quinta-feira, 30 de junho de 2011

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Não te perturbes

"E o mandamento que era para a vida, achei eu que me era para a morte”. - Paulo (Romanos 7:10)

Se perguntássemos ao grão de trigo que opinião alimenta acerca do moinho, naturalmente responderia que dentro dele encontra a casa de tortura em que se aflige e sofre; no entanto, é de lá que ele se ausenta aprimorado para a glória do pão na subsistência do mundo.
Se indagássemos da madeira, com respeito ao serrote, informaria que nele identifica o algoz de todos os momentos, a dilacerar-lhe as entranhas; todavia, sob o patrocínio do suposto verdugo, faz-se delicada e útil para servir em atividades sempre mais nobres.
Se consultarmos a pedra, com alusão ao buril, certo esclarecerá que descobriu nele o detestável perseguidor de sua tranquilidade, a feri-la desapiedado, dia e noite; entretanto, é dos golpes dele que se eleva aos tesouros terrestres, aperfeiçoada e brilhante.
Assim, a alma. Assim, a luta.
Peçamos o parecer do homem, quanto à carne, e pronunciará talvez impropriedades mil. Ouçamo-lo sobre a dor e registraremos velhos disparates verbais. Solicitemos-lhe que se externe com referência à dificuldade, e derramará fel e pranto.
Contudo, é imperioso reconhecer que do corpo disciplinado, do sofrimento purificador e do obstáculo asfixiante, o espírito ressurge sempre mais aformoseado, mais robusto e mais esclarecido para a imortalidade.
Não te perturbes, pois, diante da luta, e observa.
O que te parece derrta, muita vez é vitória. E o que se te afigura em favor de tua morte, é contribuição para o teu engrandecimento na vida eterna.

Livro: Fonte Viva

Perpetuum Jazzile - Rosanna

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

No Mundo Pessoal

Quando te observares na verdadeira posição de criatura imortal, nascida de Deus, com estrutura original, decerto te habilitarás a compreender que o Criador te conferiu tarefas individuais que deves aceitar por intransferíveis.
Reflete nisso.
Ninguém possui o trabalho que te foi concedido executar, conquanto algumas vezes a obra em tuas mãos possa assemelhar-se, de algum modo, a certas atividades alheias, no levantamento do progresso geral.
Ninguém dispõe da fonte de teus pensamentos plasmados por tua maneira especialíssima de ser. Qual sucede com as impressões digitais, a voz que te serve se te erige em prosperidade inalienável.
Em qualquer plano e em qualquer tempo, mobilizas todo um mundo interior de cujas manifestações mais íntimas e mais profundas os outros não participam. À face disso, estarás em comunidade, mas viverás essencialmente contigo mesmo, com os teus sentimentos e diretrizes, ideais e realizações. Isso porque o Governo da Vida te fez concessões que não estendeu a mais ninguém.
Observa os compromissos que te assinalam, seja em família ou seja no grupo social, e descobrirás para logo as obrigações que se te reservam no imediatismo das circunstâncias. Se falhas no serviço a fazer, alguém te substitui no momento seguinte, porque a Obra do Universo não depende exclusivamente de nós; entretanto, seja como seja onde te colocares, podes facilmente identificar as tarefas pessoais que a vida te solicita.
Quis a Divina Providência viesses a nascer no Universo por inteligência única, de modo a cumprir deveres inconfundíveis, sob a justa obrigação de te conheceres, mas não nos referimos a isso para que te percas no orgulho e sim para que te esmeres no burilamento próprio, valorizando-te na condição de criatura eterna em ascensão para a Espiritualidade Superior, a fim de brilhar e cooperar com Deus na suprema destinação da Sabedoria e do Amor, para a qual, por força da própria Lei de Deus, cada um de nós se dirige.

(De “Rumo Certo”)

Hammed & Francisco do Espírito Santo Neto

Preceptor das almas

“Mas o papel de Jesus não foi simplesmente o de um legislador moralista, sem outra autoridade que a sua palavra; ele veio cumprir as profecias que haviam anunciado sua vinda; sua autoridade decorria da natureza excepcional de seu Espírito e de sua missão divina...”
(Capítulo 1, item 4.)

Ele andou pelos caminhos terrenos desprovido de qualquer apego, consideração ou aplausos.
Ensinou a excelência da mensagem do amor em sua grandeza superlativa e, ao mesmo tempo, percorreu os caminhos, desacom¬panhado de seus pais ou parentes, solicitando, todavia, a presença espontânea de amigos amorosos que lhes absorveram as lições inesquecíveis.
Não tinha sequer onde reclinar a cabeça, despojado de qualquer bem material; nunca tomava decisões precipitadas em face de atitudes positivas ou negativas que aconteciam em seu redor, mas sempre reflexionava com sua estrutura divina, pois tinha plena consciência de sua missão terrena em favor da educação de uma humanidade ignorante e sofredora.
Ele afirmava que todos deveriam ser vistos como irmãos ou amigos, porque sabia que em potencial poderiam vir a ser pais, filhos, cônjuges ou irmãos, visto que é da lei universal a reencarnação e a caminhada a um só rebanho e a um só Pastor.
Independente de tudo e de todos, conhecia a estrada a ser percorrida, pois estava seguro em Si mesmo; dessa forma, fez sua trajetória livre de convenções e padrões preestabelecidos, não acei¬tando preconceitos de qualquer matiz, porqüanto sabia transitar com grandeza e dignidade pelos caminhos do mundo. Criatura magnífica, retinha na mente poderes que lhe per¬mitiam manipular desde a intimidade da matéria até as essências mais sutis da alma humana.
Homem generoso, sempre voltado à Natureza, com a qual se integrava em plenitude.
Amava os lírios dos campos, os pássaros dos céus, os montes arborizados, as brisas da manhã, as águas dos lagos, os trigais, e a própria natureza divina que existe em tudo e em todos.
Ele exemplificou as belezas naturais terrenas, comparando-as com o Reino dos Céus, fazendo dessa forma um elo divino, isto é, uma ligação de amor entre os Céus e a Terra.
Ensinou-nos a respeitar inicialmente as coisas da Terra, para que pudéssemos, então, amar as coisas da Vida Maior.
Aparentemente fracassado na cruz, mostrou-nos logo após que venceu o mundo em todos os aspectos.
Jesus podia “ver” com absoluta facilidade por trás das cortinas do teatro da vida humana e tinha a nítida percepção das intenções mais secretas.
Os seres humanos, para Jesus, eram verdadeiros “livros abertos”: seu olhar penetrava o âmago das almas, onde conseguia alcançar seus pontos fracos.
Não sufocava com a força de sua personalidade aqueles que O procuravam; ao contrário, afirmava: ‘Tudo depende de ti”, ou mesmo, “Atua fé te curou”. Em outras ocasiões, aconselhava-os:
“Vai e não peques mais”, convidando-os para uma vida autêntica e oferecendo apoio e incentivo para construírem a “Casa sobre a rocha”.
Foi Mestre por excelência, porque se manteve longe dos excessos nos relacionamentos: do excesso de “convites”, que pro¬move desmedido envolvimento pessoal, dificultando a ajuda real, e do excesso de “indiferença”, que provoca falta de compaixão e posicionamento frio.
Preceptor das Almas, levou-nos à reflexão íntima, ou melhor, à interiorização de nós mesmos, quando assegurou: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim”, (1) formalizando assim a necessidade do nosso autoconhecimento como base vital para alcançarmos o Rei¬no do Céus.
Sigamos Jesus, Ele é a Luz do Mundo, o Sol Fulgurante que aquece as almas do frio interior, da desilusão e da desesperança.
Busquemos Jesus agora e sempre, porque só assim estaremos caminhando ao encontro da paz tão almejada.

(1) João 14:11.

Livro: Renovando Atitudes

quarta-feira, 29 de junho de 2011

André Luiz & Francisco Cândido Xavier

Em Favor de Você Mesmo

Aprenda a ceder em favor de muitos, para que alguns intercedam em seu benefício nas situações desagradáveis.
Ajude sem exigência para que outros o auxiliem, sem reclamações.
Não encarcere o vizinho no seu modo de pensar; dê ao companheiro oportunidade de conceber a vida tão livremente quanto você.
Guarde cuidado no modo de exprimir-se; em várias ocasiões, as maneiras dizem mais que as palavras.
Refira-se a você o menos possível; colabore fraternalmente nas alegrias do próximo.
Evite a verbosidade avassalante; quem conversa sem intermitências, cansa ao que ouve.
Deixe ao irmão a autoria das boas idéias e não se preocupe se for esquecido, convicto de que as iniciativas elevadas não pertencem efetivamente a você, de vez que todo bem procede originariamente de Deus.
Interprete o adversário como portador de equilíbrio; se precisamos de amigos que nos estimulem, necessitamos igualmente de alguém que indique os nossos erros.
Discuta com serenidade; o opositor tem direitos iguais aos seus.
Se você considerar excessivamente as críticas do inferior, suporte sem mágoa as injunções do plano a que se precipitou.
Seja útil em qualquer lugar, mas não guarde a pretensão de agradar a todos; não intente o que o próprio Cristo ainda não conseguiu.
Defrontado pelo erro, corrija-o primeiramente em você, e, em seguida, nos outros, sem violência e sem ódio.
Se a perfídia cruzar seu caminho, recuse-lhe a honra da indignação examine-a, com um sorriso silencioso, estude-lhe o processo calmamente e, logo após, transforme-a em material digno da vida.
Ampare fraternalmente o invejoso; o despeito é indisfarçável homenagem ao mérito e, pagando semelhante tributo, o homem comum atormenta-se e sofre.
Habitue-se à serenidade e a fortaleza, nos círculos da luta humana; sem estas conquistas dificilmente sairá você do vaivém das reencarnações inferiores.

(Agenda Cristã)

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco

Animosidade

Viceja, ao lado da simpatia, no sentimento humano, a animosidade.
Reação psíquica, vinculada a vários fatores, atormenta a quem lhe padece o cerco e aflige a quem se lhe faz vítima,
conduzindo-a n'alma.
Pode originar-se na competição inconsciente, quanto na inveja dissimulada, imiscuindo-se em várias expressões do
comportamento, que envenena, a cada passo.
Toma a si a tarefa malsã de fiscal impenitente, perseguindo, à socapa, no disfarce da maledicência constante ou da
crítica mordaz, não raro investindo com rigor em constante acusação.
Não desculpa os que lhe caem sob o talante, quando estes erram, nem permite que eles acertem, seguindo em paz.
Ante a atitude correta, dissemina a dúvida; em face do erro agride, insensata, quando de todos é o dever de ajudar.
Nunca te subordines às suas amarras.
Jamais a apliques contra alguém.
* * *
A animosidade é fator de desequilíbrio, sendo, já, manifestação alienadora.
Se lhe sentes as farpas, arrojadas por alguém que te antipatiza, luta para não revidar à agressão.
Não te deixes sintonizar nas faixas mentais em que se demoram os que se te apresentam animosos.
Procura ser gentil com eles, sem que te atormentes por conquistá-los.
Eles estão contra ti, impedindo-se cordialidade para contigo.
Não intentes vencê-los no tentame, a fim de que não te detenhas com eles.
Usa da afabilidade sem ser pusilânime.
O tempo logrará despertá-los, conduzindo-os corretamente.
* * *
Ninguém pretenda a simpatia geral.
Sempre há alguém que postula noutros conhecimentos, comportando-se de forma diversa ou que prefere, simplesmente,
a atitude contrária.
Mesmo nas fileiras dos ideais que esposas, defrontá-los-ás.
Alguns não se dão conta que estão teledirigidos por outras mentes atormentadas interessadas no programa do divisionalismo,
da perturbação.
Prossegue, porém, no teu caminho, vinculado ao compromisso que abraças, sem valorizar em demasia a animosidade dos
insensatos.
Se souberes retirar a parte melhor do problema, a antipatia deles te ajudará a errar menos, porque, perseguido e vigiado,
procurarás produzir com mais estímulo para o bem e para melhor.
* * *
A Sócrates, os adversários deram o vaso de cicuta, não porque ele necessitasse de punição, mas porque não o podiam submeter
aos seus caprichos.
A Jesus, que também não se furtou à animosidade da sua época nem dos seus contemporâneos, ofereceram a cruz, numa tentativa
de aniquilá-lo, sem, no entanto, perceberem que a trave horizontal fora transformada em asa de vitória e a vertical, em apoio para todos
os ideais de enobrecimento da Humanidade como símbolo de perene vitória para quem almeja a glória espiritual.

(De “Oferenda”)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Carlos A. Baccelli & Inácio Ferreira

Reconhecimento

"Verdadeiramente, este homem era justo" - Lucas, cap. 23 - v.47


Somente após Jesus ter expirado no lenho é que o centurião reconheceu que ele
era um homem justo !
Assim, não esperemos pelo aplauso do mundo. Busquemos, antes, a aprovação
da consciência.
Semeemos sem pressa de colher, porque a semente cultivada não se antecipa à
época que lhe é assinalada para produzir.
Ninguém nos usurpará o próprio valor.
Esperar pela gratidão de alguém é permanecer na expectativa do que nem JESUS teve.
O espírito, aonde vai, ostenta o mérito intransferível de seus esforços.
Não nos aflijamos pelo reconhecimento alheio. Existem pessoas que, emocionalmente,
se mostram descompensadas, porque, superestimando o que fazem, criam exagerada
expectativa no que tange ao retorno por parte das pessoas a quem beneficiam.
A rigor, não estamos dando nada a ninguém; simplesmente, estamos devolvendo o que,
de uma maneira ou outra, lhe tomamos...
Não nos coloquemos nunca na condição de benfeitores - isto ainda é tola pretensão de
quem se arrasta no solo do Planeta !
Deus é o Dispensador de todas as bênçãos, que apenas vamos repassando, exercitando a
nossa capacidade de amar.
Quantos não se deprimem porque não sabem tomar a iniciativa de amar, sem cogitar de
serem amados ?
Como a fonte que, ao dessedentar, não sente sede, quem ama não carece de ser amado,
porque o amor que gera em si mesmo lhe basta a qualquer carência de afeto.

(Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier



Homens e Anjos

"Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder,
não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor."
II Pedro, 2:11

É lastimável observar o grande número de pessoas que estão sempre dispostas a proferir sentenças blasfematórias, umas para com as outras. A leviandade domina-lhes as conversações, a mesquinhez corrompe-lhes as atividades nos mais diversos setores da vida.
Exceção feita aos sinceros cultivadores da luz religiosa, quase todos os homens se conservam à porta de situações ásperas em que o esforço difamatório lhes envenena a vida. Alimentam antipatias injustas para com os irmãos de atividade profissional, pelo próximo que não aceita as idéias, pelos companheiros que se não afinam com os seus princípios. E como a lei é de compensação e troca, receberão dos colegas e dos vizinhos as mesmas vibrações destruidoras.
Guerras silenciosas, nesse sentido, têm, por vezes, secular duração.
Entretanto, o homem jactancioso está sempre rodeado pela ação benéfica de Espíritos iluminados e generosos, que, quanto mais revestidos de poder divino, mais se compadecem das fragilidades humanas, estendendo-lhes mãos acolhedoras para o caminho e jamais pronunciando juízos condenatórios diante do Senhor.
Toda vez que fores compelido a analisar os esforços alheios, recorda a palavra de Pedro. Não te esqueças de que as entidades angélicas, mananciais vivos e sublimes de força e poder, nunca enunciam sentenças acusatórias contra ti, diante de Deus.

(Do livro “Caminho, Verdade e Vida”)

Diante da Angústia

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco

A ausência de objetivos existenciais conduz o indivíduo à conceituação do nada como um mecanismo de fuga da realidade.
Kierkegaard, o eminente teólogo e filósofo dinamarquês, estabeleceu que a ausência de sentido da vida conduz à angústia, procedendo do nada e vivenciando realidades para o futuro .
Essa ambigüidade entre o nada e o ser leva a uma irracionalidade da sua existência metafísica e a expressão absurda da vida.
Essa conceituação abriu espaço para formulações variadas na área da filosofia, facultando aos existencialistas, através do pensamento de Sartre, que a considerava como sendo uma expressão de liberdade, conseqüência da falta de objetivos essenciais. Igualmente os sensualistas têm-na como ausência de metas, o absurdo, produzindo resultados de aniquilamento da vida, como pensava Camus e todo um grupo de apologistas do prazer.
Sob o ponto de vista psicológico, a angústia resulta de vários fatores ancestrais, que podem possuir uma carga genética, que imprimiu no comportamento a patologia perturbadora.
Outros impositivos psicossociais como perinatais influenciam a conduta angustiante, levando à depressão profunda, que pode resultar em suicídio.
A fixação de pensamentos negativos em que o homem se compraz termina por gerar conflitos graves quando se negam auto-estima e o direito à felicidade, vivência a autoconsideração, tombando na revolta surda e silenciosa, que cultiva nos dédalos da personalidade conflitiva.
Entretanto, as raízes fortes da angústia encontram-se emaranhadas no passado de culpa do Espírito, que reconhece o erro e teme ser descoberto.
Envolve-se, sem dar-se conta, num manto sombrio de desconforto moral e sem ter consciência da sua realidade, compreende-a, mas não sabendo digeri-la, transforma-a em mortificação, em cilício, que o amargura.
Faltando valores morais para um enfrentamento lúcido com a realidade em que limita os movimentos, transfere o sentido de responsabilidade para o próximo, para a sociedade e descarrega a sua mágoa, rebelando-se, anulando-se.
A angústia é estado mórbido que deve ser combatido na sua causalidade.
A reflexão em torno dos valores que são desconsiderados, a introspecção sobre a oportunidade de despertamento para ser útil, o sentimento de fraternidade que deve ser despertado, contribuem positivamente para o tratamento libertador...
A ajuda especializada de terapeuta responsável enseja o desalgemar do Espírito desse amargo estado aflitivo, acenando possibilidades felizes que se transformam em bem-estar e saúde.
Não raro, o portador de angústia cultiva o masoquismo, que resulta de uma consulta egoísta, graças, ao que, mediante mecanismo psicológico especial, foge da realidade por necessidade de valorização pessoal. Em face da ausência de recursos positivos e superiores, recorre ao atavismo dos instintos primários e descamba na torpe angústia.
Diante dela, somente uma resolução firme e legítima para facultar abertura terapêutica para o desafio.
Não havendo interesse do paciente, é certo que mais difícil se torna a liberação da psicopatologia tormentosa.
Considera a bênção da oportunidade que desfrutas e espanta as sombras da tristeza que, periodicamente, te assaltam.
Evita acumular amarguras defluentes da queixa, da sensação de infelicidade, e trabalha-te, a fim de que teu amanhã se apresente menos tenebroso.
Hoje colhes, enquanto fruis o ensejo de ensementar.
Busca ser útil a alguém, mesmo que, aparentemente, nenhum objeto se te delineie de imediato.
Sempre há oportunidade, quando se deseja crescer e desenvolver valores latentes.
Jesus informou que Ele é vida e vida em abundância.
Recorre-lhe à ajuda, e deixa-te curar pela sua assistência de Psicoterapeuta por excelência.

domingo, 26 de junho de 2011

Bezerra de Menezes & Divaldo Pereira Franco

Oração do servo imperfeito
Senhor!
Abençoa-nos, servos imperfeitos que reconhecemos ser, na longa trilha do processo de nossa evolução.
Encontramo-nos emaranhados em nosso pretérito, onde os espículos da imperfeição acicatam as nossas necessidades.
Deslumbrados pelo sol da madrugada nova, comprazemo-nos na noite demorada que nos retém, chafurdados na incompreensão e no desequilíbrio.
Prometendo renovação e paz, detemo-nos na intriga e na desídia.
Buscando o planalto da redenção, retemo-nos no pantanal do vício. Aspirando liberdade e glória, algemamo-nos à paixão escravizante e ao defeito perturbador.
Contigo aprendemos que vencedor é aquele que serve, feliz é aquele que doa, fiel é aquele que renuncia.
Não obstante, disputamos, nos combates aguerridos da inferioridade, os primeiros lugares; nos banquetes da fatuidade sem nos darmos conta de que Tu, Senhor, Excelso Governador da Terra, abandonaste, um dia, o sólio do Empíreo para refugiar-TE na manjedoura, ensejando-nos a madrugada imperecível que traça o rastro luminoso desde o presépio de Belém à cruz de Jerusalém, a fim de dizer-nos que a ressurreição gloriosa é contingência inevitável da morte, em sombras, para o dia imorredouro da plenitude.
Abençoa-nos, portanto, Senhor, aos discípulos que Te desejamos servir e amar, construindo, no mundo, a Era Nova que o Teu Evangelho restaurado nos traz, a fim de que possamos, no termo da jornada, dizer como o converso de Damasco:
Já não sou eu quem vive, mas Tu, Senhor, vives em mim.


(De “A prece segundo os Espíritos”)

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Sobriedade

Em todos os setores das atividades terrestres, mesmo nos círculos externos do esforço religioso, há muita gente dormindo nos braços das ilusões.
Aqui é o egoísmo mascarado de bondade irreal, ali é a preocupação sectária sob as aparências de fé.
O discípulo sincero, todavia, aprende a receber os apelos do Evangelho, de modo a não dormir, como os demais.
É preciso estar pronto ao serviço e vigiar, fielmente. Entretanto, na vigilância ainda encontram os aprendizes certos perigos mais fortes.
São os que condizem com a ausência da sobriedade.
Quase sempre, quando se encontra essa palavra, a criatura reflete imediatamente nos desregramentos do corpo. Mas, o cristão não deve olvidar o caráter nefasto das intemperanças da alma.
Muitos aprendizes de boa vontade tornam-se irascíveis, inquietos e, por vezes, cruéis, acreditando servir à causa de Cristo.
Vigilância não quer dizer olho alerta para indicar o mal, mas posição de concurso sincero com Jesus a fim de substituir o mal pelo bem, em silêncio, onde quer que se encontre.
Sem a sobriedade, a realização dessa tarefa se torna impossível. É indispensável não desperdiçar emoções ou distrair energias em problemas desnecessários.
Sejamos, pois, vigilantes, dando a cada um aquilo que lhe pertence.



(Do livro “Sentinelas da Luz”)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco

Fé em ti

Fanatismo é torpe descaracterização da fé, exteriorizando demência da faculdade de pensar.
A descrença sistemática é conflito emocional, de curso largo, a inquietar o equilíbrio da razão.
O homem crê por impositivo da evolução, por hereditariedade psicológica.
Nem toda crença é racional, passada pelo crivo do exame, mas também, automática, natural, em um número de pessoas, pela qual se expressa.
A fé, por isso mesmo, manifesta-se de maneira natural e racional.
A primeira encontra-se ínsita no homem, enquanto a outra é adquirida através do raciocínio e da lógica.
A fé religiosa, pois, surge espontaneamente ou resulta de uma elaboração mental que os fatos confirmam.
Virtude, portanto, conquista pessoal, descortina os horizontes amplos da vida, facultando paz e estimulando à luta.
Aquisição intelectual, transforma-se em uma luz sempre acesa a conceder claridade nas circunstâncias mais complexas da vida.
Seja, porém, qual for a forma em que se manifesta a tua fé, vitaliza-a com o amor, a fim de que ela se expanda na ação do bem.
A fé é parte ativa da natureza espiritual do homem, cujo combustível deve ser mantido através da oração, da meditação frequente e do esforço por preservá-la.
Não faças experiências-testes à tua fé. Ela estará presente nos momentos hábeis sem que se faça necessário submetê-la a avaliações.
Aprende a crer nos teus valores.
O homem crê por instinto, por assimilação, pela razão.
Põe a tua fé em Deus e absorve a ideia do bem, pois foste criado para uma vida feliz e saudável.

(De “Filho de Deus”)
Hoje

" Antes exortai-vos uns aos outros, todos
os dias, durante o tempo que se chama
Hoje; para que nenhum de vós se endureça
pelo engano do pecado." - Paulo - Hebreus 3:13

O Conselho da exortação recíproca, diária, indicado pelo apóstolo requisita bastante reflexão para que se não estabeleça guarida a certas dúvidas.
Salientemos que Paulo imprime singular importância ao tempo que se chama Hoje, destacando a necessidade de valorização dos recursos em movimento pelas nossas possibilidades no dia que passa.
Acreditam muitos que para aconselharem os irmãos necessitam falar sempre, transformando-se em discutidores contumazes. Importa reconhecer, porém, que uma advertência, quando se constitua somente de palavras, deixa invariável vazio após sua passagem.
Qual ocorre no plano das organizações físicas, edificação espiritual alguma se levantará sem bases.
O "exortai-vos uns aos outros" representa um apelo mais importante que o simples chamamento aos duelos verbais.
Convites e conselhos transparecem, com mais força, do exemplo de cada um.Todo aquele que vive na prática real dos princípios nobres a que se devotou no mundo, que cumpre zelosamente os deveres contraídos e que demonstre o bem sinceramente, está exortando os irmãos em humanidade ao caminho de elevação. É para esse gênero de testemunho diário que o convertido de Damasco nos convoca. Somente por intermédio desse constante exercício de melhoria própria, libertar-se-á o homem de enganos fatais.
Não te endureças, pois, na estrada que o Senhor te levou a trilhar, em favor de teu resgate, aprimoramento e santificação. Recorda a importância do tempo que se chama Hoje.

(De “Pão Nosso”)

Michael McDonald & Billy Preston - What's Goin' On

quinta-feira, 23 de junho de 2011

André Luiz & Francisco Cândido Xavier

Perante as Revelações do Passeado e do Futuro

Observar o maior critério em tudo o que se refira a revelações do pretérito, fugindo ao reerguimento infrutífero de cadáveres que devem prosseguir sepultados na cinza do tempo.
O passado é a causa viva, mas não soluciona o presente.
Convencer-se de que, por enquanto, ninguém se inteirará de acontecimentos anteriores à encarnação atual, por motivos banais ou frívolos.
A Sabedoria Superior, em revelando o passado de alguém, cogita do bem de todos. Afugentar preocupações com existências transcorridas, de vez que qualquer informação nesse sentido deve ser espontânea por parte do Plano Superior, que julga acertadamente quanto ao que mais convém à responsabilidade.
O que passou está gravado.
Tranqüilizar- se quanto a sucessos porvindouros, analisando com lógica rigorosa todos os estudos referentes a predições.
A profecia real tem sinais divinos.
Jamais impressionar- se com prognósticos astrológicos desfavoráveis, na certeza de que, se as influências inclinam, a nossa vontade é força determinante.
Temos conosco a vida que procuramos.
Guardar em mente que muitas almas regressam à Vida Maior carregando consigo enormes frustrações pelos equívocos a que se afeiçoaram, por terem aceitado revelações destituídas de crédito.
Somos herdeiros de nossos próprios atos.

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convêm.”
— Paulo. (I CORÍNTIOS, 6:12.)

Emmauel & Francisco Cândido Xavier

Vaso de Barro


"Temos, porém, este tesouro em vasos de barros, para que a sublimidade seja da virtude de Deus e não de nós." - Paulo. ( II Coríntios, 4:7.)

Não te furtes a transmitir os dons do Evangelho.

Se caíste, levanta-te e estende as mãos, construindo o melhor.

Se estiveste em erro até ontem, reconsidera o gesto e esclarecendo a quem te ouve a palavra.

Se cansado, recompõe as próprias forças na fé, e prossegue amparando sempre.

Caluniado, perdoa e esquece o golpe, procurando servir.

Menosprezado, não firas ninguém e esforça-te por ser útil.

Perseguido, esquece o mal e faze o bem que possas.

Insultado, olvida toda ofensa e auxilia sem mágoa.

Em meio de todas as fraquezas e vicissitudes que nos rodeiam a alma, estejamos convictos com o apóstolo Paulo de que possuímos o conhecimento da verdade e a flama do amor, como quem transporta um tesouro em vasos de barro, para que a excelência da virtude resplandeça por luz de Deus e não nossa.

Livro: Palavras de Vida Eterna

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Maria Nunes & João Nunes Maia

Dívida

O credor segura-se no caráter, para satisfazer sua violência. (Miramez)

O credor, quando ganancioso, busca o devedor onde ele estiver, dá escândalo e, quando não é atendido, fala de moral sem contudo se lembrar que deve ser o primeiro a viver a moral que prega.
Todos temos dívidas com a economia divina; o suprimento maior nos fornece com abundância e sempre nos esquecemos de receber com parcimônia, sem esperdiçar os bens de Deus, a nós entregues por misericórdia.
Todos temos talentos, uns acordados, outros em processo de despertamento e outros em estado de sono, por despertar. Compete a nós outros saber usar nossos valores; esse é o recurso divino que cabe a todos nós doar e não emprestar nem vender, por não serem vendáveis, já que não somos donos deles; tudo pertence a Deus.
A violência, o orgulho e o egoísmo nascem da ignorância. Somente o amor é fruto da vida imortal, porque quanto mais damos, mais recebemos da própria vida. Se passarmos a compreender a vida de Jesus, a observação nos falará do Seu desprendimento, sendo que Ele tinha tudo o que quisesse ao Seu dispor, por ser consciente de que somente Deus é dono de todas as coisas, Mas, Deus nunca deixa Seus filhos sem o necessário para viver, nos dois planos de vida.
Se alguém lhe deve, meu irmão, ore por ele; não use de subterfúgios, querendo mostrar vida impoluta, para receber de quem lhe deve. Dê o que puder distribuir a quem precisa, sem participar da usura, cambiando juros para a sua bolsa.
O egoísmo nos inspira para não ensinarmos aos nossos companheiros, para que eles fiquem ignorantes e não tenham igualdade no saber conosco. Devemos ser instrumentos com Jesus, deixando fluir pelos nossos canais mediúnicos o saber que aprendemos com outros. Se alguém nos ensinou sem exigir tanto de nós, por que não fazer o mesmo?
O desprendimento divino, que deve ser assegurado na nossa vida; contudo devemos compreender que desprendimento não é desperdício; é equilíbrio em tudo, por assim dizer, é o amor comandando o coração.
Quem ainda manifesta nos seus passos a violência, está sendo dominado pelo orgulho, que petrifica a própria consciência. Esqueça, se alguém lhe deve; procure pagar aos que você deve, sem angústia, com agradecimento a quem lhe socorreu nos momentos difíceis.
Somente limpamos a consciência e o coração da revolta e da tristeza quando aceitamos a vida como Deus nos deu, obedecendo às leis naturais, na naturalidade da criação.

(De “SABEDORIA — A lei de Deus no pensamento dos homens)

sábado, 18 de junho de 2011

Miramez & João Nunes Maia

O Milagre da Fé

Quando falamos em fé, abre-se na alma um campo imenso de alegria pois foi Jesus quem valorizou a confiança nas criaturas, quando dizia: “A tua fé te curou”.
Conscientizemo-nos de que temos em nós todas as qualidades, que podem nos levar à felicidade, curando todos os nossos desequilíbrios, removendo todas as nossas enfermidades, caso as tenhamos. Podemos dizer que esse é o milagre da fé, força poderosa que reside em nós, em forma de valores da vida, que bastam ser despertados em nosso próprio bem, que o Bem maior já aconteceu: a doação destes dons incomparáveis de vida eterna, pela Misericórdia Divina.
No entanto, para que possamos despertar essas luzes na nossa intimidade, convém saber que é necessário cultivar a persistência, na busca da ciência do amor, na constância da caridade bem orientada, na perseverança do perdão a todos aqueles que nos ofendem e caluniam, na firmeza de todos os ideais da fraternidade. Tendo essa firmeza até o fim, seremos salvos das investidas do mal, alcançando a harmonia em todos os sentimentos.
A fé é força divina, sendo o conjunto das virtudes que se apoderam da nossa consciência, instalando o amor em nosso coração. O Espírito, mesmo movendo-se em um corpo físico, pode acionar as forças da fé; depende dele mesmo, no aprimoramento das suas qualidades no campo dos sentimentos, alinhavando todos os dias, a força mental da educação dos seus próprios pensamentos, cuja convivência com eles ainda são segredos, sendo área enorme para ser trabalhada pela disciplina, como pela instrução.
Todavia, não podemos nos esmorecer; ao contrário, devemos enfrentar todos os meios de educar e aprender,que a mão de Deus não se fará esperar. O tempo vai nos revelando a verdade, de acordo com o crescimento das qualidades. Vale dizer: que sejamos perseverantes no ideal do bem comum, confiando sempre em Deus, que Ele não nos deixará órfãos. Pelas vias dos benfeitores espirituais, o Senhor nos ajuda e, para tanto,tenhamos Fé.
Como nos fala o Evangelho Segundo o Espiritismo, “a fé é a substância das coisas pensadas”, e nós dizemos que ela é também a sublimidade dos nossos sentimentos e a segurança da nossa vida.
Onde estiveres, tem certeza do que está fazendo, para que te firmes no conhecimento da verdade. Em tudo a força da fé penetra, tornando-se um milagre da natureza em nosso benefício, compreendendo que é vontade de Deus que, pela verdadeira fé, se faça o Cristo em nós como motivo da glória celestial.
No futuro, a própria medicina há de se consubstanciar-se na fé, porque ela predispõe o organismo para a cura de si mesmo. Toda alma perseverante no bem alcança a presença do Criador em todos os seus caminhos, e vive feliz, por escutar a voz de Jesus a lhe dizer “A paz seja contigo” e mais adiante, torna a ouvir: “A tua fé te curou!”
Todo aquele perseverante nas lições do Mestre ganha terreno no ambiente do amor, e quem ama nas modalidades que Jesus ensinou e viveu, sente a claridade dos Céus a convidá-lo para a felicidade.

(De “Cura-te a ti mesmo”)

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Súplica em Silêncio

Todos os companheiros em provação, que te procuram a simpatia, falam sem rodeios na linguagem aberta.
Parentes em condição difícil expõem-te as duras contingências em que jornadeiam no caminho diário e estendes a cada um o auxílio indispensável.
Servidores, que te garantem o equilíbrio doméstico, trazem-te à consideração as próprias necessidades e divides com eles os recursos de que dispões, promovendo-os à categoria de participantes do teu próprio destino.
Amigos, enleados a rudes provas, revelam-te as feridas morais que lhes supliciam a mente e sabes medicá-los com o bálsamo da palavra consoladora.
Meninos desamparados interpelam-te na rua e enterneces-te, diligenciando, em favor deles, o arrimo do pão e o calor do teto.
Irmãos, localizados nos derradeiros degraus da carência, formulam-te dolorosas rogativas e esvazias a bolsa por socorrê-los.
Doentes, relegados à tortura física, alcançam-te os ouvidos, com desesperadoras imprecações, e apressas-te a ofertar-lhes reconforto e remédio.
Flagelados de longínquas regiões requisitam-te amparo e associas-te, de pronto, ao concurso preciso.
Vítimas de tragédias passionais convocam-te à piedade pelas vozes da imprensa e oras por elas.
Existe, no entanto, por toda a parte, alguém que te suplica, em absoluto silêncio, sustentação e carinho... Alguém que, muitas vezes, sob ameaça de morte pela desnutrição em si mesmo ou pela inconsciência dos outros, espera por teu gesto de compaixão e defesa.
Não exijas que a opinião alheia te mostre semelhante pedinte mudo.
Contempla a maternidade, quando a maternidade aparece na incompreensão e no sofrimento, e auxilia, como puderes, a criança que vai nascer.

(De “Inspiração”)

André Luiz & Francisco Cândido Xavier

Pobreza e Riqueza

O pobre, pobre de humildade e de espírito de serviço, é o irmão dileto do rico, rico de avareza e indiferença.
*
O pobre, rico de resignação e de atividade no bem, é o companheiro ideal do rico, rico de bondade e entendimento.
*
Pobreza e riqueza são portas à glorificação espiritual.
Na primeira, é mais fácil aprender a servir; na segunda, a ciência de dar exibe agradável acesso.
*
Não vale a pobreza sem a conformação e ruinosa é a riqueza insensata.
*
Todos os homens, na intimidade de si mesmos, são defrontados por desafios da carência e da fortuna que os convocam ao esforço de sublimação.
Aquele que se empobrece de ignorância e maldade, buscando enriquecer-se de amor e sabedoria, no serviço ao próximo, através do trabalho e do estudo incessantes, adquirindo compreensão e conhecimento, luz e paz, diante das Leis Divinas, é, de todos os pobres e de todos os ricos, o homem mais valioso e mais feliz.

(De "Caridade")

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Christopher Cross & Michael Mcdonald

Depressão

Hammed & Francisco do Espírito Santo Neto

Somos também natureza; possuímos as estações da alegria, do entusiasmo, da moderação e do desânimo, assim como as da primavera, do verão, do outono e do inverno.
Em muitas circunstâncias, podemos considerar a depressão como natural período de transição. São tempos de mudanças e crescimento, épocas de tristeza que antecedem novos horizontes de amadurecimento do ser em constante processo de evolução.
Os fenômenos naturais da vida sucedem, organizados, em ciclos determinados. Os períodos de troca dos antigos conceitos por outros tantos mais novos e melhores para o nosso momento atual fazem parte desse ciclo natural da consciência humana. Porque entusiasmo, da moderação e do desânimo, assim como as da primavera, do verão, do outono e do inverno.
Aprendendo com a natureza entre as observações das leis que regem os ecossistemas, é que deixaremos as atmosferas cinzentas da depressão passar para fixarmo-nos nos dias de sol e de alegria, que voltarão a brilhar.
Os elementos da natureza não existem separados uns dos outros, mas tendem a se combinar em sistemas mais complexos, estabelecidos a partir de uma série de associações físicas e biológicas. Através das relações de permutas constantes, eles adquirem uma espécie de "vida coletiva", o que lhes dá uma habilidade par se auto-organizarem e auto-reproduzirem ao longo do tempo. A esse fenômeno a Ecologia denomina "ecossistema". O pensamento ecológico procura investigar algumas das leis que regulam e formam os mecanismos ecossistêmicos. Vamos descrever as que consideramos mais importantes para as nossas reflexões neste estudo:
1) A "diversidade" - Quanto maior a multiplicidade de elementos existentes no ecossistema, maior sua capacidade de se auto-regular, pois maiores serão as propriedades com que ele contará para reorganizar os elementos num novo equilíbrio.
2) A "interdependência" - Na unidade funcional do ecossitema tudo está conectado com tudo, de tal modo que não poderemos tocar num elemento isolado sem atingirmos o conjunto. Assim também ocorre com o corpo humano, já que não se pode abalar um órgão sem envolver todo o organismo.
3) A "reciclagem"- Todo elemento natural liberado no ambiente é reintroduzido de alguma forma pelo ecossistema. Através desses reaproveitamentos é que os resíduos biológicos permanecem circulando e sendo reproduzidos numa espécie de ciclo fechado. É isso que permite a sobrevivência desse imenso complexo ecológico.
"...O homem, tendo tudo o que há nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial, indefinida, que lhe dá a consciência do seu futuro, a percepção das coisas extramaterias e o conhecimento de Deus." ( 1 )
Por sermos parte deste grandioso espetáculo da natureza e possuirmos a capacidade de entendê-lo racionalmente, é que deveríamos ser os primeiros a considerar a sagrada naturalidade que há em nós, bem como a perceber, conscientemente, seu processo atuando em nossa intimidade.
Eis algumas conexões entre as leis ou regras de funcionamento dos ecossistemas, que nos ensinarão a regular nosso ritmo de vida para não voltarmos aos velhos padrões de pensamentos depressivos:
1) Na "diversidade" de novos conhecimentos filosóficos, religiosos ou científicos e na análise de diversos modos de definir a realidade das coisas é que aumentaremos a capacidade de auto-regular-nos emocionalmente para restabelecermos um novo equilíbrio existencial.
2) Na "interdependência" da vida social, mas nunca no isolamento, é que extrairemos as experiências de que necessitamos para sair do marasmo, pois é nas relações de permuta constante na vida coletiva que aprenderemos que tudo está relacionado com tudo. Devemos descobrir nossas similaridades com toda a obra da Criação. Ninguém será feliz sozinho, pois o homem é apenas uma parcela dessas grande sinfonia da evolução da vida na Terra.
3) Na "reciclagem" de todos os elementos que as experiências da vida nos oferecem, o reaproveitamento deverá ser feito indistintamente, tanto para os que chamamos bons quanto para os que consideramos maus. Alegria e tristeza são nossos companheiros de viagem, estão sempre nos ensinando algo na caminhada evolucional. Tudo tem seu próprio valor e lugar na existência; por isso, não devemos tentar afastar de forma irrefletida as nuvens negras que impedem, momentaneamente, que a luz nos alcance. A vida na Terra ainda é um jogo de luzes e sombras. Tudo na vida tem um fim utilitário para crescermos integralmente.
A reflexão atenta a esses apontamentos permite-nos entender melhor nossos ciclos depressivos, recolhendo assim as abençoadas sementes da "arte de viver".

(Texto extraído da obra " As Dores da Alma")

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Meimei & Francisco C. Xavier

Medita e Ouve

Nas horas de alegria, quando nobres aspirações atingidas te ampliem os ideais, medita na Divina Providência que te ilumina a alma e deixa que a inspiração da Espiritualidade te auxilie a dividir a própria felicidade com aqueles que te rodeiam.
Nos dias de aflição quando problemas e provas te esfogueiam o espírito, medita na Bondade Ilimitada do Criador e espera com paciência as soluções desejadas, trabalhando e servindo para que se faça o melhor.
Nos momentos de tentação, quando a sombra te envolva as construções espirituais, medita no Amparo do Senhor e acende a luz da resistência nos excessos do próprio ser para que te recoloques no rumo da vitória sobre ti mesmo.
Nos instantes de tristeza, quando dificuldades do sentimento te marquem a estrada, anunciando-te amargura ou desilusão, medita no Socorro Celestial e reconstituirás as próprias energias para que a fé te reajuste a serenidade.
Nas ocasiões de crises e lágrimas com que a sabedoria da vida te examina a segurança, medita no Apelo de Deus e criarás nova força para vencer os obstáculos do caminho em que segues, buscando a realização dos sonhos mais íntimos.
Quanto possível, de permeio com o trabalho a que a existência te induz, em teu próprio auxílio – com base na prece – medita e ouve a música que nasce nas fontes do Eterno Bem.
Ouçamos as melodias da paz e do amor que nos lembrem a harmonia do Universo e qualquer tempo, nos campos da alma, se nos transformará no calor da compreensão e na alegria da bênção.

Da obra Meditações Diárias

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco

Caminhos do Coração

Multiplicam-se os caminhos do processo evolutivo, especialmente durante a marcha que se faz no invólucro carnal.
Há caminhos atapetados de facilidades, que conduzem a profundos abismos do sentimento.
Apresentam-se caminhos ásperos, coalhadas de pedrouços que ferem, na forma de vícios e derrocadas morais escravizadores.
Abrem-se, atraentes, caminhos de vaidade, levando a situações vexatórias, cujo recuo se torna difícil.
Repontam caminhos de angústia, marcados por desencantos e aflições desnecessárias, que se percorrem com loucura irrefreável.
Desdobram-se caminhos de volúpias culturais, que intoxicam a alma de soberba, exilando-a para as regiões da indiferença pelas dores alheias.
Aparecem caminhos de irresponsabilidade, repletos de soluções fáceis para os problemas gerados ao longo do tempo.
Caminhos e caminhantes!
Existem caminhos de boa aparência, que disfarçam dificuldades de acesso e encobrem feridas graves no percurso.
Caminhos curtos e longos, retos e curvos, de ascensão e descida, estão por toda parte, especialmente no campo moral, aguardando ser escolhidos.
Todos eles conduzem a algum lugar, ou se interrompem, ou não levam a parte alguma... São, apenas, caminhos: começados, interrompidos, concluídos...
Tens o direito de escolher o teu caminho, aquele que deves seguir.
Ao fazê-lo, repassa pela mente os objetivos que persegues, os recursos que se encontram à tua disposição íntima assinalando o estado evolutivo, a fim de teres condição de seguir.
Se possível, opta pelos caminhos do coração.
Eles, certamente, levarão os teus anseios e a tua vida ao ponto de luz que brilha à frente esperando por ti.
O homem estremunha-se entre os condicionamentos do medo, da ambição, da prepotência e da segurança que raramente discerne com correção.
O medo domina-lhe as paisagens íntimas, impedindo-lhe o crescimento, o avanço, retendo-o em situação lamentável, embora todas as possibilidades que lhe sorriem esperança.
A ambição alucina-o, impulsionando-o para assumir compromissos perturbadores que o intoxicam de vapores venenosos, decorrentes da exagerada ganância.
A prepotência anestesia-lhe os sentimentos, enquanto lhe exacerba as paixões inferiores, tornando-o infeliz, na desenfreada situação a que se entrega.
A liberdade a que aspira, propõe-lhe licenças que se permite sem respeito aos direitos alheios nem observância dos deveres para com o próximo e a vida; destruindo qualquer possibilidade de segurança, que, aliás, é sempre relativa enquanto se transita na este física.
Os caminhos do coração se encontram, porém, enriquecidos da coragem, que se vitaliza com a esperança do bem, da humildade, que reconhece a própria fragilidade, e satisfaz-se com os dons do espírito - ao invés do tresvariado desejo de amealhar coisas de secundário importância - os serviços enobrecedores e a paz, que são a verdadeira segurança em relação às metas a conquistar.
Os caminhos do coração encontram-se iluminados pelo conhecimento da razão, que lhes clareia o leito, facilitando o percurso.
Jesus escolheu os caminhos do coração para acercar-se das criaturas e chamá-las ao reino dos Céus.
Francisco de Assis seguiu-Lhe o exemplo e tornou-se o herói da humildade.
Vicente de Paulo optou pelos mesmos e fez-se o campeão da caridade.
Gandhi redescobriu-os e comoveu o mundo, revelando-se como o apóstolo da não-violência.
Incontáveis criaturas, nos mais diversos períodos da humanidade e mesmo hoje, identificaram esses caminhos do coração e avançam com alegria na direção da plenitude espiritual.
Diante dos variados caminhos que se desdobram convidativos, escolhe os caminhos do coração, qual ovelha mansa, e deixa que o Bom Pastor te conduza ao aprisco pelo qual anelas.


Obra: Momentos de Felicidade.

Antônio Valentim da Costa Magalhães

Duas Vidas

- “Uma esmola, senhor, que me alivie os males!...”
E o marajá responde humilhando o mendigo:
-“Um paria é maldição na viagem que eu sigo!
Afaste-te, infeliz! Não me fites, nem fales!...”

Ao Sonido marcial de clarins e timbales,
A caravana parte, em busca de outro abrigo...
E o grande hindu, lembrando um rei vaidoso e antigo,
Fulge no palanquim por montanhas e vales!


Mas o príncipe morre... E o Tribunal Divino
Impõe-lhe vida nova... E’ um paria sem destino,
Que traz agora a dor qual fogo atado ao lenho...


E no mesmo lugar que ele, mísero, empresta,
Implora a um marajá que se retira em festa:
- “Uma esmola, senhor, para as chagas que eu tenho!...


Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.


Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Doença e Remédio

O trato com as chagas da ignorância, na esfera da Humanidade, quais sejam a incompreensão e a vingança, a crueldade e a rebeldia, anotemos a conduta da Misericórdia Divina, no quadro das doenças terrestres.
Porque alguém acusa os reflexos tóxicos dessa ou daquela enfermidade, não sofre condenação a permanente desajuste.
Recebe a atenção da Ciência, que lhe examinas as possibilidades de cura ou melhoria.
Porque o médico deve observar detritos corruptores, não lhe impele a saúde à perturbação e ao relaxamento.
Dá-lhes luvas protetoras.
Porque processos infecciosos alteram a constituição celular nessa ou naquela parte da província corpórea, não sentencia a zona atacada a simples extirpação.
Oferta-lhe o recurso adequado para que elimine a infestação virulenta.
Se grandes lesões comparecem na estrutura do carro físico, ameaçando-lhes a segurança, traça o plano necessário à intervenção cirúrgica, mas não deixa o doente a insular-se no desespero, estendendo-lhe à dor o amparo da anestesia.
Se moléstias epidêmicas surgem, insidiosas, distribui a vacinação que susta o contágio.
Vemos que a Lei de Deus não se conforma com o mal: ao contrário, opõe-lhe a cada instante o socorro do bem.
Dessa forma, se os agentes da lama se te infiltram no passo, exibindo-te aos olhos perigosas ações de discórdia e infortúnio naqueles que mais amas, não podes realmente acomodar-se aos golpes com que te impulsionam à imersão na maldade, mas podes esparzir a água viva do amor, auxiliando em silêncio as vítimas do desequilíbrio que tombam sem saber que se arrastam no lodo.
Usa, pois, cada hora, a compaixão sem termos e o perdão sem limites, porque o próprio Jesus, perante os nossos males, exclamou, complacente:
- "Em verdade, eu não vim para curar os sãos."

Livro: Canais da Vida

Conduta Cristã

"Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco".
Tassalonicenses - Cap. 5, v. 18.
Uma das coisas mais difíceis, nas relações com os nossos semelhantes, é dar conselhos. Quando o conselheiro não segue os preceitos que indica para os outros, gera uma grande desconfiança no irmão que está ouvindo, que passa a espreitar a vida que é levada pelo seu guia espiritual. Essa vida tem que ser reta, obedecer à conduta indicada, iluminada pela sinceridade. Se assim não for, o trabalho ficará perdido.
A palavra é o veículo daquilo que somos; os sons que articulamos, mesmo interpretados de maneira diferente da que sentimos, conduzem fluidos que nunca podem ser mudados. Eles levam a mensagem do sentimento íntimo de quem emite as palavras para o coração dos ouvintes, fazendo-os sentir a realidade do que pensa e vive o conselheiro.
O importante é viver antes de falar, para que a palavra encontre a segurança do coração. O cristão dos nossos dias não tem desculpas a dar, porque já se passaram dois mil anos de fermentação dos preceitos evangélicos, no laboratório do raciocínio e no céu do coração. A meditação foi prolongada, para tomarmos boas diretrizes.
O Cristo nunca pediu sacrifício total de um dia para outro. Todavia, não é por causa da misericórdia dessa tolerância que vamos esquecer de aplicar aquilo que é do nosso dever - o esforço próprio - todos os dias. Esperar que o tempo se encarregue disso, e que a natureza inconsciente selecione nossos caminhos, não deve ser pensamento do cristão. Está a cargo da sensibilidade interna fazer muita coisa, contudo ela só agirá com o comando mental, com a decisão tomada pelo espírito, pois a vontade é tudo nesse campo.
Querendo, andarás; querendo, falarás coisas úteis; querendo, reconstruirás a ti mesmo. O Céu, na Terra, depende desse reino em cada alma, e o esforço é imprescindível nessa conquista.
Quando encontrares um irmão que aconselha, vivendo, acata esse amigo e agradece a Deus, já que esse irmão representa uma dádiva dos Céus para a Terra, uma presença mais direta do Senhor, junto aos homens.
Falar muito, além do conveniente, tanto esgota o físico de quem fala, quanto desorienta a quem ouve. O policiamento das conversações pode e deve ser feito constantemente, para que elas construam, edifiquem e iluminem. O verbo é sagrado e a nossa vontade é divina; saber usar um e outro é compreender o chamamento do Cristo para a verdadeira vida. Eis as boas normas: falar pouco, mas sentindo; falar pouco, mas limpando, como se a palavra fosse água e sabão.
O apóstolo Paulo recomenda a todos retribuir o mal com o bem, porque este último tem o poder de isolar o primeiro. O perdão constitui a segurança para os ofendidos. "Regozijai-vos sempre, e orai sem cessar", preceitua a Boa Nova. O regozijo em tudo faz gerar em nós a humildade, a ponto de reconhecermos que ninguém recebe o que não merece. Orar sempre é procurar, através da prece, o ambiente espiritual, no sentido de resistirmos às tentações, afastando-as, com eficiência, do nosso caminho.
Não julgues os outros, porque não conheces bem os teus semelhantes; julga a ti mesmo, por conheceres melhor os teus atos. Não desprezes as profecias; elas, como árvores, ofertam frutos; necessário se fazer bom discernimento da escolha que fizeres. Abster-te de todo mal é prova de já conheceres, por experiência, sua ação degradante e subversiva.
Viva com o amor em todos os casos, em todas as horas, na certeza que ele te defende de todo o mal, preparando-te para o ingresso no Reino dos Céus.
Se, por acaso, surgirem em teu caminho variadas tempestades para te desviar do Cristo, não te dês por vencido. Mesmo enfermo, mesmo mutilado, mesmo caindo aos pedaços, mesmo morrendo, procede como escreve o apóstolo.
Escutemo-lo:
"Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus convosco".

(De “Alguns ângulos dos ensinos do Mestre”, de João Nunes Maia – Espírito Miramez)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Seara Espírita

"Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se
colhem figos no espinheiro nem uvas nos abrolhos."
Jesus - Lucas, 6:4

"É assim, meus irmãos, que deveis julgar examinando as obras. Se os que dizem investidos de poder divino revelam sinais de uma missão de natureza elevada, isto é, se possuem no mais alto grau as virtudes cristãs e eternas: a caridade, o amor, a indulgência,
a bondade que concilia os corações; se, em apoio das palavras, apresentam os atos, podereis então dizer: Estes são realmente enviados de Deus."
Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.XXI, item 8
Penetrando a seara espírita, rememora o Cristianismo redivivo, que se lhe configura nas menores atividades, e não te circunscrevas à expectação.
Em semelhante campo da fé, sem rituais e sem símbolos, sem convenções e sem exigências, descobrirás facilmente os recomendados do Senhor, a surgirem naqueles companheiros cujas dificuldades ultrapassam as nossas.
Pleiteias a mensagem dos entes queridos que te antecederam na viagem do túmulo, entretanto, basta procures e divisarás amigos diversos que não somente perderam a presença de seres inesquecíveis, mas também as possibilidades primárias da intimidade doméstica.
Solicitas proteção para os filhos educados nos primores de tua bênção, agora em obstáculos inquietantes no estudo ou na profissão, contudo, distinguirás, ao teu lado, pais valorosos e incapazes de aliviar as necessidades singelas dos rebentos da própria carne, sem a assistência do amparo público.
Diligencias a cura da enfermidade ligeira que te apoquenta e contemplarás muitos daqueles que trazem moléstias irreversíveis, para os quais chega uma frase de esperança, a fim de louvarem as dores da própria vida.
Pedes, mentalmente, arrimo à solução de negócios materiais que te propiciem finança mais dilatada, no entanto, surpreenderás os pés desnudos de irmãos que vieram de longe, à busca de um simples pensamento confortador, vencendo, passo a passo, largas distâncias por lhes faltarem qualquer recursos para o custeio da condução.
Rogas conselho em assunto determinado, não obstante o arsenal dos conhecimentos de que dispões, todavia, reconhecerás, frente a frente, amigos diversos que nunca tiveram, em toda a existência física, a bendita oportunidade de um livro às mãos.
Se o plano superior já te permite pisar na seara espírita, não te limites à prece.
Todos os tipos de rogativa que se voltem para o Bem Infinito, são respeitáveis, no entanto, pensa em nosso Divino Mestre que orou auxiliando e realiza algo de bom, em favor dos irmãos em Humanidade, que ele mesmo nos apresenta.
Espiritismo é Cristianismo e Cristianismo quer dizer Cristo em nós para estender o Reino de Deus e servir em seu nome.

(De “Livro da Esperança”)

J. Herculano Pires & Francisco Cândido Xavier

Todos são importantes

Somos iguais perante a seara, porque somos todos iguais perante o Senhor da Seara. Deus não faz acepção de pessoas, nem de posições e muito menos de instituições. O item 5 do capítulo XX de O Evangelho Segundo o Espiritismo estabelece esta condição essencial: “Felizes os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse e movidos apenas pela caridade”. Emmanuel conclui a sua mensagem lembrando “que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus”.
Querer que não haja discordâncias entre os que trabalham na divulgação e na sustentação da Doutrina seria acalentar quimeras. Cada consciência humana, como ensina Hubert, é um ponto na correnteza da duração. Cada um de nós está colocado num ângulo determinado do eterno fluir da realidade. Cada qual, portanto, tem a sua maneira própria de ver as coisas.
O Espiritismo nos ensina que nos completamos uns aos outros pelas nossas diferenças. Mas se diferimos nos acessórios, concordamos sempre no essencial. Por isso mesmo a caridade – que é o amor em ação – deve eliminar as arestas do nosso personalismo, ensinando-nos que todos somos importantes na busca e na conquista da verdade.
Claro que não devemos concordar com tudo e tudo aprovar em silêncio, pois a tolerância de acomodação equivale a cumplicidade com o erro. A crítica maldosa e orgulhosa, que condena tudo o que é feito pelos outros, é a negação da caridade. Mas ai de nós se suprimirmos a crítica do meio espírita! Porque é ela, quando sensata e sincera, a prática da vigilância que Jesus ensinou e Paulo exemplificou. Como utilizar o “crivo da razão”, de que nos fala Kardec, se abdicarmos do direito de pensar, que mais do que um direito é um supremo dever do espírito?
Quando Emmanuel diz: “Guiar-se pela misericórdia e não pela crítica” está se referindo à crítica negativa que nasce do orgulho e não à crítica positiva que brota espontânea e necessária do julgamento imparcial e fraterno, objetivando corrigir e portanto ajudar. O lema “valorizar o esforço alheio” não implica a valorização dos erros e dos enganos do próximo, mas o reconhecimento dos esforços feitos por todos a favor da causa comum. Todos precisamos de misericórdia, mas a misericórdia, como Deus nos mostra em sua lei de ação e reação, não é a aprovação de erros e ilusões – e sim a correção e o esclarecimento.

(Obra: Astronautas do Além)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

André Luiz & Francisco C. Xavier

Nossa Vida Mental

As almas ingressam nas responsabilidades que procuram para si mesmas.
Segundo talhamos o nosso perfil moral, angariamos os favores das oportunidades de serviço diante das Leis Universais.
Ninguém foge aos estigmas da viciação com que sulca a estrutura da própria vida.
Paz significa vitória da mente sobre os seus próprios atributos.
Resguardemos, assim, a vida mental, na certeza de que o teor da nossa meditação condiciona a altura da nossa tranqüilidade.
Nada ocorre conosco sem resultado específico.
Teimosia no erro - conta agravada.
Ausência de disciplina - débito permanente.
Remorso - aviso da consciência.
Multiformes ocorrências no mundo interior anunciam constantemente o clima de nossa escolha.
A tempestade é precedida dos indícios inequívocos que lhe configuram a extensão.
De igual modo, através da análise real de nós mesmos, encontramos o exato esboço das futuras experiências. À vista disso, ante a luz do Evangelho, ninguém desconhece a essência do destino que se lhe desdobra ao porvir.
A justiça da Lei tem base na matemática. E quem possui parcelas determinadas pode ajuizar perfeitamente quanto à soma daquilo ou disso.
Entrega-te, pois, a novos haustos de esperança e supera as próprias limitações, atendendo aos apelos do amor que ecoam da Altura.
Reúne humildade e serviço, simplicidade e perdão, estudo e caridade, bondade e tolerância, no esforço de cada dia, e com, semelhantes, fragmentos de amor e luz levantarás o templo divino de tuas mais belas aspirações, diante da Eternidade.

Emmanuel & Francisco C. Xavier

Sois a luz

"Vós sois a luz do mundo"— Jesus (Mateus, 5:14)

Quando o Cristo designou os seus discípulos, como sendo a luz do mundo, assinalou-lhes tremenda responsabilidade na Terra.
A missão da Luz é clarear caminhos, varrer sombras e salvar vidas, missão essa que se desenvolve, invariavelmente, à custa do combustível que lhe serve de base.
A chama da candeia gasta o óleo do pavio.
A iluminação elétrica consome a força da usina.
E a claridade, seja do Sol ou do candelabro. é sempre mensagem de segurança e discernimento, reconforto e alegria, tranqüilizando aqueles em torno dos quais resplandece.
Se nos compenetramos, pois, da lição do Cristo, interessados em acompanhá-lo, é indispensável a nossa disposição de doar as nossas forças na atividade incessante do bem, para que a Boa Nova brilhe na senda de redenção para todos.
Cristão sem espírito de sacrifício é lâmpada morta no santuário do Evangelho.
Busquemos o Senhor, oferecendo aos outros o melhor de nós mesmos.
Sigamo-lo, auxiliando indistintamente.
Não nos detenhamos em conflitos ou perquirições sem proveito.
"Vós sois a Luz do mundo"— exortou-nos o Mestre —, e a Luz não argumenta, mas sim esclarece e socorre, ajuda e ilumina.

(De “Fonte viva”)

Valérium & Waldo Vieira

Experiências

O menino de olhar manso e roupa rasgada namora o bolo na vitrina do restaurante.
Cavalheiro bem vestido vai entrando e o pequenino roga-lhe um pedaço.
O homem afasta-o, irritado, e transpõe a porta, buscando refeição.
Passa jovem mulher com grande bolsa a bambolear-se e o garoto volta a pedir.
Mas, inutilmente.
A moça nega-lhe o pedaço de pão de ló, falando em vadios e malfeitores.
Nisso chega andrajoso mendigo e seu olhar cruza com o olhar do menino que nada lhe pede e continua contemplando o petisco.
O velhinho, condoído, procura algum dinheiro no paletó em frangalhos, compra um naco do bolo e, sorrindo, entrega a preciosidade à criança que, surpresa, agradece, comendo avidamente.
A justiça da reencarnação possibilita às almas o rodízio indispensável nas condições diversas da vida humana, para que os espíritos experimentem todos os tipos de aprendizado; contudo, entendemos com mais segurança e nos predispomos a auxiliar com mais presteza o próximo, quando já passamos pelas mesmas dificuldades que o atormentam.
Bendigamos, assim, a provação que a Terra porventura nos apresente, porque apenas as duras experiências vividas nos ensinam a ajudar aos nossos irmãos em duras experiências, e somente auxiliando os outros é que seremos auxiliados.

(De “Bem-aventurados os simples”)

domingo, 12 de junho de 2011

André Luiz & Francisco Cândido Xavier


Acordemos

É sempre fácil
examinar as consciências alheias,
identificar os erros do próximo,
opinar em questões que não nos dizem respeito,
indicar as fraquezas dos semelhantes,
educar os filhos dos vizinhos,
reprovar as deficiências dos companheiros,
corrigir os defeitos dos outros,
aconselhar o caminho reto a quem passa,
receitar paciência a quem sofre
e retificar as más qualidades de quem segue conosco...
Mas enquanto nos distraímos,
em tais incursões a distância de nós mesmos,
não passamos de aprendizes que fogem, levianos, à verdade e à lição.
Enquanto nos ausentamos
do estudo de nossas próprias necessidades,
olvidando a aplicação dos princípios superiores que abraçamos na fé viva,
somos simplesmente
cegos do mundo interior
relegados à treva...
Despertemos, a nós mesmos,
acordemos nossas energias mais profundas
para que o ensinamento do Cristo
não seja para nós uma bênção que passa, sem proveito à nossa vida,
porque o infortúnio maior de todos
para a nossa alma eterna
é aquele que nos
infelicita quando a graça do Alto
passa por nós em vão!...


Da obra: Caridade.

Allan Kardec

A Lei do Amor

O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra -amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.
Disse eu que em seus começos o homem só instintos possuía. Mais próximo, portanto, ainda se acha do ponto de partida, do que da meta, aquele em quem predominam os instintos. A fim de avançar para a meta, tem a criatura que vencer os instintos, em proveito dos sentimentos, isto é, que aperfeiçoar estes últimos, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; trazem consigo o progresso, como a glande encerra em si o carvalho, e os seres menos adiantados são os que, emergindo pouco a pouco de suas crisálidas, se conservam escravizados aos instintos. O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa. E então que, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres, buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das alegrias celestes. - Lázaro. (Paris, 1862.)

(O Evangelho Segundo o Espiritismo)

sábado, 11 de junho de 2011

Siva Ramos & Francisco Cândido Xavier

Causa e Efeito

“Bate!...” - ordena o senhor, em subido mirante,
Ao capataz que espanca o escravo fugitivo
“Bate mais!... Bate mais!...” e o mísero cativo
Estorcega-se e geme ao látego triunfante.

Esse vai, outro vem... A mesma voz troante
Ao rebenque feroz... O mesmo olhar altivo!...
Cada servo a tombar, padeça, morto vivo,
Cada corpo a cair nunca mais se levante!...

Morre o senhor, um dia... E, Espírito culpado,
Em pranto, roga a Deus lhe corrija o passado...

Renasce e serve ao bem, atormentado embora!...

Hoje, em leito fidalgo, a dor lhe impede a fala,
Sente no peito em fogo o relho da senzala
E estorcega-se e geme ao câncer que o devora!...

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco

Caminho da Autoiluminação

O homem atinge um alto nível de evolução quando consegue unir o sentimento e o conhecimento, utilizando-os com sabedoria. Nesse estágio é-lhe mais fácil desenvolver a paranormalidade, realizando o auto-descobrimento e canalizando as energias anímicas e mediúnicas para o serviço de consolidação do bem em si mesmo e na sociedade.
O seu amadurecimento psicológico permite-lhe compreender toda a magnitude das faculdades parapsíquicas, superando os impedimentos que habitualmente se lhe antepões à educação.
Desse modo, a mediunidade põe-no em contato com o mundo espiritual de onde procede a vida e para a qual retorna, quando cessado o seu ciclo material, ensejando-lhe penetrar realidades que se demoram ignoradas, incursionando com destreza além das vibrações densas do corpo carnal.
O exercício das faculdades mediúnicas, no entanto, se reveste de critérios e cuidados, que somente quando levados em conta propiciam os resultados pelos quais se anelam.
A mediunidade é inerente a todos os indivíduos em graus de diferente intensidade. Como as demais, é uma faculdade amoral, manifestando-se em bons e maus, nobres e delinqüentes, pobres e ricos.
Pode expressar-se com alta potencialidade de recursos em pessoas inescrupulosas, e quase passar despercebida em outras, portadoras de elevadas virtudes.
Surge em criaturas ignorantes, enquanto não é registrada nas dotadas de cultura. É patrimônio da vida para crescimento do ser no rumo da sua destinação espiritual. O uso que se lhe dê, responderá por acontecimentos correspondentes no futuro do seu possuidor.
Uma correta educação da mediunidade tem início no estudo das suas potencialidades: causas, aplicações e objetivos. Adquirida a consciência mediúnica, o exercício sistemático, sem pressa, contribui para o equilíbrio das suas manifestações.
Uma conduta saudável calcada nos princípios evangélicos atrai os Bons Espíritos, que passam a cooperar em favor do medianeiro e da tarefa que ele abraça, objetivando os melhores resultados possíveis do empreendimento.
O direcionamento das forças mediúnicas para fins elevados propicia qualificação superior, resultando em investimento de sabor eterno.
Se te sentes portador de mediunidade, encara-a com sincero equilíbrio e dispõe-te a aplicá-la bem.
O homem ditoso do futuro será um indivíduo PSI, um sensível e consciente instrumento dos Espíritos, ele próprio lúcido e responsável pelos acontecimentos da sua existência.
Desveste-te de quaisquer fantasias em torno dos fenômenos de que és objeto e encara-os com realismo, dispondo-te a sua plena utilização.
Amadurece reflexões em torno deles e resguarda-os das frivolidades, exibicionismos vãos, comercialização vil, recurso para a exaltação da personalidade ou das paixões inferiores.
Sê paciente com os resultados e perseverante nas realizações. Toda sementeira responde à medida que o tempo passa.
A educação da mediunidade requer tempo, experiência, ductibilidade do indivíduo, como sucede com as demais faculdades e tendências culturais, artísticas e mentais que exornam o homem.
Quem seja portador de cultura, de bondade e sinta a presença dos fenômenos paranormais, está a um passo da realização integral, a caminho próximo da auto-iluminação.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier


Abre a Porta

"E havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo." - (João, 20: 22.)

Profundamente expressivas as palavras de Jesus aos discípulos, nas primeiras manifestações depois do Calvário.
Comparecendo à reunião dos companheiros, espalha sobre eles o seu espírito de amor e vida, exclamando: "Recebei o Espírito Santo."
Por que não se ligaram as bênçãos do Senhor, automaticamente, aos aprendizes?
Por que não transmitiu Jesus, pura e simplesmente, o seu poder divino aos sucessores?
Ele, que distribuíra dádivas de saúde, bênçãos de paz, recomendava aos discípulos recebessem os divinos dons espirituais. Por que não impor semelhante obrigação?
É que o Mestre não violentaria o santuário de cada filho de Deus, nem mesmo por amor.
Cada espírito guarda seu próprio tesouro e abrirá suas portas sagradas à comunhão com o Eterno Pai.
O Criador oferece à semente o sol e a chuva, o clima e o campo, a defesa e o adubo, o cuidado dos lavradores e a bênção das estações, mas a semente terá que germinar por si mesma, elevando-se para a luz solar.
O homem recebe, igualmente, o Sol da Providência e a chuva de dádivas, as facilidades da cooperação e o campo da oportunidade, a defesa do amor e o adubo do sofrimento, o carinho dos mensageiros de Jesus e a bênção das experiências diversas; todavia, somos constrangidos a romper por nós mesmos os envoltórios inferiores, elevando-nos para a Luz Divina.
As inspirações e os desígnios do Mestre permanecem a volta de nossa alma, sugerindo modificações úteis, induzindo-nos à legítima compreensão da vida, iluminando-nos através da consciência superior, entretanto, está em nós abrir-lhes ou não a porta interna.
Cessemos, pois, a guerra de nossas criações inferiores do passado e entreguemo-nos, cada dia, às realizações novas de Deus, instituídas a nosso favor, perseverando em receber, no caminho, os dons da renovação constante, em Cristo, para a vida eterna.

Livro: Vinha de Luz

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Ante o ofensor


Aquele que nos fere terá assumido, aos nossos olhas, a feição de inimigo terrível, no entanto, o Divino Mestre que tornamos por guia de nosso pensamento e conduta, determina venhamos a perdoá-lo setenta vezes sete.
Por outro lado as ciências psicológicas da atualidade, absolutamente concordes com Jesus, asseveram que é preciso desinibir o coração de quaisquer ressentimentos e estabelecer o equilíbrio na governança de nossas potências mentais a fim que a tranqüilidade se nos expresse na existência em termos de saúde e harmonia.
Como, porém, realizar semelhante feito?
Entendendo-se que a compreensão não é fruto de afirmativas labiais, é forçoso reconhecer que o perdão exige operações profundas nas estruturas da consciência.
Se um problema desse nos aflora ao cotidiano, – à nós, os que aspiramos a seguir o Cristo, – pensemos primeiramente em nosso opositor na condição de filho de Deus, tanto quanto nós, e situando-nos no lugar dele, imaginemos em como estimaríamos que a Lei de Deus nos tratasse, em circunstâncias análogas.
De imediato observaremos que Deus está em nosso assunto desagradável tanto quanto um pai amoroso e sábio se encontra moralmente na contenda dos filhos.
Então, à luz do sentimento novo que nos brotará do ser, examinaremos espontaneamente até que ponto teremos ditado o comportamento do adversário para conosco.
Muito difícil nos vejamos com alguma parte de culpa nos sucessos indesejáveis de que nos fizemos vitimas, mas ao influxo da Divina Providência, a cujo patrocínio recorremos, ser-nos-á possível recordar os nossos próprios impulsos menos felizes, as sugestões delituosas que teremos lançado a esmo, as pequenas acusações indébitas e as diminutas desconsiderações que perpetramos, às vezes, até impensadamente, sobre o companheiro que não mais resistiu à persistência de nossas provocações, caindo, por fim, na situação de inimigo perante nós outros.
Efetuando o auto-exame, a visão do montante de nossas falhas não mais nos permitirá emitir qualquer censura em prejuízo de alguém.
Muito pelo contrário, proclamaremos, de pronto, no mundo íntimo a urgente necessidade da Misericórdia Divina para o nosso adversário e para nós.
Então, não mais falaremos no singular, diante daquele que nos fere: – "eu te perdôo" e sim, perante qualquer ofensor com que sejamos defrontados no caminho da vida, diremos sinceramente a Deus em oração: – “Pai de Infinita Bondade, perdoai a nós dois."


Do livro "Atenção"

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Auta de Souza & Francisco Cândido Xavier

Vem e Ajuda

Repara, além das rosas do teu horto,
Onde a luz do teu sonho brilha e mora,
Os romeiros que seguem, vida a fora,
Padecendo aflição e desconforto.

Infortunados náufragos sem porto,
Tristes, rogando a paz da Nova Aurora,
Levam consigo a dor que clama e chora
Sob as chagas do peito quase morto...

Não te detenhas!... Vem, socorre e ajuda
A multidão que passa, inquieta e muda,
Implorando-te amor, consolo e abrigo!

Reparte o pão que te enriquece a mesa,
Estendendo o teu horto de beleza,
E o mestre amado habitará contigo.

André Luiz & Francisco Cândido Xavier

Dez Maneiras de Amar a Nós Mesmos
1 - Disciplinar os próprios impulsos.
2 - Trabalhar, cada dia, produzindo o melhor que pudermos.
3 - Atender aos bons conselhos que traçamos para os outros.
4 - Aceitar sem revolta a crítica e a reprovação.
5 - Esquecer as faltas alheias sem desculpar as nossas.
6 - Evitar as conversações inúteis.
7 - Receber o sofrimento o processo de nossa educação.
8 - Calar diante da ofensa, retribuindo o mal com o bem.
9 - Ajudar a todos, sem exigir qualquer pagamento de gratidão.
10 - Repetir as lições edificantes, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, perseverando no aperfeiçoamento de nós mesmos sem desanimar e colocando-nos a serviço do Divino Mestre, hoje e sempre.

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier


Vem!

"E quem o ouve, diga: - Vem. E quem tem sede, venha." - APOCALIPSE, 22 :17.

A Terra é a grande escola das almas em que se educam alunos de todas as
idades.
Se atingiste o nível das grandes experiências, não te inquiete a incessante
extensão do trabalho.
Não enxergues inimigos nos semelhantes de entendimento imperfeito. Muitos deles não saíram ainda do jardim de infância espiritual.
Dá sempre o bem pelo mal, a verdade pela mentira e o amor pela indiferença .
.A inexperiência e a ignorância dos corações que se iniciam na luta fazem,
freqüentemente, grande algazarra em torno do espírito que procura a si
mesmo.
Por isso, padecerás muitas vezes aflição e desânimo.
Não te perturbes, porém.
Se as ilusões e os brinquedos da maioria não mais te satisfazem, é que a
madureza te inclina a horizontes mais vastos.
Recorda que somente Jesus é bastante sábio e bastante forte para acalmar-te.
Ouve-lhe o apelo divino, formulado nas derradeiras palavras do seu
Testamento de Amor: — "Vem!"
Ninguém te pode impedir o acesso à fonte da luz infinita.
O Mestre é o Eterno Amigo que nos rompe as algemas e nos abre portas
renovadoras . . .
Entretanto, é preciso saibas querer.
O Senhor jamais nos fará violência.
Sofres? Estás fatigado? Tropeças sob os fardos do mundo?
Vem!
Jesus reserva-te os braços abertos.
Vem e atende-o ainda hoje. É verdade que sempre alcançaste ensejos de
serviço, que o Mestre sempre foi abnegado e misericordioso para contigo, mas não te esqueças de que as circunstâncias se modificam com as horas a de que nem todos os dias são iguais.
(De “Fonte Viva”)

segunda-feira, 6 de junho de 2011


A Vida é uma Travessia por um Túnel Claro ou Escuro,conforme a tomas...
Prestai atenção na reflexão que vos passo:
Procurai meditar no que vês!
Que Túnel será esse? Onde nos Conduz?
E o Transitar por ele, como deve ser compreendido?
Deveis Perguntar.
Muita Verdade! Pouco Conhecimento...
Respondo!
Se estiverdes em avançado estado evolutivo,
sabereis manter por mais tempo a Vossa Passagem Iluminada.
A Luz por mais tempo permanecerá Acesa; Ligada ao Criador! Deus Convosco!
Muitas vezes devido ao vosso atraso Espiritual,
as sombras acessam e transitas por um tempo, às escuras...
Quando isso ocorre, a luta para sairdes da escuridão é por vezes difícil,
mas não impossível!
Requer Força de Vontade, na luta contra as Trevas
que desejam instalar-se em Vossa Alma...
Procurai estar ligado ás Forças do Bem,
receptivo ás Boas Intuições, através dos vossos órgãos perceptivos...
Mantende a Vossa Guarda sempre atenta aos invasores
que pretendem solapar Boas Idéias, toldar Bons Sentimentos,
Interagir em Vossa caminhada, Invadindo a Vossa Mente...
Prestai bastante Atenção ao Ensinamento: “Orai e Vigiai...”
Viva em Paz, para que do Vosso Íntimo, brotem Luzes...

(Enviado por Angela)

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier


A Ciência do Tempo

Nunca te esqueças de aproveitar o tempo na aquisição de luz, enquanto é dia. (Caminho, Verdade e Vida)
*
O tempo é o nosso explicador silencioso e te revelará ao coração a bondade infinita do Pai que nos restaura a saúde da alma, por intermédio do espinho da desilusão ou do amargoso elixir do sofrimento. (Pão Nosso)
*
Não te endureças na estrada que o Senhor te levou a trilhar, em favor de teu resgate, aprimoramento e santificação. Recorda a importância do tempo que se chama Hoje. (Pão Nosso)
*
A existência na Terra é um livro que estás escrevendo...
Cada dia é uma página...
Cada hora é uma afirmação de tua personalidade, através das pessoas e das situações que te buscam. (Reformador – 4/953)
*
Diz o preguiçoso: “amanhã farei”.
Exclama o fraco: “amanhã, terei forças”.
Assevera o delinqüente: “amanhã, regenero-me”.
É imperioso reconhecer, porém, que a criatura, adiando o esforço pessoal, não alcançou, ainda, em verdade, a noção real do tempo.
Quem não aproveita a bênção do dia, vive distante da glória do século. (Vinha de Luz)
*
Os interesses imediatistas do mundo clamam que o “tempo é dinheiro” para, em seguida, recomeçarem todas as obras incompletas na esteira das reencarnações... Os homens, por isso mesmo, fazem e desfazem, constroem e destroem, aprendem levianamente e recapitulam com dificuldade, na conquista da experiência. (Caminho, Verdade e Vida)
*
À medida que o espírito avulta em conhecimento, mais compreende o valor do tempo e das oportunidades que a vida maior lhe proporciona, reconhecendo, por fim, a imprudência de gastar recursos preciosos em discussões estéreis e caprichosas. (Caminho, Verdade e Vida)
*
É lógico que todo homem conte com o tempo, mas, se esse tempo estiver sem luz, sem equilíbrio, sem saúde, sem trabalho?
Não obstante a oportunidade da indagação, importa considerar que muito raros são aqueles que valorizam o dia, multiplicando-se em toda a parte as fileiras dos que procuram aniquilá-lo de qualquer forma. (Caminho, Verdade e Vida).
*
O tempo, implacável dominador de civilizações e homens, marcha apenas com sessenta minutos por hora, mas nunca se detém.
Guardemos a lição e caminhemos para diante, com a melhoria de nós mesmos.
Devagar, mas sempre. (Fonte Viva)
*
Nossa personalidade, enquanto somos jovens, é semelhante à pedra preciosa por lapidar. Mas o tempo, dia a dia, nos desgasta e transforma, até que um novo entendimento da vida nos faça brilhar o coração. (Ave, Cristo!)

(De “Palavras de Emmanuel”)

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Mais Amor


Ama sempre para que possas compreender sempre mais.
Muitas vezes, no mundo, ensandecemos o cérebro e envenenamos o coração, indagando sem proveito quanto aos problemas que afligem os grandes e os pequenos, os felizes e os infelizes.
Entretanto, bastaria um raio de amor no imo d'alma para entendermos a profunda união em que nos imanizamos uns aos outros.
Ajuda antes de qualquer indagação.
Não peças diretrizes à Vida Superior, antes de haver praticado a fraternidade no círculo de criaturas em que te encontras.
A Terra é a nossa escola multimilenária, onde o amor é o Sol para as mínimas lições.
Descerra o espírito à claridade dessa luz e perceberás a dor que, muitas vezes, se agita sob vestes douradas e observarás o brilho da vida que, em muitas ocasiões, se destaca sob andrajos e sombras.
Oferece-lhe a mente e aprenderás que alegria e sofrimento, escassez e abastança, segurança e instabilidade na Terra não passam de oportunidades preciosas para a nossa elevação espiritual.
Não te esqueças de que somente aquele que se faz irmão do próximo pode soerguê-lo a mais altos destinos.
O nosso verbo pronunciará eloqüentes discursos.
A nossa pena escreverá páginas comovedoras.
A nossa influência social assegurar-nos-á subido destaque na vida pública.
As nossas facilidades econômicas garantir-nos-ão transitório respeito entre as criaturas.
Todavia, que será de nós sem o tesouro da compreensão que apenas o amor nos pode conferir?
Mais amor em nossas atividades de cada dia é solução gradativa a todos os enigmas que nos cercam.
Só a luz é capaz de extinguir a sombra.
Só a sabedoria aniquila a ignorância.
Só o amor redime, vitoriosamente, a miséria.
Não nos abeiremos da revelação, simplesmente indagando, pedindo, reclamando.
Aprendemos a trabalhar e servir.
Amemo-nos uns aos outros e uma luz nova brotará no terreno vivo de nossa alma, constrangendo-nos a sentir que só o trabalho no serviço ao próximo é capaz de conduzir-nos à comunhão com a verdadeira felicidade, que decorre de nosso ajustamento às Leis Celestiais.

(Livro: "Assim Vencerás")

sábado, 4 de junho de 2011

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Ante o Divino Semeador

“Ouvi: eis que saiu o semeador a semear...” – Jesus. (Marcos, 4:3).

Jesus é o Semeador da Terra e a Humanidade é a Lavoura de Deus em Suas Mãos.
Lembremo-nos da renúncia exigida à semente chamada à produção que se destina ao celeiro para que não venhamos a sucumbir em nossas próprias tarefas.
*
Atirada ao ninho escuro da gleba em que lhe cabe desabrochar, sofre extremo abandono, sufocada ao peso do chão que lhe esmaga o envoltório.
Sozinha e oprimida, desenfaixa-se das forças inferiores que a constringem, a fim de que os seus princípios germinativos consigam receber a bênção do céu.
Contudo, mal se desenvolve, habitualmente padece o assalto de vermes que lhe maculam o seio, quando não experimenta a avalancha de lama, por força dos temporais.
Ainda assim, obscura e modesta, a planta nascida crê instintivamente na sabedoria da natureza que lhe plasmou a existência e cresce para o brilho solar, vestindo-se de frondes tenras e florindo em melodias de perfume e beleza para frutificar, mais tarde, nos recursos que sustentam a vida.
*
À frente do Semeador Sublime, não esmoreças ante os pesares da incompreensão e do isolamento, das tentações e das provas aflitivas e rudes.
Crê no Poder Divino que te criou para a imortalidade e, no silêncio do trabalho incessante no bem a que foste trazido, ergue-te para a Luz Soberana, na certeza de que, através da integração com o amor que nos rege os destinos, chegarás sob a generosa proteção do Celeste Pomicultor, à frutificação da verdadeira felicidade.
(De “Ceifa de luz”)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...