quarta-feira, 13 de abril de 2011

Processos Obsessivos

Não raro auscultamos os processos obsessivos quando se
encontram francamente instalados. No entanto, sabemos que a
desagregação do equilíbrio mental, quando os problemas pertencem
nitidamente ao espírito, levam tempo.
A sabedoria da vida não constitui o sistema nervoso para colapsos a
troco de bagatelas.
Encontramos, desse modo, em toda parte do plano físico, os que se
acham na fase prévia de segregação na enxovia da alma.
Sofreram ou se desenganaram em algum item da experiência humana
e instintivamente entregam a chave do controle de si mesmos a
inteligências outras que os espreitam na sombra. Do ressentimento passam
à mágoa crônica. Da excitação se transferem à cólera sistemática. Daí
seguem adiante até adquirirem um lugar destacado na patologia da mente.
Quando você se identifique nessa posição fronteiriça, capacite-se
da necessidade de libertar você mesmo. Recorde a embarcação que
pode perfeitamente salvar-se, expedindo um S.O.S., e comece a derribar a
cadeia mental que lhe ameaça a integridade, reunindo as suas forças em
oração. Não espere o naufrágio.
Em seguida, repare as suas forças orgânicas através de auxílio
medicamentoso à altura de suas exigências fisiológicas, imitando o cuidado
do mecânico que restaura a casa de máquinas do navio, e prossiga no rumo
certo.
Esse rumo certo na temática da obsessão é a continuidade da
viagem terrestre sem ancoragem que não seja aquela programada para
deveres nos postos de escala — as prestações de serviço aos outros.
Nada de parar sobre recifes de perturbação ou vasculhar o bojo
das ondas de treva. Caminhar à frente. Esquecer-se em favor de outros
viajantes.
Se você enfrenta um problema assim sutil da fronteira entre o equilíbrio
e o desequilíbrio, observe quem, na maioria das circunstâncias, você traz o
recinto da mente cerrado ao auxílio dos outros. São pensamentos de
desânimo, cansaço, tristeza ou tentação que se agigantaram.
Foram eles diminutas brechas de sombra, na cidadela do espírito, que
serviram de mira a gazuas cruéis de velhos adversários dos caminhos
percorridos em outras existências.
Não permita que se lhe derruam as portas defensivas. Reaja. Mas
conserve a certeza de que a única reação construtiva é a de sua própria
renunciação aos caprichos e preconceitos do círculo pessoal, com serviço
desassombrado e desinteressado ao próximo.
Milhares ou talvez milhões de companheiros no mundo estão hoje no
cairel da obsessão, quais viajores descuidados no dorso do abismo. Há
socorro e libertação para todos, desde que cada um se disponha a
renovar-se para o bem, renovando os agentes espirituais que lhes
assessoram a vida.

(Nova Iorque, N. I., E.U.A., 28, Julho, 1965.)
Kelvin Van Dine (Waldo Vieira)
(De “Entre irmãos de outras terras”, de Francisco Cândido Xavier e
Waldo Vieira – por diversos espíritos)

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