segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Lembrança da caridade


Tanta vez, ei-los à frente,
Os nossos irmãos do mundo,
Face triste, olhar profundo,
Angústia a esconder-se em vão...
Recordam seres estranhos
Em luta desconhecida.
Multidão de alma sofrida,
Tresmalhada na aflição.
Esse nobre companheiro,
Acabrunhado e doente,
Quer trabalho inutilmente,
Precisa de pão no lar...
Mas tendo saúde estreita
Envergonhado, mendiga,
Não encontrou mão amiga
Que lhe pudesse apoiar.
Aquele sofreu pesares,
Que ninguém sabe, nem conta,
Penúria, sarcasmo, afronta
E a força se lhe desfez...
Buscando fuga e veneno
Hoje, o pobre em desalinho,
Chora, largado e sozinho,
Cansado de embriaguez.
Aquela irmã que se mostra
De porte elegante e eleito,
Às vezes, guarda no peito,
As marcas de férrea cruz...
Sob o colo em pedrarias,
Tanta vez em pranto e prece,
O coração lhe parece
Um pouso frio e sem luz.
Aproxima-se mais outra,
Tem mágoa, febre, cansaço,
Traz um filhinho no braço,
Pede o concurso de alguém...
Mãe valorosa e esquecida,
Anjo que chora e vagueia,
Implora à bondade alheia
A proteção que não tem...
Eis, mais além, a criança
Que segue desprotegida,
Flor de esperança e de vida
Despetalando-se al léu...
Urgem outras... Fazem bandos
De promessas desprezadas
À noite, ao vento, às estradas
Sob as lágrimas do Céu...
Enquanto o cérebro fulge
Por tudo aquilo que encerra,
Engradecendo na Terra
A luz dos seus próprios dons...
O coração compreensivo
Sem alarde, sem tumultos,
Louva o brilho dos mais cultos
E aguarda todos os bons.
Há! meus irmãos de caminho,
Que aceitais Jesus por Mestre,
Fitai a casa terrestre
Repleta de som e dor;
Vinde conosco!... Sirvamos,
A caridade no mundo
É o Cristo plantando amor.


Irene de Souza Pinto
(De “União em Jesus”, de Francisco Cândido Xavier – Autores Diversos)

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