segunda-feira, 1 de abril de 2013

Contra-sensos

Quando a gota se viu qual uma gema valiosa, na folhagem da primavera, insultou o rio em que se formara: Sai da frente, monstro do chão.
Quando o tronco se agigantou diante do firmamento, blasfemou contra a própria raiz: Não me sujes os pés.
Quando o vaso passou pela cerâmica em que nascera, gritou, irado: Não suporto essa lama.
Quando o ouro se ajustou ao palácio, indagou da terra que o produzira: Que fazes aí, barro sujo?
Quando a seda brilhou na pompa da festa disse à lagarta que lhe dera a existência: Não te conheço larva mesquinha.
Quando a pérola fulgiu, soberana, exigiu da ostra em que se criara: Não te abeires de mim.
Quando o arco-íris se viu admirado, acusou o Sol de que se fizera: Não me roubes a luz.
Copiando esses contra-sensos figurados da Natureza, o homem insensato, quando erguido ao pedestal do orgulho pelos abusos da inteligência, costuma escarnecer de si próprio, afirmando orgulhoso: “A vida é poeira e nada, e Deus é ilusão”.

Emmanuel / Médium Chico Xavier
Livro: Caminho Espírita


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