sábado, 16 de abril de 2016

Necessidade e Ação - Emmanuel

Os casos particulares não me permitem ser demasiado extenso, mas não me furto ao desejo de vos dizer duas palavras, corroborando a explanação elucidativa junto das preces da noite.
Espiritismo, filhos, é luz, e é necessário que cada um daqueles que o abraçam procure brilhar, testemunhando a sua claridade.
As nossas mensagens, a possibilidade de comunicação entre dois mundos, são permitidas por Deus, a fim de que o homem vislumbre as realidades espirituais, aplicando-as à sua passageira vida na terra.
É necessário cessar a época do verbalismo vazio.
Há muitos séculos a humanidade tem vivido uma época de pura predicação sem exemplos.
O que temos visto em todos os tempos? Tribunas, púlpitos, livros, prolixidade de pedagogia gratuita, dentro de uma multiplicidade assombrosa de demagogos e de arautos.
Chegaram os tempos da iniciativa própria, do esforço pessoal em favor da iluminação conscencial do individuo, perdido no oceano da coletividade.
Cada homem deve e pode possuir qualidade auto-didata.
Os espíritas necessitam compreender essa necessidade de ação no campo individual.
Ação essa que se irradiará naturalmente para o mundo largo das sociedades.
Sem esforço nada se terá feito.
As obras de caridade material têm sido edificadas pela igreja católica.
Seus hospitais, seus orfanatos, suas freiras, seus conventos, onde se efetuam sopas a pobres e recolhimento dos desvalidos, estão por toda a parte.
O que os espíritas não estão percebendo é que a eles competem organizar sua consciência verdadeiramente cristã nessa civilização da fome e da febre de ouro.
è preciso que se arregimentem os exemplos de predicações pelos atos, trabalhando e enfrentando corajosamente as penúrias da vida, sem estagnação, sem fanatismo, sem recuos para épocas primitivas do pensamento.
É doloroso que sejamos mentalidades que deveriam está afinadas em obras evangélicas, perdidas no lábaro ingrato de doutrinações inoportunas e desnecessárias.
Os espíritas precisam saber que obras materiais não faltam no mundo, os grandes colossos de pedra assombram as iniciativas dos mais ousados.
Eles ficaram, de fato, com o apostolado da pobreza da Humildade de Assis na restauração do cristianismo, mas compete-lhes fornecer com os exemplos na ação, na tolerância, no trabalho, no esforço, na piedade e na resignação, uma alma a esses gigantes de alvenaria.
Faz-me necessário dar calor às cátedras imensas e frias. E esse calor só poderá nascer da fé realizadora e ativa, que trabalha e opera, longe de qualquer cristalização teórica.
tempo da palavra vazia passou.
O tempo atual é dos atos.
Aliemos nossos esforços e trabalhemos.
Precedamos qualquer ensinamento com um exemplo de ordem pessoal.
O mundo está intoxicado pela generalização da cultura sem base, sem bússola, sem norte espiritual.
Aprendamos e pratiquemos, trabalhando, laborando com nossos desprendimento, sem nos finalizarmos, dentro das atividades que nos cabe desenvolver e dentro da tarefa que nossa cabe desempenhar.
Se emprego o "nós", nestes meus apelos é que também aqui não descansamos.
Não estamos inativos.
A luta é condição primordial de qualquer conquista.
Aprendamos com Jesus e coloquemos ao seu serviço toda a nossa boa vontade.

Obra: Doutrina e Vida - Francisco Cândido Xavier

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