terça-feira, 22 de maio de 2012

Companheiros vacilantes

Nas ocasiões de crise espiritual, será talvez a fé aquela qualidade mais intensamente examinada no âmago das criaturas.
Se conservas contigo os valores da confiança, habilita-te a servir e a suportar.
Quando a guerra se manifesta no plano físico, embora a característica sempre lamentável que assume, os resquícios de animalidade ainda arquivados em nós outros — os espíritos em evolução na Terra — desbordam da personalidade, estendendo as ruínas que nos atestam a inferioridade.
No entanto, nos embates íntimos, quando as nossas concepções e pontos de vista se entrechocam, adentro da própria alma, tremem as forças em que se nos estrutura o teto mental e nem todos contam com a energia suficiente para se garantirem na própria segurança.
Estabelecido o desequilíbrio das ideias e emoções que nos registram o modo de ser, surgem aos montes aqueles que se marginalizam em desalento e ceticismo, ante as lutas de que se sentem objeto no círculo de negações que se lhes afiguram irreversíveis, associando-se-nos aos desajustes, como que no propósito de ampliá-los.
Esse padeceu desilusões com afetos que lhe eram extremamente queridos e caiu em desconfiança pela impossibilidade de sustentar a própria fé, acima das contingências e fragilidades humanas; aquele entrou em tribulações no lar e bandeou-se para a descrença, admitindo-se sem necessidade de lágrimas em favor do próprio burilamento; outro varou empeços que lhe pareceram humilhações, estirando-se espiritualmente em desespero e revolta, por desconhecer-lhes a função educativa; e outros muitos, mergulhados na saudade dos entes queridos que os precederam na Grande Mudança, se fixam em pessimismo e negação ante as sugestões da morte, sem recursos para encontrarem na morte o renascimento da vida.
Onde encontres os nossos irmãos caídos em descrença e desânimo, compadece-te deles.
São companheiros que adoeceram de angústia, sob o impacto da renovação apressada imposta pela própria vida nos tempos de crise espiritual.
Ao invés de acusá-los, estende-lhes braços amigos a fim de que se refaçam.
E mesmo que te recusem o apoio fraterno, alucinados ou desfalecentes de dor, que muitos deles se encontram, abençoa-os com a prece de simpatia e continua para diante, nas tarefas nobilitantes que a existência te deu.
Eles todos são enfermos queridos que se magoaram na batalha da evolução e se localizam nas retaguardas do serviço, para as quais as ambulâncias do socorro de Deus, se ainda não chegaram, estão inevitavelmente a caminho.

Emmanuel
(De “Seguindo juntos”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos)

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