quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Mestre dialoga


As ansiedades permaneciam nos corações após os comentários do Mestre.
Um estudante da Verdade, ainda emocionado o inqueriu com respeito:
— Como poderei conceber a pureza de tal forma que reflita a luz divina em meu coração? Vivendo em um planeta sombrio e de dificuldades, onde predomina o mal com o seu séquito de misérias, isto será possível?
O Amigo relanceou o olhar em volta, e notando o desejo de aprender que a indagação despertara em todos, respondeu:
“— O carvão é negro e de aspecto desagradável. A luz solar que o fere, nele não se reflete, embora o penetre. Silenciosamente, no entanto, ele se vai transformando, mudando a constituição até que se converte em um diamante estelar que se deixa atravessar pelo raio luminoso em todas as direções e o devolve iridescente num incêndio fulgurante.
O homem é o Espírito que no seu corpo habita. Lentamente, etapa a etapa reencarnacionista, abandona o limo da terra e se purifica, logrando a transparência para a captação e irradiação do divino pensamento.”

— E a santificação — indagou outro aprendiz interessado — como consegui-la, se a cada instante se cai e o desânimo toma posse da intenção superior?
“— O santo — esclareceu o Sábio — é o combatente que cresceu no solo do erro, libertando-se da escravidão do vício, sem nunca permitir-se desanimar. Quem erra e cai, mas não se dá por vencido, avançando sempre, embora devagar, conquista-se e alcança a vitória total.
Toda marcha resulta dos incontáveis passos que são dados. Ninguém pretenda as alturas sem o esforço da ascensão paulatina.”

— E o paraíso — indagou, ansiosa, uma observadora — é um lugar especial ou não passa de quimera?
“— O paraíso — aclarou o Guru, sem enfado — começa na consciência tranquila, cujos atos estão de acordo com o pensamento reto. Ensejando paz interior irradia-se como bênção e conduz o triunfador a regiões espirituais, nas quais a felicidade é total, e a mente gera, para sua própria sublimação, tudo quanto deseja. Ali não há sombra, nem morte, nem sofrimento, nem ansiedade; só harmonia.”
— Como explicar — adiu, respeitável ancião — a vitória dos maus e o fracasso dos bons, as dores que sofrem os justos e os júbilos que fruem os impiedosos?
O Educador compreendeu a extensão da mágoa que feria o interrogante e explicou, bondosamente:
“Não há efeito sem causa. O homem, nobre e justo de hoje, é o criminoso arrependido de ontem que se recupera. Enquanto o frívolo e pervertido de agora, é o semeador do seu amanhã. A roda das encarnações sempre traz de volta o infrator ao campo da reabilitação, da mesma forma que o faz com o justo que se liberta das suas injunções.”
Um grande silêncio pairou em derredor e a noite desceu sem preâmbulos sobre a multidão.


De “A um passo da imortalidade”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Eros.

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