domingo, 31 de janeiro de 2016

Criança Órfã - Victor Hugo

[ ] Ave implume, caída do ninho acolhedor, a criança órfã sofre rudes provas em silêncios homéricos, devendo inspirar ternura que nem todos lhe dispensam como seria de desejar-se numa sociedade civilizada, que se afirma cristã.
O órfão enxameia nas ruas do abandono, no mundo, mergulhando nos vícios que frondejam nos guetos da miséria moral, social e econômica, em marcha segura para a delinquência e o vício massacrador.
Adultos inescrupulosos exploram-no indefeso, locupletam-se na sua pequenez e descarregam nele seus infelizes recalques, por meio de agressões selvagens.
Quando lhe ofertam agasalho ou pão, fazem-no sob condições odientas, humilhando-o e espicaçando os sentimentos inferiores trazidos das existências desditosas que necessitaria esquecer, fazendo-o bandido em potencial, c, como tal, explode, logo se lhes fazem insuportáveis as circunstâncias deprimentes.
O padrão de cultura e progresso moral de uma sociedade justa é medido pelo apoio e pelo carinho dedicados às suas crianças carentes, aos seus enfermos em desventura e aos velhinhos em desvalimento, que já não constituem o lixo social, mas sim os elementos de edificação espiritual, na qual se apóia a paz que comanda os destinos sob o alento do dever cumprido.
Longe, no entanto, estão ainda os dias da consciência social-cristã mediante a ação corretamente aplicada pelo Humanitarismo. [ ]


(De “Árdua ascensão”)
Divaldo Pereira Franco

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