quinta-feira, 2 de abril de 2015

Autolibertação - Emmanuel


Uma coincidência de notar entre os quase náufragos da aflição e do
afogamento:
Os que se debatem nas águas temendo a morte rogam o socorro de quem lhes
estenda as mãos;
Os que se encarceram no desânimo, receando o desequilíbrio, para se livrarem
dele precisam estender as mãos aos outros.
*
Geralmente quando nos confessamos abatidos, muitas vezes queixando-nos
contra tudo e contra todos, achamo-nos simplesmente encerrados na masmorra do
“eu”, que transportamos conosco, à maneira de fardo muito difícil de carregar.
Este é, contudo, o momento para sair de nós, alongando os braços na direção
dos outros, para que os outros nos arrebatem ao poço da angústia.
Abrir o coração ao encontro de alguém a fim de que alguém nos alivie.
Auxiliar para sermos auxiliados.
*
Se te encontras numa ocasião dessas, de espírito ilhado na solidão, recorda que
as portas da alma unicamente se abrem de dentro para fora e busca a liberação de si
mesmo.
*
Desnecessário será dizer que a gentileza para com os vizinhos à vista ao
doente, o socorro ao necessitado, o serviço-extra, a carta que se dirige ao amigo
distante, o amparo à natureza e todas as formas outras de atividade em que se nos
expresse a doação de calor humano são veículos ideais para sairmos de nós à procura
da própria renovação.
*
Se te encontras assim, no dia cinzento de mal-estar, não é necessário adotes a
transposição do desalento à custa de tranquilizantes inadequados ou ao preço de
aventuras que talvez te marginalizassem nos espinheiros da culpa.
Todos possuímos conosco a clinica espiritual de auto-tratamento com as
faculdades da ação e da criatividade ao nosso dispor.
*
Quando estejas desse modo no recanto da angústia, se experimentas a fadiga
sem causa, trabalha mais e, se trabalhando mais sentires a presença do cansaço
compreensível e justo, procura o repouso indispensável ao preciso refazimento e
recobrarás as próprias forças a fim de trabalhar e servir mais ainda.

Emmanuel
Livro “Doutrina e Aplicação” – Espíritos Diversos
Psicografia: Francisco Cândido Xavier

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