quinta-feira, 24 de julho de 2014

Paz do Mundo e Paz do Cristo

É indispensável não confundir a paz do mundo com a paz do Cristo.
A calma do plano inferior pode não passar de estacionamento.
A serenidade das esferas mais altas significa trabalho divino, a caminho da Luz
Imortal.
O mundo consegue proporcionar muitos acordos e arranjos nesse terreno, mas
somente o Senhor pode outorgar ao espírito a paz verdadeira.
Nos círculos da carne, a paz das nações costuma representar o silêncio provisório
das baionetas; a dos abastados inconscientes é a preguiça improdutiva e incapaz; a dos
que se revoltam, no quadro de lutas necessárias, é a manifestação do desespero doentio;
a dos ociosos sistemáticos, é a fuga ao trabalho; a dos arbitrários, é a satisfação dos
próprios caprichos; a dos vaidosos, é o aplauso da ignorância; a dos vingativos, é a
destruição dos adversários; a dos maus, é a vitória da crueldade; a dos negociantes
sagazes, é a exploração inferior; a dos que se agarram às sensações de baixo teor, é a
viciação dos sentidos; a dos comilões, é o repasto opulento do estômago, embora haja
fome espiritual no coração.
Há muitos ímpios, caluniadores, criminosos e indiferentes que desfrutam a paz do
mundo. Sentem-se triunfantes, venturosos e dominadores no século. A ignorância
endinheirada, a vaidade bem vestida e a preguiça inteligente sempre dirão que seguem
muito bem.
Não te esqueças, contudo, de que a paz do mundo pode ser, muitas vezes, o sono
enfermiço da alma. Busca, desse modo, aquela paz do Senhor, paz que excede o
entendimento, por nascida e cultivada, portas a dentro do espírito, no campo da
consciência e no santuário do coração.

(Livro: Vinha de Luz)
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

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