terça-feira, 27 de setembro de 2011

Fugas e Realidade

Graças ao processo da individualização do ser, superando as etapas
primárias, na fase animal, o predomínio do ego desempenhou papel de
primordial importância, trabalhando-o para vencer o meio hostil e os demais
espécimes, usando a inteligência e o raciocínio como forças que o tornavam
superior, deixando os remanescentes da falsa condição de dominador do meio
ambiente e de tudo quanto o cerca.
Como conseqüência, passou a acreditar que também poderia dominar o
corpo, estabelecendo suas metas sem lembrar-se da transitoriedade e da
fragilidade da maquinaria orgânica.
Impossibilitado de governá-lo, quanto gostaria, já que o organismo tem as
suas próprias leis, que independem da consciência, como a respiração, a
circulação, a digestão, a assimilação e outras, esses fenômenos ferem-lhe o
egotismo e levam-no, não raro, a estados depressivos perturbadores.
A mente, encarregada de proceder ao comando, experimenta então um
choque com os equipamentos que direciona, em razão de ser metafísica,
enquanto esses são de estrutura física, portanto, ponderáveis.
Ante a impossibilidade de exercer o seu predomínio total sobre o corpo, o
ego estabelece mecanismos patológicos inconscientes de depressão,
desejando extinguir aquilo que o impede de governar soberano. Trata-se de
uma forma de autopunição, porquanto, dessa maneira, se realiza interiormente.
Como, porém, a mente não depende do corpo, quando esse sobrevive à patologia
autodestrutiva, o ego esmaece e abrem-se perspectivas de ampliação
dos sentimentos, como altruísmo, fraternidade, interesse pelos demais.
O egoísmo é invejoso, porque aspirando tudo para si, lamenta o prejuízo
de não conseguir quanto gostaria de deter, e por isso, inveja o corpo que não
se lhe submete, preferindo matá-lo, na insânia em que se debate.
Lutar pela sobrevivência é tarefa específica da mente, entre outras, com
objetivo essencial de tudo empenhar por consegui-lo. Por isso, logra superar as
injunções egotistas e ampliar o sentido e o significado da vida.
O ser humano está fadado à glória solar, acima das vicissitudes, às quais
se encontra submetido momentaneamente, como resultado do seu processo
evolutivo, que o domina em couraças, de que se libertará, a pouco e pouco,
utilizando-se dos recursos bioenergéticos e outros que as modernas ciências
da alma lhe colocam ao alcance, ajudando-o no crescimento interior e na conquista
do super-ego.

Amor, imbatível amor
Joanna de Angellis / Divaldo Pereira Franco

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