quarta-feira, 1 de junho de 2011

Cruz e Souza

Escalada

Louva o suplício da matéria escrava,
No turbilhão de cárceres e algemas.
E canta, coração, inda que espremas
O fel da própria dor em pranto e lava.

Chora e avança cansado, mas não temas;
Sangrem-te embora os pés na urtiga brava,
Caminha imune al lodo que deprava,
Purificado em lágrimas supremas.

 Indiferente às cóleras e às fúrias,
Apaga o fogo das paixões espúrias,
Sofre humilde e sereno por vencê-las...

Peregrino de trágico deserto,
Um dia, subirás, enfim liberto,
Gema solar em túnica de estrelas!...

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