terça-feira, 6 de maio de 2014

Divina surpresa

Alma fraterna e boa,
Se o impulso da prece te abençoa,
Quando queiras orar,
Buscando segurança no Senhor,
Faze em qualquer lugar
O teu louvor ou a tua petição!...

A terra inteira é um templo
Aberto à inspiração
Que verte das Alturas,
Mas se queres encontrar
O Mestre que procuras,
Atende, alma querida!...
Desce ao vale de lágrimas da vida,
À imensa retaguarda
Onde o consolo tarda...
Onde a dor da penúria e o pranto da viuvez,
Volve à sombra das margens do caminho
E estende o braço forte
Aos que vagam sem norte,
Na saudade do lar que se desfez!...

Escuta os que se vão
À noite, ao frio e ao vento,
Sem poderem contar o próprio sofrimento,
Famintos de carinho e compreensão...

Pára e abraça a criança
Que o desprezo consome
E a doença extermina,
Pára e ausculta a nudez, a febre e a fome
Dessa flor pequenina!

Ouve o choro do enfermo que não tem
Senão pó, lama e lágrimas por leito
E, à guisa de aposento, um canto estreito
Na terra de ninguém.

Atentamente, anota em torno os brados
De quem conhece a mágoa no apogeu,
Os tristes corações despedaçados
Que a calúnia venceu...

Vai onde exista aflição,
Oferecendo a cada sofredor
Uma bênção de amor,
E, aí, surpreenderás um divino clarão
Que, dúlcido, irradia
Paz, bondade, alegria ...
Em meio dessa luz,
Escutarás Jesus,
Enternecidamente,
A dizer-te, no fundo da alma crente:

— Alma querida, vem!...
Ouço-te a voz na prece, em qualquer parte;
Devo, entanto, esperar-te
Na seara do bem.
Chamaste-me, decerto,
Para saber que Deus ama e compreende em ti!...
Buscavas-me tão longe e aguardo-te tão perto...
Alma boa, eis-me aqui!...

De “Antologia da Espiritualidade”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Maria Dolores

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