quarta-feira, 6 de julho de 2011

Momento Inesperado

Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

O aprendizado na carne, por mais largo e benéfico se apresente, tem data marcada para sua conclusão.
O roteiro, de longa distância, a ser conquistado palmo a palmo, tem o seu ponto terminal.
O discurso, eloqüente e abrasador, por mais significativo, tem a sua última palavra.
O dever, mesmo quando de sabor eterno, apresenta-se em expressões transitórias que se interrompem, abrindo espaços para novas imposições.
No corpo tudo é transitório.
A vida física, por isso mesmo, é uma etapa muito breve da realidade do ser imortal.
Utilizá-la como sabedoria, amealhando recursos de luz, deve constituir a ação contínua do homem inteligente.
Enquanto o insensato se compromete, arregimentando as forças negativas, que terminam por consumi-lo, o homem esclarecido no Evangelho usa o recurso da sabedoria para colecionar as moedas da paz, armazenando-as nos cofres do dever.
Indispensável, portanto, viver pensando na vida transcendente.
Caminhar aguardando o dia perene.
Servir em termos de libertação íntima.
Nunca dissociar das empresas terrenas a circunstância da desencarnação.
O apego, em forma de imantação, a ansiedade pelo dia de amanhã como maneira de volúpia, o gozo, na condição de perenidade, devem ceder lugar ao amor amplo e irrestrito, libertador e abençoado, sem angústia pelo que passou, sem tormento pelo que vai chegar, numa vinculação perfeita às alegrias plenas do próprio transcendente prazer fruído.
Espíritos errantes, na busca do equilíbrio, os que estão na Terra, na vestidura carnal, encontram-se em depuração e os que abandonamos as células orgânicas, estamos em conquista de outros valores, para um dia podermos desfrutar de todas as concessões que ainda nos não são lícitas fruir.
Arma-te de amor, semeando sóis pelo caminho em sombras.
Desdobra a ternura, enlaçando os que sofrem, em liames de verdadeira fraternidade para o próprio bem e o de todos os outros.
Liberta, libertando-te; aquinhoa-os, brindando-te paz e desarmando-te dos instrumentos belicosos do egoísmo, da violência e da rebeldia contumaz.
Do dia e da hora da viagem ninguém sabe, disse Jesus, "só o Pai".
Vive, valorizando cada momento, como se ele fosse o terminal da romagem encetada, cujo compromisso no corpo tem um ponto final.


Livro: Alegria de Viver

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