terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cruz e Cristo

Discípulos sinceros do Evangelho acreditam, na atualidade, que a simbologia do instrumento no qual Mestre padeceu no Orbe, oferecendo-nos o máximo testemunho de amor, não mais tem razão de ser evocado, não merecendo maiores considerações.
Não obstante, a cruz permanece como o ômega de qualquer compromisso para com a Verdade, enquanto se transita na Terra.
Antes dEle, era a expressão máxima do desprezo a que se relegavam as vidas que ali finavam.
Ladrões e assassinos, delinquentes em geral sofreram-lhe a imposição sob o escárneo das massas açodadas pelo ódio e comandadas por interesses inferiores dos quais não se podiam liberar...
Ele também sofreu a zombaria e o desprezo do poviléu açulado pelos agentes da loucura, todavia, o seu era o crime de amar a criatura, que assim mesmo o hostilizou.
Depois dEle, as duas traves emolduraram-se de fulgurante luz que atrai quantos sentem a necessidade de crescer, imolando-se em gesto de amor.
Certamente, que já não se levantam cruzes nos montes das cidades modernas, alucinadas pelas paixões desgovernadas; apesar disso, não são poucos aqueles que se entregam em holocausto pelo Cristo, em cruzes invisíveis, incontáveis.
Ei-los, atados à renúncia, abraçando a abnegação em clima de doação total;
são inumeráveis aqueles que se deixaram cravejar nos madeiros da humildade, não revidando mal por mal, incompreendidos, mas ajudando, perseguidos, entretanto, desculpando;
estão milhares carregando cruzes não identificadas de sacrifício pessoal pela Causa do Cristo, sem darem importância aos transitórios valores terrenos;
sorriem incontáveis espalhando esperança e otimismo, sob cruzes de dores sem nome, não conduzindo queixas nem desanimando nunca;
cruzes que surgem como enfermidades soezes, que dilaceram as carnes da alma, enquanto consomem o corpo;
cruzes de calúnias bem urdidas, que são suportadas com esforços hercúleos;
cruzes outras em forma de prazeres não fruídos, que se transformam em labores em favor dos outros;
cruzes pesadas, na representação de expiações redentoras como de provações lenificadoras, favorecendo o futuro da própria criatura...
Essas são as cruzes que o amor transforma em estrada luminosa, concedendo as asas para a angelitude.
Há, também, as cruzes a que muitos homens espontaneamente se prendem e experimentam o flagício que elegem, sem qualquer conquista de bênçãos.
Com os cravos do egoísmo fixam-se as traves fortes dos vícios e das paixões infelizes de que somente a penates de dor e desespero, em largo prazo se desprendem, para, então, tomarem a cruz de triunfo.
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo — acentuou o Cristo — tome a sua cruz e siga-me”. Mateus: 16-24.
O Cristo e a Cruz do amor são os termos sempre atuais da equação da vida verdadeira, sem os quais o homem não logrará a Liberdade.

Bezerra de Menezes
(De "Terapêutica de Emergência", de Divaldo P. Franco – Diversos Espíritos).

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