terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Ante ofensas

“Porque vos digo que se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus,
jamais entrareis no Reino dos Céus.” – Jesus. (Mateus, 5:20.)


A fim de atender à recomendação de Jesus – “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” - , não te colocarás tão-somente no lugar do irmão necessitado de socorro material para que lhe compreendas a indigência com segurança; situar-te-ás também na posição daquele que te ofende para que lhe percebas a penúria da alma, de modo a que lhe estendas o concurso possível.
Habitualmente aquele que te fere pode estar nos mais diversos graus de dificuldades e perturbação.
Talvez esteja:
no clima de enganos lastimáveis dos quais se retirará, mais tarde, em penosas condições de arrependimento;
sofrendo a pressão de constrangedores processos obsessivos;
carregando moléstias ocultas;
evidenciando propósitos infelizes sob a hipnose da ambição desregrada, de que se afastará, um dia, sob os desencantos da culpa;
agindo com a irresponsabilidade decorrente da ignorância;
satisfazendo a compulsões da loucura ou procedendo sem autocrítica, em aflitivo momento de provação.
Por isso mesmo, exortou-nos Jesus a amar os inimigos e a orar pelos que nos perseguem e caluniam. Isso porque somos inconseqüentes toda vez que passamos recibo a insultos e provocações com os quais nada temos que ver.
Se temos o espírito pacificado no dever cumprido, a que título deixar a estrada real do bem, a fim de ouvir as sugestões das trevas nos despenhadeiros do mal? Além disso, se estamos em paz, à frente de irmãos nossos, envolvidos em sombra ou desespero, não seria justo nem humano agravar-lhes o desequilíbrio com reações impensadas, quando os sãos, perante Jesus, são chamados a socorrer os doentes, com a sincera disposição de compreender e servir, aliviar e auxiliar.

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