sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Onde

Onde escutes a voz
Que blasfema, ironiza, amaldiçoa,
Não ponhas discussão, agravando o azedume;
Ao invés de revide,
Usa sem mágoa o verbo que abençoa.

Onde o crime enlameie,
Com temerários ímpetos de fere,
A face da existência,

Não atires instinto contra instinto,
Semeia a tolerância! Ajuda e espere!...

0nde o erro domine,
Entretecendo cárceres e dores,
Não deites pedras no caminho alheio,
Patenteia a verdade sem reproche,
Dando bondade e luz por onde fores.

Onde o fracasso grite,
No cortejo de sombras em que avança,
Não repouses no chão de desalento,
Á. ninguém desanimes...
E recupera o clima da esperança.

Onde o mal apareça,
Azorragando o mundo sofredor,
Procuremos com Deus e Infinita, Bondade
E sejamos em paz, pelos dons do serviço,
Uma bênção de amor.

Maria Dolores
Do livro Antologia da Espiritualidade.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Viver

Cada qual de nós, seja onde for, está sempre construindo a vida que deseja.
Existência é a soma de tudo o que fizemos de nós até hoje.
Toda a melhoria que realizarmos em nós, é melhoria na estrada que somos chamados a percorrer.
Toda ideia que você venha a aceitar influenciará seu espírito; escolha os pensamentos do bem para orientar-lhe o caminho e o bem transformará sua vida numa cachoeira de bênçãos.
Se você cometeu algum erro não se detenha para lamentar-se; raciocine sobre o assunto e retifique a falha havida, porque somente assim a existência lhe converterá o erro em lição.
Muito difícil viver bem se não aprendermos a conviver.
A vida por fora de nós é a imagem daquilo que somos por dentro.
Viver é lei da natureza, mas a vida pessoal é a obra de cada um.

André Luiz / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Respostas da Vida (extrato) - Ed. IDEAL

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Justiça e Amor

Enquanto alimentamos o mal em nossos pensamentos, palavras e ações, estamos sob os choques de retorno das nossas próprias criações, dentro da vida.
As dores que recebemos são a colheita dos espinhos que arremessamos.
Agora ou amanhã, recolheremos sempre o fruto vivo de nossa sementeira.
Só o amor é bastante forte para libertar-nos do cativeiro de nossos delitos.
A Justiça edifica a penitenciária.
O Amor levanta a escola.
A Justiça tece o grilhão.
O Amor traz a bênção.
Quem fere a outrem encarcera-se nos efeitos lamentáveis da própria atitude.
Quem perdoa eleva-se.
Tudo é fácil para quem cultiva a fraternidade, porque o amor liberta e felicita.
Aprendamos a desculpar sempre, porque o céu da liberdade ou o inferno da condenação residem na intimidade de nossa própria consciência.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Indulgência (extrato) - Ed. IDE

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Não Desanime

Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar.
Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.
Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja.
Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de idéias.
Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.
Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.
Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.
Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas.
Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.
Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

André Luiz / Francisco Cândido Xavier

domingo, 26 de outubro de 2014

Não te Afastes

“Mas livra-nos do mal.” – Jesus. (Mateus, 6:13.)

A superfície do mundo é, indiscutivelmente, a grande escola dos espíritos encarnados.
Impossível recolher o ensinamento, fugindo à lição.
Ninguém sabe, sem aprender.
Grande número de discípulos do Evangelho, em descortinando alguns raios de luz espiritual, afirmam-se declarados inimigos da experiência terrestre. Furtam-se, desde então, aos mais nobres testemunhos. Defendem-se contra os homens, como se estes lhes não fossem irmãos no caminho evolutivo. Enxergam espinhos, onde a flor desabrocha, e feridas venenosas, onde há riso inocente. E, condenando a paisagem a que foram conduzidos pelo Senhor, para serviço metódico no bem, retraem-se, de olhos baixos, recuando do esforço de santificação.
Declaram-se, no entanto, desejosos de união com o Cristo, esquecendo-se de que o Mestre não desampara a Humanidade. Estimam, sobretudo, a oração, mas, repetindo as sublimes palavras da prece dominical, olvidam que Jesus rogou ao Senhor Supremo nos liberte do mal, mas não pediu o afastamento da luta.
Aliás, a sabedoria do Cristianismo não consiste em insular o aprendiz na santidade artificialista, e, sim, em fazê-lo ao mar largo do concurso ativo de transformação do mal em bem, da treva em luz e da dor em bênção.
O Mestre não fugiu aos discípulos; estes é que fugiram dEle no extremo testemunho. O Divino Servidor não se afastou dos homens; estes é que o expulsaram pela crucificação dolorosa.
A fidelidade até ao fim não significa adoração perpétua em sentido literal; traduz, igualmente, espírito de serviço até ao último dia de força utilizável no mecanismo fisiológico.
Se desejas, pois, servir com o Senhor Jesus, pede a Ele te liberte do mal, mas que não te afaste dos lugares de luta, a fim de que aprendas, em companhia dEle, a cooperar na execução da Vontade Celeste, quando, como e onde for necessário.

Mensagem de Emmanuel no livro Vinha de Luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier

Definir

Jesus ensinou-nos que o reino dos céus está dentro de nós. Indispensável que a reflexão e a alegria de viver nos facultem um estado de plenitude.
O Mestre, sendo um Espírito perfeito, não escolheu tarefa para executar, não procurou destaque na sociedade, evitou receber quaisquer homenagens. E mesmo quando, entrando em Jerusalém, foi saudado pelos ramos que celebravam vitórias, manteve-se discretamente montado sobre um jumento que pisava os tecidos que eram colocados no piso por onde Ele passava...
Convivendo com os mais pobres, fez-se simples e despojado, a fim de não os humilhar, nem lhes provocar inveja.
Dialogando com os humildes de coração, falou-lhes uma linguagem desataviada, utilizando-se de imagens populares, quais o grão de mostarda, a pérola, a palha do campo, os talentos, as lâmpadas de azeite, as redes do mar, com elas tecendo a mais bela página do pensamento filosófico de que se tem notícia.
Nunca selecionou serviço a fazer, havendo atendido enfermos do corpo, da emoção, da mente, todos doentes da alma, para demonstrar a excelência da saúde interior e da perfeita integração espírito-mente-corpo, sugerindo sempre a necessidade de cada um evitar o erro, de não se comprometer negativamente com nada, de auto-superar-se.
Encorajou o perdão e a pureza de coração, vivendo-os integralmente em todos os momentos da Sua trajetória.
Todo o Seu ministério foi realizado em clima de naturalidade e despojamento de aparências, por isso mesmo, insuperável.
Começando-o em modesta estrebaria, encerrou-o numa cruz, prosseguindo em iridescente madrugada que prossegue até hoje derramando claridade nas noites morais da humanidade e nas sombras densas dos corações medrosos.
Toma-O como exemplo.
Ele se entregou ao Pai em total confiança, e jamais foi desamparado.
Faze o mesmo.

Obra: Nascente de Bênçãos
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Segindo em Frente

Seja qual seja o seu problema, conserve fé em Deus e fé em você mesmo, sem desistir de trabalhar.
Ninguém progride sem dificuldade a vencer.
A luta é condição para a vitória. Não abandone os seus encargos no bem.
Não perca tempo, lembrando episódios tristes.
Desculpe qualquer ofensa.
Esqueça ressentimentos, venham de onde vierem.
Auxilie os outros, como puder e tanto quanto puder, no clima da consciência tranquila.
Não procure defeitos nos semelhantes.
Se você está num momento, considerado, talvez, como sendo o pior de sua vida, siga adiante com o seu trabalho, na certeza de que se hoje o céu aparece toldado de nuvens, a luz voltará no firmamento e o dia de amanhã será melhor.

André Luiz / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Tempo de Luz (extrato) - Ed. IDE

Algo de Nós

Reconhecemos que o mundo atravessa agitadas crises de transição. Mas podes ser, onde estiveres, a escora de fé em que outros se apoiem.
Surgem calamidades. Mas nada de impede de ser o refúgio de pequenina tarefa socorrista.
A violência revela os desvarios de muitos companheiros. Contudo, o conhecimento superior te autoriza a efetuar o esforço do reajuste.
Rebenta a discórdia, às vezes, nos melhores grupos sociais. No entanto, reténs os necessários recursos de espírito para restaurar a união.
Tribulações em família surgem, aqui e ali. Mas dispões de meios para ser um ponto de amparo e compreensão no reduto doméstico.
Ideias estranhas tentam desprimorar valores humanos. Guardas, porém, a possibilidade de ser fiel à dignidade da vida.
Muitos buscam o ódio. Personaliza o amor.
Vibram uns pela guerra. Sê o toque de paz.
Participamos das transformações do mundo. Mas urge admitir que cada um de nós pode ser uma parcela de serviço aditando algo de bom no processo evolutivo, para a vitória do bem.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Busca e Acharás (extrato) - Ed. CEC

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Respeito Próprio


Se você deseja ser feliz, respeite o seu próximo conforme a si próprio se deve respeitar.
Respeitar - e respeitar-se - significa dignificar-se, não agindo ou falando de forma comprometedora ou degradante.
Suas palavras e sua conduta em particular, quando a sós ou diante de alguém, devem ser destituídas de vulgaridade, concupiscência e despudor.
O homem de bem é sempre o mesmo em relação a si e aos demais.
Reconhece que Deus nele habita, sendo sua testemunha permanente e cuja lei se encontra inscrita na sua consciência, que anui aos comportamentos que lhe são compatíveis com o desenvolvimento.
Quando desperta para a responsabilidade, não mais se compadece das falhas morais e hábitos viciosos, perturbando-se, inevitavelmente, quando eles se apresentam.
Ao dar-se conta da presença de Deus em toda parte, modifique-se para melhor e assuma a postura consentânea com a sua forma de crer, de compreender, que lhe traçam diretrizes seguras de como viver.
Atento à compreensão de que é tabernáculo de Deus, como também o é o seu irmão, não se permita entibiar nos valores éticos enobrecidos, nem se faculte o cultivo de lixo moral nas memórias da sua existência.
O seu compromisso, na atual reencarnação, é desvelar cada vez mais o seu Deus interno até que ele o comande em todos os atos. Por extensão, desenvolva esse sentimento de respeito a todos os seres vivos, deles cuidando e preservando-os.
Assim raciocinando você insculpirá o hábito saudável de considerar tudo e todos como de magna importância, contribuindo, lucidamente, para a evolução dos seres e da Terra.
Seja, então, severo em relação as suas faltas, cuidando de evitá-las, de corrigi-las, ou eliminá-las.
A melhor maneira de respeitar-se, é assumir a decisão de progredir, evoluindo moralmente de dentro para fora. Quem assim não o faz, a outrem não respeita nem considera, ignorando ou desprezando a presença divina nele próprio e nos demais.
A sua vida reflete-se na vida dos outros, que por sua vez se refletirão em todas as vidas, tornando-se um espelho para você e para os outros, influenciando-se reciprocamente.
Respeitando-se e respeitando, você apressará o progresso próprio e da humanidade que espera pela sua decisão.

Marco prisco / Divaldo Pereira Franco

Divaldo Pereira Franco: Depressão

Depressões

Se trazes o espírito agoniado por sensações de pessimismo e tristeza, concede ligeira pausa a ti mesmo, a fim de raciocinar.
Se alguém te ofendeu, desculpa.
Se feriste alguém, reconsidera a própria atitude.
Contratempos do mundo estarão constantemente no mundo, onde estiveres.
Parentes difíceis há em toda família.
Circunstâncias constrangedoras assemelham-se a nuvens que aparecem no firmamento de qualquer clima.
Agradar a todos, ao mesmo tempo, é realização impossível.
Separações e renovações são imperativos inevitáveis do progresso espiritual.
Mudanças equivalem a tratamento da alma, para os reajustes necessários à vida.
Como todos ansiamos por felicidade e paz, aperfeiçoamento e renovação, quando sugestões de desânimo nos visitem, retifiquemos em nós o que deva ser corrigido e, abraçando os deveres, prossigamos à frente.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Coragem (extrato) - Ed. CEC

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Sejamos Simples

“Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque deles é o reino de Deus”. — Jesus (Lucas, 18:16)

Surge o progresso da sucessão constante de labores variados em todas as frentes de atividade humana.
Um esforço acompanha outro, um objetivo mais aperfeiçoado modifica os movimentos da criatura.
Vida após vida, geração à geração, a Humanidade caminha recebendo luz e burilamento.
Toda a vida futura, no entanto, depende inevitavelmente da vida presente, como toda colheita próxima se deriva da sementeira atual.
A infância significa, por isso, as vibrações da esperança nos dias porvindouro, muito embora a fragilidade com que se caracteriza.
A ingenuidade dos pensamentos e a meiguice dos modos, dão às crianças os traços da virgindade sentimental necessária ao espírito para galgar os estágios superiores da evolução.
Eis porque o Senhor, com muita propriedade, elegeu na infância o símbolo da pureza indispensável à sustentação do ser na Vida Maior.
No período infantil encontramos as provas irrecusáveis de que as almas, possuem, no âmago de si mesmas, as condições potenciais para a angelitude.
Urge, pois, saibamos viver com a simplicidade dos pequeninos, na rota da madureza renunciando às expressões inferiores do egoísmo e do orgulho, da astúcia e da crueldade, que tantas vezes se nos ocultam nos gestos da fidalguia aparente.
No Reino de Deus ninguém cresce para a maldade.
Sejamos simples, vivendo o bem espontâneo.
Observa, portanto, em ti, os sinais positivos que conservas da infância, como índice de valores morais para a excursão, monte acima.
Sê criança em relação ao mal que perturba e fere, realizando a maturação de teus sentimentos na criação do amor puro, porque somente no amor puro encontraremos acesso à Eterna Sublimação a que estamos destinados.

Emmanuel
(De “Ideal Espírita”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira – Espíritos diversos

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Dinheiro

O dinheiro não é luz, mas sustenta a lâmpada.
Não é a paz, no entanto, é um companheiro para que se possa obtê-la.
Não é calor, contudo, adquire agasalho.
Não é poder da fé, mas alimenta a esperança.
Não é amor, entretanto, é capaz de tornar-se valioso ingrediente na proteção afetiva.
Não é tijolo de construção, todavia, assegura as atividades que garantem o progresso.
Não é cultura, mas apoia o livro.
Não é visão, porém, ampara o encontro de instrumentos que ampliam a capacidade dos olhos.
Não é base na cura, no entanto, favorece a aquisição do remédio.
Em suma, o dinheiro associado à consciência tranquila é:
Alavanca do trabalho e fonte da beneficência;
Apoio da educação e alicerce da alegria;
Uma bênção do Céu que, de modo imediato, nem sempre faz felicidade, mas sempre faz falta.

Bezerra de Menezes / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Caridade (extrato) - Ed. IDE

Amor, Imbatível Amor


O amor é substância criadora e mantenedora do Universo. Sua essência é divina.
É um tesouro que quanto mais se divide, mais se multiplica, agiganta e enriquece.
É imbatível porque sempre triunfa.
Sem ele, a alma enfraquece e perde o sentido de viver.
Quando aparente, sensualista, busca apenas o prazer imediato, debilita-se e frustra.
Quando real, estruturado e maduro, espera, estimula, renova-se, é sempre ideal, harmônico, sem altibaixos emocionais.
Une as pessoas, porque reúne as almas, identifica-as no prazer da fraternidade, alimenta o corpo e dulcifica o eu profundo.
O amor tem diferentes fases: o infantil é de caráter possessivo; o juvenil expressa-se pela insegurança; o maduro entrega-se sem reservas, é pacificador e plenificador.
O amor vive no íntimo do ser e não nas gratificações que o amado oferece.
O clímax do amor revelou-nos Jesus, na Sua condição de Amante não amado.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Amor, Imbatível Amor (extrato) - Ed. LEAL

domingo, 19 de outubro de 2014

A Espada Simbólica

"Não cuideis que vim trazer a Paz à Terra; não vim trazer a Paz, mas a Espada."
- Jesus (Mateus, 10:34.)

Inúmeros leitores do Evangelho perturbam-se ante essas afirmativas do Mestre Divino, porquanto o conceito de paz, entre os homens, desde muitos séculos foi visceralmente viciado. Na expressão comum, ter paz significa haver atingido garantias exteriores, dentro das quais possa o corpo vegetar sem cuidados, rodeando-se o homem de servidores, apodrecendo na ociosidade e ausentando-se dos movimentos da vida.
Jesus não poderia endossar tranquilidade desse jaez, e, em contra posição ao falso princípio estabelecido no mundo, trouxe consigo a luta regeneradora, a espada simbólica do conhecimento interior pela revelação divina, a fim de que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento em si mesmo. O Mestre veio instalar o combate da redenção sobre a Terra. Desde o seu ensinamento primeiro, foi formada a frente da batalha sem sangue, destinada à iluminação do caminho humano.. E Ele mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos.
Há quase vinte séculos vive a Terra sob esses impulsos renovadores, e ai daqueles que dormem, estranhos ao processo santificante!
Buscar a mentirosa paz da ociosidade é desviar-se da luz, fugindo à vida e precipitando a morte.
No entanto, Jesus é também chamado o Princepe da Paz.
Sim, na verdade o Cristo trouxe ao mundo a espada renovadora da guerra contra o mal, constituindo em si mesmo a divina fonte de repouso aos corações que se unem ao seu amor; esses, nas mais perigosas situações da Terra, encontram, nEle, a serenidade inalterável. É que Jesus começou o combate de salvação para a Humanidade, representando, ao mesmo tempo, o sustentáculo da paz sublime para todos os homens bons e sinceros.

Obra: Caminho, Verdade e Vida, Emmanuel & Francisco C. Xavier

Reflexão do Dia

Se alguém pretende magoá-lo, e você não aceita a ofensa, ele não o conseguirá, por mais o tente.
Se outrem enunciou cruel calúnia para desmoralizá-lo, e ele mente, como é óbvio, você prosseguirá como antes.
Se alguma pessoa de temperamento áspero não simpatiza com você, e a sua é uma atitude de compreensão, de forma alguma você será afetado pelas suas vibrações negativas.
Se um amigo de largo tempo desertou da sua companhia, acusando-o injustamente, e você se encontra com a consciência tranquila, não prosseguirá a sós.
Se você foi acusado por perversidade ou inveja de alguém, e se permanece consciente da sua honorabilidade, nada mudará em sua vida.
Se você se vê a braços com inimigos ferrenhos, mas não revida o mal que lhe desejam, conseguirá expressiva vitória na sua marcha ascensional.
Se apupado e desrespeitado, você percebe que o fazem por despeito e sentimentos inferiores, não se detendo na torpe situação, você é um vencedor.
Se algumas criaturas demonstram desagrado ante a sua presença, e você consegue desculpá-las, a sua é a postura adequada.
Nunca tome para você as agressões dos outros, mesmo quando citado nominalmente.
A grande maioria dos indivíduos vê o seu próximo mediante a projeção dos próprios conflitos, e nem sequer dão-se conta da insensatez que os domina.
É fácil identificar nos outros ou transferir as próprias torpezas e insânias, raramente os tesouros das virtudes que escasseiam.
Mantenha-se em paz, não se considerando tão importante, que seja sempre motivo da agressão e da maldade dos outros.
Sempre haverá opositores e vítimas na sociedade.
Que você seja a tranquilidade de consciência a serviço do Bem libertador.
Se você assim proceder, o mal dos outros nunca lhe fará mal, mas o seu bem a todos fará muito bem

Marco Prisco e Divaldo Pereira Franco

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Cérebro e Coração

O cérebro, em verdade, articulará leis que disciplinem os povos;
comandará arrojadas experimentações científicas;
plasmará ilações filosóficas e religiosas da mais elevada importância na marcha evolutiva da consciência:
medirá as distâncias em pleno céu;
comporá maravilhas com os méritos da palavra;
conquistará o domínio do espaço, erguendo o homem à condição de triunfador do mundo;
descerá, com segurança, aos mais obscuros labirintos do mar, arrancando-lhe os segredos;
abordará, com maestria, os enigmas da natureza, para solucioná-los em seu próprio favor;
tecerá os primores da arte;
estenderá os benefícios da indústria;
e supervisionará todas as iniciativas da criatura na subida ao plano superior.
Entretanto, no coração reside a força criadora do ser e somente através dele flui a generosa fonte do amor que gera a beleza e glorifica as bênçãos da vida.
É por isso que Jesus, o nosso Divino Mestre, falou acima de tudo ao Coração Humano, porque se o Cérebro é garantia do progresso na Terra, o Coração é a estrela que brilha, soberana, confundindo a Terra com o Céu para que a Humanidade se integre, vitoriosa, na luminosa comunhão com Deus.

Emmanuel
(De “Mãos Marcadas”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Sinais de Alarme

Há dez sinais vermelhos, no caminho da experiência, indicando queda provável na obsessão:
quando entramos na faixa da impaciência;
quando acreditamos que a nossa dor é a maior;
quando passamos a ver ingratidão nos amigos;
quando imaginamos maldade nas atitudes dos companheiros;
quando comentamos o lado menos feliz dessa ou daquela pessoa;
quando reclamamos apreço e reconhecimento;
quando supomos que o nosso trabalho está sendo excessivo;
quando passamos o dia a exigir esforço, sem prestar o mais leve serviço;
quando pretendemos fugir de nós mesmos, através da gota de álcool ou da pitada de entorpecente;
quando julgamos que o dever é apenas dos outros.
Toda vez que um desses sinais venha a surgir no trânsito de nossas ideias, a Lei Divina está presente, recomendando-nos, a prudência de parar no socorro da prece ou na luz do discernimento.

Scheilla
(De “Ideal Espírita”, de Francisco Cândido Xavier – Autores diversos)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Decisão Firme

O agastamento moral torna-se distúrbio de emoção, que finda instalando processo neurótico.
Sempre depararás com quem não te apoia.
Os trêfegos vêm, prometem auxílio e vão.
Os tímidos planejam ajuda e não se encorajam.
Os descorteses apontam erros e seguem adiante: os agressivos surgem, impetuosos, procuram louros para si mesmo, e fogem.
Os devotados sempre estão sobrecarregados, mas ajudam, e os humildes laboram com discrição, simplicidade e constança.
Cada homem é o seu próprio programa e cada coração é a aspiração peculiar à faixa emocional em que transita.
Não te agastes, assim, com eles, os aturdidos.
Não percas o otimismo.
Alguns te exaltam as qualidades negativas para lisonjear-te, arrojando-te em decepções.
Não os acates nem os animes. Reage ao mal.
Discorda, nega, conduz, ajuda, administra, serve – com bonomia. És construtor do bem.
O erro dos outros é problema deles, enquanto que o teu é o problema de bem ajudar.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Rumos Libertadores (Extrato) - Ed. LEAL

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Saber e Fazer

Entre saber e fazer existe singular diferença.
Quase todos sabem, poucos fazem.
Todas as seitas religiosas, no geral, ensinam o que constitui o bem. Todas possuem serventuários, crentes e propagandistas, mas os apóstolos de cada uma escasseiam a cada dia.
Há sempre vozes habilitadas a indicar os caminhos. É a palavra dos que sabem.
Raras criaturas penetram a vereda, muita vez em silêncio, abandonadas e incompreendidas. É o esforço supremo dos que fazem.
Compreendendo essa indecisão, Jesus pregou a palavra da verdade da vida e fez exemplificação através de sacrifícios culminantes.
A existência de uma teoria elevada envolve a necessidade de experiência e trabalho.
Se a ação edificante fosse desnecessária, a mais humilde tese do bem deixaria de existir, por inútil.
Como ensinou Jesus, bem-aventurados são os que sabendo, fazem.
Aí reside, no campo do serviço Cristão, a diferença entre cultura e prática, entre saber e fazer.


Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Caminho, Verdade e Vida (extrato) - Ed. FEB

Compromisso Espírita

Eu vos saúdo em nome de Nosso Senhor Jesus-Cristo!
Todos vós, obreiros da Era Nova, não vos equivoqueis! Chegado é o momento
da definição resoluta e terminante, no que tange a responsabilidades íntimas e
intransferíveis no campo do Senhor da Vida Total.
Aquinhoados, abundantemente, com a comunicação do Mundo Espiritual, sabeis
que o túmulo é porta de reingresso na vida, quanto o berço é clausura na jornada
da carne para refazer e para edificar.
Convocados ao ministério sublime da mediunidade socorrista, recebestes a semente
de luz para a plantação no solo do futuro, com vistas à Humanidade melhor do amanhã.
Se o óbice tenta obstacular-vos o avanço, não desanimeis; se o empeço arma difíceis
sedições pelo caminho, em forma de revolta íntima ou de revolta alheia, prossegui
intimoratos; se a impiedade zurze a chibata da incompreensão e semeia a vossos pés
o cardo, a urze e o pedregulho, não desanimeis; se vos ferirem, bendizei a oportunidade
de resgatar, considerando que poderíeis ser os criminosos que provocam dores; se a noite
de sombras espessas ameaçar o santuário da vossa fé, colocando cúmulos que dificultem
o discernimento nas telas da vossa mente, acendei a lâmpada clarificadora da prece para,
que a luz da compaixão e da misericórdia vos aponte rumos de segurança!
Em qualquer circunstância, amai! Em qualquer situação, servi! Em todo momento, crede!
O Senhor da Vida não nos abandona hora alguma e a sua misericórdia não nos deixa
nunca, fazendo que entesouremos, nos depósitos sublimes da alma, as moedas
luminescentes da felicidade total.
Dobrai-vos sobre as necessidades redentoras, marchai enxugando lágrimas com as mãos
suadas e envolvendo o coração na "lã do Cordeiro de Deus", confiai em que a senda
pavimentada com as pedras da humildade legítima vos conduzirá ao oásis refazente da paz,
em que a linfa cristalina e nobre do Evangelho estará cantando a melodia do reconforto
para vossas almas.
Exorando a Ele, o Excelso Benfeitor de todos nós, que nos abençoe e conduza, suplicamos
que nos não deixe nunca a sós, na obra com que nos dignifica a oportunidade e nos enseja
a ocasião de redenção interior!

Obra: Depoimentos Vivos - Divaldo P. Franco / Eurípedes Barsanulfo

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Imunização Espiritual

Raras pessoas percebem que, no mundo, existe um serviço de imunização do espírito que não deve menosprezar.
Referimo-nos ao entendimento que respeita as provas e as dificuldades alheias, procurando auxiliar aos outros, em silêncio, antes que se desmandem, através de faltas em que não precisariam comprometer a paz de consciência.
Se em derredor de ti, muitas vezes, surgem desequilíbrios e agitações, podes conservar a serenidade do campo íntimo, à feição do lago, que sendo cercado por forças antagônicas em luta, consegue manter-se em paz, refletindo as estrelas.
À frente de criaturas, vinculadas ao teu amor, sequiosas de independência, aprende a libertá-las com a força da compreensão que te felicita.
Não se apenas os corações até agora desconhecidos, com os quais te defrontas nas vias públicas ou nas áreas da atividade profissional que te pedem socorro desse jaez.
Especialmente, no círculo daqueles a que mais amas se destacam semelhantes exigências.
Imprescindível nos preparemos, tanto no Plano Espiritual quanto no Plano Físico a fim de doar a liberação a que nos reportamos.
Criaturas amadas, que apresentam o nome de filhos e filhas, nem sempre se mostram felizes ao lado de nosso amor; outras que desempenham, junto de nós, os encargos de pais ou mães talvez anseiem por experiências diferentes das nossas; irmãos e companheiros inesquecíveis, em certas ocasiões, demonstram, de modo claro, o propósito de se manterem desligados de nós, por vezes fatigados de nossa presença ou do sistema de vida a que nos impomos.
Auxiliemo-los a se livrarem de nós, sem estranheza ou ressentimento.
Já que não são crianças, credores de proteção e discernimento, confiemo-los à escola da vida, em que a Divina Providência nos internou.
E, ao liberá-los, estejamos prontos a servi-los tantas vezes quantas se fizerem necessárias.
O amor não cria problemas.
Cada qual tem o seu próprio caminho.
E Deus, que nos ama a todos, saberá prover-nos com os recursos indispensáveis à nossa própria sustentação e sobrevivência, considerando em nós as necessidades de cada um.

Livro: Algo Mais – Emmanuel – Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Indulgência

Situações várias podem alterar o clima de paz em derredor de nós. Destaca-se entre elas a palavra impensada, como fonte de incompreensão.
Daí o nosso dever básico de vigiar a nós mesmos na conversação.
Sejamos indulgentes.
Se erramos, roguemos perdão.
Se outros erraram, perdoemos.
O mal que hoje desejamos para alguém, suscitará o mal para nós, amanhã.
A mágoa não se justifica e o perdão anula os problemas, diminuindo complicações.
É assim que a espontaneidade no bem estabelece a caridade real.
Quem não reconhece as próprias imperfeições demonstra incoerência em si mesmo.
Quem perdoa desconhece o remorso.
Ódio é fogo invisível na consciência.
O erro não pede aversão, mas entendimento.
Erro nosso requer a bondade alheia; erro de outrem reclama a nossa clemência.
Quanto mais conhecemos a nós mesmos, mais amplo em nós o imperativo de perdoar.

André Luiz / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: O Espírito da Verdade (extrato) - Ed. FEB

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Irmão X - Acertando Contas


Meu amigo:
Diz você que o médium, a rigor, deveria ser um estranho às letras para garantir a genuinidade do intercâmbio espiritual. Uma espécie de truão, atacado de mongolismo, cuja posição primitivista assegurasse a legitimidade do fenômeno.
Teríamos, assim, um espetáculo de êxito insofismável, à maneira dos êxitos de um encantador cuja presença a platéia reclama, pedindo bis.
Mas, é você mesmo o autor de várias declarações inequívocas de que a Doutrina Consoladora dos Espíritos é mestra de almas, com objetivos fundamentais na construção do Reino Divino nos corações humanos.
E acredita que os desencarnados responsáveis devam começar o sublime serviço, através de números estonteantes, valendo-se do primeiro bufão que lhes surgem à mira?
Não desrespeitamos o valioso trabalho de pesquisa, realizado pelos antecessores de Richet e pelos continuadores dele, no campo da observação. Os medianeiros, chamados a doar energias nas tarefas de materialização, constituem excelentes operários do bem, preciosos e raros, semeando robustas convicções a serviço do raciocínio. Quase sempre controlados por orientadores invisíveis permanecem, por enquanto, confinados em setor especialíssimo. São instrumentos, através dos quais nasceram respeitáveis teorias da ciência comum, interessada em não capitular diante do Espiritismo puro.
O problema, pois, nesse caso, é o da exteriorização da “força” com a qual é possível plasmar provisoriamente no tabuleiro das formas.
Daí, contudo, a dizer que o médium, em si, deva ser um idiota autêntico, seria fazer consagração da ignorância.
Pretenderia, porventura, garantir um milagre à custa de humilhação alheia? A fé que adornasse uns tantos não seria honesta se, por manter-se, viesse a exigir a cretinice de outros.
O médium, contrariamente ao parecer que você enuncia, não pode repousar no serviço de auto-iluminação.
Quanto mais aprimorado, mais eficiente o aparelho rediofônico. E, se isto ocorre, na esfera de realizações transitórias, através de metais que se desfazem com o tempo, que dizer dos impositivos das de ascenção do espírito eterno?
A riqueza mediúnica, num trabalho persistente e sólido, depende das técnicas de sintonia. E essas técnicas, em boa lógica, significam conquistas espirituais do aparelho receptor, vivo e consciente, na existência atual ou nas reencarnações passadas.
Sintonia é reflexão e ninguém pode refletir o que ainda não sente.
O nosso valoroso Camarão, não obstante a bravura com que preservou o solo pátrio, há trezentos anos, podia ser, efetivamente, um pequeno Alexandre, a comandar as lides da guerra que, no fundo, sempre nos reaproximam da taba, mas talvez não pudesse traduzir, naquele tempo, a leveza e a graça dos contos de LaFontaine, seu glorioso contemporâneo, antes da longa e castigada preparação.
Ninguém pode trair o tempo, e a conquista individual na sabedoria e no amor representa a verdadeira e inalienável condecoração do Governo do Divino Mundo.
Aliás, você pode reparar a realidade de nossas afirmativas na própria evolução do Cristianismo.
Jesus abraçou os pescadors simples e humildes, mas não os transforma em mágicos baratos do populacho.
Mateus troca a jurisdição fiscal pela meditação nos Escritos Sagrados, penetrando a cultura siro-caldaica e convertendo-se em oráculo da Boa Nova, na Judéia e na Etiópia, onde conheceu testemunho doloroso. João abandona a pescaria e interna-se no mundo grego, para deixar-nos o monumento sublime do seu Evangelho revelador. Pedro esquece as redes e as próprias fragilidades para examinar, atencioso, nos textos dos Profetas, de mistura com os labores sacrificiais da caridade, tornando-se o supervisor dos debates doutrinários de Jerusalém e aceitando o martírio e a morte da cruz em vista da sagrada compreensão adquirida.
Não precisamos, porém, navegar tão longe.
Tem você o seu escritório e a sua lavoura.
A tarefa pede-lhe prosperidade e eficiência. Cada companheiro de trabalho que lhe atende as diretrizes na subalternidade é seu médium no labor comum, intermediário de seu pensamento, de sua decisão e de seus interesses no círculo de luta que lhe diz respeito. Sempre vi você preferindo o auxiliar que lhe plasma a ideia com diligência, cortesia e segurança e interessando-se pelo servidor cuja enxada não tem ferrugem. Que mais? Você despede o empregado na terceira advertência mais forte, porque, como é natural, não é possível começar o mesmo serviço, todos os dias, nem há estoque de paciência para repetir dez vezes a mesma lição.
Acredita, portanto, que nós, os espíritos, chamados a lidar com os mais preciosos interesses do povo, quais sejam os da elevação da alma, à claridade do Evangelho Redentor, devemos permanecer condenados a trabalhar, dia a dia, com a ignorância sistemática e com a preguiça dos que não pretendem melhorar nem aprender, tão somente porque o infeliz que não sabe glorifica o fenômeno para a inteligência privilegiada que deve saber?
Não, meu amigo. Mude a posição do seu leme. A educação é patrimônio de todos e obrigação para quantos se dedicam ao serviço do esclarecimento alheio. E espero que você concorde pacificamente comigo, porque, nesse passo, enquanto um padre gasta a vida, de modo a bem cuidar do culto externo, um médium, para solucionar os delicados problemas da alma, seria obrigado a exibir, apenas, à porta de nossos templos veneráveis, uma certidão de analfabetismo.


Irmão X / Francisco Cândido Xavier

Muralha do tempo

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta que conduz à perdição.” – Jesus. (Mateus, 7: 13)

Em nos referindo a semelhante afirmativa do Mestre, não nos
esqueçamos de que toda porta constitui passagem incrustada em
qualquer construção, a separar dois lugares, facultando livre
curso entre eles.
Porta, desse modo, é peça arquitetônica encontradiça em
paredes, muralhas e veículos, permitindo, em todos os casos,
franco passadouro.
E as portas referidas por Jesus, a que estrutura se entrosam?
Sem dúvida, a porta estreita e a porta larga pertencem à
muralha do tempo, situada à frente de todos nós.
A porta estreita revela o acerto espiritual que nos permite
marchar na senda evolutiva, com o justo aproveitamento das
horas.
A porta larga expressa-nos o desequilíbrio interior, com que
somos forçados à dor da reparação, com lastimáveis perdas de
tempo.
Aquém da muralha, o passado e o presente.
Além da muralha, o futuro e a eternidade.
De cá, a sementeira do “hoje”.
De lá, a colheita do “amanhã”.
A travessia de uma das portas é ação compulsória para todas
as criaturas.
Porta larga – entrada na ilusão – saída pelo reajuste...
Porta estreita – saída do erro – entrada na renovação...
O momento atual é de escolha da porta, estreita ou larga.
Os minutos apresentam valores particulares, conforme
atravessemos a muralha, pela porta do serviço e da dificuldade
ou através da porta dos caprichos enganadores.
Examina, por tua vez, qual a passagem que eleges por teus
atos comuns, na existência que se desenrola, momento a
momento.
Por milênios, temos sido viajores do tempo a ir e vir pela
porta larga, nos círculos de viciação que forjamos para nós
mesmos, engodados na autoridade transitória e na posse
amoedada, na beleza física e na egolatria aviltante.
Renovemo-nos, pois, em Cristo, seguindo-o, nas abençoadas
lições da porta estreita, a bendizer os empecilhos da marcha,
conservando alegria e esperança na conversão do tempo em
dádivas da Felicidade Maior.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Livro: O Espírito da Verdade

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A Estaca Zero

Denunciando aflitiva expectação, o crente recém-desencarnado dirigia-se ao anjo orientador da aduana celeste, explicando:
– Guardei a maior intimidade com as obras de Allan Kardec que, invariavelmente, mantive por mestre inatacável. Os livros da Codificação vigiavam-me a cabeceira. Devorei-lhes todas as considerações, apontamentos e ditados e jamais duvidei da sobrevivência...
O funcionário espiritual esclareceu, porém, imperturbável:
– Entretanto, o seu nome aqui não consta entre os credores de ascensão às esferas santificadas. Sou, portanto, constrangido a indicar-lhe o regresso à nossa antiga arena de purificação na Crosta da Terra.
– Oh! o corpo! o fardo intolerável!... – suspirou o candidato, evidentemente desiludido.
Cobrou, contudo, novo ânimo e continuou:
– Talvez não me tenha feito compreender. Fui espírita convicto. Desde muito cedo, abracei os princípios sacrossantos da Doutrina que é, hoje, a salvadora luz da Humanidade. Não somente Allan Kardec foi o meu instrutor na descoberta da Revelação. Acompanhei as experiências de Zollner e Aksakof, nos setores da física transcendental, com estudos particularizados da fenomenologia mediúnica. Meditei intensivamente para fixar os conhecimentos de que disponho. Flammarion, no original francês, era meu companheiro predileto de noites e noites consecutivas. Em companhia dele, o meu pensamento pervagava nas constelações distantes, prelibando a glória que eu julgava alcançar, além do túmulo. Léon Denis era o mentor de minhas divagações filosóficas. Deleitava-me com os livros dele, absorvendo-lhe as elucidações vivas e sempre novas. E Delanne? nele, sem dúvida, situei o manancial de minhas perquirições científicas. Estimava confrontar-lhe as observações com os estudos de Claude Bernard, o fisiologista eminente, adquirindo, assim, base legítima para as análises minuciosas. Para não citar apenas os grandes vultos latinos; adianto-lhe que as experiências de Crookes foram carinhosamente acompanhadas por mim, através do noticiário. As comoventes páginas do «Raymond», com que Oliver Lodge surpreendeu o mundo, arrancaram-me lágrimas inesquecíveis. E, a fim de alicerçar pontos de vista, no sólido terreno do espírito, não me contentei com os ocidentais. Consagrei-me às lições dos orientalistas, demorando-me particularmente no exame dos ensinos de Ramakrishna, o moderno iluminado que plasmou discípulos da altura de um Vive kananda. No Brasil, tive a honra de assistir a sessões presididas por Bezerra de Menezes, em minha mocidade investigadora, seguindo, atenciosamente, a formação e a prosperidade de muitos centros doutrinários...
Ante o silêncio do servidor celeste, o precioso estudante fez pequeno intervalo e observou:
– Com bagagem tão grande, acredito que a minha posição de espiritualista deva ser reconhecida.
– Sim – registrou o anjo solícito –, o seu cuidado na aquisição de conhecimento é manifesto. Traz consigo um cérebro vigoroso e bem suprido. Primorosa leitura e teorias excelentes.
– E não me supõe capacitado à travessia da barreira?
– Infelizmente, não. As suas vibrações se inclinam para baixo e você não se mostra preparado a viver em atmosfera mais sutil que a da carne terrestre.
Longe de penetrar o verdadeiro sentido das palavras ouvidas, o crente aduziu:
– E a Bíblia? a intimidade com o Livro Divino, porventura, não me conferira, direito à elevação? De Moisés ao Apocalipse, efetuei deflexões incessantes. Prestei ardoroso culto a David e Salomão, entre os mais velhos, e não se passou um dia de minha existência em que não meditasse na grandeza de Jesus e na sublimidade dos seus ensinamentos. Em meu velho gabinete existem páginas variadas, escritas por mim mesmo, em torno do Evangelho de João, que interpreto como sendo a zona divina do Novo Testamento...
Parando alguns instantes, o recém-desencarnado voltou a inquirir:
– Não julga que a, minha fidelidade as letras sagradas seja passaporte justo à, subida?
– Indubitavelmente – respondeu o anjo –, a sua conceituação está repleta de imagens iluminativas. Ainda assim, não posso atentar contra a realidade que me compele a indicar-lhe o retorno para atender aos serviços que lhe cabe realizar.
– Céus! clamou a interlocutor, desapontado – que fazer então?
– Nesta passagem – explicou-se o cooperador angélico –, temos verdadeiro concurso de títulos e esses títulos se expressam aqui pelas obras de cada um. Sem experiência vivida e sem serviço feito, o espírito não vibra nas condições precisas à viagem para o Mais Alto. O seu retrato mental deixa perceber uma individualidade pujante e valiosa, idêntica, no fundo, a um navio, vasto e bem acabado, cheio de riquezas, utilidades e adornos que nunca se tenha
ausentado do porto para a navegação. Em tais condições...
– Entretanto, eu não fiz mal a ninguém...
– Vê-se claramente que o seu espírito é nobre e bem intencionado.
– Então – indagou o crente, semi exasperado –, qual a minha posição de homem convicto? que sou? como estou, depois de haver estudado exaustivamente e crido com tanto fervor e tanta sinceridade?
O anjo, triste talvez pela necessidade de ser franco, elucidou, sem hesitar:
– A sua posição é invejável, comparada ao drama inquietante de muita gente. Demonstra uma consciência quitada com a Lei. Não tem compromissos com o mal e revela-se perfeitamente habilitado à excursão nos domínios do bem. Em se tratando, contudo, de ascensão para o Céu, observo-lhe o coração na estaca zero. Ninguém se eleva sem escada ou sem força. O meu amigo sabe muito. Agora, é preciso fazer...
E ante o sorriso reticencioso do funcionário celestial, o interlocutor nada mais aduziu, entrando, ali mesmo, em profundo silêncio.

Irmão X / Francisco Cândido Xavier

No júbilo de servir

“Depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer”. Jesus (Lucas, 17:10)

Guarda tua alma no júbilo de servir.
Não reclames honrarias, por mais alto te pareça o triunfo em tuas mãos.
Se a terra se julgasse dona da árvore que frutifica na sua crosta, intentando negar-lhe arrimo, não faria mais que privar-se da proteção que o vegetal lhe dispensa, e se a árvore se presumisse proprietária da terra que a suporta, nada mais conseguiria que a eliminação de si mesma. Atenta, porém, à seiva e ao equilíbrio que a Sabedoria Divina lhe assegura entra em abençoada cooperação e produz a bênção da colheita.
Todos os bens da vida fluem da Bondade de Nosso Pai.
Nas tuas horas de êxito medita nas forças conjugadas que te sustentam. Pensa nos que te beneficiam e te instruem, nos que te amparam e te garantem.
Orgulhar-se das boas obras é ensombrar a própria visão, invocando homenagens indébitas que, de direito, pertencem a Deus.
À maneira do instrumento leal e dócil deixa que o Sumo Bem te use a vida.
O violino, ainda mesmo o de mais rara fabricação, não vale por si, Engrandece-se, porém, na fidelidade com que se rende às mãos do artista que o integra na exaltação da Harmonia Eterna.

De “SEGUE-ME!...”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

domingo, 5 de outubro de 2014

Na Intimidade do Ser

"Vós, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos de entranhas
De misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade." - Paulo.
(Colossenses, 3:12.)


Indubitavelmente, não basta apreciar os sentimentos sublimes que o
Cristianismo inspira.
É indispensável revestirmo-nos deles.
O apóstolo não se refere a raciocínios.
Fala de profundidades.
O problema não é de pura celebração.
É de intimidade do ser.
Alguém que possua roteiro certo do caminho a seguir, entre multidões que o
desconhecem, é naturalmente eleito para administrar a orientação.
Detendo tão copiosa bagagem de conhecimentos, acerca da eternidade, o
Cristão legítimo é pessoa indicada a proteger os interesses espirituais de seus
irmãos na jornada evolutiva; no entanto, é preciso encarecer o testemunho, que não se limita à
fraseologia brilhante.
Imprescindível é que estejamos revestidos de "entranhas de misericórdia" para
enfrentarmos, com êxito, os perigos crescentes do caminho.
O mal, para ceder terreno, compreende apenas a linguagem do verdadeiro bem; o
orgulho, a fim de renunciar aos seus propósitos infelizes, não entende senão
a humildade.
Sem espírito fraternal, é impossível quebrar o escuro estilete do egoísmo. É
Necessário dilatar sempre as reservas de sentimento superior, de modo a avançarmos,
vitoriosamente, na senda da ascensão.
Os espiritistas sinceros encontrarão luminoso estímulo nas palavras de Paulo.
Alguns companheiros por certo observarão em nossa lembrança mero
problema de fé religiosa, segundo o seu modo de entender; todavia, entre fazer psiquismo
por alguns dias e solucionar questões para a vida eterna, há sempre considerável
diferença.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Livro: Vinha de Luz

sábado, 4 de outubro de 2014

Em plena era nova

Há criaturas que deixaram, na Terra, como único rastro da vida robusta que usufruíram na carne, o mausoléu esquecido num canto ermo de cemitério.
Nenhuma lembrança útil.
Nenhuma reminiscência em bases de fraternidade.
Nenhum ato que lhes recorde atitudes como padrões de fé.
Nenhum exemplo edificante nos currículos da existência.
Nenhuma ideia que vencesse a barreira da mediocridade.
Nenhum gesto de amor que lhes granjeasse sobre o nome o orvalho da gratidão.
A terra conservou-lhe, à força, apenas o cadáver – retalho de matéria gasta que lhes vestira o espírito e que passa a ajudar, sem querer, no adubo às ervas bravas.
Usaram os empréstimos do Pai Magnânimo exclusivamente para si mesmos, olvidando estendê-los aos companheiros de evolução e ignorando que a verdadeira alegria não vive isolada numa só alma, pois que somente viceja com reciprocidade de vibrações entre vários grupos de seres amigos.
Espíritas, muitos de nós já vivemos assim!
Entretanto, agora, os tempos são outros e as responsabilidades surgem maiores.
O Espiritismo, a rasgar-nos nas mentes acanhadas e entorpecidas largos horizontes de ideal superior, nos impele para a frente, rumo aos Cimos da Perfectibilidade.
A humanidade ativa e necessitada, a construir seu porvir de triunfos, nos conclama ao trabalho.
O espírito é um monumento vivo de Deus – o Criador Amorável. Honremos a nossa origem divina, criando o bem como chuva de bênçãos ao longo de nossas próprias pegadas.
Irmãos, sede os vencedores da rotina escravizante.
Em cada dia renasce a luz de uma nova vida e com a morte somente morrem as ilusões.
O espírito deve ser conhecido por suas obras.
É necessário viver e servir.
É necessário viver, meus irmãos, e ser mais do que pó!

Eurípedes Barsanulfo.
Psicografada por Waldo Vieira. Sobre o CAP. XVIII – Item 9 do ESE.

A Semente

Nos serviços da Natureza, a semente reveste-se, aos nossos olhos, do sagrado papel de sacerdotisa do Criador e da Vida.
Gloriosa herdeira do poder divino, coopera na evolução do mundo e transmite silenciosa e sublime lição, tocada de valores infinitos, à criatura.
Exemplifica a necessidade dos pontos de partida, as requisições justas de trabalho, os lugares próprios, os tempos adequados.
Há homens inquietos e insaciados que ainda não conseguiram compreendê-la. Exigem as grandes obras de imediato, impõem medidas tirânicas pela força das ordenações ou das armas; criam domínio transitório, incham-se e caem, sem nenhuma edificação santificadora para si ou para outrem.
Não souberam aprender com a semente minúscula que lhes garante pão para a vida.
No esforço redentor, é indispensável não perder de vista as possibilidades pequeninas: um gesto, uma palestra, uma hora, uma frase pode representar sementes gloriosas para edificações imortais. Imprescindível, pois, jamais desprezá-las.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Pão Nosso (extrato) - Ed. FEB

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Igreja livre

“Mas a Jerusalém que é de cima, é livre, a qual é mãe de todos nós.” - Paulo.(Gálatas, 4:26.)

O exame isolado deste versículo sugere um tema de infinita grandeza para os discípulos religiosos do Cristianismo.
A palavra do apóstolo aos gentios recorda-nos a igreja liberta do Cristo, não na esfera estreita dos homens, mas no ilimitado pensamento divino.
O espírito orgulhoso e sectário, há tanto tempo dominante nas atividades da fé, encontra na afirmativa de Paulo de Tarso um antídoto para as suas venenosas preocupações.
Em todas as épocas, têm vivido na Terra os nobres excomungados, os incompreendidos valorosos e os caluniados sublimes.
Passaram, nos círculos das criaturas, qual acontece ainda hoje, perseguidos e desprezados, entre o sarcasmo e a indiferença.
Por vezes, sofrem o degredo social por não se aviltarem ante as explorações delituosas do fanatismo; em outras ocasiões, são categorizados à conta de ateus pelas suas idéias mal interpretadas.
É que, de quando em quando, rajadas de ódios e dúvidas sopram nas igrejas desprevenidas da Terra. Os crentes olvidam o “não julgueis” e confiam-se a lutas angustiosas.
Semelhantes atritos, contudo, não alteram a consciência tranqüila dos anatematizados que se sentem sob a tutela do Divino Poder. Instintivamente, reconhecem que além da esfera obscura da ação física resplandece o templo soberano e invisível em que Jesus recolhe os servidores fiéis, sem deter-se na cor ou no feitio de suas vestimentas.
Benfeitores e servos excomungados dos caminhos humanos, se tendes uma consciência sem mácula, não vos magoe a pedrada dos homens que se distanciam uns dos outros pelo separatismo infeliz! Há uma Igreja augusta e livre, na vida espiritual, que é acolhedora mãe de todos nós! …

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Obra: Vinha de Luz

Sempre Adiante

Se caíste, não recues,
Nem te lamentes em vão.
O erro, frequentemente,
É necessário à lição.

Não te acolhas à fraqueza,
Desânimo nada faz.
Ergue-te e segue pensando
Na força de que és capaz.

Casimiro Cunha
(De “Recados da Vida”, de Francisco
Cândido Xavier – Autores diversos

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Afirmação esclarecedora

“E não quereis vir a mim para terdes vida.” – Jesus. (João, 5:40.)

Quantos procuram a sublimação da individualidade precisam entender o valor supremo da vontade no aprimoramento próprio.
Os templos e as escolas do Cristianismo permanecem repletos de aprendizes que vislumbram os poderes divinos de Jesus e lhe reconhecem a magnanimidade, caminhando, porém, ao sabor de vacilações cruéis.
Crêem e descrêem, ajudam e desajudam, organizam e perturbam, iluminam-se na fé e ensombram-se na desconfiança…
É que esperam a proteção do Senhor para desfrutarem o contentamento imediato no corpo, mas não querem ir até ele para se apossarem da vida eterna.
Pedem o milagre das mãos do Cristo, mas não lhe aceitam as diretrizes.
Solicitam-lhe a presença consoladora, entretanto, não lhe acompanham os passos.
Pretendem ouvi-lo, à beira do lago sereno, em preleções de esperança e conforto, todavia, negam-se a partilhar com ele o serviço da estrada, através do sacrifício pela vitória do bem.
Cortejam-no em Jerusalém, adornada de flores, mas fogem aos testemunhos de entendimento e bondade, à frente da multidão desvairada e enferma.
Suplicam-lhe as bênçãos da ressurreição, no entanto, odeiam a cruz de espinhos que regenera e santifica.
Podem ir na vanguarda edificante, mas não querem.
Clamam por luz divina, entretanto, receiam abandonar as sombras.
Suspiram pela melhoria das condições em que se agitam, todavia, detestam a própria renovação.
Vemos, pois, que é fácil comer o pão multiplicado pelo infinito amor do Mestre Divino ou regozijar-se alguém com a sua influência curativa, mas, para alcançar a Vida Abundante de que ele se fez o embaixador sublime, não basta a faculdade de poder e o ato de crer, mas também a vontade perseverante de quem aprendeu a trabalhar e servir, aperfeiçoar e querer.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Obra: Fonte Viv
a

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Falsas alegações

“Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes.” — (Lucas, Capítulo 8, Versículo 28.)

O caso do Espírito perturbado que sentiu a aproximação de Jesus, recebendo-lhe a presença com furiosas indagações, apresenta muitos aspectos dignos de estudo.
A circunstância de suplicar ao Divino Mestre que não o atormentasse requer muita atenção por parte dos discípulos sinceros.
Quem poderá supor o Cristo capaz de infligir tormentos a quem quer que seja? E, no caso, trata-se de uma entidade ignorante e perversa que, nos intimos desvarios, muito já padecia por si mesma. A vizinhança do Mestre, contudo, trazia-lhe claridade suficiente para contemplar o martírio da própria consciência, atolada num pântano de crimes e defecções tenebrosas. A luz castigava-lhe as trevas interiores e revelava-lhe a nudez dolorosa e digna de comiseração.
O quadro é muito significativo para quantos fogem das verdades religiosas da vida, categorizando-lhe o conteúdo à conta de amargo elixir de angústia e sofrimento. Esses espíritos indiferentes e gozadores costumam afirmar que os serviços da fé alagam o caminho de lágrimas, enevoando o coração.
Tais afirmativas, no entanto, denunciam-nos. Em maior ou menor escala, são companheiros do irmão infeliz que acusava Jesus por ministro de tormentos.

Obra: Pão Nosso
Emmanuel - Francisco Cândido Xavier

Ante o Divino Mestre

Senhor Jesus!
Grandes reformadores da vida religiosa passaram no mundo antes de ti.
Sacerdotes chineses e hindus, persas e egípcios, gregos e judeus referiam-se à Lei, traçando diferentes caminhos às cogitações humanas.
Um dos maiores de todos, Moisés, viveu entre príncipes da ciência, fez-se condutor de multidões, plasmou
sagrados princípios de justiça e, após sofrer as vicissitudes de sua época, expirou no monte Nebo,
contemplando a gleba farta que prometera ao seu povo.
Outro Senhor, o grande Siddharta, converteu-se em arrimo dos penitentes da Terra, ensinando a compaixão,
depois de renunciar, ele próprio, o Bem-aventurado, às alegrias do seu palácio, para morrer, em seguida a
sublimes testemunhos de simplicidade e de amor, entre flores de Kucinagara...
Todos eles passaram, induzindo os homens à solidariedade e ao dever, exalçando o coração e purificando a inteligência.
Profetas hebreus numerosos antecederam-Te os passos, esboçando o roteiro da luz... Alguns deles encontraram o escárnio e a flagelação em lutas enormes, confinadas, porém, ao âmbito particular do povo a que serviam.
Nenhum, no entanto, acendeu tantos conflitos com o mandato de que se faziam intérpretes, quando
confrontados contigo, a quem se negou um lar para nascer.
Por onde passaste extremavam-se as paixões.
Contrapondo-se ao carinho que Te consagravam as almas simples de Cafarnaum, recebeste o ódio gratuito
dos espíritos calculistas de Jerusalém.
Em Tua entrada, aglutinaram-se a fraqueza e a ingratidão, a crueldade e a secura, tecendo a rede de
trevas na qual Te conduziram à cruz entre malfeitores.
Em oposição à tranquilidade silenciosa que se estendeu sobre a morte dos grandes enviados do Céu que Te
precederam, de Teu túmulo aberto ergueu-se a mensagem da eternidade, gritante e magnífica, pela
qual os Teus seguidores experimentaram a perseguição e o sacrifício, em trezentos anos de sangue e lágrimas nos cárceres de martírio ou na humilhação dos espetáculos públicos...
É que não apenas ensinaste a bondade, praticando-a impecavelmente, mas revelaste os segredos da morte.
Conversaste com as almas desencarnadas padecentes, através dos enfermos que Te procuravam, transfiguraste as próprias energias no cimo do Tabor, dando ensejo a que se materializassem, diante dos discípulos extáticos, Espíritos gloriosos de Tua equipe celeste.
Reabriste os olhos cadaverizados do filho da viúva de Naim e trouxeste de novo à existência o Espírito de
Lázaro que se achava distanciado do corpo inerte, encarecendo e exaltando a responsabilidade da criatura,
que receberá sempre de acordo com as próprias obras.
Agarrados à posse efêmera da estação terrestre, os homens não Te perdoaram a Revelação inesquecível e Te
condenaram à morte, buscando sufocar-Te a palavra, olvidando que a Tua doutrina, marcada de amor e
perdão, já se havia incorporado para sempre aos ouvidos da Humanidade. E, retomando-lhes o convívio,
ressuscitado em Tua forma sublime, mais lhes aumentaste o espanto da consciência entenebrecida.
Desde então, Senhor, acirrou-se a antinomia entre a luz e a treva...
Os Teus apóstolos exibiam fenômenos mediúnicos maravilhosos, arrebatando a admiração e o respeito da
turba que os cercava, mas bastou que no dia de Pentecostes transmitissem os ensinamentos dos
desencarnados, em diversas línguas, para que fossem categorizados por ébrios que o vinho fazia desvairar.
Enquanto Paulo de Tarso, inspirado, se detinha na Acrópole sobre os grandes temas do destino, conquistava
a atenção dos atenienses ilustres, mas bastou que aludisse à ressurreição dos mortos, para que fosse
abandonado por todos eles à zombaria e a solidão.
E ainda hoje, Mestre, anotamos por toda a parte o terror da responsabilidade de viver. Quase todos os homens
aceitam o apoio da religião, sempre que se lhes lisonjeie a inferioridade e se lhes endossem os caprichos no culto externo, prestigiando as autoridades de superfície que lhes desaconselhem pensar.
Acreditam comprar o Céu a preço de oferendas materiais ou de atitudes estudadas na convenção e
imaginam que esse ou aquele inimigo está reservado aos tormentos do inferno. Entretanto, se alguém lhes recorda a realidade, mostrando a morte como prosseguimento da vida, com a exação da Lei que confere a cada criatura o salário correspondente aos próprios atos, azeda-se-lhes o fervor, passando a abominar quantos lhes sacodem a mente entorpecida. E agora, como antigamente, associam rebelião e vaidade para asfixiar o verbo revelador onde surja. Improvisam tentações e pavores ao redor daqueles que se dedicam à verdade, e, se esses lhes não caem nas armadilhas e se lhes não temem as ameaças, empreendem campanhas lamentáveis, em que a difamação e o ridículo funcionam por golilhas atrozes nas gargantas que desferem a palavra divina do Teu Evangelho Libertador.
Aos espíritas, Senhor, que Te exumam as lições do acervo de cinzas do tempo, cabe agora o privilégio de
semelhantes assaltos. Porque se reportam à responsabilidade da criatura, no campo da vida eterna,
e porque demonstram que a sepultura é portal da imortalidade, são conduzidos ao pelourinho da
execração, caluniados e escarnecidos.
Como se lhes não possa interromper a existência, a fio de espada, emudecendo-lhes a mensagem de luz,
pisa-se-lhes o coração na praça pública com as varas da mentira e do sarcasmo, para que o desânimo e o sofrimento lhes apressem o fim.
Mas sabemos que tu, Senhor, és hoje, como ontem, o Herói do Túmulo Vazio...
Aqueles que Te colocaram suspenso na cruz, por Te negarem residência na Terra, não sabiam que Te
alçavam mais alto a visão para que lhes observasses os movimentos na sombra.
Mestre Redivivo, que ainda agora enches de terrível assombro quantos estimariam que não tivesses vivido
entre os homens, fixa Teu complacente olhar sobre nós e aparta-nos da treva de todos os que se acomodam com a saliva da injúria! E revigora-nos a consolação e a esperança, porque sabemos, Senhor, que como outrora, antes os discípulos assustados, estarás com os Teus aprendizes fiéis, em todo instante da angústia,
exclamando, imperturbável:
- “Tende bom ânimo! Eu estou aqui.”

Irmão X / Francisco Cândido Xavier
Obra: À Luz da Oração

Que Pedes?

"Louco, esta noite te pedirão a tua alma." - Jesus. (Lucas, 12:20.)

Que pedes à vida, amigo?
Os ambiciosos reclamam reservas de milhões.
Os egoístas exigem todas as satisfações para si somente.
Os arbitrários solicitam atenção exclusiva aos caprichos que lhes são
próprios.
Os vaidosos reclamam louvores.
Os invejosos exigem compensações que lhes não cabem.
Os despeitados solicitam considerações indébitas.
Os ociosos pedem prosperidade sem esforço. Os tolos reclamam
Divertimentos sem preocupação de serviço.
Os revoltados reclamam direitos sem deveres. Os extravagantes exigem
Saúde sem cuidados.
Os impacientes aguardam realizações sem bases.
Os insaciáveis pedem todos os bens, olvidando as necessidades dos outros.
Essencialmente considerando, porém, tudo isto é verdadeira loucura, tudo fantasia
do coração que se atirou exclusivamente à posse efêmera das coisas mutáveis.
Vigia, assim, cautelosamente, o plano de teus desejos.
Que pedes à vida?
Não te esqueças de que, talvez nesta noite, pedirá o Senhor a tua alma.

Vinha de Luz
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Emmanuel
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