segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Caridade...

[...] A palavra caridade, face ao mau uso que se tem feito do conteúdo que ela reveste, passou a significar um disfarce mediante o qual se ocultam sentimentos inferiores, que assumem falsa condição de nobreza.
Inúmeros indivíduos e Organizações inescrupulosas exploram-lhe o lapidar conceito que sem vem deteriorando, vivendo às custas da desventura e das necessidades alheias, assumindo posições de benfeitores e promotores do bem, quando não passam de vis assaltantes dos direitos dos pobres e infelizes que buscam agasalhar-se sob a proteção da inigualável virtude, que se faz mãe da fé e irmã da esperança.
Alardeiam-lhe a prática enquanto a utilizam nos jogos sórdidos da exploração, repassando o mínimo do muito que recolhem, não raro distribuindo-se as dádivas mirradas com verbetes ácidos, cenho carrancudo e gestos ásperos, que mais humilham os que perderam, ou chegaram a possuir bens, e se vêem obrigados a renunciar à dignidade pessoal, à honradez, ante a imposição rude das necessidades.
Tais campeões da caridade, aplaudidos até, e respeitados nos círculos das vãs conveniências humanas, quando mudar a cena do teatro da vida retornarão ao palco onde antes brilharam, com outros figurinos e atuações inversos ao comportamento atual, quando serão os recorrentes, não mais os doadores... É o inexorável impositivo da Lei Divina! [...]
Victor Hugo  e  Divaldo Pereira Franco
(De “Árdua ascensão”)

Divaldo Pereira Franco e o Padre

Certa vez, fui a um padre confessar (antes de tornar-me espírita). Contei-lhe sobre minhas comunicações com os mortos. Para ele, eram forças demoníacas tentando me afastar da Igreja. Veio-me uma mágoa de Deus e comecei a questionar:
- Sou um bom católico, bom sacristão, adoro a Igreja, faço jejum, passo a semana da Páscoa sem comer até o meio-dia. Se Deus não pode com o diabo, eu vou aguentar? O diabo vai me vencer. Como um garoto de 17 anos, do interior, ingênuo, pode vencer o diabo se nem Deus consegue?
Entrei em depressão e fiquei com mágoa de Deus. Confessei-me ao padre:
- Eu vou me matar. Nossa Senhora do Carmo vai ter pena de mim, vai me colocar o escapulário e me tirar do inferno.
Ele me olhou demoradamente e respondeu:
- Não tome nenhuma atitude agora. O demônio às vezes nos perturba para testar a nossa fé; quando não consegue, abandona. Volte para a Igreja.
Era um homem honesto, acreditava piamente em suas idéias.
Um dia, ao confessar-me a ele, vi aproximar-se um Espírito. Tive outro conflito:
- Como pode o diabo entrar na sacristia?
Aliás eu via sempre os Espíritos. no momento da eucaristia a hóstia tornava-se luminosa quando colocada na minha boca. Às vezes, em Feira de Santana, via o cônego Mário Pessoa aureolado. No meu entendimento (católico), ele era um santo. As pessoas na hora da fé se iluminavam e eu julgava tudo alucinação.
Quando o Espírito entrou, exclamei:
- Olha, o diabo está vindo, e é mulher!
- Você vê algum sinal particular no rosto dela? - indagou-me o padre.
- Vejo uma verruga acima do lábio.
- E o que mais?
- O cabelo está partido ao meio, penteado com um coque atrás.
- E o que mais?
- Vejo um xale sobre os ombros, com pontas, um xale negro de xadrez.
- Pode ficar tranqüilo, é mamãe.
Ela "incorporou" e conversou com o padre. Quando despertei, ele me esclareceu:
- Divaldo, mamãe veio me alertar. A sua missão não é aqui, vá seguir a tarefa que Deus lhe confiou, porque o bem está em todo lugar.
Fiquei mais tumultuado, porque eu não era espírita, tinha medo, sentia-me de certo modo alijado da Igreja, mas continuava a frequentá-la e ao Centro Espírita.
Tinha conflitos de fé, principalmente quando morreu minha irmã, por suicídio. Mamãe foi encomendar missa a esse mesmo sacerdote, um homem bom, e ouviu dele:
- Dona Ana, não posso celebrar, porque o suicida está no inferno e Deus não o tira de lá.
Foi quando aprendi a primeira lição de lógica e de psiquiatria, com uma mulher iletrada - a minha mãe:
- Padre, então eu renego o seu Deus. Se Ele não é capaz de perdoar não é digno de ser Deus. Sou lavadeira modesta e analfabeta, mas a filha que perdi, eu a perdôo; como é que Deus, que a tem, não a perdoa? Digo mais, quem se mata não está no seu juízo.
Mais tarde eu viria saber que muitos portadores de psicose maníoco-depressiva PMD, vão ao suicídio.
Aprendi muito com esse homem, com mamãe, e quando eu lhe disse que não iria mais à igreja, ela me respondeu:
- Deus está em todo lugar. Se você for justo e agir com retidão, Ele estará com você. Faça o bem, meu filho, porque a verdadeira religião é aliviar o sofrimento alheio.
A partir desse acontecimento integrei-me lentamente ao Espiritismo.

(Enviado por Paulo)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier


Todos os companheiros em provação, que te procuram a simpatia, falam sem rodeios na linguagem aberta.
Parentes em condição difícil expõem-te as duras contingências em que jornadeiam no caminho diário e estendes a cada um o auxílio indispensável.
Servidores, que te garantem o equilíbrio doméstico, trazem-te à consideração as próprias necessidades e divides com eles os recursos de que dispões, promovendo-os à categoria de participantes do teu próprio destino.
Amigos, enleados a rudes provas, revelam-te as feridas morais que lhes supliciam a mente e sabes medicá-los com o bálsamo da palavra consoladora.
Meninos desamparados interpelam-te na rua e enterneces-te, diligenciando, em favor deles, o arrimo do pão e o calor do teto.
Irmãos, localizados nos derradeiros degraus da carência, formulam-te dolorosas rogativas e esvazias a bolsa por socorrê-los.
Doentes, relegados à tortura física, alcançam-te os ouvidos, com desesperadoras imprecações, e apressas-te a ofertar-lhes reconforto e remédio.
Flagelados de longínquas regiões requisitam-te amparo e associas-te, de pronto, ao concurso preciso.
Vítimas de tragédias passionais convocam-te à piedade pelas vozes da imprensa e oras por elas.
Existe, no entanto, por toda a parte, alguém que te suplica, em absoluto silêncio, sustentação e carinho... Alguém que, muitas vezes, sob ameaça de morte pela desnutrição em si mesmo ou pela inconsciência dos outros, espera por teu gesto de compaixão e defesa.
Não exijas que a opinião alheia te mostre semelhante pedinte mudo.
Contempla a maternidade, quando a maternidade aparece na incompreensão e no sofrimento, e auxilia como puderes a criança que vai nascer.

Dar razão

Contraditórios muitas vezes, estamos teimosos contra nós mesmos, quando incapazes de ceder a benefício real dos outros
Capitulamos diante de sacrifícios e despesas que sobrecarregam de inquietações o tempo e a vida, unicamente para desfrutar atenções louvaminheiras e dificilmente nos rendemos em mesquinhas questões do ponto de vista, apenas para que não sintamos diminuída a nossa reputação num milímetro só.
Raramente importam os prejuízos advindos da negligência ou da ostentação que adotemos, desde que a vaidade se nos hipertrofie no coração, propiciando-nos sensações de falso conforto e quase nunca nos dignamos examinar as consequências infelizes da resistência ou da rebeldia que esposamos arruinando ou comprometendo realizações da comunidade cuja tranquilidade ou rendimento esperam por nós.
Decidamo-nos a perder nos prélios da opinião, desde que a lógica e o interesse geral nos peçam isso, tanto quanto é preciso assegurar firmeza de atitude na preservação dos valores essenciais das causas e das cousas.
Sobretudo, mantenhamos serenidade e desprendimento em todos os sucessos, nos quais a nossa pessoa se encontre em cheque de maneira exclusiva.
Desculpemos as injúrias de natureza individual, sem a menor indagação, do mesmo modo que é necessário garantir integridade de ação na defesa do bem de todos.
Abracemos de bom-humor as observações alheias que nos auxiliem a tomar rumo certo. Enderecemos um sorriso de paz aos que enunciem raciocínios mais claros que os nossos.
Condescendência para as medidas e palavras que nos ajudem a manter a felicidade comum é qualidade que nos torna mais dóceis e mais valiosos nas mãos de Cristo para a edificação do Mundo Melhor.
Nós que nos interessamos em adestrar os braços na repartição do alimento e do agasalho, do remédio e do socorro, aos que necessitam deles, aprendamos também a ciência de gastar a nós mesmos — a ciência de dar razão.
André Luiz e Waldo Vieira
(De “Sol nas Almas”)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Tópicos das Dificuldades Redentoras

Somos de parecer que todos nós devemos prosseguir em nossos estudos, preparando a melhoria do campo de ação funcional, pois, embora o sacrifício que nos custa semelhante preparo, tais serviços de ordem intelectual representam uma fuga e um descanso de nós mesmos, porquanto, há casos, em que o aumento da atividade é o meio de repousar o cérebro quanto aos choques mais íntimos, determinantes de maiores cansaços.

II - O caminho é esse mesmo - lutas por vencer e dificuldades como preço da redenção.
Guardemos, pois, a nossa fé, certos de que as mãos de Jesus estão sobre as nossas.
Confiemos sempre!

III - Embora o coração se nos desfaça no peito, como taça de lágrimas, nas dolorosas circunstâncias em que a renúncia e o nosso carinho são colocados à prova, não esmoreçamos em nossa fé.
Continuemos amorosos e abnegados, ajudando e amando, porque a mão do Senhor é o nosso apoio na dor e na alegria, na paz e na tempestade.

IV - Estamos na atualidade terrena como quem se desvencilha da sombra noturna para clarear o coração na luz de novo dia. Imprescindível conservarmos a fé viva em Jesus por lâmpada acesa e prosseguirmos adiante.

V - Com relação às nossas dificuldades redentoras, continuemos na aceitação das circunstâncias difíceis, em que presentemente nos achamos, na certeza de que, seguindo as Suas próprias palavras na Redenção Divina, Ele, nosso Amado Jesus, continuará caminhando conosco, em nosso jornadear para a Vida Imperecível.
Confiemos Nele, o Senhor, hoje e sempre.

VI - Deixemos que a serenidade nos garanta a calma precisa. Nossos corações nunca estão desamparados. Reanimem-nos firmes no otimismo, amparando a cada um dos nossos, segundo as suas necessidades.

VII - Na estrada redentora, seremos sempre assistidos espiritualmente.
Jesus nunca falha! Busquemos o Senhor, em nossas dificuldades, para que o Seu pensamento em nosso pensamento nos ampare as soluções. Confiemos!

VIII - No círculo de nossas lutas redentoras, continuemos oferecendo o melhor de nós mesmos para que o melhor se faça no auxílio aos que amamos.
A dor é a nossa benção na luta que é sempre a nossa escola.
Confiemos em Jesus, e esperemos por Ele, o nosso Divino Mestre, sempre e sempre.

IX - Confiemos na Proteção Divina e esperemos a manifestação da assistência do Alto pelos canais competentes, por onde transitam os assuntos que referem à nossa luta redentora. Dentro de nossos recursos, tudo devemos fazer no sentido de recuperar a tranquilidade de que necessitamos para o desempenho de nossas tarefas. Jesus nos fortaleça e abençoa!

X - Na Redenção Edificante em que se encontram, nossos irmãos permanecem amparados por diversos amigos da espiritualidade, esperando nós que a fé prossiga brilhando como luz nas sombras, na certeza de que as nossas esperanças e abnegações encontrarão com Jesus a vitória almejada.

XI - A luta prossegue, entretanto, a Misericórdia Divina é sempre maior!


(De “Apelos cristãos”Bezerra de Menezes e Francisco C. Xavier)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Arnaldo Souza

Não Fujas

Se a torva prova te bate à porta,
Impelindo-te à angustia estranha e intensa,
Que a tormenta de pranto te não vença
Inda mesmo a esperança quase morta.

Esquece o lodo, a lama, o espinho, a ofensa...
O sofrimento é a lúcida retorta
De fel que nos redime e nos exorta
A esperar pela Vida eterna e imensa.

De coração cansado e fronte erguida,
Sofre de alma gemente e consumida,
Sem fugir à aflição da dor que é tua!...

Dever negado é divida crescente,
O desertor padece amargamente
E, além da morte, a vida continua...

Livro: Poetas Redivivos – Psicografia: Francisco Cândido Xavier – Autores diversos

Karen Katafiasz

Às vezes, sua tristeza pode ser esmagadora demais, pois abarca a tristeza que nunca sentiu pelos outros, as perdas prematuras de sua vida. Sinta dor também dessas perdas.


A vida conta, não importa quão breve ou longa.
E ela continua. Creia que é verdade a promessa divina de vida eterna e que sua vida hoje também conta.

Pode parecer que você jamais sentirá feliz de verdade novamente. Mas saiba que sim – e sua alegria terá uma riqueza e uma intensidade que vêm de ter conhecido a dor e a cura profundas.

Percebendo que sua perda retira-lhe da vida, todo rumo, sentido ou alegria, entregue a Deus sua insignificância.
Ele jamais esteve tão próximo.

Talvez sempre exista um cantinho dentro de você que permanece vago. Estime-o.
Um vazio silencioso e permanente seria a maneira de Deus garantir sua ligação ao ente querido.


De certo modo, você nunca se “conforma” com uma perda importante. Ela muda você inevitavelmente. A escolha dessa mudança para melhor está em você

Lamente não apenas a perda do que foi, mas também do que nunca será. Então, com ternura e amor, prossiga.

Quando as tentativas de algumas pessoas em conforta você só aprofundam a ferida, perdoe-as por não compreenderem nada.
Mais tarde, ao confortar outra pessoa, lembre-se do que não dizer.

Espere por viver diferentes etapas em sua tristeza: choque, torpor, recusa depressão, perturbação, medo, raiva, amargura, recriminação, remorso, aceitação, esperança.
Elas virão em ordem variada e inúmeras vezes.

Sinta-se bem de novo, ria com os amigos, divirta-se. Viver plenamente sua vida não é trair a memória, mas o cumprimento de uma promessa a alguém que só queria o melhor para você.

(Livro: Terapia da Tristeza)

O Filme dos Espíritos


No dia 07 de outubro de 2011, a Fundação Espírita André Luiz, levará as telas de cinema do Brasil, através da Paris Filmes, “O Filme dos Espíritos”, rodado em grande parte em São Paulo, conta ainda com filmagens em Cajazeiras/PB, e nas cidades paulistas de Atibaia, Araçoiaba da Serra e Ubatuba. No elenco Reinaldo Rodrigues, do grupo Tapa de Teatro e do Clube da Voz é o protagonista. Ao seu lado, estão Nelson Xavier, Etty Fraser, Ênio Gonçalves, Ana Rosa e Sandra Corveloni, Felipe Falanga e grande elenco. O filme conta ainda com participação especial de Luciana Gimenez.
Em linhas gerais, o filme contará a história de um homem, Bruno Alves, que, por volta dos 40 anos, perde a mulher e se vê completamente abalado. A perda do emprego se soma à sua profunda tristeza e o suicídio lhe parece a única saída. Nesse momento, ele entra em contato com O Livro dos Espíritos, obra basilar da doutrina espírita. Há também uma dedicatória no exemplar: “esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito.” A partir daí, o protagonista da história começa uma jornada de transformação interior rumo aos mistérios da vida espiritual.
A peça cinematográfica é uma homenagem ao querido codificador, e o livro base da Doutrina Espírita “O Livro dos Espíritos”. É de grande importância, que sejamos abraçados neste ideal pelos nossos irmãos espíritas e espiritualistas. O filme toca de forma educativa e poética em temáticas de grande importância ao gênero humano, sensibilizando e levando as pessoas a reflexão.
As Casas Espíritas vêm transformando vidas ao longo de décadas. Nosso momento é de transição, e a mensagem do Consolador deve tocar o maior número de pessoas. E o cinema apresenta condições de chegar a esses corações, despertando o interesse sobre o assunto, a leitura da obra, a resposta aos seus questionamentos, e principalmente, estimulando a visita às Casas Espíritas. Os espíritas por sua vez, podem indicar aos seus amigos, parentes, colegas de trabalho, simpatizantes, formando uma Corrente do Bem.
Através de O filme dos espíritos,de um lado experimentaremos um avivamento das idéias cristãs nos corações sôfregos e de outro, os recursos obtidos com o êxito do filme patrocinará novas ações no terreno da divulgação espírita, pois serão revertidos às Casas André Luiz(apoio cultural) e a Fundação Espírita André.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mas Deus...


Há muita gente que te ignora.
Entretanto, Deus te conhece.
Há quem te veja doente.
Deus, porém, te guarda a saúde.
Companheiros existem que te reprovam.
Mas Deus te abençoa.
Surge quem te apedreje.
Deus, no entanto, te abraça.
Há quem te enxergue caindo em tentação.
Deus, porém, sabe quanto resistes.
Aparece quem te abandona.
Entretanto, Deus te recolhe.
Há quem te prejudique.
Mas Deus te aumenta os recursos.
Surge quem te faça chorar.
Deus, porém, te consola.
Há quem te fira.
No entanto, Deus te restaura.
Há quem te considere no erro.
Mas Deus te vê de outro modo.
Seja qual for a dificuldade.
Faze o bem e entrega-te a Deus.

Do Livro “Companheiro” – Francisco Cândido Xavier

Em Busca da Felicidade

Se você perdeu um ente querido não pense que tudo acabou. Ele continua vivendo como nós, só que em outra dimensão. A vida é eterna, alternando-se no plano físico e espiritual, de conformidade com nossas necessidades evolutivas. Pela reencarnação, voltaremos à Terra quantas vezes forem necessárias à nossa evolução.
É normal que, cessados os primeiros momentos do impacto que a realidade lhe impôs, se sinta como órfão, esmagado por grande dor advinda da saudosa ausência. O seu coração pulsa desordenado e teme não suportar tão cruel sofrimento. São justos seus sentimentos, entretanto, não deixe que eles lhe leve ao descontrole e ao desequilíbrio, pois os chamados “mortos” também sofrem muito com o destempero de nossas lágrimas. Da mesma forma que anelas voltar a senti-los e acariciá-los, eles também o desejam. Não pense mais em termos de adeus e sim em até logo, e se quer homenageá-los. Ore muito por eles, dedicando também algumas horas de seu tempo em benefício dos que mais necessitam do seu amparo.

Sergito de Souza Cavalcanti

Tensão emocional

Tensão Emocional

Não raro, encontramos, aqui e ali, os irmãos doentes por desajustes emocionais. Quase sempre, não caminham. Arrastam-se. Não dialogam.
Cultuam a queixa e a lamentação. E provado está que na Terra, a tensão emocional da criatura encarnada se dilata com o tempo. Insegurança, conflito íntimo, frustração, tristeza, desânimo, cólera, inconformidade e apreensão, com outros estados negativos da alma, espancam sutilmente o corpo físico, abrindo campo a moléstia de etiologia obscura, à força de se repetirem constantemente, dilapidando o cosmo orgânico.
Se conseguires aceitar a existência de Deus e a prática salutar dessa ou daquela religião em que mais te reconfortes, preserva-te contra semelhantes desequilíbrios. Começa, aceitando a própria vida, tal qual é, procurando melhora-la com paciência. Aprenda a estimar os outros, como se te apresentem, sem exigir-lhes mudanças imediatas. Dedica-te ao trabalho em que te sustentes, sem desprezar a pausa de repouso
ou o entretenimento em que se te restaurem as energias. Serve ao próximo, tanto quanto puderes. Detém-te no lado melhor das situações e das pessoas, esquecendo o que te pareça inconveniente ou desagradável. Não carregues ressentimentos. Cultiva a simplicidade, evitando a carga de complicações e de assuntos improdutivos que te furtem a paz. Admite o fracasso por lição proveitosa, quando o fracasso possa surgir.
Tempera a conversão com o fermento da esperança e da alegria.
Tanto quanto possível, não te faças problema para ninguém, empenhando-te a zelar por ti mesmo. Quando a lembrança do passado não contenha valores reais, olvida o que já se foi, usando o presente na edificação do futuro melhor. Se o inevitável acontece, aceita corajosamente as provas em vista, na certeza de que todas as criaturas atravessam ocasiões de amarguras e lágrimas. Oferece um sorriso de simpatia e bondade, seja a quem for.
Quanto à morte do corpo, não penses nisso, guardando a convicção de que ninguém existiu no mundo sem a necessidade de enfrenta-la.
E, trabalhando e servindo sempre, sem esperar outra recompensa que não seja a bênção da paz na consciência própria, nenhuma tensão emocional te criará desencanto ou doença, de vez que se cumpres o teu dever com sinceridade, quando te falte força Deus te sustentará e onde não possas fazer todo o bem que desejas realizar Deus fará sempre a parte mais importante.


Do Livro “Companheiro”

sábado, 20 de agosto de 2011

Sergito de Souza Cavalcanti

Em Busca da Felicidade

O amor é como uma plantinha que se não for bem cuidada morre. Muitos casais, unidos por legítimos laços de afetividade, acabam vendo seu amor fenecer por falta de cuidado e atenção.
Abraçar, beijar e dormir de mãos dadas, dizer palavras carinhosas são adubos que devemos usar sempre, para que a plantinha se conserve bonita e viçosa.
Amar envolve manifestações recíproca de afeto.
Não permita que seus negócios, seus interesses pessoais e materiais deteriorem sua ligação afetiva.
Por maiores que forem seus compromissos, obrigações e afazeres, você tem que produzir espaço para cultivar o amor.
Amar e conversar, sonhar, planejar e entender o ser amado.
Amar e aceitar o ser amado como ele é.
No jogo do amor não há adversários os dois ganham ou ninguém ganha.

A irritação

Ao sair do lar, defrontas os problemas da condução e do trânsito, na busca da tua oficina e trabalho.
Transportes abarrotados, pessoas rudes, multidões apressadas, violência pela disputa de lugares, ruas e avenidas movimentadas...
*
Se chove, emperra o trânsito e as dificuldades se ampliam.
Se faz sol, o calor produz mal-estar e as reclamações promovem aborrecimento.
Se dispões de veículo próprio, não te podes mover conforme
gostarias, pelas vias de acesso, em congestionamento crescente.
*
Todos têm que chegar a tempo.
O relógio não pára.
Os que se atrasaram pretendem recuperar os minutos perdidos e atropelam os que estão ao lado ou à frente...
*
A irritação chega e se instala, perturbando-te e levando-te a
competir também com os agressivos.
As buzinas produzem bulha, os semáforos te interrompem a marcha, e tudo parece estar contra os teus propósitos.
*
Mantém a calma.
Amanhã, propõe-te a sair de casa mais cedo.
A tranqüilidade de todo um dia merece o teu investimento de alguns minutos.
Não te irrites, portanto, evitando os perigos da ira, que instala desequilíbrios graves que podes evitar.


(Episódios Diários, Divaldo Pereira Franco e Joanna de Ângelis)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Neio Lúcio e Francisco Cândido Xavier

A Escola das Almas

Congregados, em torno do Cristo, os domésticos de Simão ouviram a voz suave e persuasiva
do Mestre, comentando os sagrados textos.
Quando a palavra divina terminou a formosa preleção, a sogra de Pedro indagou, inquieta:
— Senhor, afinal de contas, que vem a ser a nossa vida no lar?
Contemplou-a Ele, significativamente, demonstrando a expectativa de mais amplos esclarecimentos,
e a matrona acrescentou:
— Iniciamos a tarefa entre flores para encontrarmos depois pesada colheita de espinhos.
No começo é a promessa de paz e compreensão; entretanto, logo após, surgem pedras e dissabores...
Reparando que a senhora Galiléia se sensibilizara até às lágrimas, deu-se pressa Jesus em
responder:
— O lar é a escola das almas, o templo onde a sabedoria divina nos habilita, pouco a pouco, ao grande entendimento da Humanidade. E, sorrindo, perguntou:
— Que fazes inicialmente às lentilha, antes de servi-las à refeição?
A interpelada respondeu, titubeante:
— Naturalmente, Senhor, cabe-me levá-las ao fogo para que se façam suficientemente
cozidas. Depois, devo temperá-las, tornando-as agradáveis ao sabor.
— Pretenderias, também, porventura, servir pão cru à mesa?
— De modo algum — tornou a velha humilde —; antes de entregá-lo ao consumo caseiro,
compete-me guardá-lo ao calor do forno. Sem essa medida...
O Divino Amigo então considerou:
— Há também um banquete festivo, na vida celestial, onde nossos sentimentos devem
servir à glória do Pai. O lar, na maioria das vezes, é o cadinho santo ou o forno preparador. O
que nos parece aflição ou sofrimento dentro dele é recurso espiritual. O coração acordado para
a Vontade do Senhor retira as mais luminosas bênçãos de suas lutas renovadoras, porque, somente
aí, de encontro uns com os outros, examinando aspirações e tendências que não são
nossas, observando defeitos alheios e suportando-os, aprendemos a desfazer as próprias imperfeições.
Nunca notou a rapidez da existência de um homem? A vida carnal é idêntica à flor da erva. Pela manhã emite perfume, à noite, desaparece... O lar é um curso ligeiro para a fraternidade que desfrutaremos na vida eterna. Sofrimentos e conflitos naturais, em seu círculo, são lições.
A sogra de Simão escutou, atenciosa, e ponderou:
— Senhor, há criaturas, porém, que lutam e sofrem; no entanto, jamais aprendem.
O Cristo pousou na interlocutora os olhos muito lúcidos e tornou a indagar:
— Que fazes das lentilhas endurecidas que não cedem à ação do fogo?
— Ah! sem dúvida, atiro-as ao monturo, porque feririam a boca do comensal descuidado e confiante.
— Ocorre o mesmo — terminou o Mestre — com a alma rebelde às sugestões edificantes do lar. A luta comum mantém a fervura benéfica; todavia, quando chega a morte, a grande selecionadora do alimento espiritual para os celeiros de Nosso Pai, os corações que não cederam ao calor santificante, mantendo-se na mesma dureza, dentro da qual foram conduzidos ao forno bendito da carne, serão lançados fora, a fim de permanecerem, por tempo indeterminado, na condição de adubo, entre os detritos da Natureza.

(Livro: Jesus no Lar)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Meimei e Francisco C. Xavier

Jesus te Escuta

Afirmas absoluta solidão ...
Dizes não existir um só coração que te afague os sentimentos belos, que o alimentem de nobres sonhos ...
Perguntas aos vãos da tua morada: com quem compartilhar os planos do amanhã e as realizações do agora? Onde uma mão amiga a estender-se para pensar tuas enfermidades?
Adiantando o porvir, reclamas uma alma que te acompanhe as últimas horas na jornada física ...
Dores do teu valoroso coração que se não perdem nos ventos da Terra ...
Se crês no amor, acalma teus anseios e ausculta nas cortinas do teu próprio Ser, uma luz que vela tua caminhada, como serena chama em noite tempestuosa, a te falar blandícias e consolações, sem que atines na sua ação.
Tal Luz é o Cristo, que padecendo contigo as tuas provações, acompanha-te no teu calvário de iluminação, reservando-te o jugo da ínfima parte do teu madeiro redentor.


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Compreendei e Perdoai

Bezerra de Menezes e Carlos A. Baccelli


Filhos, a compreensão é a virtude que vos predispõe naturalmente ao perdão.
Compreendei para perdoar.
Não conserveis ressentimentos no coração, sabendo que aquele que vos decepciona é um companheiro vencido pelos seus próprios conflitos.
Não exijais dos outros infalibilidade.
Os amigos que seguem ao vosso lado, qual vos acontece, são espíritos assinalados por muitas limitações, aparentando exteriormente o que ainda não são.
Compadecei-vos das mazelas alheias, não sobrecarregando os ombros daqueles que avançam, mal se agüentando ao peso da cruz.
Não condicioneis a vossa conduta no bem à conduta de quem quer que seja; que a vossa fé não dependa da demonstração de fé dos que vos inspiram na jornada...
Somente em Jesus Cristo devereis vos encorajar na luta.
Os irmãos de crença espírita, principalmente os que se encontram servindo na mediunidade e os que ocupam posições de liderança, são, afinal, espíritos comprometidos com o passado: nenhum deles se encontra imune ao assédio das trevas.
Não raro, o personalismo e a vaidade apenas ocultam nas almas uma estamenha de chagas...
Os que intentam brilhar para o mundo estão longe de possuir luz própria.
A rigor, muitos de nós outros não estamos ainda sequer preparados para uma maior proximidade com o Cristo - a possibilidade de semelhante convivência mais estreita nos levaria ao delírio.
Quem, há séculos, se habituou nas sombras, só gradativamente se acostuma à claridade.
O homem sem maior entendimento do Evangelho transfere a sua ambição concernente às coisas materiais para as coisas divinas.
Os apóstolos não chegaram a disputar entre si a primazia de estarem, no Reino Celeste, ao lado do Senhor?
Assim, tomai vós mesmos a iniciativa da exemplificação e da coragem de vivenciar, de forma irrepreensível, a crença que abraçastes.


Eros e Divaldo Pereira Franco

Quando
- Senhor! - rogou o discípulo, emocionado - quando identificarei a plenitude da paz e da felicidade, jornadeando neste mundo torvo, atribulado, de enfermidades e violências?
O compassivo Mestre penetrando-o com a magia do seu encantamento, respondeu:
- Quando puderes ver com a suavidade do meu olhar as mais graves ocorrências, sem precipitares julgamentos, remontando às causas; quando lograres ouvir com a paciência da minha compreensão generosa; quando puderes falar auxiliando, sem acusação nem desculpismo; quando agires com misericórdia, mesmo sob as mais árduas penas e prosseguires intimorato na senda do bem entre abrolhos pontiagudos, confiando nos objetivos superiores, já não serás tu, mas sim eu quem vive em ti, e, identificado comigo, fruirás de felicidade e paz.
O aprendiz ouviu, meditou, e, levantando-se, partiu pela estrada do serviço ao próximo, intentando conjugar o verbo amar, sem cansaço, sem ansiedade, sem receio.

(De “No longe do jardim”)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Aprendendo com a Vida


Quando você conseguir superar graves problemas de relacionamentos, não se detenha na lembrança dos momentos difíceis, mas na alegria de haver atravessado mais essa prova em sua vida.
Quando sair de um longo tratamento de saúde, não pense no sofrimento que foi necessário enfrentar, mas na benção de Deus que permitiu a cura.
Leve na sua memória, para o resto da vida, as coisas boas que surgiram nas dificuldades.
Elas serão uma prova de sua capacidade, e lhe darão confiança diante de qualquer obstáculo.

Uns queriam um emprego melhor; outros só um emprego.
Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.
Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver.
Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais.
Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.
Uns queriam ter voz bonita; outros, falar.
Uns queriam silêncio; outros, ouvir.
Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.
Uns queriam um carro; outros, andar.
Uns queriam o supérfluo; outros apenas o necessário.

Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.
A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.
Tenha a sabedoria superior. Seja um eterno aprendiz na escola da vida.
A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior alivia, a inferior culpa;
a superior perdoa, a inferior condena.
Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!

(Enviado por Angela)

Joanna de Ângelis e Divaldo Pereira Franco

Vitória do Amor
Enquanto vicejarem os sentimentos controvertidos da atual personalidade humana estereotipada nos clichês do imediatismo devorador; enquanto os impulsos sobrepujarem a razão nos choques dos interesses do gozo insensato; enquanto houver a predominância da natureza animal sobre a espiritual; enquanto as buscas humanas se restringirem aos limites estreitos do hoje e do agora, sem compreensão das conseqüências do amanhã e do depois, o ser humano arrastará a canga do sofrimento, estorcegando-se nas rudes amarras do desespero.
Assim mesmo, nesse ser primário que rugia na Terra em convulsão enquanto olhava sem entender os círios luminíferos que brilhavam no firmamento, o amor despontava. Esse lucilar que o impulsionou à saída da caverna, à conquista das terras pantanosas e das florestas, levando-o à construção das urbes, é o influxo divino nele existente, propelindo-o sempre para a frente e para o infinito.
Daquele ser grotesco, impulsivo, instintivo, ao homem moderno, tecnológico, paranormal, da atualidade, separa um grande pego.
Não obstante esse desenvolvimento expressivo, o rugir das paixões ainda o leva à agressão injustificável, tornando-o, não poucas vezes, belicoso e perverso, ou empurra-o para a insensatez dos gozos exacerbados dos sentidos mais grosseiros, nos quais se exaure e mais se perturba, dando curso a patologias físicas e emocionais variadas.
A marcha da evolução é lenta e eivada de escolhos.
Avança-se e recua-se, de forma que as novas conquistas se sedimentem, criando condicionamentos que transformem os atavismos vigentes em necessidades futuras, substituindo os impulsos automáticos por aspirações conscientes, para que tenha lugar o florescer da harmonia que passará a predominar em todos os movimentos humanos.
A insatisfação que existe em cada indivíduo é síndrome do nascimento de novos anseios que o conduzirão à plenitude, qual madrugada que vence de forma suave e quase imperceptivelmente a noite em predomínio...
Esse amanhecer psicológico é proporcionado pelo amor, que é fonte inexaurível de energias capazes de modificar todas as estruturas comportamentais do ser humano.
Sentimento existente em germe em todos os impulsos da vida, adquire sentido e expande-se no campo da emotividade humana, quando a razão alcança a dimensão cósmica, tornando-se fulcro de vida que se irradia em todas as direções.
Presente nos instintos, embora de forma automatista, exterioriza-se na posse e defesa dos descendentes, crescendo no rumo dos interesses básicos, para tornar-se indimensional nas aspirações do belo, do nobre, do bem.
Variando de expressão e de dimensão em todos os seres, é sempre o mesmo impulso divino que brota e se agiganta, necessitando do direcionamento que a razão oferece, a fim de superar as barreiras do ego e tornar-se humanista, humanitarista, plenificador, sem particularismo, sem paixão, livre como o pensamento e poderoso quanto à força da própria vida.

(De “Amor, imbatível amor”)

sábado, 13 de agosto de 2011

André Luiz e Francisco Cândido xavier

Experimente Hoje

Agradecer a Deus os benefícios da vida e valorizar os recursos do próprio corpo.

Trabalhar e servir além do próprio dever, quanto lhe seja possível.

Observar, ainda mesmo por instantes, a beleza da paisagem que lhe emoldura a presença.

Nada reclamar.

Comentar unicamente os assuntos edificantes.

Refletir nas qualidades nobres de alguma pessoa com a qual os seus sentimentos ainda não se afinem.

Falar sem azedume e sem agressividade na voz.

Ler algum trecho construtivo.

Praticar, pelo menos, uma boa ação, sem contar isso a pessoa alguma.

Cultivar tolerância para com a liberdade dos outros sem atrapalhar a ninguém.

Atendamos diariamente a semelhante receita de atitude e, em breve tempo, realizaremos a conquista da paz.

(De “Busca e acharás”)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Joanna de Ângelis e Divaldo Pereira Franco

No Momento Exato
Como é impossível ao corpo manter-se sem o sangue, também a alma não viverá em paz sem o combustível da fé.
A fé constitui o elemento basilar para a sustentação da vida digna e realizadora.
Da mesma forma que o corpo não pode subsistir sem o alimento, o Espírito não consegue manter-se em equilíbrio sem a força da oração.
O alimento é secundário ao organismo, que o prescinde, momentaneamente, a fim de reequilibrar-se e manter a saúde, enquanto que, sem a prece, o ser espiritual se aturde e entorpece.
O homem está predestinado a dominar os instintos, vencendo as paixões que o agrilhoam à infelicidade, colocando-se a serviço do bem que lhe corresponde. Para consegui-lo, faz-se-lhe indispensável a coragem da fé, porquanto a covardia que o impede de tomar as decisões enobrecedoras é mais perigosa e violenta do que outras imperfeições que o assinalam, de certo modo, conseqüências dela.
A oração constitui a força mais eficaz para vencer tal impedimento - o medo - e atirar-se com valor na conquista dos objetivos para os quais se encontra no mundo.
Os grandes homens atingiram as metas a que se propunham, impulsionados pela fé que resultava da sua identificação com o bem. E a comunhão pela prece sempre lhes foi o alimento para sustentá-los nos momentos mais graves e cruciais da existência.
Certamente, outros tantos se arremeteram nas batalhas do crime e da destruição, guindados pelo egoísmo e pelo medo às situações de agressividade e loucura em que se exauriram.
Atormentados, odiaram e foram odiados; perseguiram e terminaram vencidos.
Os homens de fé em Deus sofreram, é certo, porém não impuseram sofrimentos a ninguém; amaram e deixaram rastros luminosos, clareando o roteiro daqueles que também amam e lhes seguem os exemplos e os passos.
*
E inadiável se eleja, entre o bem e o mal, o que é de melhor para a vida: mais profícuo, salutar, aprazível e pacificador.
Através da oração, será fácil discernir, escolher e adotar qual o caminho mais seguro e feliz.
A prece autêntica, aquela que brota do coração buscando Deus, a Ele se entregando, torna-se um escudo de segurança, de defesa, uma proteção contra os elementos perniciosos que vigem interiormente no homem ou que vêm de fora, tentando agredi-lo.
*
Só aparentemente se pode vencer um homem de fé, um homem que ora. Nunca, porém, se conseguirá dominá-lo. Ele é sempre livre e está sempre em paz. Nada o perturba, porque não teme a nada, a nada ambiciona, somente anelando por alcançar a perfeição.
*
A prece é a salvação da vida. Sem ela o homem enlouquece.
*
Quando estejas cercado de dificuldades e agressões, não vendo possibilidade alguma de chegar-te o socorro a tempo, ora, entregando-te a Deus, e a salvação te alcançará de Cima, no momento exato.


Obra: Momentos de Coragem.

André Luiz e Francisco Cândido Xavier

Vigilância

O amigo dizia para outro amigo:
— Não, não creio na necessidade de qualquer defesa contra o mal. Onde a providência de Deus, se formos obrigados a fazer isso?
— Entretanto, — disse o interlocutor, quando nos exortou a orar e vigiar para não cairmos em tentação...
— A vigilância da palavra do Cristo era amor, simplesmente amor...
Devemos unicamente amar, entregando a Deus qualquer problema de defensiva...
Longo silêncio se fez entre ambos.
Alcançando farmácia vizinha, o companheiro que recusava a prudência, em matéria de auto preservação, solicitou vacina contra varíola que passava em distrito próximo.
Depois de sofrer a respectiva picada, o outro observou com largo sorriso:
— Amigo, se você não aprova a vigilância contra o mal, como consegue admitir o poder da vacina?

(De “Endereços da Paz”)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Joanna de Ângelis e Divaldo Pereira Franco

Libertação
A finalidade precípua e mais importante da reencarnação diz respeito ao processo de auto-iluminação do Espírito.
Herdeiro de suas próprias experiências mantém atavismos negativos que o retêm nas paixões perturbadoras, aturdindo-se com freqüência, na busca frenética do prazer e da posse. Como conseqüência, as questões espirituais permanecem-lhe em plano secundário, em conceder-se ensejo de crescimento libertador.
Indispensável que se criem as condições favoráveis ao desenvolvimento dos seus valores éticos e espirituais que não devem ser postergardos. Somente através desse esforço - que é o empenho consciente para o auto-encontro, o denodo para romper com as amarras selvagens da ignorância, da acomodação, da indiferença - que o logro se torna possível.
Há pessoas que detestam a solidão, afirmando que esta lhes produz depressão e angústia, sensação de abandono e de infelicidade.
Outras, no entanto, buscam-na como terapia indispensável ao refazimento das forças exauridas, caminho seguro para o reexame de atitudes, para a reflexão em torno dos acontecimentos da vida.
A solidão, todavia, não é boa nem má. Os valores dela defluentes são sentidos de acordo com o estado de espírito de cada ser.
O silêncio produz em alguns indivíduos melancolia e medo. Parece sugerir-lhes um abismo apavorante, ameaçador.
Em outras pessoas, faculta a paz, o processo de readaptação ao equilíbrio, abrindo espaço para o auto-conhecimento.
O silêncio, no entanto, não é positivo ou negativo. Conforme o estado íntimo de cada um, ele propicia o que se faz necessário à paz, à alegria.
Muitos homens se atiram afanosamnente pela conquista do dinheiro, nele colocando todas as aspirações da vida como sendo a meta única a alcançar. Fazem-se, até mesmo, onzenários.
Inúmeros outros, todavia, não lhe dão maior valor, desperdiçando-o com frivolidade, esbanjando-o sem consideração. Terminam, desse modo, na estroinice, na miséria econômica.
O dinheiro, entretanto, não é essencial ou secundário na vida. Vale pelo que pode adquirir e segundo a consideração de que se reveste transitoriamente.
É indispensável que inicies o processo da tua libertação quanto antes.
Faze um momento habitual de solidão, onde quer que te encontres. Não é necessário que fujas do mundo, porém que consigas um espaço mental e doméstico para exercitares abandono pessoal e aí fazeres silêncio, meditando em paz.
Não digas que o tempo não te faculta ocasião.
Renuncia a alguma tarefa desgastante, a alguma recreação exaustiva, ao tempo que dedicas ao espairecimento saturador e aplica-o à solidão.
Nesse espaço, isola-te e silencia.
Deixa que a meditação refunda os teus valores íntimos e logre libertar-te das paixões escravizantes.
Considera o dinheiro e todos os demais valores como instrumentos para finalidades próximas, cuidando daqueloutros de sabor eterno e plenificador, que se te fazem essenciais para o êxito na tua jornada atual, a tua auto-iluminação libertadora.

Obra: Momentos de Felicidade

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier

Imperativo da Paciência
Provável que raros amigos pensem nisto: paciência por imunização contra o suicídio. Nas áreas da atividade humana, bastas vezes, surgem para a criatura determinados topos de provação para cuja travessia, nem sempre bastará o conhecimento superior. É necessário que a alma se apóie no bastão invisível da paciência, a fim de não resvalar em sofrimentos maiores. Eis porque nos permitimos endereçar reiterados apelos aos irmãos domiciliados no Plano Físico a fim de que se dediquem ao cultivo da compreensão. Se te encontras sob o impacto de conflitos domésticos, ante aqueles que se façam campo de vibrações negativas, usa a tolerância, quanto possível, em auxílio à segurança da equipe familiar a que te vinculas. Nas decepções, sejam quais forem, reflete no valor da ponderação em teu próprio benefício. Diante de golpes que te sejam desfechados, esquece injúrias e agravos e pensa nas oportunidades do trabalho que se te farão apoio defensivo contra o desespero. Sob acusações que reconhece imerecidas, olvida o mal e não alimentes o fogo da discórdia. Quando te falte atividade profissional, continua agindo, tanto quanto puderes, nas tarefas de auxílio espontâneo aos outros, aprendendo que atividade nobre atrai atividades nobres e, com isso, para breve, te reconhecerás em novos posicionamentos de serviço, segundo as tuas necessidades. Se o desânimo te ameaça por esse ou aquele motivo, recorda a importância de teu concurso fraterno, em apoio de alguém, e não te dês ao luxo de paradas improdutivas. Em qualquer obstáculo a transpor no caminho, conserva a paciência por escora e guia e, de pensamento confiante na Divina Providência, seguirás adiante, afastando para longe a tentação da fuga e reconhecendo, em tempo estreito, que há sempre um futuro melhor para cada um de nós e que, em todas as tribulações da existência, vale a pena esperar pelo socorro de Deus.

Obra: Atenção

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier

Semeadores

"Eis que o semeador saiu a semear." - Jesus. (MATEUS. 13:3.)

Todo ensinamento do Divino Mestre é profundo e sublime na menor expressão. Quando se dispõe a contar a parábola do semeador, começa com ensinamento de inestimável importância que vale relembrar.
Não nos fala que o semeador deva agir, através do contato com terceiras pessoas, e sim que ele mesmo saiu a semear.
Transferindo a imagem para o solo do espírito, em que tantos imperativos de renovação convidam os obreiros da boa-vontade à santificante lavoura da elevação, somos levados a reconhecer que o servidor do Evangelho é compelido a sair de si próprio, a fim de beneficiar corações alheios.
É necessário desintegrar o velho cárcere do "ponto de vista" para
nos devotarmos ao serviço do próximo.
Aprendendo a ciência de nos retirarmos da escura cadeia do "eu", excursionaremos através do grande continente denominado "interesse geral".
E, na infinita extensão dele, encontraremos a "terra das almas", sufocada de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir a benefício de todos.
Foi nesse roteiro que o Divino Semeador pautou o ministério da luz,
iniciando a celeste missão do auxílio entre humildes tratadores de animais e continuando-a através dos amigos de Nazaré e dos doutores de Jerusalém, dos fariseus palavrosos e dos pescadores simples, dos justos e dos injustos,
ricos e pobres, doentes do corpo e da alma, velhos e jovens, mulheres e crianças...
Segundo observamos, o semeador do Céu ausentou-se da grandeza a que se acolhe e veio até nós, espalhando as claridades da Revelação e aumentando-nos a visão e o discernimento. Humilhou-se para que nos exaltássemos e confundiu-se com a sombra a fim de que a nossa luz pudesse brilhar, embora lhe fosse fácil fazer-se substituído por milhões de mensageiros, se desejasse.
Afastemo-nos, pois, das nossas inibições e aprendamos com o Cristo a "sair para semear".


(De "Fonte Viva")

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Nunca é Demais




“Sede, na oração, perseverantes.”
(Paulo – Romanos – 12:12)


Diretamente convidado a uma decisão, no tumulto dos conflitos complexos, busque a inspiração superior através da prece.
Um momento de prece dirime problemas largamente cultivados.
Instado por dificuldade à rebeldia e ao desequilíbrio, faça uma pausa para a prece.
A prece não apenas aponta rumos quanto tranquiliza interiormente.
Açodado pelas paixões inferiores e vencido na psicosfera negativa do ambiente em que vive, erga-se à prece edificante.
A prece não somente sustenta o bom ânimo como também luariza os sentimentos.
Tombado por falta de apoio e aturdido nos melhores propósitos acalentados, tente o convívio da prece antes de desertar.
A prece não é só uma ponte que o leva a Deus, porém uma alavanca a impeli-lo para sair do desânimo que o prostra.
Atordoado por informações infelizes e vitupérios; apedrejado por incompreensões indevidas, mergulhe a mente na prece antes do revide.
A prece não constitui um paliativo exclusivo, sendo, também, inexaurível e abençoada fonte de renovação e entusiasmo.
Examinando o problema imenso que se avulta, aquietado pelas complexas engrenagens das decisões, estugue o passo, faça uma prece.
A prece tem o poder de clarificar os horizontes e içar o homem do abismo às cumeadas libertadoras.
Concluída a tarefa em que recolheu bênçãos e júbilos, não se esqueça da prece.
A prece não lhe constitua um instrumento de rogativa e solicitação incessantes, tornando-se, também, um telefone para expressar o reconhecimento e a gratidão com que você exporá os sentimentos renovados ao Pai Celestial.
Não se trata de beatice, nem tampouco de pieguismo emocional.
Se lhe é justo permitir-se o pessimismo e o desaire, conservando a negação e o dissabor, a prece contituir-lhe-á bastão de apoio, medicamento reconfortante, pão nutriente porquanto cada um sintoniza com aquilo em que pensa e vibra.
Orando, você, naturalmente, haurirá nas fontes inesgotáveis da Divina Providência as energias necessárias para o êxito dos seus cometimentos.
Não se deixe vencer pelos que o abordam com ceticismo e preferem a manifestação cínica diante do seu estado de prece e de confiança.
Uma prece a mais nunca é demais.

(De “Momentos de Decisão”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Marco Prisco)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Viver o Agora


Este é o teu momento de viver intensamente a realidade da vida.
Desnecessário recordar que, agora, o teu momento presente é relevante para a aquisição dos bens inestimáveis para o Espírito eterno.
Há muito desperdício de tempo, que se aplica nas considerações do passado como em torno das ansiedades do futuro.
A tomada de consciência é um trabalho de atualidade, de valorização das horas, de realização constante.
A vida é para ser vivida agora.
Postergar experiências, significa prejuízo em crescimento na economia da vida.
Antecipar ocorrências, representa precipitação de fatos que, talvez, não sucederão, conforme agora, tomam curso.
As emoções canalizadas em relação ao passado ou ao futuro dissipam ou gastam a energia vital, que deve ser utilizada na ação do momento.
Se vives recordando o passado ou ansiando pelo futuro, perdes a contribuição do presente, praticamente nada reservando para hoje.
O momento atual é a vida, que resulta das atividades pretéritas e elabora o programa do porvir.
Encoraja-te a viver hoje, sentindo cada instante e valorizando-o mediante a consciência das bênçãos que se encontram à tua disposição.
A vida é um sublime dom de Deus.
Desse modo, agradece a Deus, o sublime legado, que é a tua vida, por Ele concedido.
Vive, jubilosamente, hoje, sejam quais forem as circunstâncias em que se te apresente a existência.
Se o instante é de aflição, resigna-te, agindo corretamente, e estarás produzindo para o futuro que te chegará com paz.
Se o momento é de gozo, recorda-te dos padecentes à tua volta e reparte alegria, ampliando o círculo de ventura.
Quem despertou para a superior finalidade da vida, vive-a, a cada momento, vivendo-a principalmente agora.


Livro: Alegria de Viver
Joanna de Ângelis / Divaldo P. Franco

Para as Meninas Super Poderosas!

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier

Discernimento e Amor


Natural examines no mundo os problemas de comportamento. Discernir o certo do errado. Entender o que auxilia e o que prejudica. E, quanto puderes, é justo procures erradicar com amor o mal que desfigure as peças do bem, com o zelo do lavrador quando retira a erva invasora do corpo da árvore.
Entretanto, em qualquer processo de corrigenda, deixa que a compaixão te ilumine o pensamento para que o ideal de justiça não se te faça um deserto no coração.
Recorda os esforços que desenvolves para que a bondade e a tolerância não se te afastem da vida e dispõe-te a entender e auxiliar, em louvor do bem.
Encontraste irmãos considerados delinqüentes.
Imagina os processos obsessivos em que se viram atormentados, por tempo vasto, até que se envolvessem nas sombras do desequilíbrio.
Surpreendeste companheiros atracados à rebeldia.
Pensa nas longas áreas de penúria e sofrimento que atravessaram, até que as forças se lhes esgotaram, impelindo-os para a discórdia.
Acompanhaste a indesejável transformação de amigos que desertaram de nobres tarefas que lhes diziam respeito.
Detém-te a meditar nos conflitos que sofreram, até que se lhes verificou a queda de toda a resistência.
Sabes de criaturas queridas que se mergulharam na escravidão aos tóxicos que lhes devastam as energias.
Reflete nas tentações que lhes povoaram as horas, até que se inclinassem para a dependência dos agentes químicos de misericórdia, no abuso dos quais se fazem omissos.
Enumera os padecimentos dos desesperados, dos tristes, dos doentes sem esperança, dos quase suicidas, dos irmãos sanatorizados em vista de indefiníveis angústias, e compreenderás que a Infinita Bondade de Deus determina se nomeiem juízes para que se cominem penas destinadas ao resgate de nossas culpas, assim como suscita a formação de médicos que nos sanem os males, afim de que a delinqüência e a enfermidade não nos destruam a vida, mas nos impele incessantemente à fraternidade que nos oriente os atos na edificação do futuro melhor sob a regência do amor.

Livro: Companheiro


Mary Stevenson

Pegadas na Areia

Uma noite eu tive um sonho...
Sonhei que estava andando na praia
com o Senhor e no céu passavam cenas de minha vida.
Para cada cena que passava,
percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia:
um era meu e o outro do Senhor.
Quando a última cena da minha vida
passou diante de nós, olhei para trás,
para as pegadas na areia,
e notei que muitas vezes,
no caminho da minha vida,
havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também que isso aconteceu
nos momentos mais difíceis
e angustiantes da minha vida.
Isso aborreceu-me deveras
e perguntei então ao meu Senhor:
- Senhor, tu não me disseste que,
tendo eu resolvido te seguir,
tu andarias sempre comigo,
em todo o caminho?
Contudo, notei que durante
as maiores tribulações do meu viver,
havia apenas um par de pegadas na areia.
Não compreendo por que nas horas
em que eu mais necessitava de ti,
tu me deixaste sozinho.
O Senhor me respondeu:
- Meu querido filho.
Jamais te deixaria nas horas
de prova e de sofrimento.
Quando viste na areia,
apenas um par de pegadas,
eram as minhas.
Foi exatamente aí,
que te carreguei nos braços.



Joanna de Ângelis e Divaldo Pereira Franco

A Ponte
Entre os que se filiaram a Doutrina Espírita, muitos se mantém na retaguarda.
Tomaram contato, porem não puderam acompanhar o ritmo que a renovação impunha.
Enquanto os Sábios Mensageiros, à maneira de narradores de histórias, falavam das construções celestes, eles se detinham extasiados. Compraziam-se na expectativa de triunfos fáceis, antevendo-se coroados de êxitos nas lutas do caminho comum sem qualquer esforço nobre.
Supunham que o Espiritismo fosse apenas uma Doutrina Consoladora, cujo mister se resumisse na coleta de náufragos e mendigos para os alentar, enxugando-lhes as lágrimas sem qualquer compromisso com o trabalho e o sacrifício, em cujas diretivas o homem se integra no movimento libertador de consciências.
Esqueceram-se de que a morte física não é o fim.
Além do sepulcro, olvidaram, que não há repouso nem paraíso, senão para quem converteu a própria paz em paz para outros, e dirigiu a felicidade pessoal para a felicidade de todos.
Depois da morte, constatarão, não existem soluções definitivas para problemas que a reencarnação não solveu.
A Terra é o grande campo de realizações, aguardando a dedicação dos lidadores da esperança, do bem e da verdade.
Ninguém a deixará, em liberdade, mantendo compromissos com a retaguarda.
Os que ficaram atrás preferiram o céu fantasioso da ilusão.
Fizeram-se apologistas do heroísmo de mão beijada, e pretendiam a glória de um trabalho apanagiado por padrinhos terrenos, passageiros detentores de prestígio social e político.
Deixaram à margem os problemas gigantes que defrontarão mais tarde complicados e insolúveis.
Tentaram o recuo à hora do avanço e se detiveram a distância...
Não os incrimines nem os lamentes.
São almas fracas, incapazes de uma resistência maior.
A vida, a grande mestra, paulatinamente, com mãos de mãe gentil e devotada, conduzi-los-á de retorno à realidade da qual ninguém foge impunemente.
Segue adiante porem.
Esquece a fantasia das narrativas atraentes e enfrenta o campo que se desdobra, necessitado.
Aqui concede a bênção de uma fonte, e o deserto se converterá em jardim.
Ali remove o charco, e o pântano se transformará em fácil acesso para homens e animais.
Fase o bem em toda parte com as mãos e o coração, orando e esclarecendo, afim de que o trabalho da verdade fulgure em teus braços como estrelas luminescentes em forma de mãos.
E ligado aos Espíritos da Luz, construirás, com o suor e o esforço incessante, enquanto na carne, a ponte sobre o abismo, pela qual atravessarás, em breve, formoso e deslumbrado, em busca dos amores felizes que te aguardam, jubilosos, "do outro lado".

Livro: Messe de Amor.

sábado, 6 de agosto de 2011

Manuel Philomeno de Miranda

Terapia de Amor

...Divino Médico de todos nós!...

Espíritos enfermos que reconhecemos ser, aqui nos encontramos buscando a terapia da Tua misericórdia, a fim de que nos libertemos das causas geradoras dos males que nos afetam.
Da mesma forma que disseste à mulher equivocada, que não voltasse a pecar, a fim de que não lhe acontecesse algo pior, ajuda-nos a agir corretamente, a fim de que não nos sucedam novas quedas, propiciadas pelo egoísmo e o orgulho que ainda nos conduzem as ações.
Somos herdeiros dos próprios atos e a dor tem-nos sido o legado de maior destaque, o que nos revela a condição de indigência em que nos encontramos.
Conhecedores da Tua palavra e dispostos à renovação, colocamo-nos ao Teu serviço conforme somos e com o pouco de que dispomos.
Favorece-nos com a medicação preventiva do amor ao próximo e auxilia-nos com a terapêutica do perdão das ofensas, a fim de curarmos as viroses d’alma que nos infetam o corpo, após contaminar-nos os sentimentos, as emoções.
Agora entendemos melhor os Teus desígnios e candidatamo-nos a ser discípulos atuantes no campo da caridade, do bem.
Não nos deixes recuar, nem estacionar, impelindo-nos ao avanço sempre, no rumo da Grande Luz, e ampara-nos, na fragilidade em que estagiamos, favorecendo-nos com a certeza plena da vitória sobre nós mesmos e a liberação consciente de nossas faltas.
Senhor! Conduze-nos, calvário acima, com os olhos postos na formosa madrugada da ressurreição vitoriosa, que a todos nos espera...
Arnaldo

(De “Nas fronteiras da loucura” )

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier

Necessário Acordar

"Desperta, ó tu que dormes, levanta-te
dentre os mortos e o Cristo te esclarecerá."
- Paulo Efésios 5:14


Grande número de adventícios ou não aos círculos do Cristianismo acusa fortes dificuldades na compreensão e aplicação dos ensinamentos de Jesus. Alguns encontram obscuridade nos textos, outros protestam e rejeitam o pão divino pelo envoltório humano de que necessitou para preservar-se na Terra.
Esses amigos, entretanto, não percebem que isto ocorre, porque permanecem dormindo, vítimas de paralisia das faculdades superiores.
Na maioria das ocasiões, os convites divinos passam por eles, sugestivos e santificantes; todavia, os companheiros distraídos interpretam-nos por cenas sagradas, dignas de louvor, mas depressa relegadas ao esquecimento. O coração não adere, dormitando amortecido, incapaz de analisar e compreender.
A criatura necessita indagar de si mesma o que faz, o que deseja, a que propósitos atende e a que finalidades se destina. Faz-se indispensável examinar-se, emergir da animalidade e erguer-se para senhorear o próprio caminho.
Grandes massas, supostamente religiosas, vão sendo conduzidas, através das circunstâncias de cada dia, quais fileiras de sonâmbulos inconscientes. Fala-se em Deus, em fé e em espiritualidade, qual se respirassem na estranha atmosfera de escuro pesadelo. Sacudidas pela corrente incessante do rio da vida, rolam no turbilhão dos acontecimentos, enceguecidas, dormentes e semimortas até que despertem e se levantem, através do esforço pessoal, a fim de que o Cristo as esclareça.

(De “Pão Nosso”)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Hammed e Francisco do Espírito Santo Neto

Velhas Recordações, Velhas Doenças


"Quantas vezes perdoarei a meu irmão? Perdoar-lhe-eis não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes..."
"... Escutai, pois, essa resposta de Jesus e, como Pedro, aplicai-a a vós mesmos; perdoai, usai de indulgência, sede caridosos, generosos, pródigos mesmo de vosso amor..." (Cap. X, item 14.)

Trazemos múltiplos clichês mentais arquivados no inconsciente profundo de nós mesmos, resultado de velhas recordações danosas herdadas das mais variadas épocas, seja na atualidade, seja em outras existências no passado distante.
Essas fontes emitem, através de mecanismos psíquicos, energias que não nos deixam sair com facilidade do fluxo desses eventos desagradáveis, registrados pelas retinas da alma, mantendo-nos retidos em antigas mágoas e feridas morais entre os fardos da culpa e da vergonha.
Por não recordarmos que o perdão a nós mesmos e aos outros é um poderoso instrumento de cura para todos os males, é que impedimos o passado de fluir, não dando ensejo à renovação, e sim a enfermidade e desalentos.
Tentamos viver alienados dos nossos ressentimentos e velhas amarguras, distraindo-nos com jogos e diversões, ou mesmo buscando alívio no trabalho ininterrupto, mas apenas estamos adiando a solução futura da dor, porque essas medidas são temporárias.
É mais fácil dizer que se tem uma úlcera gástrica do que admitir um descontentamento conjugal; é mais fácil também consentir-se portador de uma freqüente cólica intestinal do que aceitar-se como indivíduo colérico e inflexível.
Muitas moléstias antes consideradas como orgânicas estão sendo reconhecidas agora como "psicossomáticas", porque se encontram fatores psicológicos expressivos em sua origem.
As insanidades físicas são quase sempre traduzidas como somatizações das recordações doentias de ódio e vingança que, mantidas a longo prazo, resultam em doenças crônicas. Dessa forma, compreenderás que a gravidade e a duração dos teus sintomas de prostração e abatimento orgânico são diretamente proporcionais à persistência em manteres abertas tuas velhas chagas do passado.
As predisposições físicas das pessoas às enfermidades nada mais são do que as tendências morais da alma, que podem modificar as qualidades do sangue, dando-lhe maior ou menor atividade, provocar secreções ácidas ou hormonais mais ou menos abundantes, ou mesmo perturbar as multiplicações celulares, comprometendo a saúde como um todo. Portanto, as causas das doenças somos nós sobre nós mesmos, e, para que tenhamos equilíbrio fisiológico, é preciso cuidar de nossas atitudes íntimas, conservando a harmonia na alma.
Indulgência se define como sendo a facilidade que se tem para perdoar.
Muitos de nós ficamos constantemente tentando provar que sempre estivemos certos e que tínhamos toda a razão; outros ficam repisando os erros e as faltas alheias. Mas, se quisermos saúde e paz, libertemo-nos desses fardos pesados, que nos impedem de voar mais alto, para as possibilidades do perdão incondicional.
Perdoar não significa esquecer as marcas profundas que nos deixaram, ou mesmo fechar os olhos para a maldade alheia. Perdoar é desenvolver um sentimento profundo de compreensão, por saber que nós e os outros ainda estamos distantes de agir corretamente. Por não estarmos, momentaneamente, em completo contato com a intimidade de nossa criação divina, é que todos nós temos, em várias ocasiões, gestos de irreflexão e ações inadequadas.
Das velhas doenças nos libertaremos quando as velhas recordações do "não-perdão" deixarem de comandar o leme de nossas vidas.

(De “Renovando atitudes”)

Elvis Costello

Joanna de Ângelis e Divaldo Pereira Franco

Na Conjuntura Difícil

Limitado na paralisia ou algemado à dor, medita na urgente necessidade de reformulação de conceitos sobre a vida e renova-te.
Amputado emocionalmente pela perda de um ser querido, que se transferiu para a vida espiritual, reflexiona sobre a transitoriedade do corpo somático e aprimora-te, interiormente, com os olhos postos no futuro.
Ferido nos sentimentos profundos pelo aguilhão dos desafetos que não supunhas existissem, considera a oportunidade para fazeres uma avaliação em torno do teu comportamento e exercita a paciência com o perdão das ofensas.
Tombado na armadilha hábil e rude da ingratidão de qualquer natureza, verifica o teu estado interior e altera a situação deprimente, transferindo-te da amargura para a beneficência geral.
Amarfanhado pelos golpes da enfermidade, aprofunda a mente nas cogitações em torno das causas dos sofrimentos e dirige os pensamentos no rumo do amor operante.
Sob a conjuntura da dificuldade financeira, ou do aparente fracasso social, ou da solidão, ou experimentando os cravos fincados de outras dores morais no cerne da alma, procura descobrir que toda e qualquer aflição, é processo de cobrança que chega ao tribunal da consciência, impondo reparação.
*
Nunca te consideres infeliz.
Infelicidade é o desconhecimento da justiça divina, com permanência na rebeldia...
Nas injunções difíceis o espírito cresce, porque se libera dos problemas que amealhou e pediu para solucioná-los, mediante as técnicas dolorosas da recuperação moral...
A ignorância, porém, no seu processo de aliciamento de vítimas inermes, conduz muitas criaturas que parecem felizes, em pleno triunfo — desfilando no carro do prazer e exibindo a força da insensatez, quando não da arbitrariedade —, e não ditosas...
Não as invejes.
Já trilhastes por caminhos semelhantes, equívocos, e agora recomeças em condição diferente.
*
Na celeridade com que passam, na vida, as manifestações orgânicas libertar-te-ão, com rapidez, das dores e opressões, bendizendo as láureas que lograste, no testemunho das conjunturas difíceis.

(De “Alerta”)

Coisas Mínimas

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier

"Pois se nem ainda podeis fazer as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?" - Jesus. (Lucas, 12:26)

Pouca gente conhece a importância da boa execução das coisas mínimas.
Há homens que, com falsa superioridade, zombam das tarefas humildes, como se não fossem imprescindíveis ao êxito dos trabalhos de maior envergadura.
Um sábio não pode esquecer-se de que, um dia, necessitou aprender coam as letras simples do alfabeto.
Além disso, nenhuma obra é perfeita se as particularidades não foram devidamente consideradas e compreendidas.
De modo geral, o homem está sempre fascinado pelas situações de grande evidência, pelos destinos dramáticos e empolgantes.
Destacar-se, entretanto, exige muitos cuidados.
Os espinhos também se destacam, as pedras salientam-se na estrada comum.
Convém, desse modo, atender às coisas mínimas da senda que Deus nos reservou, para que a nossa ação se fixe com real proveito à vida.
A sinfonia estará perturbada se faltou uma nota, o poema é obscuro quando se omite um verso.
Estejamos zelosos pelas coisas pequeninas. São parte integrante e inalienável dos grandes feitos. Compreendendo a importância disso, o Mestre nos interroga no Evangelho de Lucas: "Pois se nem podeis ainda fazer as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?"

(De “Caminho, Verdade e Vida”)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

J. Raul Teixeira e Hans Swigg

Despertamento Para a Perseverança

Para perseverar na boa luta, faz-se necessário manter profunda união com os ensinamentos de Jesus Cristo.
O mundo terreno, tal como se apresenta, em todas as chances para dominar os que só vêem montanhas à frente dos caminhos; para desesperar a quem só enxerga violências nas estradas onde caminha; para desestimular os que identificam como opositores todos os que encontram pela frente, seguindo trilhos que não são os seus; para tirar o prazer de quem só conhece dores ao seu redor; para chumbar no leito da acomodação ao que se sente frágil, invariavelmente, para qualquer atitude diante da existência.
Somente quando a pessoa se der conta de que o Cristo deve ser a mais lúcida inspiração para a alma terrestre, começará a sentir forças novas para superar óbices em seus caminhos; para alimentar esperanças de paz e harmonia; para saber ouvir reais adversários, extraindo o verdadeiro e o útil dos seus arrazoados; para aproveitar as chances de alegria pelo entendimento do significado espiritual do sofrimento, onde ele apareça; para erguer-se a cada manhã, com boa disposição de fortificar-se com o elixires do trabalho e da fé, certo de que, conforme enunciou o Mestre Nazareno, só o que perseverar até o fim salvar-se-á.

(Obra: Em Serviço Mediúnico)

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier

Tendo Medo
"E, tendo, medo, escondi na Terra o teu talento..."
Mateus 25-25

Na parábola dos talentos, o servo negligente atribui ao medo a causa do insucesso em que se infelicita.
Recebera mais reduzidas possibilidades de ganho.
Contara apenas com um talento e temera lutar para valorizá-lo.
Quanto aconteceu ao servidor invigilante da narrativa evangélica!
Há muitas pessoas que se acusam pobres de recursos para transitar no mundo como desejariam.
E recolhem-se à ociosidade, alegando medo da ação.
Medo de trabalhar.
Medo de servir.
Medo de fazer amigos.
Medo de desapontar.
Medo de sofrer.
Medo de incompreensão.
Medo da alegria.
Medo da dor.
E alcançam o fim do corpo, como sensitivas humanas, sem o mínimo esforço para enlouquecer a existência.
Na vida agarram-se ao medo da morte.
Na morte, confessam o medo da vida.
E a pretexto de serem menos favorecidos pela natureza, transformam-se gradativamente, em campeões da inutilidade e da preguiça.
Se recebeste, pois mais rude tarefa no mundo, não te atemorizes à frente dos outros e faze dela o teu caminho de progresso e renovação. Por mais sombria seja a estrada a que foste conduzido pelas circunstâncias enriquece-a com a luz do teu esforço próprio no bem, porque o medo não serviu como justificativa aceitável no acerto de contas entre o servo e o Senhor.
(De "Relicário de Luz")

Maria Dolores e Francisco Cândido Xavier

A Ponte de Luz


Terminara Jesus a prédica no monte;
Nisso, o apóstolo Pedro se aproxima
E diz-lhe: "Senhor, existe alguma ponte
Que nos conduza ao Alto, ao Céu que brilha muito acima?
Conforme ouvi de tua própria voz,
Sei que o Reino do Amor está dentro de nós...
Mas deve haver, no Além, o País da Beleza,
Mais sublime que o Sol, em fulgor e grandeza...
Onde essa ligação, Senhor, esse divino acesso?"
Jesus silenciou, como entrando em recesso
Da palavra de luz que lhe fluía a jorro...
Circunvagou o olhar pelas pedras do morro
E, depois de comprida reflexão,
Falou ao companheiro: - "Ouve, Simão,
Em verdade, essa ponte que imaginas
Existe para a Vida Soberana,
Mas temos de atingi-la por estrada
Que não é bem a antiga estrada humana."
- "Como será, Senhor, esse caminho?"
Tornou Simão a perguntar.
E Jesus respondeu sem hesitar:
- "Coração que o escolha, às vezes, vai sozinho,
E quase que não tem
Senão renúncia e dor, solidão e amargura...
E com quanto pratique e viva a lei do bem,
Sofre o assédio do mal que o vergasta e procura
Reduzi-lo à penúria e a desfalecimento.
Quem busca nesta vida transitória,
Essa ponte de luz para a eterna vitória
Conhecerá, de perto, o sofrimento
E há de saber amar aos próprios inimigos,
Não contará percalços nem perigos
Para servir aos semelhantes,
Viverá para o bem a todos os instantes
E mesmo quando o mal pareça o vencedor,
Confiando-se a Deus, doará mais amor...
E ainda que a morte, Pedro, se lhe imponha,
Na injustiça ferindo-lhe a vergonha,
Aceitará pedradas sem ferir,
Desculpará injúria e humilhação
Se deseja elevar o coração
À ponte para o Reino do Porvir..."
Alguns dias depois, o Cristo flagelado,
Entregue à própria sorte
Encontrava na cruz o impacto da morte,
Silencioso, sozinho, desprezado...
Terminada que foi a gritaria
Da multidão feroz naquele dia,
Ante o Céu anunciando aguaceiro violento,
Pedro foi ao Calvário, aflito e atento,
Envergando disfarce...
Queria ver o Mestre, aproximou-se
Para sentir-lhe o extremo desconforto...
Simão chorou ao ver o amigo morto.
E ao fitá-lo, magoado, longamente
Ele ouviu, de repente,
Uma voz a falar-lhe das Alturas:
- "Pedro, segue, não temas, crê somente!...
Recorda os pensamentos teus e meus...
Esta cruz que me arrasa e me flagela
É a ponte que sonhavas, alta e bela,
Para o Reino de Deus."

(Do livro “A vida conta”)

Acende a Luz

André Luiz e Francisco Cândido Xavier

Ao longo do caminho em que jornadeias para diante, encontrarás a treva a cercar-te em todos os flancos.
Trevas da ignorância em forma de incompreensão, nevoeiros de ódio em forma de desespero, neblinas de impaciência em forma de lágrimas e sombras de loucura em forma de tentações sinistras.
Acende, porém, a luz da oração e caminha.
A prece é claridade que te auxiliará a ver a amargura das vítimas do mal, as feridas dos que te ofendem sem perceber, as mágoas dos que te perseguem e a infelicidade dos que te caluniam.
Ora e segue, adiante.
O horizonte é sempre mais nobre e a estrada sempre mais sublime, desde que a oração permaneça em tua alma em forma de confiança e de luz.


Livro: Servidores no Além

André Luiz e Francisco Cândido Xavier

Preocupações

Não se aflija por antecipação, porquanto é possível que a vida resolva o seu problema, ainda hoje, sem qualquer esforço de sua parte.
Não é a preocupação que aniquila a pessoa e sim a preocupação em virtude da preocupação.
Antes das suas dificuldades de agora, você já faceou inúmeras outras e já se livrou de todas elas, com o auxílio invisível de Deus.
Uma pessoa ocupada em servir nunca dispõe de tempo para comentar injúria ou ingratidão.
Disse um notável filósofo: " uma criatura irritada está sempre cheia de veneno", e podemos acrescentar: " e de enfermidade também".
Trabalhe antes, durante e depois de qualquer crise e o trabalho garantirá sua paz.
Conte as bênçãos que lhe enriquecem a vida, em anotando os males que porventura lhe visitem o coração, para reconhecer o saldo imenso de vantagens a seu favor.
Geralmente, o mal é o bem mal interpretado.
Em qualquer fracasso, compreenda que se você pode trabalhar, pode igualmente servir, e quem pode servir carrega consigo um tesouro nas mãos.

Irmão José e Carlos A. Baccelli

É Assim

Não disputes com ninguém a primazia da verdade; aliás, com ninguém disputes o menor espaço de chão...
Sob determinada óptica, todos sempre têm determinada dose de razão.
A simples omissão no bem é falta de caráter grave e de consequências imprevisíveis.
Que coisa o magistrado terá efetivamente feito em favor de quem é levado ao banco dos réus?
O médico não se forma para assinar atestados de óbito!
Onde o amor é preterido, o sofrimento aparece.
Aprende a respeitar e amar os teus semelhantes que vivenciam experiências diferentes das tuas.
Muitos percorrem caminhos equivocados para que saibas como evitá-los.
Faze calar em teus lábios a palavra contundente.
Não ridicularizes, não rotules e nem desconsideres o esforço de que procura pelo seu espaço.
É assim que Jesus procede para com todos nós!


(Do livro: “Deus te abençoe!”)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Joanna de Ângelis e Divaldo Pereira Franco

O Poder do Amor


Acredita no amor e vive-o plenamente.
Qualquer expressão de afetividade propicia renovação de entusiasmo, de qualidade de vida, de metas felizes em relação ao futuro.
O amor não é somente um meio, porém o fim essencial da vida.
Emanado pelo sentimento que se aprimora, o amor expressa-se, a princípio, asselvajado, instintivo, na área da sensação, e depura-se lentamente, agigantando-se no campo da emoção.
Quando fruído, estimula o organismo e oferece-lhe reações imunológicas, que proporcionam resistência às células para enfrentar os invasores perniciosos, que são com batidos pelos glóbulos brancos vigilantes.
A força do amor levanta as energias alquebradas, e torna-se essencial para a preservação da vida.
Quando diminui, cedendo lugar aos mecanismos de reação pelo ciúme, pelo ressentimento, pelo ódio, favorece a degeneração da energia vital, preservadora do equilíbrio fisiopsíquico, ensejando a instalação de enfermidades variadas, que trabalham pela consumpção dos equipamentos orgânicos...
Situação alguma, por mais constrangedora, ou desafio, por maior que se apresente, nas suas expressões agressivas, merecem que te niveles à violência, abandonando o recurso valioso do amor.
Competir com os não-amáveis é tornar-se pior do que eles, que lamentavelmente ainda não despertaram para a realidade superior da vida.
Amá-los é a alternativa única à tua disposição, que deves utilizar, de forma a não te impregnares das energias deletérias que eles exalam.
Envolvê-los em ondas de afetividade é ato de sabedoria e recurso terapêutico valioso, que lhes modificará a conduta, senão de imediato, com certeza oportunamente.
O amor solucionará todos os teus problemas. Não impedirá, porém, que os tenhas, que sejas agredido, que experimentes incompreensão, mas te facultará permanecer em paz contigo mesmo.
É possível que não lhe vejas a florescência, naquele a quem o ofertas, no entanto, a sociedade do amanhã vê-lo-á enfrutecer e beneficiar as criaturas que virão depois de ti. E isto, sim, é o que importa.
Quando tudo pareça conspirar contra os teus sentimentos de amor, e a desordem aumentar, o crime triunfar, a loucura aturdir as pessoas em volta, ainda aí não duvides do seu poder. Ama com mais vigor e tranqüilidade, porque esta é a tua missão na Terra - mar sempre.
Crucificado, sob superlativa humilhação, Jesus prosseguiu amando e em paz, iniciando uma Era Nova para a Humanidade, que agora lhe tributa razão e amor.


Livro: Momentos Enriquecedores

Hammed e Francisco do Espírito Santo Neto

Ser Feliz
“... Assim, pois, aqueles que pregam ser a Terra a única morada do homem, e que só nela, e numa só existência, lhe é permitido atingir o mais alto grau das felicidades que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam aqueles que os escutam...”


As estradas que nos levam à felicidade fazem parte de um método gradual de crescimento íntimo cuja prática só pode ser exercitada pausadamente, pois a verdadeira fórmula da felicidade é a realização de um constante trabalho interior.
Ser feliz não é uma questão de circunstância, de estarmos sozinhos ou acompanhados pelos outros, porém de uma atitude comportamental em face das tarefas que viemos desempenhar na Terra.
Nosso principal objetivo é progredir espiritualmente e, ao mesmo tempo, tomar consciência de que os momentos felizes ou infelizes de nossa vida são o resultado direto de atitudes distorcidas ou não, vivenciadas ao longo do nosso caminho.
No entanto, por acreditarmos que cabe unicamente a nós a responsabilidade pela felicidade dos outros, acabamos nos esquecendo de nós mesmos. Como conseqüência, não administramos, não dirigimos e não conduzimos nossos próprios passos. Tomamos como jugo deveres que não são nossos e assumimos compromissos que pertencem ao livre-arbítrio dos outros. O nosso erro começa quando zelamos pelas outras pessoas e as protegemos, deixando de segurar as rédeas de nossas decisões e de nossos caminhos.
Construímos castelos no ar, sonhamos e sonhamos irrealidades, convertemos em mito a verdade e, por entre ilusões românticas, investimos toda a nossa felicidade em relacionamentos cheios de expectativas coloridas, condenando-nos sempre a decepções crônicas.
Ninguém pode nos fazer felizes ou infelizes, somente nós mesmos é que regemos o nosso destino. Assim sendo, sucessos ou fracassos são subprodutos de nossas atitudes construtivas ou destrutivas.
A destinação do ser humano é ser feliz, pois todos fomos criados para desfrutar a felicidade como efetivo patrimônio e direito natural.
O ser psicológico está fadado a uma realização de plena alegria, mas por enquanto a completa satisfação é de poucos, ou seja, somente daqueles que já descobriram que não é necessário compreender como os outros percebem a vida, mas sim como nós a percebemos, conscientizando-nos de que cada criatura tem uma maneira única de ser feliz. Para sentir as primeiras ondas do gosto de viver, basta aceitar que cada ser humano tem um ponto de vista que é válido, conforme sua idade espiritual.
Para ser feliz, basta entender que a felicidade dos outros é também a nossa felicidade, porque todos somos filhos de Deus, estamos todos sob a Proteção Divina e formamos um único rebanho, do qual, conforme as afirmações evangélicas, nenhuma ovelha se perderá.
É sempre fácil demais culparmos um cônjuge, um amigo ou uma situação pela insatisfação de nossa alma, porque pensamos que, se os outros se comportassem de acordo com nossos planos e objetivos, tudo seria invariavelmente perfeito. Esquecemos, porém, que o controle absoluto sobre as criaturas não nos é vantajoso e nem mesmo possível. A felicidade dispensa rótulos, e nosso mundo seria mais repleto de momentos agradáveis se olhássemos as pessoas sem limitações preconceituosas, se a nossa forma de pensar ocorresse de modo independente e se avaliássemos cada indivíduo como uma pessoa singular e distinta.
Nossa felicidade baseia-se numa adaptação satisfatória à nossa vida social, familiar, psíquica e espiritual, bem como numa capacidade de ajustamento às diversas situações vivenciais.
Felicidade não é simplesmente a realização de todos os nossos desejos; é antes a noção de que podemos nos satisfazer com nossas reais possibilidades.
Em face de todas essas conjunturas e de outras tantas que não se fizeram objeto de nossas presentes reflexões, consideramos que o trabalho interior que produz felicidade não é, obviamente, meta de uma curta etapa, mas um longo processo que levará muitas existências, através da Eternidade, nas muitas mo¬radas da Casa do Pai.

Renovando Atitudes

Joanna de Ângelis e Divaldo Pereira Franco

Vingança Alienante

Remanesce, como vestígio do primarismo, em a natureza humana, o
mórbido costume da vingança.
Presença do rancor nos sentimentos asselvajados, programa o desforço
e aguarda o momento para desferir o golpe certeiro contra quem não espera o
atentado vil.
Cavilosamente, o vingador maquina a agressão, comprazendo-se,
antecipadamente, com a surpresa dorida de que será objeto aquele a quem
detesta.
Quando se sente superior em força e oportunidade, esmaga o
adversário, cortando-lhe o passo de acesso a qualquer libertação.
Se é fraco - e todo aquele que se vinga, é doente e frágil - urge
com falsidade a trama que envolverá o desafeto, ferindo-lhe o mais profundo
do ser.
Às vezes fica, a distância, usufruindo o gozo, ante o sofrimento
daquele a quem odeia.
Em circunstâncias diferentes, desnuda o caráter e revela-se ao
tombado, informando-lhe haver produzido o desastre, por tal ou qual motivo,
que traz à tona, alegrando-se com a amargura que vê estampada na face do
vencido.
-*-
A vingança se manifesta, no entanto, de várias outras formas sutis,
não, porém, menos danosas.
Impossibilitada de eliminar o rival diretamente, apunhá-la-lhe a
alma com a calúnia, que ao outro infelicita as horas, trazendo-lhe amargura
e dor;
abre-lhe abismos, mediante a cizânia que o arroja ao poço da
vergonha e da aflição;
prepara armadilhas morais que lhe arruínam a dignidade e lhe
envilecem a conduta;
inspira suspeitas que lhe corroem a estrutura do comportamento,
deixando-o com insegurança e mal-estar;
espreita-lhe o passo e não perde ocasião de o humilhar ou de levá-lo
ao ridículo, sempre encontrando forma de malsinar-lhe as horas...
-*-
A vingança é alta expressão de covardia moral, compreensível e
desculpável por ser reflexo de morbidez e alienação mental, inspirando
piedade em razão dos danos que sobre si mesmo acumula o seu agente.
O vingador é um ser sempre infeliz e atormentado.
Mesmo quando logra o seu intento não se satisfaz, porque se descobre
vazio e sem objetivos.
-*-
Envolve-te na luz da caridade e espraia-a até aqueles que se vingam,
evitando também derrapares, quando ferido, na treva densa da vingança onde o
ódio se homizia e aguarda.

(De "Luz da Esperança")
Paz e Luz

terça-feira, 2 de agosto de 2011

André Luiz e Francisco Cândido Xavier

Comércio e Intercâmbio
O Comércio é também uma escola de fraternidade.
Realmente, carecemos da atenção do vendedor, mas o vendedor espera de nós a mesma atitude.
Diante de balconistas fatigados ou irritadiços, reflitamos nas provações que, indubitavelmente, os constrange nas retaguardas da família ou do lar, sem negar-lhes consideração e carinho.
A pessoa que se revela mal-humorada, em seus contatos públicos, provavelmente carrega um fardo pesado de inquietação e doença.
Abrir caminho, à força de encontrões, não é só deselegância, mas igualmente lastimável descortesia.
Dar passagem aos outros, em primeiro lugar, seja no elevador ou no coletivo, é uma forma de expressar entendimento e bondade humana.
Aprender a pedir um favor aos que trabalham em repartições, armazéns, lojas ou bares, é obrigação.
Evitar anedotário chulo ou depreciativo, reconhecendo-se que as palavras criam imagens e as imagens patrocinam ações.
Zombaria ou irritação complicam situações sem resolver os problemas.
Quando se sinta no dever de reclamar, não faça de seu verbo instrumento de agressão.
O erro ou o engano dos outros talvez fossem nossos se estivéssemos nas circunstâncias dos outros.
Afabilidade é caridade no trato pessoal.

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Auxiliar e Servir

“... e amarás o teu próximo como a ti mesmo”. — Jesus (Lucas, 10:27)

Irmãos!
Quando estiverdes à beira do desânimo porque alfinetadas do mundo hajam ferido o coração; quando o desespero vos ameace, à vista das provações que se vos abatem na senda, reflitamos naqueles companheiros outros que se agoniam, junto de nós, em meio dos espíritos que nos marginam a estrada; nos que foram relegados à solidão sem voz de amigo que os reconforte; nos que tateiam, a pleno dia, ansiando por fio de luz que lhes atenue a cegueira; nos que perderam o lume da razão e se despencaram na vala da loucura; nos que foram arrojados à orfandade quando a existência na Terra se lhes esboça em começo; naqueles que estão terminando a romagem no mundo atirados à ventania; nos que desistiram do refúgio na fé e se encaminham, desorientados, para as trevas do suicídio; nos que se largaram à delinquência comprando arrependimentos e lágrimas na segregação em que expiam as próprias faltas; nos que choram escravizados à penúria, a definharem de inanição!...
Façamos isso e aprenderemos a agradecer a Bondade de Deus que a todos nos reúne em sua bênção de amor, de vez que a melancolia se nos transformará, no ser, em clarão de piedade, ensinando-nos a observar que por mais necessitados ou sofredores estejamos dispomos ainda do privilégio de colaborar com Jesus na edificação do Mundo Melhor, pela felicidade de auxiliar e pelo dom de servir.

(De “Segue-me!...”)

Perdão e Liberdade

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier

Aprendamos a perdoar, conquistando a liberdade de servir.
E imprescindível esquecer o mal para que o bem se efetue.
Onde trabalhas, exercita a tolerância construtiva para que a tarefa não se escravize a perturbações...
Em casa, guarda o entendimento fraterno, a fim de que a sombra não te algeme o espírito ao desespero...
Onde estiveres e onde fores, lembra-te do perdão incondicional, para que o
auxílio dos outros te assegure paz à vida. É indispensável que a compreensão reine hoje entre nós, para que amanhã não estejamos encarcerados na rede das trevas.
A morte não é libertação pura e simples.
Desencarnar-se a alma do corpo não é exonerar-se dos sentimentos que lhe são próprios.
Muitos conduzem consigo, além-túmulo, uma taça de fel envenenado com que aniquilam os melhores sonhos dos que ficaram na Terra, e muitos dos que ficam na Terra conservam consigo no
coração um vaso de fogo vivo com que destroem as melhores esperanças dos que demandam o cinzento portal do túmulo.
Não procures para tua alma o inferno invisível do ódio.
Acomoda-te com o adversário ainda hoje, procurando entendê-lo e servi-lo,
para que amanhã não te matricules em aflitivas contendas com forças ocultas.
Transferir a reconciliação para o caminho da morte é atormentar o caminho da própria vida.
Desculpa sempre, reconhecendo que não prescindimos da paciência alheia.
Nem sempre somos nós a vítima real, de vez que, por atitudes imanifestas, induzimos o próximo a agir contra nós convertendo-nos, ante os tribunais da Justiça Divina, em autores, intelectuais dos delitos que passamos a lamentar indebitamente diante dos outros.
Toda intolerância é violência.
Toda dureza espiritual é crueldade.
Quase sempre, a crítica é corrosivo do bem, tanto quanto a acusação
habitualmente, é um chicote de brasas.
E sabendo que encontraremos na estrada a projeção de nós mesmos, conservemos o perdão por defensor de nossa liberdade, ajudando agora para que não sejamos desajudados depois.

Livro: "Trevo de Idéias"
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