sexta-feira, 17 de maio de 2013

Meimei

"Um dia, a Mulher solitária e atormentada chegou ao Céu e,
rojando-se, em lágrimas, diante do Eterno Pai, suplicou:
- Senhor, estou só! Compadece-te de mim.
Meu companheiro fatigado, cada dia, pede-me repouso e devo velar-lhe o sono!
Quando triunfa no trabalho, absorve-se na atividade mais intensa e, muita vez distraído,
afasta-se do lar, onde volta somente quando exausto, a fim de refazer-se.
Se sofre, vem a mim, abatido buscando restauração e conforto...
Tu, que deste flores ao arvoredo e que abriste as carícias da fonte, no seio escuro e
ressequido do solo, consagras-me, assim, ao isolamento?
Reservaste a Terra inteira ao serviço do homem que se agita, livre e dominador,
sobre montes e vales, e concedes a mim apenas o estreito recinto da casa,
entre quatro paredes, para meditar e afligir-me sem consolo?
Se sou a companhia do homem, que se vale de mim para lutar e viver,
quem me acompanhará na missão a que me destinas?
O Senhor sorriu, complacente, em seu trono de estrelas fulgurantes e,
afagando-lhe a cabeça curvada e trêmula, falou compadecido:
- Dei o mundo ao homem, mas confiarei a vida ao teu coração.
Em seguida colocou-lhe nos braços uma frágil criança.
Desde então, a Mulher fez-se Mãe
e passou a viver plenamente feliz."

Texto: "Mãe"
Do livro: "Antologia Mediúnica"
Psicografia Francisco Cândido Xavier

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