sexta-feira, 29 de junho de 2012

Falibilidade

Ante as devastações do mal, apóia o trabalho que objetive o retorno ao bem.
Até que o espírito se integre no Infinito Amor e na Sabedoria Suprema, em círculos de manifestação que, por agora, nos escapam ao raciocínio, a falibilidade é compreensível, no campo de cada um, tanto quanto o erro é natural no aprendiz em experiência na escola.
A educação não forma autômatos.
A Ordem Universal não cria fantoches.
*
Onde haja desastre, auxilia a restauração.
Mobiliza as forças de que dispões, sanando os desequilíbrios, ao invés de consumir ação e verbo, atitude e tempo, grafando a veneno o labéu da censura.
Anotaste lances calamitosos nos delitos que o tribunal terrestre não é capaz de prever ou desagravar.
Viste homens e mulheres, cercados de apreço público, aniquilarem existências preciosas, derramando o sangue de corações queridos em forma de lágrimas; surpreendeste cidadãos abastados e aparentemente felizes, que humilharam os próprios pais, reduzindo-os à extrema pobreza, ao preço de documentos espúrios; assinalaste pessoas açucaradas e sorridentes que induziram outras ao suicídio e à criminalidade, sem que ninguém as detivesse; identificaste os que abusaram do poder e do ouro, erguendo tronos sociais para si próprios, à custa do pranto que fizeram correr, muitas vezes com o aplauso dos melhores amigos, e conheceste carrascos de olhos doces e palavras corretas que escamotearam a felicidade dos semelhantes, abrindo as portas do hospício ou da penitenciaria para muitos daqueles que lhes confiaram os tesouros da convivência, sem que o mundo os incomodasse.
Apesar disso, não necessitas enlamear-lhes o nome ou incendiar-lhes a senda. Todos eles voltarão ao quadro escuro das faltas cometidas, através de continuadas reencarnações, em dificuldades amargas, nos redutos da prova, a fim de lavarem a consciência.
*
Se a maldade enodoa essa ou aquela situação, faze o melhor que possas para que a bondade venha a surgir.
Segue entre os homens, abençoando e ajudando, ensinando e servindo...
Todas as vítimas das trevas serão trazidas à luz e todos os caídos serão levantados, ainda que, para isso, a espoja do sofrimento tenha de ser manejada pelos braços da vida, em milênios de luta. Isso porque as Leis Divinas são de justiça e misericórdia e a Providência Inefável jamais decreta o abandono do pecador.

(De “Justiça Divina”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Vingança alienante

Remanesce, como vestígio do primarismo, em a natureza humana, o mórbido costume da vingança.
Presença do rancor nos sentimentos asselvajados, programa o desforço e aguarda o momento para desferir o golpe certeiro contra quem não espera o atentado vil.
Cavilosamente, o vingador maquina a agressão, comprazendo-se, antecipadamente, com a surpresa dorida de que será objeto aquele a quem detesta.
Quando se sente superior em força e oportunidade, esmaga o adversário, cortando-lhe o passo de acesso a qualquer libertação.
Se é fraco — e todo aquele que se vinga, é doente e frágil — urge com falsidade a trama que envolverá o desafeto, ferindo-lhe o mais profundo do ser.
Às vezes fica, a distância, usufruindo o gozo, ante o sofrimento daquele a quem odeia.
Em circunstâncias diferentes, desnuda o caráter e revela-se ao tombado, informando-lhe haver produzido o desastre, por tal ou qual motivo, que traz à tona, alegrando-se com a amargura que vê estampada na face do vencido.
A vingança se manifesta, no entanto, de várias outras formas sutis, não, porém, menos danosas.
Impossibilitada de eliminar o rival diretamente, apunhá-la-lhe a alma com a calúnia, que ao outro infelicita as horas, trazendo-lhe amargura e dor;
abre-lhe abismos, mediante a cizânia que o arroja ao poço da vergonha e da aflição;
prepara armadilhas morais que lhe arruínam a dignidade e lhe envilecem a conduta;
inspira suspeitas que lhe corroem a estrutura do comportamento, deixando-o com insegurança e mal-estar;
espreita-lhe o passo e não perde ocasião de o humilhar ou de levá-lo ao ridículo, sempre encontrando forma de malsinar-lhe as horas...
A vingança é alta expressão de covardia moral, compreensível e desculpável por ser reflexo de morbidez e alienação mental, inspirando piedade em razão dos danos que sobre si mesmo acumula o seu agente.
O vingador é um ser sempre infeliz e atormentado.
Mesmo quando logra o seu intento não se satisfaz, porque se descobre vazio e sem objetivos.
Envolve-te na luz da caridade e espraia-a até aqueles que se vingam, evitando também derrapares, quando ferido, na treva densa da vingança onde o ódio se homizia e aguarda.

(De “Luz da Esperança”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

terça-feira, 26 de junho de 2012

Laços eternos


A reencarnação estreita os vínculos do amor, tornando-os laços eternos,
pelo quanto faculta de experiência na área da afetividade familiar.
Enquanto as ligações de sangue favorecem o egoísmo, atando as criaturas
às algemas das paixões possessivas, a pluralidade das existências ajuda,
mediante a superação das conveniências pessoais, a união fraternal.
Os genitores e nubentes, os irmãos e primos, os avós e netos de uma
etapa trocarão de lugar no grupo de companheiros que se afinam,
permanecendo os motivos e emulações da amizade superior.
O desligamento físico pela desencarnação faz que se recomponham, no
além-túmulo, as famílias irmanadas pelo ideal da solidariedade, ensaiando os
primeiros passos para a construção da imensa família universal.
Quando a força do amor vigilante detecta as necessidades dos corações
que mergulharam na carne, sem egoísmo, pedem aos programadores
espirituais das vidas que lhes permitam acompanhar aqueles afetos que os
anteciparam, auxiliando-os nos cometimentos encetados, e reaparecem na
parentela corporal ou naquela outra, a da fraternidade real que os une e faculta
os exemplos de abnegação, renúncia e devotamento.
*
Este amigo que te oferece braço forte; esse companheiro a quem estimas
com especial carinho; aquele conhecido a quem te devotas com superior
dedicação; estoutro colega que te sensibiliza; essoutro discreto benfeitor da tua
vida; aqueloutro vigilante auxiliar que se apaga para que apareças, são teus
familiares em espírito, que ontem envergaram as roupagens de um pai
abnegado ou de uma mãe sacrificada, de um irmão zeloso ou primo generoso,
de uma esposa fiel e querida ou de um marido cuidadoso, ora ao teu lado,
noutra modalidade biológica e familiar, alma irmã da tua alma, diminuindo as
tuas dores, no carreiro da evolução e impulsionando-te para cima, sem
pensarem em si...
Os adversários gratuitos que te sitiam e perturbam, os que te buscam
sedentos e esfaimados, vencidos por paixões mesquinhas, são, também,
familiares outros a quem ludibriaste e traíste, que agora retornam, necessitados
do teu carinho, da tua reabilitação moral, a fim de que se refaça o grupo
espiritual, que ascenderá contigo no rumo da felicidade.
*
Jesus, mais de uma vez, confirmou a necessidade dessa fusão dos
sentimentos acima dos vínculos humanos, exaltando a superior necessidade
da união familiar pelos laços eternos do espírito. A primeira, fê-lo, ao exclamar,
respondendo à solicitação dos que lhe apontavam a mãezinha amada que O
buscava, referindo-se: — “Quem é minha mãe, quem são meus irmãos, senão
aqueles que fazem a vontade do Pai?” Posteriormente, na cruz, quando
bradou, num sublime testemunho, em resposta direta à Mãe angustiada que O
inquirira: — “Meu filho, meu filho, que te fizeram os homens?” elucidando-a e
doando-a à Humanidade: — “Mulher, eis aí teu filho” — “Filho, eis aí tua mãe”,
entregando-o ao seu cuidado, através de cuja ação inaugurou a Era da
fraternidade universal acima de todos os vínculos terrenos.

Obra: SOS Família
Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira Franco

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Francisco Cândido Xavier

A prece

Faz-se preciso que o homem reconheça a necessidade da luta como a do pão cotidiano.
A crença deve ser a bússola, o farol nas obscuridades que o rodeiem na existência
passageira e a prece deve ser cultivada, não para que sejam revogadas as disposições
da lei divina, mas a fim de que a coragem e a paciência inundem o coração de fortaleza
nas lutas ásperas, porém necessárias.
A alma, em se voltando para Deus, não deve ter em mente senão a humildade sincera na
aceitação de sua vontade superior.

Livro Emmanuel – Emmanuel / Chico Xavier

Quem tem luz

Verdadeiramente feliz é o homem generoso, que do seu celeiro retira grãos e os atira ao solo fértil, para que se multipliquem em bênçãos.
Verdadeiramente feliz é o coração jovial, que enriquecido de luz reparte-a entre aqueles que, teimosamente, permanecem na escuridão.
Felizes somos todos nós porque, ouvindo os reclamos da verdade, resolvemo-nos, em definitivo, empreender a jornada interior na busca da plenitude.
Diante dos compromissos que assumimos com a vida, não podemos esquecer da retaguarda, onde se encontram os desassisados e infelizes, em guerra contínua, conspirando e atuando contra as aspirações elevadas das demais criaturas humanas.
Entendendo esse grave problema, resolvemo-nos diminuir a gravidade da ocorrência e, no silêncio das salas mediúnicas, estamos acendendo lamparinas na grande noite para diminuir a treva, socorrendo os geradores de perturbação.
Não cessemos, pois, de trabalhar, nem permitamos que os impedimentos normais constituam empeços na busca da meta que temos à frente.
Jesus conta conosco e é necessário que sigamos fazendo luz.
Verdadeiramente feliz, é aquele que já tem luz.

João Cléofas
Do livro “Suave luz nas sombras”
Psicografia de Divaldo Pereira Franco

sábado, 23 de junho de 2012

O olhar de Jesus


Recordemos o olhar compreensivo e amoroso de Jesus, a fim de esquecermos a viciosa preocupação com o argueiro que, por vezes, aparece no campo visual dos nossos irmãos de experiência.
O Mestre Divino jamais se deteve na faixa escura dos companheiros de caminhada humana.
Em Bartimeu, o cego de Jericó, não encontra o homem inutilizado pelas trevas, mas sim o amigo que poderia tornar a ver, restituindo-lhe, desse modo, a visão que passa, de novo, a enriquecer-lhe a existência.
Em Maria de Magdala, não enxerga a mulher possuída pelos gênios da sombra, mas sim a irmã sofredora e, por esse motivo, restaura-lhe a dignidade própria, nela plasmando a beleza espiritual renovada que lhe transmitiria, mais tarde, a mensagem divina da ressurreição.
Em Zacheu, não identifica o expoente da usura ou da apropriação indébita, e sim o missionário do progresso enganado pelos desvarios da posse e, por essa razão, devolve-lhe o raciocínio à administração sábia e justa.
Em Simão Pedro, no dia da negação, não se refere ao cooperador enfraquecido, mas sim ao aprendiz invigilante, a exigir-lhe compreensão e carinho, e por isso transforma-o, com o tempo, no baluarte seguro do Evangelho nascente, operoso e fiel até o martírio e a crucificação.
Em Judas, não surpreende o discípulo ingrato, mas sim o colaborador traído pela própria ilusão e, embora sabendo-o fascinado pelas honrarias terrestres, sacrifica-se, até o fim, aceitando a flagelação e a morte para doar-lhe o amor e o perdão que se estenderiam pelos séculos, soerguendo os vencidos e amparando a justiça das nações.
Busquemos algo do olhar de Jesus para nossos olhos e a crítica será definitivamente banida do mundo de nossas consciências, porque, então, teremos atingido o Grande Entendimento que nos fará discernir em cada companheiro do caminho, ainda mesmo quando nos mais inquietantes espinheiros do mal, um irmão nosso, necessitado, antes de tudo, de nosso auxílio e de nossa compaixão.

(De “Viajor”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Quando a compreensão estiver conosco

Quando a compreensão estiver em nossos olhos, fixaremos na cicatriz do próximo a dificuldade respeitável de um irmão.
*
Quando a compreensão morar em nossos ouvidos, receberemos a injúria e a maldade, nelas sentindo o incêndio e o infortúnio que ainda lavram no espírito daqueles que nos observam, sem exato conhecimento.
*
Quando a compreensão se nos aninhar no próprio verbo, o falso julgamento surgirá, junto de nós, por enfermidade lamentável, de quem nos procura, e saberemos fazer o silêncio bendito com que se possa, tanto quanto possível, impedir a extensão do mal.
*
Quando a compreensão se nos associar ao raciocínio, identificaremos nos pensamentos infelizes a deplorável visitação da sombra, diante da qual acenderemos a luz da fé para a justa resistência.
*
Quando a compreensão clarear-nos o sentimento, a rigidez espiritual jamais encontrará guarida em nós outros, porque o calor da benevolência irradiar-se-nos-á do espírito, estimulando a alegria dos bons e reduzindo a infelicidade dos companheiros que ainda se confiam à ignorância.
*
Quando a compreensão brilhar em nossas mãos, a preguiça não nos congelará a boa vontade e aproveitaremos as mínimas oportunidades do caminho para as tarefas do amor que o Mestre nos legou.
*
“Bem-aventurados os limpos de coração!” — proclamou o Excelso Amigo.
Sim, bem-aventurados os que esposam o bem para sempre, porque semelhantes trabalhadores da luz sabem converter a treva em claridade, os espinhos em flores, as pedras em pães e a própria derrota em vitória, criando invariavelmente o Céu onde se encontram e apagando os variados infernos que a ignorância inflama na Terra para tormento da vida.

(De “Luz e Vida”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Todos são importantes

Somos iguais perante a seara, porque somos todos iguais perante o Senhor da Seara. Deus não faz acepção de pessoas, nem de posições e muito menos de instituições. O item 5 do capítulo XX de O Evangelho Segundo o Espiritismo estabelece esta condição essencial: “Felizes os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse e movidos apenas pela caridade”. Emmanuel conclui a sua mensagem lembrando “que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus”.
Querer que não haja discordâncias entre os que trabalham na divulgação e na sustentação da Doutrina seria acalentar quimeras. Cada consciência humana, como ensina Hubert, é um ponto na correnteza da duração. Cada um de nós está colocado num ângulo determinado do eterno fluir da realidade. Cada qual, portanto, tem a sua maneira própria de ver as coisas.
O Espiritismo nos ensina que nos completamos uns aos outros pelas nossas diferenças. Mas se diferimos nos acessórios, concordamos sempre no essencial. Por isso mesmo a caridade – que é o amor em ação – deve eliminar as arestas do nosso personalismo, ensinando-nos que todos somos importantes na busca e na conquista da verdade.
Claro que não devemos concordar com tudo e tudo aprovar em silêncio, pois a tolerância de acomodação equivale a cumplicidade com o erro. A crítica maldosa e orgulhosa, que condena tudo o que é feito pelos outros, é a negação da caridade. Mas ai de nós se suprimirmos a crítica do meio espírita! Porque é ela, quando sensata e sincera, a prática da vigilância que Jesus ensinou e Paulo exemplificou. Como utilizar o “crivo da razão”, de que nos fala Kardec, se abdicarmos do direito de pensar, que mais do que um direito é um supremo dever do espírito?
Quando Emmanuel diz: “Guiar-se pela misericórdia e não pela crítica” está se referindo à crítica negativa que nasce do orgulho e não à crítica positiva que brota espontânea e necessária do julgamento imparcial e fraterno, objetivando corrigir e portanto ajudar. O lema “valorizar o esforço alheio” não implica a valorização dos erros e dos enganos do próximo, mas o reconhecimento dos esforços feitos por todos a favor da causa comum. Todos precisamos de misericórdia, mas a misericórdia, como Deus nos mostra em sua lei de ação e reação, não é a aprovação de erros e ilusões – e sim a correção e o esclarecimento.

(Obra: Astronautas do Além - Chico Xavier / J. Herculano Pires)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Tristeza perturbadora

Conquanto brilhe o sol da oportunidade feliz, abrindo campo para a ação e para a paz, a sombra teimosa da tristeza envolve-te em injustificável depressão.
Gostarias de arrancar das carnes da alma este espinho cravado que te faz sofrer, e, por não o conseguires, deixas-te abater.
Conjecturas a respeito da alegria, do corpo jovem, dos prazeres convidativos, e lamentas não poder fruir tudo quanto anelas.
A tristeza, porém, é doença que, agasalhada, piora o quadro de qualquer aflição.
A sua sombra densa altera o contorno dos fatos e das coisas, apresentando fantasmas onde existe vida e desencanto no lugar em que está a esperança.
Ela responde pela instalação de males sutis que terminam por desequilibrar o organismo físico e a maquinaria emocional.
Luta contra a tristeza, reeducando-te mentalmente.
Não dês guarida emocional às suas insinuações.
Ninguém é tão ditoso quanto supões ou te fazem crer.
A Terra é o planeta-escola de aprendizes incompletos, inseguros.
A cada um falta algo, que não conseguirá conquistar.
Resultado do próprio passado espiritual, o homem sente sempre a ausência do que malbaratou.
A escassez de agora é conseqüência do desperdício de outrora.
A aspiração tormentosa é prova a que todos estão submetidos, a fim de que valorizem melhor aquilo de que dispõem e a outros falta.
Lamentas não ter algo que vês noutrem, todavia, alguém ambiciona o que possuis e não dás valor.
Resigna-te, pois, e alegra-te com tudo quanto te enriquece a existência neste momento.
Aprende a ser grato à vida e àqueles que te envolvem em ternura, saindo da tristeza pertinaz para o portal de luz, avançando pelo rumo novo.
Jesus, que é o "Espírito mais perfeito" que veio à Terra, sem qualquer culpa, foi incompreendido, embora amando; traído, apesar de amar, e crucificado, não obstante amasse...
Desse modo, sorri e conquista o teu espaço, esquecendo o teu espinho e arrancando aquele que está ferindo o teu próximo.
Oportunamente, descobrirás que, enquanto te esqueceste da própria dor, lenindo a dos outros, superaste-a em ti, conseguindo a plenitude da felicidade, que agora te rareia.

Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Agradecimento


Na vida terrestre, bem podemos entender que toda a relação entre os seres e o Criador da Vida é demarcada pelo fenômeno do agradecimento.
A natureza sabe ser grata pelas ofertas do Criador, dando aos humanos sublimados exemplos nesse sentido.
O solo costuma agradecer ao Pai do Céu pela confiança do lavrador, quando guarda em seu seio as sementes prenhes dos recursos potencializados do futuro vegetal. O agradecimento do solo, assim, é a promoção da germinação da semente aninhada sob sua calidez.
O vegetal agradece a Deus enfeitando-se de flores, muitas vezes detentoras de raros perfumes e de cores exóticas. As flores, por sua vez, agradecem a ramagem que as sustenta, homenageando a vida com a oferta de seus frutos.
A brisa rende graças ao Senhor por poder movimentar-se, celeremente, em todo lugar, e, por isso beija as florações, refrescando-as, carinhosamente. As florações são agradecidas à brisa refrescante embalsamando-a com seu perfume.
A corrente fluvial agradece pelo leito em que se estira, no seu rumo para o mar, fertilizando as suas margens, que se tornam áreas abençoadas pela fertilidade.
As aves são gratas à vida e, por isso, emitem seu mavioso canto, enchendo de sonora harmonia seus espaços.
O Sol é reconhecido ao Criador por sua natureza estelar, e, por esse motivo, além de projetar seu brilho sobre o corpo lunar, opaco, tornando-o formidável lâmpada que derrama prata sobre a imensidão, esparge sementes de vida por todos os planetas que se lhe tornaram satélites.
A lua se mostra agradecida ao Supremo Pai e coopera grandemente para os movimentos das marés, que, agitando a enorme massa líquida, contribui para o equilíbrio planetário.
Como bem podemos ver, é verdade que tudo se une em agradecimento ao nosso Pai Maior. Cada coisa ou cada ser, a seu modo, sabe ser penhorado.
Pense, então, a respeito das suas relações com a vida e sobre o modo como tem se mostrado grato a DEUS. Importante é que, muito embora possamos orar a DEUS, com entusiasmo ou com tristeza n'alma, no cerne da nossa oração possamos não apenas pedir, mas, também, louvar e agradecer ao Dispensador Absoluto, através de uma existência rica de belezas, plena de construções nobilitantes, para que se estabeleça em cada um de nós a sonhada ventura, patrimônio inalienável de quem aprende a
agradecer pelas bênçãos que recebe a cada momento, contribuindo com os projetos do Pai pelos caminhos do mundo.

(Raul Teixeira / Rosângela)

Divergências

Lembre-se de que as outras pessoas são diferentes e, por isso mesmo, guardam maneiras próprias de agir.
*
Esclarecer à base de entendimento fraterno, sim, polemizar, não.
*
Antagonizar sistematicamente é um processo exato de angariar aversões.
*
Você pode claramente discordar sem ofender, desde que fale apreciando os direitos do opositor.
*
Afaste as palavras agressivas do seu vocabulário.
*
Tanto quanto nos acontece, os outros querem ser eles mesmos na desincumbência dos compromissos que assumem.
*
Existem inúmeros meios de auxiliar sem ferir.
*
Geralmente, nunca se discute com estranhos e sim com as pessoas queridas; visto isso, valeria a pena atormentar aqueles com quem nos cabe viver em paz?
*
Aprendamos a ceder em qualquer problema secundário, para sermos fiéis às realidades essenciais.
*
Se alguém diz que a pedra é madeira, é justo se lhe acate o modo de crer, mas se alguém toma a pedra ou a madeira para ferir a outrem, é importante argumentar quanto à impropriedade do gesto insano.

Livro: Sinal Verde
Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz
CEC - Comunhão Espírita Cristã

domingo, 17 de junho de 2012

A Viagem

O aprendiz chegou ao recanto de antigo orientador da vida cristã e
perguntou, em seguida às saudações costumeiras:
- Instrutor, posso acaso receber as suas indicações quanto ao melhor caminho
para o encontro com Deus?
A resposta do mentor não se fez esperar:
- A viagem para o encontro com Deus é repleta de obstáculos por vencer...
Espinheiros, precipícios, charcos e pedreiras perigosas...
Silenciando o interpelado, o moço prosseguiu:
- Isso tudo conheço... Já visitei vários templos da Índia, quando estive por
vários dias na intimidade de faquires famosos, todos eles revestido de
faculdades supranormais; arrisquei-me a cair nos despenhadeiros do Tibet
para conviver com os monges santos; orei na grande Pirâmide do Egito;
demorei-me na Palestina, procurando registrar impressões da paisagem na qual
Jesus viveu, no entanto, estou saciado de excursões à procura da Divina
Presença...
O orientador escutou com humildade e esclareceu, em seguida:
- Sim, é verdade que todas essas peregrinações e práticas auxiliam na busca
do Supremo Senhor, mas, ao que me parece, há um engano de sua parte...
E arrematou:
- A viagem para o encontro com Deus é para dentro de nós.


(Obra: Agora é o Tempo - Chico Xavier / Emmanuel)

sábado, 16 de junho de 2012

Hoje ou mais além

No ciclo das existências terrenas, muitas vezes teremos o coração ferido
pelas provas do caminho, à maneira de espinhos ferindo a alma.
Para alguns, são os conflitos familiares;
Outros carregam enfermidades difíceis;
Não faltam, ainda, aqueles que padecem perturbações espirituais, escravos
de obsessões pertinazes.
Seja qual for a prova que te assinala a existência, não te afastes de Jesus.
O Evangelho é fonte de água viva, para quem tem sede de consolação, e luz,
para quem busca vencer as sombras da estrada.
Apóia-te na fé e segue adiante, fazendo o melhor ao teu alcance.
Não desanimes, não reclames e não prejudiques ninguém.
Se permaneceres com Jesus, nada poderá te impedir de alcançar a paz,
hoje ou mais além, coroando-te os esforços e a perseverança cristã.

(Obra: Novas Mensagens - Clayton B. Levy/Scheilla)

Lembrança de amigo

Não acredites em facilidades.
Muitas aflições nos fustigam o espírito, diante de nossos próprios caprichos desatendidos.
Não aguardes dinheiro farto ou mesmo excessivo para que te sintas feliz.
Agradece aos Céus a possibilidade de trabalhar, porquanto o trabalho te garantirá a subsistência e a subsistência daqueles corações que se te fazem queridos.
Não esperes a felicidade para que possas realizar os próprios desejos.
A saciedade talvez seja a véspera da penúria, a cujas provações possivelmente não conseguirás resistir.
Não creias que uma personalidade humana, colocada nos píncaros do poder, disponha de recursos para solucionar todos os problemas que te enxameiam a existência.
É provável que essa pessoa, merecidamente importante, esteja carregando um fardo de tribulações mais pesado do que o teu.
Se pretendes viver fora das inquietações do cotidiano, não exijas dos outros aquilo que os outros ainda não possuem para dar.
Se queres viver nas alegrias da consciência tranqüila, auxilia ao próximo o quanto puderes, trabalha sempre e confia em Deus.

Espírito: Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: "Hora Certa" - Edição GEEM

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Leitura da caridade

A caridade não será transmitida através da frase que a ensina, embora devamos a melhor veneração ao verbo edificante...
Não será aprendida tão-somente nas páginas consoladoras da antologia religiosa.
Será lida, acima de tudo, em nossa própria existência.
No lar, o esposo conhecer-lhe-á os princípios na renunciação da companheira, tanto quanto a esposa contemplar-lhe-á a excelsitude na correção irrepreensível do homem que preside a casa. Os filhos observar-lhes-ão os ensinamentos na conduta enobrecedora dos pais e, os familiares, no sentido comum, procurar-lhe-ão o tesouro vivo naquele que fala e se movimento em seu nome.
Nas instituições, os dirigentes identificar-lhe-ão sublimidade na cooperação digna dos subalternos e os que obedecem notar-lhe-ão a grandeza que guardam a autoridade e orientam o serviço.
Não nos esqueçamos de que no lar e na vida pública, todos os que nos cercam esperam de nós a mensagem da caridade, através dos nossos mínimos atos de compreensão, afabilidade, carinho e gentileza...
Nosso coração é diariamente lido pelos outros na palavra que emitimos, na frase que escrevemos, no compromisso que assumimos ou nos gestos que praticamos.
É preciso lembrar, na altura de nossos atuais conhecimentos espiritistas, que não mais nos basta a doação do supérfluo para a revelação da divina virtude, na ordem material da vida.
Recordemos o dever de dar de nós mesmos, com esforço, sacrifício pessoal, disciplina e suor, em nosso relacionamento com os semelhantes, se desejamos assimilar a lição que Jesus nos legou.
Façamos de nossa experiência um livro aberto de amor puro, em que nossos irmãos de caminho possam ler a fraternidade e a cooperação, em todas as nossas obrigações bem cumpridas e a caridade será fulgurante estrela em nosso coração, brilhando para os que convivem conosco e clareando-nos o caminho para a glória da vida eterna.

Emmanuel

(De “Mãos Marcadas”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos)

Pilatos

"Mas entregou Jesus à vontade deles." — Lucas, 23:25

Pilatos hesitava. Seu coração era um pêndulo entre duas forças poderosas...
De um lado, era a consciência transmitindo-lhe a vontade superior dos Planos Divinos, de outro, era a imposição da turba ameaçadora, encaminhando-lhe a vontade inferior das esferas mais baixas do mundo.
O infortúnio do juiz romano foi entregar o Senhor aos desígnios da multidão mesquinha.
Na qualidade de homem, Pôncio Pilatos era portador de defeitos naturais que nos caracterizam a quase todos na experiência em que o nobre patrício se encontrava, mas como juiz, naquele instante, seu imenso desejo era de acertar.
Queria ser justo e ser bom no processo do Messias Nazareno, entretanto, fraquejou pela vontade enfermiça, cedendo à zona contrária ao bem.
Examinando o fenômeno, todavia, não nos move outro desejo senão de analisar nossa própria fragilidade.
Quantas vezes agimos até ontem, ao modo de Pilatos, nas estradas da vida? Imaginemos o tribunal de Jerusalém transportado na osso foro íntimo.
Jesus não se punha contra o nosso exame, mas, esperando pela nossa decisão, aí permanece conosco a Sua ideia Divina e Salvadora.
Qual aconteceu ao juiz, nosso coração transforma-se em pêndulo, entre as exortações da consciência eterna e as requisições dos desejos inferiores.
Quase que invariavelmente, entregamos o pensamento de Jesus às zonas baixas, onde sofre a mesma crucificação do Mestre.
Vemos assim que Pilatos converteu-se em profundo símbolo para a caminhada humana.

(De “Alma e Luz”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Dia-a-dia

Nas curtas viagens do dia-a-dia, todos nós encontramos o próximo, para cuja dificuldade somos o próximo mais próximo.
Imaginemo-nos, assim, numa excursão de cem passos que nos transporte do lar à rua. Não longe, passa um homem que não conseguimos, de imediato, reconhecer.
"Quem será?" — perguntamos em pensamento.
E a Lei de Amor no-lo aponta como alguém que precisa de algo:
se vive em penúria, espera socorro;
se abastado, solicita assistência moral, de maneira a empregar, com justiça, as sobras de que dispõe;
se aflito, pede consolo;
se alegre, reclama apreço fraterno, para manter-se ajustado à ponderação;
se é companheiro, aguarda concurso amigo;
se é adversário, exige respeito;
se benfeitor, requer cooperação;
se malfeitor, demanda piedade;
se doente, requisita remédio;
se é dono de razoável saúde, precisa de apoio a fim de que a preserve;
se ignorante, roga amparo educativo;
se culto, reivindica estímulo ao trabalho, para desentranhar, a benefício dos semelhantes, os tesouros que acumula na inteligência;
se é bom, não prescinde de auxílio para fazer-se melhor;
se é menos bom, espera compaixão, que o integre na divindade da vida.
Ante o ensino de Jesus, pelo samaritano da caridade, poderemos facilmente entender que os outros necessitam de nós, tanto quanto necessitamos dos outros. E, para atender às nossas obrigações, no socorro mútuo, comecemos, à frente de qualquer um, pelo exercício espontâneo da compreensão e da simpatia.
Emmanuel
(De “Caminho Espírita” de Francisco Cândido Xavier – Autores diversos)

Discernir e agir

O tirocínio para discernir o bem do mal, dá a medida do conceito filosófico que cada um abraça; no entanto, só a vivência do bem por eleição espontânea caracteriza o progresso moral do homem.
Medeia um espaço largo de conduta moral entre saber e vivenciar.
*
Conhecer ou discernir o que é de acordo com as leis de Deus daquilo que lhe é contrário, representa uma grande conquista intelectual, cultural; sem embargo, a aplicação do conhecimento na conduta, expressa a verdadeira aquisição desse valor.
*
Em todas as criaturas existe, mesmo que em estado embrionário, o lampejo do que é certo em detrimento daquilo que é errado, exceção feita somente aos portadores de doenças mentais graves.
*
Nas faixas mais primitivas, o homem, por instinto, elabora o seu código de ética, em que os princípios morais constituem a regra básica da sua conduta, do seu bem viver.
Quanto mais avançado em progresso moral o indivíduo, em consequência, mais civilizado se faz.
Não nos referimos à civilidade decorrente dos hábitos adquiridos formalmente, mas daqueles que são conforme as leis do amor, as leis naturais, portanto, as leis de Deus.
Eles se expressam mediante o respeito à vida em todas as suas manifestações, à natureza e à criatura, como efeito compreensível do respeito a Deus, essencial e primeiro em toda e qualquer cogitação.
Quem assim procede torna-se homem de bem, a quem repugna o mal, tudo fazendo por evitá-lo, e, quando não o consegue, minora-lhe os resultados infelizes.
*
Se já podes desculpar o ofensor, estás melhor do que ele.
Desde que perdoas o agressor, te encontras em situação mais confortável do que a dele.
Como procedes com natural correção, enquanto enxameiam as oportunidades do vício e da insensatez possuis a condição moral do bem.
*
Constrangido à luta, porem agindo com benignidade, logras a conduta superior.
*
Repartindo os dons da bondade e expressando-a em forma de generosa cooperação, mediante moedas, esforços pessoais e abnegação desinteressada, já desfrutas da condição intrínseca do bem.
*
O bem não pode ser uma posição decorativa, um adorno da personalidade, e sim uma posição dinâmica, otimista, que muda as estruturas e o comportamento pernicioso que conspira e atua contra as forças vivas e pulsantes da vida.
*
Não te refugies no descuramento infeliz, em relação à tua permanência no mal.
*
Combate com firme decisão o estacionamento no erro, no orgulho, na paixão.
*
Conquista virtudes, mas vence os vícios.
O tempo é precioso contributo para a evolução, que não pode ser malbaratado pela acomodação, nas complexas engrenagens do mal a que te aferras.
*
Sabendo discernir o bem do mal, não relaciones os erros alheios; age com acerto.
*
O problema da consciência é individual. Quando esta se banha da claridade do amor sob a inspiração do bem, faz-se rigorosa para consigo mesma, desculpando os outros, que não dispunham dos valores para o crescimento conforme já ela os possuía, não aplicando a força moral para se promover na escala dos valores legítimos.
*
Identifica, portanto, o bem, vivendo-o e liberando-te do mal.

(De “Viver e amar”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Com fé e ação

Fazendo um balanço dos teus atos, numa tentativa de encontrar as causas do sofrimento, na presente existência e não encontrando razões que as justifiquem, considera a possibilidade das vidas anteriores, nas quais se encontram as gêneses dos teus problemas atuais.
Grande parte das dores que afligem o homem procede da vida presente, como efeito próximo, imediato, dos seus próprios erros.
Outras aflições, porém, aparentemente injustificáveis, na sua explosão rude quão severa, resultam de existências passadas, nas quais foram malogrados ou esquecidos os objetivos nobres da vida.
O trânsito carnal é oportunidade preciosa, que não pode ser desconsiderada, sem graves consequências.
Todos avançamos, no processo da evolução, mediante a aplicação dos recursos de que dispomos.
Ninguém marcha a esmo, sem objetivo.
A tarefa hoje não realizada será retomada à frente; o ministério agora interrompido ressurgirá adiante.
* * *
Não te entregues à revolta sistemática, quando visitado pela dor de qualquer natureza.
Procura, nesta vida, as matrizes do sofrimento, a fim de saná-las, e, se não as encontrares, transfere para a paciência e a resignação o mister de anulá-las, pois que vicejam desde reencarnações transatas.
O que ora sucede teve início antes.
A árvore que ora vês gigantesca, dormia na semente minúscula.
O incêndio voraz que agora domina já vibrava na chama insignificante.
Recorre à calma, quando as tenazes do sofrimento te comprimirem o corpo, o sentimento, a alma...
Evita o conceito derrotista: "Não tenho forças."
Libera-te da posição pessimista: "Nunca sairei desta."
A luta é, também, motivo de progresso, e a dor é o meirinho encarregado de selecionar, ante a cobrança da Vida, os que podem ser promovidos, sem vínculos com a retaguarda.
* * *
Se descobres os fatores atuais dos teus sofrimentos, não te permitas a lamentação inútil nem o arrependimento inconsequente, aquele que auto-aflige e só desequilibra.
Consciente dos erros, reabilita-te, recompõe-te.
Nunca te perguntarão como triunfaste, mas todos te abraçarão quando triunfante.
Se não identificas as causas anteriores das provações que ora experimentas, entrega-te a Deus e expunge todos os torpes deslizes em que tombaste, erigindo em pranto e prece o altar da tua própria vitória.
O Pai confia em ti, de tal forma, que te permite a marcha evolutiva.
Cumpre-te, Nele confiar, avançando e crescendo, até ao momento da tua libertação com fé e ação dignificadora.

(De “Oferenda”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

Tudo são esperanças

Quando os jovens se encontram imantados de saúde, quando os seus lares lhes oferecem todo o conforto necessário, quando a posição dos seus pais lhes assegura uma garantia na sociedade, esses jovens têm grandes esperanças e alimentam tais disposições em tudo o que fazem e vivem, chegando ao ponto de fazerem inveja aos outros, que com eles vivem, nos encontros, nos trabalhos e mesmo nas ruas, quando se sabe de seus arrojados planos para o futuro.
Tudo neles é esperança: saúde, dinheiro, posição. Entretanto, não tanto assim a realidade: mesmo a esperança deve ser educada, para que não tenha vida transitória e cheia de ilusões.
A Esperança verdadeira é o sinal da vida que cresce, com a Fé se expandindo ao infinito. Porém, mesmo a Fé deve ser segura, para encarar, frente a frente, todos os obstáculos, e vencê-los.
Não devemos deixar a abundância do ouro desvirtuar nossas qualidades, ou nossas tendências para o bem. Não devemos permitir que as posições de mando interrompam os nossos dons de servir. Não devemos aquiescer a que o conforto material nos impeça de trabalhar, sempre, na Caridade, pelos processos do Amor. Sabemos e confirmamos que a Esperança é força, sublimada em flor. Não obstante, ela tem que ser dignificada em Cristo para não esperdiçar as suas qualidades, seus valores materiais.
Quase sempre, o espírito encarnado, no momento das duras provas por que todos passam, se permite acometer pelas sombras da dúvida, acerca da continuidade da vida. O temor, geralmente, assoma a sua mente, colocando-a na posição de Pedro, ao negar o próprio Mestre. É por isso que o Senhor recomendou, a todos os seus discípulos, que vigiassem e orassem, pois, em sendo o espírito forte, na carne há fraqueza. O fato é que o reencarnado se encontra cego e surdo, e no meio de vibrações negativas, permanentemente.
Não deves, por conseguinte, alimentar ideias vacilantes a respeito da perpetuidade da vida, ou questionando a Bondade e o Amor de Deus. Estás, meu filho, rodeado de tantos companheiros espirituais, que ser-te-ia difícil de crer; muito mais do que és capaz de imaginar. São testemunhas do que fazes na vida, e cooperadores, senão cireneus do Amor, que te ajudam, em todos os momentos. E nos sofrimentos, muito mais.
Crê que tudo na vida é esperança, se queres fazê-la florir. Os pensamentos são realidades. O que pensas, todos os dias, transmutar-se-á em realidade. As tuas ideias, como as nossas, no Plano Espiritual, acabam materializando tuas aspirações. É comum se falar que bebemos nossos pensamentos e comemos as nossas ideias. E ainda mais: respiramos as nossas emoções. Procura sentir essa verdade e modificar o que pensas, planejas e sentes, para que o Chão de Rosas apareça em teus caminhos.
Com Jesus, tudo é esperança, tudo é paz.

(De “Chão de Rosas”, de João Nunes Maia, pelo Espírito Scheilla)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Simplesmente um sentido

"... Admira-se, por vezes, que a mediunidade seja concedida a pessoas indignas e capazes de fazer mau uso dela...”
“... a mediunidade se prende a uma disposição orgânica da qual todo homem pode estar dotado, como a de ver, de ouvir, de falar..."
(Capítulo 24, item 12.)


Mediunidade é uma percepção mental por meio da qual a alma sutiliza, estimula e aguça seus sentidos, a fim de penetrar na essência das coisas e das pessoas. E uma das formas que possuímos para sentir a vida, é o “poder de sensibilização” para ver e ouvir melhor a excelência da criação divina.
Faculdade comum a todos, é nosso sexto sentido, ou seja, o sentido que capta, interpreta, organiza, percebe e sintetiza os outros cinco sentidos conhecidos.
Nossa humanidade, à medida que aprende a desenvolver suas impressões sensoriais básicas, automaticamente desenvolve também a mediunidade, como conseqüência. Também conhecida como intuição ou inspiração, é ela que define nossa interação com o mundo físico-espiritual.
As reflexões direcionadas para as áreas morais e intelectuais são muito importantes, pois abrem contatos como “perceber” ou com o “captar”, o que nos permite ouvir amplamente as “sonoridades espirituais” que existem nas faixas etéreas, das diversas dimensões invisíveis do Universo.
Por outro lado, a mediunidade nunca deverá ser vista como “láurea” ou “corretivo”, mas unicamente como “receptor sensório” - produto do processo de desenvolvimento da natureza humana.
Foram imensos os tempos da ignorância, em que a ela atribuíam o epíteto de “dádiva dos deuses” ou “barganha demoníaca”; na atualidade, porém, está cada vez mais sendo vista com maior naturalidade, como um fenômeno espontâneo ligado a predisposições orgânicas dos indivíduos.
Ver, todos nós vemos, a não ser que tenhamos obstrução dos órgãos visuais; já as formas de ver são peculiares a cada sensitivo. Escutar é fenômeno comum; no entanto, a capacidade de ouvir além das aparências das coisas e das palavras articuladas é fator de lucidez para quem já desenvolveu o “auscultar” das profundezas do espírito.
Além do mais, a facilidade de comunicação com outras dimensões espirituais não é dada somente aos chamados “agraciados” ou “dignos”, conforme nossa estreita maneira de ver. Como a Natureza Divina tem uma visão igualitária, concedendo a seus filhos, sem distinção, as mesmas oportunidades de progresso, é autêntica a sábia assertiva: “Deus não quer a morte do ímpio”, (1) mas que ele cresça e amadureça dispondo da multiplicidade das faculdades comuns a todos, herança divina do Criador para suas criaturas.
Por isso, encontramo-la nos mais diferentes patamares evolutivos, das classes sociais e intelectivas mais diferenciadas até as mais variadas nacionalidades e credos religiosos. Embora com denominações diferentes, a mediunidade sempre esteve presente entre as criaturas humanas desde a mais remota primitividade.
A propósito, não precisamos ter a preocupação de “desenvolver mediunidade”, porque ela, por si só, se desenvolverá. É imprescindível, entretanto, aperfeiçoá-la e esmerá-la quando ela se manifestar espontaneamente. Nunca forçá-la a “acontecer”, porque, ao invés de deixarmos transcorrer o processo natural, nós iremos simplesmente “fazer força”, ou melhor, “agir improdutivamente”.
Em vista disso, treinamentos desgastantes para despertar em nós “dons naturais” é incoerente. Saber esperar o amadurecimento dos órgãos infantis é o que nos possibilitou ver, falar, andar, ouvir, sentir, saborear ou preferir. Por que então a mediunidade, considerada uma aptidão ontogenética do organismo humano, necessitaria de tantas implicações e imposições para atingir a plenitude?
Aprofundando nossas apreciações neste estudo, encontramos, no “dia de Pentecostes”, (2) uma das maiores afirmações de que são espontâneas as manifestações mediúnicas e de que é natural seu despertar junto aos homens, quando foram desenvolvidas repentinamente as possibilidades psicofônicas dos apóstolos ao pousar “línguas de fogo”, isto é, "mentes iluminadas" sobre suas cabeças, sem que eles esperassem ou invocassem o fenômeno.
A sensibilização progressiva da humanidade é uma realidade. Ela se processa, nos tempos atuais, de maneira indiscutível, pois, em verdade, “o Espírito é derramado sobre toda a carne”, (3) tomando os efeitos espirituais cada vez mais eloqüentes, incontestáveis e generalizados.

(1) Ezequiel 33:11.
(2) Atos 2:1 ao 8.
(3)Atos 2:17.

Renovando Atitudes
Francisco do Espírito Santo Neto
Ditado pelo Espírito Hammed

domingo, 3 de junho de 2012

Viver com alegria

Sauda o dia nascente com alegria de viver aureolada pela gratidão a Deus.
Cada novo dia é abençoada oportunidade de crescimento espiritual e de iluminação interior.
Atravessar o rio dos problemas de uma para a outra margem, onde se encontram as formosas atividades de engrandecimento moral, é a tarefa inteligente da pessoa que anela pela conquista da felicidade.
Quando se abre a mente e o coração à alegria, é possível descobri-Ia em toda parte, bastando olhar-se para a Vida, e ei-la jubilosa...
Quando se adquire a consciência da responsabilidade, de imediato sente-se que se é livre, mas essa liberdade é sempre conquistada pela ação que se converte em bênção de amor.
Somente através do amor perfeito é que o ser humano pode considerar-se realmente livre de todas as amarras, mesmo que essa aquisição seja lograda, de alguma forma, através do sofrimento.
O sofrimento faz mal, no entanto, não é um mal, porque oferece os recursos valiosos para a aquisição do bem permanente.
Eis porque o trabalho de qualquer natureza deve ser realizado com o sentimento de amor, o que equivale a uma postura de liberdade em ação.
Quando o amor não está presente no sentimento, a alegria não se enfloresce, porque permanece sombreada pelas dúvidas e suspeitas, porquanto somente através do amor é que se adquire a perfeição, em face dos mecanismos de ação que movimenta.
Pessoas existem que afirmam não poderem amar porque não compreendem o seu próximo, tendo dificuldade em aceitá-lo conforme é. A questão, no entanto, é mais sutil, e deve ser formulada nos seguintes termos: porque não ama, torna-se difícil compreender, em razão dos caprichos egoísticos que dificultam a bondade em relação aos outros.
Quando o amor se instala, a alegria de viver esplende como resultado da própria alegria de ser consciente.
A alegria não é encontrada em mercados ou farmácias, mas nos recônditos do coração que sente e ama, favorecendo-lhe o surgimento como um contínuo amanhecer.
Basta que se lhe ausculte a intimidade, e ei-la triunfante sobre a noite das preocupações.
Em realidade, viver com alegria não impede a presença dos sofrimentos que fazem parte do processo da evolução. Pelo contrário, é exatamente por serem compreendidos como indispensáveis que proporcionam satisfações e bem-estar.
Sempre que possível expressa a tua alegria de viver.
* * *
Os sentimentos cultivados transformam-se em estímulos para as ações que se materializarão mais tarde.
Se permitires que a tristeza torne-se companheira frequente das tuas emoções, a melancolia em breve estará instalada nos teus sentimentos, tirando a beleza da existência.
Se te apoias à queixa contumaz, a tua será uma conduta amargurada, fazendo-te indisposto e desagradável.
Se optas pelo cultivo de ideais enobrecedores de qualquer natureza, o entusiasmo pela sua preservação fará dos teus dias um contínuo encantamento.
Se tens o hábito de encontrar sempre o melhor, quase invisível ou imperceptível, nos acontecimentos menos felizes, desfrutarás de esperança e de júbilos permanentes.
A existência física não é uma viagem miraculosa ao país da fantasia, mas uma experiência de evolução assinalada por processos de refazimento uns e outros de conquistas inevitáveis, que geram sofrimento porque têm a finalidade de desbastar os duros metais da ignorância e aquecer o inverno do primarismo...
É natural, pois, que a dor seja companheira do viajante carnal.
Quando jovem, tudo são expectativas, ansiedades, incertezas...
Quando na idade madura, a colheita de reflexos da juventude propicia, quase sempre, insatisfações e desencantos.
Quando na velhice, em face do desgaste, o aborrecimento pela perda da agilidade, da memória, da audição, da visão, da facilidade que era habitual, se manifesta...
Sempre haverá motivo para reclamação, porque cada dia tem a sua própria quota de aflição, que deve ser aceita com bonomia e naturalidade.
Com a alegria de viver instalada no imo, sempre haverá uma forma de encarar os acontecimentos, concedendo-lhe validade e dele retirando a melhor parte, como afirmou Jesus, aquela que não lhe será tirada, porque representa conquista inalienável para a mente e para o coração.
Adapta-te, desse modo, às ocorrências existenciais, alegrando-te por estares no corpo, fruindo a oportunidade de corrigir equívocos, de realizar novos tentames, de manter convivências saudáveis, de enriquecimento incessante...
A vida com alegria é, em si mesma, um hino de louvor a Deus.
Não te permitas, portanto, a convivência emocional com as manifestações negativas do caminho por onde transitas.
Observa as margens do teu caminho e rega-as, mesmo que seja com suor e lágrimas, a fim de que as sementes do Divino Amor que se encontram nelas sepultadas, germinem e transformem-se nas flores que adornarão a tua marcha ascensional.
Liberta-te, mesmo que te seja exigido um grande esforço, das heranças primárias, filhas da agressividade, do inconformismo, dos impositivos egoístas que te elegem como especial no mundo, e considera que fazes parte da grande família terrestre, sujeito como todos os demais às injunções dos mecanismos da evolução.
* * *
Alguém que cultiva a alegria de viver já possui um tesouro. Esparze-o onde te encontres e oferta-o a quem se te acerque, tornando mais belo o dia a dia de todos os seres com o sol do teu júbilo.
Se já encontraste Jesus, melhor razão tens para a alegria, porque envolto na Luz do mundo, nenhuma sombra te ameaça.
Serás, ao longo da vilegiatura carnal, o que te faças a cada instante, conforme o és, resultado do que te fizeste.
Alegra-te com a vida que desfrutas e agradece sempre a Deus a glória de saber e de amar para agir com acerto.

Joanna de Ângelis
Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco

Refletindo juntos

Inegavelmente, a preocupação estéril em torno da morte, no Plano Físico, é assunto que se deve arredar das atividades da vida.
Não acontece o mesmo, porém, com relação ao tempo de que a criatura dispõe no espaço limitado da reencarnação.
Reportamo-nos a semelhante contraste para salientar a importância do bem que se deve fazer no quadro das horas.
*
Reflitamos nisso , quanto se te faça possível, não adies a realização dos teus propósitos de tudo ajustar, no próprio caminho, aos imperativos da consciência tranquila e feliz.
*
Se guardas o projeto de construir para auxílio aos pequeninos sofredores, começa amparando a esta ou aquela criança necessitada de apoio.
Se pretendes criar um grande estabelecimento de socorro para as mães desvalidas, principia protegendo alguma de nossas irmãs situadas na maternidade do sacrifício.
Se idealizas a fundação de obras destinadas à assistência em favor de nossos irmãos idosos, do ponto de vista da existência terrestre, inicia-te na sustentação de algum companheiro que o tempo e a doença invalidaram para o trabalho, esquecido nas retaguardas do sofrimento.
Se desejas estender o coração numa dádiva a determinado amigo, faze isso sem delongas.
Se tiveste problemas com a família e te propões a liquidá-los, usa paciência e carinho, empreendendo, para logo, essa iniciativa de pacificação.
Se algum erro, porventura, emerge das tuas experiências pessoais de passados dias, aproxima-te de quantos se consideram teus desafetos e solicita desculpas, ainda que isso te custe desapontamentos e lágrimas.
Através do melhor a realizar, procura paz contigo mesmo.
*
E não creias que a nossa palavra apresente qualquer conteúdo de alarme ou qualquer nota de pessimismo.
Se consegues discernir situações e meditar nas oportunidades de elevação que a existência nos oferta, seja qual seja a idade em que te encontras, no corpo físico, em matéria de fazer todo o bem que a vida espera de ti, podes crer que agora é mais tarde do que pensas.

(De “Confia e segue”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O que convém fazer

"Se alguém dentre os incrédulos vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que for posto diante de vós, sem nada perguntardes, por motivo de consciência".
I Coríntios - Cap. 10, v. 27.


Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convém que sejam feitas. O mundo não poderia ser feito somente com as coisas de que gostas, porque nele vivem bilhões de espíritos reencarnados, com direitos, opiniões e gostos diferentes.
Se uma religião proíbe a carne como alimento, e te convém abster-te de comê-la, faze-o, sem contudo, julgar a quem come, porquanto, em regiões trevosas há muitos vegetarianos e no campo da luz, como servidores fiéis do Cristo, há muitos e muitos que, quando no corpo físico, comiam carne nos seus repastos. Se a vida situou alguém na embriaguez permanente, não desdenhes dele, nem o maltrates, porque muitos dos embriagados, conhecidos como delirantes de vício, modificaram-se com maior rapidez do que muitos que nunca, naquela existência, levaram um copo com álcool aos lábios; mas há também o contrário. Ao conheceres um assassino, não o julgues como pária da sociedade, sem salvação aos olhos de Deus; muitos deles tornar-se-ão espíritos de luz, com pouco tempo; a força da regeneração transmita a ganga da alma em joias preciosas de valores ilimitados, e alguns dos que se consideram portadores das leis ainda viajam nos campos das sombras, sem saberem quando o de que maneira poderão livrar-se delas, mas encontra-se, também, o caso inverso.
Se possuis vultosa fortuna, e com ela movimentas meio mundo, não julgues os que nada têm, acreditando que os pobres o são de tudo, até da graça de Deus; existem muitos que foram pobres na terra, mas a resignação, a humildade, o esforço no bem, mesmo em situação penosa, fizeram-nos chegar à plenitude espiritual; e muitos ricos, que esbanjaram fortunas e mais fortunas no mundo, pensando que continuariam com as mesmas riquezas depois da morte, enganaram-se, sofrendo e chorando no vale das sombras, querendo retornar, sem poder, ao corpo físico, mesmo que seja na miséria, e até mendigando de porta em porta; mas há casos, igualmente, do reverso da medalha. Se observares mulheres que se degradaram mais do que os animais, também não as julgues; ora por elas, porque há casos em que, de uma hora para outra, às vezes às portas da morte física, elas se transformam no coração e, com pouco tempo, estão nas lides do Cristo, não raro ajudando aos próprios julgadores.
Os que se julgaram muito puros vão encontrar dificuldades no mundo espiritual, de ajudarem, qual elas auxiliam, com desembaraço; como há, também, o contrário.
Se a tua consciência julga que não deves fazer determinada coisa, não a faças, mas não queiras distribuir essa regra para as consciências alheias, por não estarem todas as pessoas no mesmo nível espiritual que o teu. Todas as coisas são lícitas, mas nem tudo pode ser feito por todos; cada um faça o que lhe convém fazer, eis a melhor maneira de se viver em paz com a consciência. Muitos dos que vivem distribuindo conselhos a mancheias, vivem em muitos casos, carecendo deles. Não procures ninguém para orientar; caso venham ao teu encontro, faze o que puderes, e cuida de ver o limite de ajudar. A maior ajuda é a que cada um dá a si mesmo. Tolo é aquele que se transforma em espelho, para ver os defeitos dos semelhantes, fazendo-se de magistrado; cuidado, porque alguém pode estar focalizando-o, com o mesmo
interesse.
Jesus já asseverava, há muito tempo, que "não é o que entra pela boca que macula a alma, e sim o que sai do coração". Isso não quer dizer que podes tomar estanho derretido e veneno em altas doses; tudo, como diz o Evangelho, é como convém fazer, nas doses certas; tudo é útil, tanto para o corpo, quanto para as almas; o exagero é que perturba os espíritos, onde estiverem.
As regras evangélicas, somente os espíritos superiores as compreendem e vivem; da sua escala para baixo, tanto a compreensão quanto a vivência são relativas à posição espiritual em que cada um se encontra. Nem Deus, nem Jesus Cristo vai amaldiçoar a quem ainda não conseguiu viver todas as virtudes da Boa Nova; e a tolerância e o amor pregados pelos céus? Isso é o que não falta, porque há milhares de anos os mentores espirituais vêm tendo e continuam a ter para com todos nós; somente o completista vive e prega em verdade o Evangelho.
Porventura podemos exigir de uma criança a mesma coisa que um adulta já aprendeu, em toda sua existência? Seria isso justiça? O que convém fazer é aquilo que podemos realizar. O que nos convém fazer é o que a consciência ditar ou aprovar. O que nos convém fazer é cumprir com os deveres, onde eles nos chamarem. Mas sempre no reto pensar, na reta consciência e no reto proceder. E nunca, mas nunca, esquecer de nos esforçarmos para atingir as culminâncias de todas as virtudes evangélicas, pois é com e através dos próprios esforços, que pisaremos de degrau e galgamos os cimos da superioridade. Mas antes disso acontecer, se alguém te convidar para alguma coisa, sê metódico e prudente, sabendo que tudo é lícito, mas nem tudo convém que seja feito.
"Se alguém dentre os incrédulos vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que for posto diante de vós, sem nada perguntardes, por motivo de consciência".

(De “Alguns ângulos dos ensinos do Mestre”, de João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez)

Uma dívida paga pelo Alto...

José, o irmão de Chico, que fora por muito tempo seu orientador e dirigia as sessões do "Luiz Gonzaga", adoece gravemente, e, sob a surpresa de seus caros entes familiares, desencarna, deixando ao irmão o encargo de lhe amparar a família.
Dias depois, o Chico verifica que o José lhe deixara também uma dívida, pois esquecera de pagar a conta da luz, na importância de onze cruzeiros.
Isto era muito para o pobre Médium, pois no fim de cada mês nada lhe sobrava do ordenado.
Pensativo, sentou-se à soleira da porta de sua casinha rústica e abençoada.
Emmanuel lhe diz:
Não se apoquente, confie e espere...
Horas depois, alguém lhe bate à porta.
Vai ver. Era um senhor da roça.
— O senhor é o seu Chico Xavier?
— Sim. Às suas ordens, meu irmão.
— Soube que seu irmão José morreu. E vim aqui pagar-lhe uma bainha de faca que ele me fez há tempos. E aqui está a importância combinada.
Chico agradeceu-lhe.
E ficando só, abriu o envelope. Dentro estavam onze cruzeiros ... para pagar a luz.
Sorriu, descansado, livre de um peso.
E concluiu para nós: - "Que bela lição ganhei".
E nós: - Também para os que sabem olhar para os lírios dos campos, que não temem o amanhã, porque sabem que ele pertence a Deus.

(De “Lindos casos de Chico Xavier”, de Ramiro Gama)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...