sábado, 4 de junho de 2011

Cecília Meireles

Depois do sol...
Fez-se noite com tal mistério,
Tão sem rumor, tão devagar,
Que o crepúsculo é como um luar
Iluminando um cemitério. . .

Tudo imóvel. . . Serenidades. . .
Que tristeza, nos sonhos meus!
E quanto choro e quanto adeus
Neste mar de infelicidades!

Oh! Paisagens minhas de antanho. . .
Velhas, velhas. . . Nem vivem mais. . .
— As nuvens passam desiguais,
Com sonolência de rebanho. . .

Seres e coisas vão-se embora. . .
E, na auréola triste do luar,
Anda a lua, tão devagar,
Que parece Nossa Senhora

Pelos silêncios a sonhar. . .

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