corpo.

A conduta moral e mental dos homens, quando cultiva as emoções da irritabilidade, do ódio, do ciúme, do rancor, das dissipações, impregna o organismo, o sistema nervoso, com vibrações deletérias que bloqueiam áreas por onde se espraia a energia saudável, abrindo campo para a instalação das enfermidades, graças à proliferação dos agentes viróticos degenerativos que ali se instalam.

Às tensões físicas, mentais e emocionais são, igualmente, responsáveis pelas doenças - sofrimento que gera sofrimento.

Evitando essas cargas, o sistema energético-imunológico liberará de doenças o indivíduo, e a sua vida mudará, passando a melhorar o seu estado de saúde.

As causas profundas das doenças, portanto, estão no indivíduo mesmo, que se deve auto-examinar, autoconhecer-se a fim de liberar-se desse tipo de sofrimento.


Livro: Plenitude

domingo, 12 de setembro de 2010

Meimei & Francisco Cândido Xavier

Coragem no Caminho


Se chegaste aos dias anuviados de pranto, à vista de ocorrências infelizes, acende a luz da esperança e caminha adiante, olvidando na retaguarda o que te possa parecer aflição e desengano.
Outro dia, com novas emoções, espera-te amanhã, renovando-te a vida.
Circunstâncias inesperadas te deslocaram da segurança em que vivias, arrojando-te nas dificuldades do começo da existência...
Esquece quantos te surgiram por instrumentos de inquietação e lembra-te de que as oportunidades de trabalho continuam brilhando para os que não se deixam vencer pelo desânimo.
Pessoas queridas talvez se te hajam transformado em obstáculos à paz, compelindo-te á travessia de espessas nuvens de lágrimas...
Esquece os que se acomodaram com atitudes irrefletidas e pensa nas dedicações sinceras que te felicitam as horas.
Alguém a quem amas, enternecidamente, haverá falhado nos compromissos assumidos, relegando-te ao abandono...
Esquece o menosprezo de que terás sido objeto e conserva a imagem desse alguém no tesouro de tua gratidão pela felicidade que te deu e prossegue em frente, na certeza de que a vida te ofertará estradas novas para a aquisição de alegrias diferentes.
Acontecimentos calamitosos te impeliram a vacilar nos fundamentos da fé, ainda insegura...
Esquece, porém, os fatos amargos e adianta-te na jornada para diante, valorizando os recursos espirituais de que dispões, recordando que o Céu continua alentando a última planta das últimas faixas do deserto e revigorando o verme da mais oculta reentrância de abismo.
Seja qual seja o tipo de provação que te incline ao desalento, vence o torpor da tristeza e segue para a vanguarda de tuas próprias aspirações.
Da imensidão da noite, nascerá sempre o fulgor de novo dia.
Não te permitas qualquer parada nas sombras da inércia.
Trabalha e prossegue em frente, porque a bênção de Deus te espera em cada alvorecer.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Emmanuel

Compadece-te e Acertarás


No instante de analisar o comportamento menos feliz desse ou daquele irmão, compadece-te e acertarás.
Na base da solução de quaisquer problemas, na ordem moral da vida, a compaixão é a porta de acesso.
Em verdade, todos estamos cercados de companheiros crivados de inquietação e de angústia.
Não lhes agraves a dor.
Este acreditou que fazia justiça e caiu no remorso; aquele admitiu que vigilância fosse tirania e converteu-se em verdugo dos entes mais caros; outro supôs que afeição se erigisse unicamente em prazer e estirou-se em desequilíbrio; aquele outro imaginou a que penúria devesse alicerçar a economia e afundou-se em avareza; e outro ainda entendeu que a Divina Providência lhe fosse apoio exclusivo ao mundo pessoal e transfigurou a própria fé em azorrague dos semelhantes.

Reflete nos enganos a que se renderam, desprevenidos, e compadece-te

Quando não consigas aliviar-lhes os padecimentos, entretece um véu de esperança que lhes resguarde a fronte contra o assalto das trevas.

Deus é a justiça que se executa nas leis que o revelam, mas também é a misericórdia no amor que lhe assegura a onipresença.

Os que se transviam sabem-se transviados sem que se faça preciso se lhes esvermem as chagas íntimas a golpes de acusação ou censura.

Todos nós, quando nos precipitamos em delinquência, conhecemos à saciedade, o sombrio lugar em que a nossa mente estagia.

Que nos bastem ao resgate os sofrimentos da culpa.

A dor existe p;ara mostrar que não há desajuste sem possibilidade de retificação. E na base de todo o equilíbrio reina a Eterna Sabedoria que nos fez imortais. Por isso mesmo, determinou o Senhor se lhe atribuísse nas revelações da verdade a afirmativa inesquecível: Misericórdia quero e não sacrifício".

(Francisco C. Xavier & H. Pires)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sofreste decepções?



Não são poucas as pessoas que se tornam amargas, descrentes ou frias, evocando decepções que tenham sofrido aqui ou ali, envolvendo outras pessoas no envolvimento desafortunado.

Realmente, pode-se admitir que alguém se decepcione, porém, deveremos deter-nos, a fim de examinar melhor semelhante situação.

Não é muito real que nos decepcionemos com as pessoas que estão no mundo sofrendo as mesmas compressões, carências ou tormentos que nós mesmos. Uma vez que elas jamais assinaram compromissos de infalibilidade conosco, em nada tem que agradar-nos ou operar somente as coisas que gostamos.

O simples fato de os nossos irmãos da faixa evolutiva se acharem conosco no mundo, é suficiente para que não os idolatremos, não os santifiquemos, pois todos tem pontos de fragilidade ou mesmo seus pontos sombrios.

A nossa decepção, portanto, dá-se com nossa forma de avaliar, de julgar os companheiros, situando-os em altares que não pediram para estar, e, ainda que o tivesses pedido, caber-nos-ia o bom senso. Decepcionamo-nos, no caso, conosco mesmos...

Não nos parece plausível que alguém se decepcione com a sua religião, com a sua doutrina de fé cristã a espalhar em toda parte, para os seres de lúcida e boa vontade, os ensinamentos deixados por Jesus Cristo.

O que se passa é que se costuma confundir as doutrinas que ensinam o nobre e o belo, o luminoso e o salutar, com os doutrinadores que, não obstante exaltem tais virtudes como valores a perseguir-se, conduzem as próprias existências em oposição aos princípios apregoados.

Muitos dos que se erigem como representantes de Deus, do Cristo ou dos Seus Prepostos, na Terra, não crem propriamente no que expressam, desejam, isso sim, sacar proveitos materiais para si próprios, valendo-se da credulidade irrefletida ou das limitações intelectuais do seu rebanho.

Como não foi a Consciência Celeste que os ungiu com as prerrogativas de superioridade, e como, desde o Cristo no mundo, vem Ele exprimindo a necessidade dos cuidados com os falsos profetas, com os exploradores das viúvas, e outros exímios aproveitadores de ocasiões, cabe a cada um o dever de exercitar-se no discernimento, de crescer nas reflexões, comparando os frutos com as qualidades das árvores donde eles procedem, de modo a não se deixarem iludir.

Como vemos, não se decepcionaram com o espírito de religiosidade ou com as mensagens da Boa Nova. Faltava-lhes, exatamente, maior acercamento dessas mensagens; maior penetração nos seus conteúdos, esforçando-se para não tombar em armadilhas para incautos ou fanatizados. Ainda aqui, decepciona-se a criatura consigo mesma...

Estás decepcionado? Sofreste decepções pelos caminhos? Arregimenta todos os teus recursos de maturidade, de experiências positivas, avalia as tuas próprias queixas contra pessoas e situações e verás que tens sido o grande responsável pelas frustrações do caminho. Tens, tu mesmo, engendrado as ondas decepcionantes que te deprimem, que te magoam.

Amadurecendo, gradualmente, nos estudos e labores do bem, aprendendo a examinar cada coisa, cada situação, aprendendo a te examinares a ti mesmo com atenção, crescerás para a Grande Luz sem mais te decepcionares com nada e com ninguém, uma vez que terás aprendido a compreender cada indivíduo no nível geral em que se encontre, sem que dele, por isso mesmo, nada exijas, enquanto que a ti mesmo te impões uma dieta de maturidade, de indulgência e de benevolência para que avances, com disposição de brilhar, sob a proteção de Deus.


(De “Revelações da Luz”, Camilo & J. Raul Teixeira)

domingo, 5 de setembro de 2010

Silva Ramos - Vinculação Redentora


O fidalgo, ao partir, diz à jovem senhora:
"Eu sou teu, tu és minha!... Espera-me, querida!...
Longe, ergue outro lar... Vence, altera-se, olvida...
Ela afoga em suicídio a mágoa que a devora.

Falece o castelão... Vê a noiva esquecida...
Desencarnada e aflita, é uma sombra que chora...
Ele pede outro berço e quer trazê-la agora
Em braços paternais ao campo de outra vida!...

O século avançou... Ei-los de novo em cena...
Ele progenitor, ela a filha pequena
A crescer retardada, abatida, insegura...

Hoje, ele, em tudo, é sempre o doce pajem dela
E a noiva de outro tempo é a filha triste e bela
Agarrando-se ao pai nos traumas da loucura.


(Francisco C. Xavier & H. Pires, obra: Astronautas do Espaço.)

André Luiz - Lição no Apólogo

Diante das perturbações e das lágrimas que nos visitam cada noite o santuário de socorro espiritual, lembraremos velho apólogo, dezenas de vezes repetido na crônica de vários países do mundo e que, por pertencer à alma do povo, é também uma pérola da Filosofia a enriquecer-nos os corações.
Certo cavalheiro que possuía três amigos foi convocado a comparecer no fórum, de modo a oferecer solução imediata aos problemas e enigmas que lhe manchavam a vida, porquanto já se achava na iminência de terrível condenação.
Em meio das dificuldades de que se via objeto, procurou os seus três benfeitores, suplicando-lhes proteção e conselho.
Arrogante, replicou-lhe o primeiro:
— Mais não posso fazer por ti que obter-te uma roupa nova para que compareças dignamente diante do juiz.
Muito preocupado, disse-lhe o segundo:
— Não obstante devotar-te a mais profunda estima, posso apenas fortalecer-te e acompanhar-te até à porta do tribunal.
O terceiro, porém, afirmou-lhe humildade:
— Irei contigo e falarei por ti.
E esse último, estendendo-lhe os braços, amparou-o em todos os lances da luta e falou com tanta segurança e com tanta eloqüência em benefício dele, diante da justiça, que o mísero suspeito foi absolvido com a aprovação dos próprios acusadores que lhe observavam o processo.
Neste símbolo, temos a nossa própria história à frente da morte.
Todos nós, diante do sepulcro, somos chamados a exame na Contabilidade Divina.
E todos recorremos àqueles que nos protegem.
O primeiro amigo, o doador de trajes novos, é o dinheiro que nos garante as exéquias.
O segundo, aquele que nos acompanha até à porta do tribunal, é o mundo representado na pessoa dos nossos parentes ou na presença das nossas afeições mais queridas, que compungidamente nos seguem até à beira da sepultura.
O terceiro, contudo, é o bem que praticamos, a transformar-se em gênio tutelar de nossos destinos, e que, falando em nós e por nós, diante da justiça, consegue angariar-nos mais amplas oportunidades de serviço, quando não nos conquista a plena liberação do Espírito para a Vida Eterna.
Atendamos assim ao bem, onde estivermos, agora, hoje, amanhã e sempre, na certeza de que o bem que realizamos é a única luz do caminho infinito e que jamais se apagará.


(De “Vozes do Grande Além”, de Francisco Cândido Xavier)

Bezerra de Menezes - Paciência e Ação

...abracemos o caminho que o Mestre nos aponta, embora, muitas vezes, sentindo os ombros agoniados, sob a cruz das responsabilidades crescentes.

Não vacilemos, porém.

Associando paciência e ação, brandura e energia – e às vezes mais energia na brandura – sigamos à frente, convencidos de que o Senhor não nos desampara.

Recordemo-lo, sozinho e desfalecente, mas sereno e valoroso e prossigamos, de consciência erguida na paz do dever cumprido.


( Livro:"Bezerra, Chico e Você")

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco - Considerando o problema da fome

Estatísticas apresentam as calamidades resultantes da fome e os olhos do mundo se voltam para o futuro, receosos, estudando apressadas soluções...

A expectativa em torno da super-população do Globo nos próximos decênios gera desequilíbrio, aflição...

Economistas e técnicos outros de várias estruturas do conhecimento examinam os prognósticos sombrios e escolhem os ombros...

Religiosos e pensadores, lamentando o crescimento exagerado da espécie humana, atemorizam-se, e falam com pessimismo sobre o amanhã...

Eugenistas chamados à liça e ginecologistas, ouvidos, sugerem, indiferentes, às altas personalidades que administram as nações, o controle da natalidade.

Cabidos e conclaves, congressos e concílios discutem a questão, e lentamente disseminam nas mentes e nos corações a falsa necessidade da limitação dos filhos, em audaciosos decretos de morte do presente para a humanidade que não se deseja permitir venha a nascer...

... E pretendem, alguns, desse modo, converter o amor, nas suas bases sagradas através do matrimônio, em ingresso grosseiro no reino das emoções bastardas... No entanto, casais impossibilitados de procriar, monetariamente abastados, submetem-se aos modernos processos da inseminação...


Estatísticas revelam, e o mundo se estarrece, com os elevados índices da criminalidade...

Atentados ao pudor, desrespeito aos direitos alheios, agressão à propriedade, assaltos, crimes a mão armada...

A delinqüência juvenil cresce a cada minuto.

O desequilíbrio moral, por parte dos adultos, aumenta, desgovernado.

Os crimes passionais entre pessoas idosas multiplicam-se, volumosos.

Selvageria, abastardamento do caráter e da inteligência, neuroses e psicoses atestam, em incontrolável desdobramento, a via calamitosa por onde segue o homem...

Educadores, psicólogos, analistas e assistentes sociais chamados a opinar, prescrevem, depois dos exames minuciosos, com frieza, a necessidade de liberdade e educação.

O despovoamento dos campos, o super-povoamento das capitais e cidades litorâneas leva os detentores do poder econômico a investimentos de altos lucros, criando problemas de fome...

Há dois mil anos, no entanto, Jesus, o Educador por Excelência, prescreveu, afável: “Amai-vos uns aos outros”, e, como os homens olvidaram a fórmula eficaz para se manterem dignos, criando, em conseqüência os lamentáveis problemas do presente, o Espiritismo, que hoje revive o Divino Mestre e O traz ao coração humano, também concita ao amor, como única terapêutica para todos os males da atualidade.

Há fome, sim, na Terra. Mas a causa da criminalidade exagerada, hoje mais do que ontem, é a fome de amor.

Há crime, sim, na Terra. Mas a causa da criminalidade exagerada, hoje mais do que ontem, provém da fome de amor.

Há guerra e dor, sim, na Terra. Mas por fome de amor. É a fome do amor que está levando o homem ao desespero...

O amor, e somente o amor, propicia construções eternais.

Controle de natalidade, pois, é crime diante da consciência divina, considerando que, através do amor todos os problemas encontram solução e que, acima do nosso amor, o Amor de Nosso Pai espalhado pelo Universo, que tudo sustenta e vitaliza, vigilante, à hora própria intervém, equacionando todos os enigmas que o nosso limitado amor não consegue resolver...


(De “Dimensões da Verdade”)

sábado, 4 de setembro de 2010

O Ano Passado



O ano passado não passou,
continua incessantemente.
Em vão marco novos encontros.
Todos são encontros passados.

As ruas, sempre do ano passado,
e as pessoas, também as mesmas,
com iguais gestos e falas.
O céu tem exatamente
sabidos tons de amanhecer,
de sol pleno, de descambar
como no repetidíssimo ano passado.

Embora sepultos, os mortos do ano passado
sepultam-se todos os dias.
Escuto os medos, conto as libélulas,
mastigo o pão do ano passado.

E será sempre assim daqui por diante.
Não consigo evacuar o ano passado.

(Carlos Drummond de Andrade)

Cid Franco - Quem É?

O outro!... Sabes quem é?
Por trás de quanto se vê.
È quem nos acorda a fé
Sem que se saiba com quê...

É aquele que vai contigo
No mesmo carro assentado.
É quem segue ao desabrigo
E nunca viste ao teu lado.

É o portador de uma prova
Que te surge, de improviso,
É o irmão que te renova
No reconforto preciso.

É o companheiro que indaga,
É aquele que te responde,
É o pedinte aberto em chaga
Que vive não sebes onde...

É o grande homem da praça
Que espalha força e renome,
É o peregrino que passa
Cansado de febre e fome.

É aquele que te injuria,
A verbo de fel e brasa,
É quem te perturba ou guia
Por dentro da própria casa.

É a mulher, é o pequenino
É o jovem de sonho em flor,
É o doente em desatino,
O amigo e o perseguidor...

É quem cria amor e paz,
Quem te bate ou te maldiz,
É a pessoa que te faz
Feliz ou menos feliz.

O outro é o próximo... Alguém
Que nos revela em ação
Quanto já temos de bem
Nas trilhas da evolução.

Obra: Astronautas do Espaço, Francisco C. Xavier & H. Pires)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Augusto Frederico Schmidt

Noites, estranhas noites, doces noites!
A grande rua, lampiões distantes,
Cães latindo bem longe, muito longe.
O andar de um vulto tardo, raramente.


Noites, estranhas noites, doces noites!
Vozes falando, velhas vozes conhecidas.
A grande casa; o tanque em que uma cobra,
Enrolada na bica, um dia apareceu.


A jaqueira de doces frutos, moles, grandes.
As grades do jardim. Os canteiros, as flores.
A felicidade inconsciente, a inconsciência feliz.


Tudo passou. Estão mudas as vozes para sempre.
A casa é outra já, são outros os canteiros e as flores
Só eu sou o mesmo, ainda: não mudei!

A medida certa


Medimos, e medimos sempre. Carregamos em nossa mente a fita métrica do juízo. Se nos apresentam alguém, imediatamente medimos esse alguém da cabeça aos pés. Mas nunca nos interessamos por verificar se o nosso instrumento de mensuração está certo, se não alterou com o tempo e o uso. Deus nos deu o juízo como reflexo da sua divina justiça, pois nos fez à sua imagem e semelhança, não no corpo, mas no espírito. E por isso nos deu também a compaixão que é o reflexo da sua divina misericórdia. A nossa imperfeição nos leva a carregar na justiça e esquecer a misericórdia que em Deus se equilibram.
Em 1862, na cidade de Bourdeaux, na França, o espírito protetor Michel deu uma comunicação sobre piedade que figura no capítulo XIII de O Evangelho Segundo o Espiritísmo. Essa mensagem começa assim:" A piedade é a virtude que mais nos aproxima dos anjos. É a irmã da caridade que nos conduz a Deus". Piedade e compaixão são sinônimos. O Espiritismo nos ensina que evoluímos em direção a Deus, mas que entre a condição de humana e Deus existe a fase angélica pela qual teremos que passar.Ninguém se elevará espiritualmente usando apenas a fita métrica do juízo.
A medida certa que podemos aplicar aos outros é o juízo regulado pela piedade, como Emmanuel volta a ensinar-nos, mais de cem anos depois da comunicação de Michel. A violência dos tempos antigos que nivelou povos bárbaros e civilizados pelo mesmo padrão de animalidade, como a violência do nosso tempo em que os resquícios do passado repontam ameaçadores, servem para mostrar-nos como é difícil o aprendizado na Escola da Terra. Alunos renitentes, voltando sempre às mesmas classes, através da reencarnação, ainda não aprendemos a cartilha do Evangelho. A revelação espírita nos socorre neste momento com seus novos métodos de ensino, procurando franquear-nos a porta das promoções necessárias.
Já é tempo de pensarmos nas lições de humanidade que Jesus nos deu através de palavras e exemplos. A terra está em fase de transição para um mundo melhor. Nossas provas atuais são provas finais. Se não passarmos no exame, esmagados ao peso do egoísmo animal, seremos transferidos para outra escola a fim de reiniciarmos os estudos.

(Obra: Astronautas do Espírito. Irmão Saulo, Francisco C. Xavier & H. Pires.)

Nosso Lar - O Filme

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Joanna de Ângelis e Divaldo Pereira Franco - Frustações e dependências


O indivíduo está sempre no momento presente, que é o seu instante decisório. O passado, por isso mesmo, não pode servir de parâmetro, senão para aprender como não repetir os erros, pois que é irrecuperável, no entanto, reparável. Nada existe que possa ser recuperado na área moral comprometida, no entanto, desde que haja interesse real, poderá ser corrigido. Assim, é negativo manter saudades do já ocorrido, sentir-se frustrado pelo que gostaria que houvesse sucedido mas não aconteceu, ou arrependido em profundidade pelo insucesso de que foi objeto. Tais sentimentos não podem modificar as conseqüências desencadeadas no pretérito, no entanto podem ser reformuladas as bases da ação que se repetirá em forma nova, assim modificando os futuros resultados. Eis por que se deve perdoar a tudo e a todos, igualmente proporcionando-se perdão a si mesmo, recompondo-se emocionalmente e recomeçando a tarefa onde ela se desencaminhou.
O homem psicológico saudável não vive de recordações, nem se atormenta com as aspirações. Portador de um presente enriquecedor, os seus movimentos atuais estão sempre voltados para as ações que o promovem, confinando, naturalmente, no futuro de forma natural, racional, sem inquietação, despido de ansiedade, vivendo integralmente cada instante do seu hoje.
Personalidades instáveis sentem-se frustradas facilmente, em razão da falta de idealismo perseverante para se realizarem. Ambicionam em demasia ou a nada aspiram, deixando-se arrastar por estados melancólicos que cultivam, sem o competente esforço para saírem da situação doentia.
Inúmeros fatores contribuem para as frustrações pessoais, entre outros, os conflitos da libido não realizada, geradora de medos injustificáveis ou de melancolias carregadas de sombras; o convívio familiar insatisfatório, no qual as imagens dos pais mal humorados e reclamadores produzem ansiedades e desejos de fuga da realidade inquietante; dificuldades de auto-realização, por decorrência de falta de iniciativa ou por pequenos insucessos que poderiam ser transformados em êxitos, se tivesse havido perseverança; inveja pelo triunfo das outras pessoas, muitas vezes logrado a grande esforço, que o paciente se recusa usar...
Todo o séquito de frustrações leva o indivíduo à dependência emocional, criando tabus, buscando amuletos para a sorte madrasta, tentando o sobrenatural, procurando soluções mágicas para o que poderá tornar-se um desafio ao alcance da vitória, na luta encetada.
Essa dependência se transfere das crenças supersticiosas para as pessoas que as devem carregar psicológica, física e economicamente, solucionando os seus problemas, resolvendo as suas dificuldades, que se renovam, por falta de decisão e reflexão para agir corretamente. Porque não se encontram aqueles que estejam dispostos a suportar tão pesada carga, mais aumentam as suas frustrações, que adquirem estágio mórbido, levando aos transtornos psicóticos maníaco-depressivos.

Quando a pessoa considerar que se encontra na Terra, no momento, no lugar e com as pessoas certas, aquelas que lhe são necessárias para o próprio desenvolvimento, despertará da dependência infantil e da frustração debilitadora, recuperando a saúde comportamental através da renovação mental e das motivações atraentes para tornar a sua existência mais do que suportável, perfeitamente feliz.
O indivíduo deve aspirar ao máximo, que, mesmo não logrado, significa-lhe visão otimista do porvir, que o aguarda, permitindo-se então o que seja possível conseguir, sem produzir mecanismo frustrante ou dependência daqueles que o lograram.
Como o pensamento é a fonte geradora das aspirações, anelar pelo melhor, trabalhar por adquiri-lo, representa elevação e engrandecimento moral. Não se perturbar, todavia, quando isso não ocorra, é demonstração de maturidade e de equilíbrio que todos devem manter.



(De “Vida — Desafios e Soluções”, do capítulo “Energias da Vida”)
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