quarta-feira, 3 de junho de 2015

Emmanuel - Sabemos

Em matéria de educação a nós mesmos, existe, comumente, um adversativo, em nossas melhores definições.
Via de regra, afirmamos, a cada trecho de nossa marcha espiritual:
Sei que a morte é apenas mudança e devo corrigir-me para a Vida Maior, entretanto, estou sob o cativeiro de inúmeras imperfeições, à maneira de árvore asfixiada pela erva-de-passarinho, e não consigo renovar-me;
sei que é necessário praticar o bem para que o mal não me ensombre as horas, todavia, por mais me esforce, não chego a vencer a preguiça que me entorpece;
sei que é urgente estudar, melhorando conhecimentos, a fim de entender os desafios do mundo e solucioná-los com segurança, contudo, não tenho tempo;
sei que é minha obrigação abraçar as boas obras, que as circunstâncias me indicam, em proveito de minha felicidade, mas receio entrar em choque com as alheias opiniões.
Sei que é preciso... — é a nossa frase trivial, diante do serviço que nos compete, no entanto, habitualmente falha o motor da vontade, no momento da ação.
Quase sempre, perdemos tempo precioso, empenhando-nos em saber o que ainda estamos muito longe de aprender; numa atitude, aliás muito compreensível, porquanto, desejando saber dignamente, a curiosidade respeitável alenta o progresso; mas, se fizéssemos o melhor do que já conhecemos, transferindo ideais e planos superiores das linhas teóricas para o terreno a realização e da prática, desde muito, estaríamos guindados à posição de nomes apostolares das doutrinas redentoras que apregoamos, adiantando o relógio da evolução terrestre.
Como é fácil de notar, nós todos, coletivamente examinados, criamos muitas dificuldades na Terra, pela ânsia de fazer sem saber, mas agravamos, consideravelmente, essas mesmas dificuldades pelo atraso de saber e não fazer.

De “Intervalos”, de Francisco Cândido Xavier.

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