terça-feira, 15 de março de 2011

Meimei & Francisco C. Xavier

Deus é Amor
       
          Jamais condenes.
          Deus é, sobretudo, amor.
          Em arena vasta do Plano Espiritual, achava-se um homem desencarnado em julgamento.
          O mentor indicado para instruí-lo, quanto ao que lhe cabia fazer, a fim de regenerar-se, passou a encontrar muita dificuldade para desincumbir- se dos próprios encargos.
          Acontece que o recinto das advertências fora invadido por enorme turba de acusadores.
          Esse apontava o infeliz, na condição de celerado que lhe havia aniquilado a família no mundo; aquele mostrava-lhe os punhos cerrados, prometendo-lhe vingança pelos males de que fora vitima; outro pedia para ele a pior sentença; e outras entidades, incluindo mulheres desventuradas, dirigiam-lhe frases cruéis.
          Então, o orientador indagou do réu se não lembrava, por si mesmo, algum bem que havia feito. Não teria, porventura, auxiliado em favor de alguma criança perdida ou amparado a essa ou aquela viúva sem ninguém? Nunca se aproximara de um mendigo doente, buscando reduzir-lhe as necessidades? Acaso, não haveria socorrido algum animal apedrejado ou protegido alguma fonte?
          O infortunado companheiro revelou ansiedade e amargura nos olhos, a engolirem as próprias lagrimas, e respondeu pela negativa, confessando ainda que impusera a morte a sua própria mãe, com certeira punhalada, de modo a furtar-lhe as ultimas jóias escondidas num jirau.
          Foi aí que a massa de escarnecedores se desmandou em gritaria.
          O mentor recomendou mais ordem novamente e já se preparava a solicitar o parecer de orientadores domiciliados em planos mais altos, quando nobre mulher, de aparência simples, mas nimbada de luz, penetrou o salão e explicou-se em alta voz:
          - Senhor juiz, manda a verdade seja dito que este homem proporcionou imensa alegria a uma filha de Deus, assim que todos somos. Ele foi a esperança e o sonho, a felicidade e a força que lhe acalentaram a vida...
          - Ainda assim – ponderou o magistrado –terá ele de amargar longo período de provas, encarcerado num corpo disforme, entre as criaturas da Terra.
          Ela, porém, aclarou com humildade:
          - Compreendo que a justiça deve exercer-se, em auxilio a nos todos. Essa mulher, no entanto, o abençoará e acompanhará seja onde for... Lutará por ele e chorara de dor e de alegria, até que a beleza com que Deus o criou lhe brilhe na face por bendita luz....
          O Juiz, admirado, volto a perguntar-lhe:
          - Senhora, quem sois vós que defendeis assim um celerado?
           A dama não declinou a própria condição, mas encaminhou-se para o réu, abraçou-o e beijou-lhe o rosto de que os demais se afastavam com asco... Em seguida, ergueu a fronte e, contemplando a assembléia espantada, proclamou enternecida:
          - Declaro, perante Deus, que ele é meu filho.

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