quinta-feira, 23 de maio de 2013

Lições ocultas

Fruto podre.
Fora pomo disputado, mas estava podre agora.
Transeuntes, ao darem com ele, torciam o nariz.
Censurava-se, à meia voz, a quem havia deixado ali, na rua, semelhante imundície.
Fruto podre gera podridão — diziam homens prudentes.
Mulheres que passavam referiam-se a desleixo.
Crianças aproximavam-se e tocavam-no, de leve, para atirarem com ele, de novo, no chão, com desprezo evidente.
Nem os animais se sentiam tentados a inclui-lo na ração.
Mas veio o lavrador e tomou-o com bondade.
Cortou-lhe os envoltórios, dissecou-lhe os tecidos e apanhou-lhe as sementes, vivas e puras, internando-as no solo...
E, em pouco tempo, árvores vigorosas, nascidas do fruto menosprezado, erguiam-se da terra, carregadas de flores e frutos nutrientes...
*
Nossos erros são também como frutos podres.
Vezes e vezes, quem passa olha para eles com ar de repugnância.
Quem os analisa, quase sempre amaldiçoa ou reprova.
Mas, se lhes buscarmos as lições ocultas, que existem quais as sementes nos frutos deteriorados, com elas construiremos caminhos outros no rumo da perfeição.
Todos somos lavradores da terra de nós mesmos.
E a cultura perfeita de nossas experiências e destinos pede também que plantemos e replantemos.

(De “Bem-aventurados os simples”, de Waldo Vieira, pelo Espírito Valérium)

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