quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O Tesouro Enferrujado

“O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram.” — (Tiago, capítulo 5, versículo 3.)

Os sentimentos do homem, nas suas próprias idéias apaixonadas, se
dirigidos para o bem, produziriam sempre, em conseqüência, os mais substanciosos
frutos para a obra de Deus. Em quase toda parte, porém,
desenvolvem-se ao contrário, impedindo a concretização dos propósitos
divinos, com respeito à redenção das criaturas.
De modo geral, vemos o amor interpretado tão-somente à conta de
emoção transitória dos sentidos materiais, a beneficência produzindo
perturbação entre dezenas de pessoas para atender a três ou quatro doentes,
a fé organizando guerras sectárias, o zelo sagrado da existência criando
egoísmo fulminante. Aqui, o perdão fala de dificuldades para expressar-se; ali,
a humildade pede a admiração dos outros.
Todos os sentimentos que nos foram conferidos por Deus são sagrados.
Constituem o ouro e a prata de nossa herança, mas como assevera o apóstolo,
deixamos que as dádivas se enferrujassem, no transcurso do tempo.
Faz-se necessário trabalhemos, afanosamente, por eliminar a “ferrugem”
que nos atacou os tesouros do espírito. Para isso, é indispensável
compreendamos no Evangelho a história da renúncia perfeita e do perdão sem
obstáculos, a fim de que estejamos caminhando, verdadeiramente, ao encontro
do Cristo.

Obra: Caminho, Verdade e Vida - Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

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