quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Muralha do tempo

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta que conduz à perdição.” – Jesus. (Mateus, 7: 13)

Em nos referindo a semelhante afirmativa do Mestre, não nos
esqueçamos de que toda porta constitui passagem incrustada em
qualquer construção, a separar dois lugares, facultando livre
curso entre eles.
Porta, desse modo, é peça arquitetônica encontradiça em
paredes, muralhas e veículos, permitindo, em todos os casos,
franco passadouro.
E as portas referidas por Jesus, a que estrutura se entrosam?
Sem dúvida, a porta estreita e a porta larga pertencem à
muralha do tempo, situada à frente de todos nós.
A porta estreita revela o acerto espiritual que nos permite
marchar na senda evolutiva, com o justo aproveitamento das
horas.
A porta larga expressa-nos o desequilíbrio interior, com que
somos forçados à dor da reparação, com lastimáveis perdas de
tempo.
Aquém da muralha, o passado e o presente.
Além da muralha, o futuro e a eternidade.
De cá, a sementeira do “hoje”.
De lá, a colheita do “amanhã”.
A travessia de uma das portas é ação compulsória para todas
as criaturas.
Porta larga – entrada na ilusão – saída pelo reajuste...
Porta estreita – saída do erro – entrada na renovação...
O momento atual é de escolha da porta, estreita ou larga.
Os minutos apresentam valores particulares, conforme
atravessemos a muralha, pela porta do serviço e da dificuldade
ou através da porta dos caprichos enganadores.
Examina, por tua vez, qual a passagem que eleges por teus
atos comuns, na existência que se desenrola, momento a
momento.
Por milênios, temos sido viajores do tempo a ir e vir pela
porta larga, nos círculos de viciação que forjamos para nós
mesmos, engodados na autoridade transitória e na posse
amoedada, na beleza física e na egolatria aviltante.
Renovemo-nos, pois, em Cristo, seguindo-o, nas abençoadas
lições da porta estreita, a bendizer os empecilhos da marcha,
conservando alegria e esperança na conversão do tempo em
dádivas da Felicidade Maior.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Livro: O Espírito da Verdade

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