quarta-feira, 15 de junho de 2011

Conduta Cristã

"Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco".
Tassalonicenses - Cap. 5, v. 18.
Uma das coisas mais difíceis, nas relações com os nossos semelhantes, é dar conselhos. Quando o conselheiro não segue os preceitos que indica para os outros, gera uma grande desconfiança no irmão que está ouvindo, que passa a espreitar a vida que é levada pelo seu guia espiritual. Essa vida tem que ser reta, obedecer à conduta indicada, iluminada pela sinceridade. Se assim não for, o trabalho ficará perdido.
A palavra é o veículo daquilo que somos; os sons que articulamos, mesmo interpretados de maneira diferente da que sentimos, conduzem fluidos que nunca podem ser mudados. Eles levam a mensagem do sentimento íntimo de quem emite as palavras para o coração dos ouvintes, fazendo-os sentir a realidade do que pensa e vive o conselheiro.
O importante é viver antes de falar, para que a palavra encontre a segurança do coração. O cristão dos nossos dias não tem desculpas a dar, porque já se passaram dois mil anos de fermentação dos preceitos evangélicos, no laboratório do raciocínio e no céu do coração. A meditação foi prolongada, para tomarmos boas diretrizes.
O Cristo nunca pediu sacrifício total de um dia para outro. Todavia, não é por causa da misericórdia dessa tolerância que vamos esquecer de aplicar aquilo que é do nosso dever - o esforço próprio - todos os dias. Esperar que o tempo se encarregue disso, e que a natureza inconsciente selecione nossos caminhos, não deve ser pensamento do cristão. Está a cargo da sensibilidade interna fazer muita coisa, contudo ela só agirá com o comando mental, com a decisão tomada pelo espírito, pois a vontade é tudo nesse campo.
Querendo, andarás; querendo, falarás coisas úteis; querendo, reconstruirás a ti mesmo. O Céu, na Terra, depende desse reino em cada alma, e o esforço é imprescindível nessa conquista.
Quando encontrares um irmão que aconselha, vivendo, acata esse amigo e agradece a Deus, já que esse irmão representa uma dádiva dos Céus para a Terra, uma presença mais direta do Senhor, junto aos homens.
Falar muito, além do conveniente, tanto esgota o físico de quem fala, quanto desorienta a quem ouve. O policiamento das conversações pode e deve ser feito constantemente, para que elas construam, edifiquem e iluminem. O verbo é sagrado e a nossa vontade é divina; saber usar um e outro é compreender o chamamento do Cristo para a verdadeira vida. Eis as boas normas: falar pouco, mas sentindo; falar pouco, mas limpando, como se a palavra fosse água e sabão.
O apóstolo Paulo recomenda a todos retribuir o mal com o bem, porque este último tem o poder de isolar o primeiro. O perdão constitui a segurança para os ofendidos. "Regozijai-vos sempre, e orai sem cessar", preceitua a Boa Nova. O regozijo em tudo faz gerar em nós a humildade, a ponto de reconhecermos que ninguém recebe o que não merece. Orar sempre é procurar, através da prece, o ambiente espiritual, no sentido de resistirmos às tentações, afastando-as, com eficiência, do nosso caminho.
Não julgues os outros, porque não conheces bem os teus semelhantes; julga a ti mesmo, por conheceres melhor os teus atos. Não desprezes as profecias; elas, como árvores, ofertam frutos; necessário se fazer bom discernimento da escolha que fizeres. Abster-te de todo mal é prova de já conheceres, por experiência, sua ação degradante e subversiva.
Viva com o amor em todos os casos, em todas as horas, na certeza que ele te defende de todo o mal, preparando-te para o ingresso no Reino dos Céus.
Se, por acaso, surgirem em teu caminho variadas tempestades para te desviar do Cristo, não te dês por vencido. Mesmo enfermo, mesmo mutilado, mesmo caindo aos pedaços, mesmo morrendo, procede como escreve o apóstolo.
Escutemo-lo:
"Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus convosco".

(De “Alguns ângulos dos ensinos do Mestre”, de João Nunes Maia – Espírito Miramez)

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