sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Cornélio Pires

Juquinha

Noite alta... Por fora de um telheiro,
O pequeno Juquinha morre ao vento...
Enjeitado e sozinho... Está sedento,
Nas aflições do instante derradeiro.

Lembra os dias de humilde jornaleiro,
Pensa vender notícias ao relento,
Geme e delira, olhando o firmamento.
Nisso, aparece um jovem no terreiro...

Vem de manso e convida: — “Vem, Juquinha!...”
O pobre larga o corpo a que se aninha...
— “Quem é você?” — pergunta, ri-se e chora!...

— “Sou Jesus!...” — diz o moço, ao dar-lhe o braço...
E os dois sobem na luz do imenso espaço,
Numa estrada de lírios cor da aurora”...

(De “Poetas Redivivos”, de Francisco Cândido Xavier – Diversos Espíritos)


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