quarta-feira, 20 de julho de 2011

Lancellin & João Nunes Maia

Salvação

Salvação nos leva a lembrar bem-aventurança, estado reservado aos Espíritos altamente iluminados, que já estão livres do carma, que já estão limpos de todos os sentimentos inferiores que os prendem nos planos grosseiros da carne.
Há muitos religiosos que condicionaram essa palavra — Salvação —
como se fosse um passe de mágica, como força preponderante para a felicidade pessoal.
Esquecem-se de que, para se salvarem, dependem de variadas atitudes e um esticado aprimoramento espiritual, conferido pelo tempo, além de ingentes esforços em todos os rumos da iluminação.
É de se notar que todo trabalho que fizermos para a nossa melhoria moral é muito útil.
No entanto, essa realização não se faz de um dia para outro; demanda prolongados exercícios na área interna, e quase sempre não acreditamos na sua eficácia.
Iludimo-nos mais com o campo exterior, cheio de ilusões e de nuances convidativas para a vaidade e o orgulho.
Ninguém se salva por ser tocado pelo arrependimento, pois ele é apenas uma das portas que se abrem na limpeza gradativa das nossas sujeiras morais.
Enganar a nós mesmos é disfarçar exteriormente. Porém, por dentro,
continuamos o mesmo Espírito dotado das mesmas intenções que antes
alimentávamos.
A iniciação por dentro é a mais difícil operação da criatura; a externa sacode e torna visível todas as nossas inferioridades, qual o cair das moedas dos ricos no gazofilácio.
Queremos mostrar, a todo o custo, a todas as pessoas, quando iniciamos, por fora.
E quando começamos a cirurgia moral em nós mesmos, fazemo-lo em silêncio, acumulando forças para o grande trabalho de fecundação.
A salvação, nos termos em que devemos compreendê-la, é a conquista da alma, e não doação de onde quer que venha.
É bênção de Deus nas linhas do tempo, é maturidade do Espírito.
Também nós, que te falamos através do contributo mediúnico de um sensitivo, temos inúmeras arestas a serem aparadas.
Sentindo isso em nosso coração, queremos ser um cirurgião de nós mesmos e realizar muitas operações morais em nossa própria conduta.
Precisamos uns dos outros, encarnados e desencarnados, porque somos todos irmãos e filhos de Deus.
É bom que não penses que a desencarnação é sinônimo de salvação.
A alma é, na erraticidade, o que foi na Terra, e vice-versa.
Os santos e sábios, quando se apresentam como tais, trabalharam milhares de anos a fio no aprimoramento próprio.
A nossa intenção é, com toda a sinceridade d'alma, convidar os homens para uma grande fusão de valores em torno de Nosso Senhor Jesus Cristo e d'Ele beber a água pura do Amor e passar a compreender como é bom aprender a amar, porque fora do Amor não há salvação para a Humanidade.
E esse Amor tem um preço: o preço da auto-educação que devemos iniciar.
Vamos começar hoje? Agora?

(De “Cirurgia moral”)

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