segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Joanna de Ângelis e Divaldo Pereira Franco

A Ponte
Entre os que se filiaram a Doutrina Espírita, muitos se mantém na retaguarda.
Tomaram contato, porem não puderam acompanhar o ritmo que a renovação impunha.
Enquanto os Sábios Mensageiros, à maneira de narradores de histórias, falavam das construções celestes, eles se detinham extasiados. Compraziam-se na expectativa de triunfos fáceis, antevendo-se coroados de êxitos nas lutas do caminho comum sem qualquer esforço nobre.
Supunham que o Espiritismo fosse apenas uma Doutrina Consoladora, cujo mister se resumisse na coleta de náufragos e mendigos para os alentar, enxugando-lhes as lágrimas sem qualquer compromisso com o trabalho e o sacrifício, em cujas diretivas o homem se integra no movimento libertador de consciências.
Esqueceram-se de que a morte física não é o fim.
Além do sepulcro, olvidaram, que não há repouso nem paraíso, senão para quem converteu a própria paz em paz para outros, e dirigiu a felicidade pessoal para a felicidade de todos.
Depois da morte, constatarão, não existem soluções definitivas para problemas que a reencarnação não solveu.
A Terra é o grande campo de realizações, aguardando a dedicação dos lidadores da esperança, do bem e da verdade.
Ninguém a deixará, em liberdade, mantendo compromissos com a retaguarda.
Os que ficaram atrás preferiram o céu fantasioso da ilusão.
Fizeram-se apologistas do heroísmo de mão beijada, e pretendiam a glória de um trabalho apanagiado por padrinhos terrenos, passageiros detentores de prestígio social e político.
Deixaram à margem os problemas gigantes que defrontarão mais tarde complicados e insolúveis.
Tentaram o recuo à hora do avanço e se detiveram a distância...
Não os incrimines nem os lamentes.
São almas fracas, incapazes de uma resistência maior.
A vida, a grande mestra, paulatinamente, com mãos de mãe gentil e devotada, conduzi-los-á de retorno à realidade da qual ninguém foge impunemente.
Segue adiante porem.
Esquece a fantasia das narrativas atraentes e enfrenta o campo que se desdobra, necessitado.
Aqui concede a bênção de uma fonte, e o deserto se converterá em jardim.
Ali remove o charco, e o pântano se transformará em fácil acesso para homens e animais.
Fase o bem em toda parte com as mãos e o coração, orando e esclarecendo, afim de que o trabalho da verdade fulgure em teus braços como estrelas luminescentes em forma de mãos.
E ligado aos Espíritos da Luz, construirás, com o suor e o esforço incessante, enquanto na carne, a ponte sobre o abismo, pela qual atravessarás, em breve, formoso e deslumbrado, em busca dos amores felizes que te aguardam, jubilosos, "do outro lado".

Livro: Messe de Amor.

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