quarta-feira, 8 de junho de 2016

Ressurgirás - Joanna de Ângelis

Nos apontamentos de João, capítulo dezesseis, versículos um a oito, o filho de Maria Marcos, consignou a visita emocionada e afetiva das “mulheres piedosas” que demandaram o túmulo para ungirem o corpo de Jesus, ao terceiro dia, após o sepultamento.
Surpreendidas, porém, com o sepulcro vazio e a presença de um belo mancebo que lhes anunciou a Ressurreição, foram por ele incumbidas de avisar aos discípulos, e especialmente a Pedro, que Ele já “os precedia na ida para a Galiléia”.
Os corações femininos “tomados de temor e espanto” demandaram a cidade ainda envolta em silêncio e vestida pelas últimas sombras da noite em retirada, felizes e ansiosas...
Pode-se compreender a emoção que as possuía...
Com o pensamento turbilhonado pela notícia, buscando a Cidade, distanciavam-se em recordações...
Volviam mentalmente às tardes mornas do lago, diante d’Ele...
Evocavam com os olhos marejados de pranto, as expressões de carinho com que Ele honrava os comensais da sua mensagem...
...Às claras manhãs de Cafarnaum, de Magdala, de Dalmanuta, de Jericó se adornavam de belezas em suas recordações arrebatadas pelo aviso da volta d’Ele às paisagens queridas...
Esperanças acalentadas até há pouco com receio, naqueles últimos dias, arrebentavam em cânticos de mudo louvor.
Choravam, sorriam e tinham medo.
Medo do medo de fitar-lhe o rosto sereno após a Crucificação, ao recordarem o testemunho negativo que todos haviam dado...
Medo de não se confirmar a informação do retorno d’Ele.
Tudo se passara tão rápido!... Tantas emoções desde a chegada à “cidade santa”!...
Indagações tormentosas lhes incendiavam o espírito.
E se os companheiros não acreditassem? Não teriam sido violados os selos e a pedra da sepultura removida por vândalos e sacrílegos? – pensavam.
No entanto, e o mancebo de vestes alvinitentes? – conjeturavam. Quem seria ele e como as conhecia?
Silenciaram para aguardar.
Quedariam em expectativa. A verdade é fardo muito pesado para quem a carrega.
Criam, sem dúvida. Amavam-nO com ternura. E os outros, creriam?...
Sim, o Rabi ressurgira para os que O aguardavam confiantes ou temerosos, voltando a enxugar suores e lágrimas, lenindo dores...
Rompera as barreiras da morte e voltara da Vida Abundante para a vida, ensejando a todos a Vida Eterna.
Ao retornar ao seio dos companheiros amados, porém, não inquiriu por Judas, não interrogou Pedro, não dirigiu indagações embaraçosas a Tiago.
Atendeu às dúvidas de Tomé, avassalado por obsessores cruéis, e afagou todos os corações ternamente, como nos dias idos...
Ensejou aos amigos deslumbrados a visão da Imortalidade.
Ofereceu-lhes as lições preciosas e finais do Messianato.
Conviveu, outra vez, aureolado da brilhante luz do seu incorruptível amor até a hora da ascensão, lecionando esperança...
Sua herança, legou-no-la em paz e confiança no Pai de Misericórdia, a quem Ele tanto amava...
Se a hora que vives na Terra te parece de sombra e inquietação, como aquelas que precedem a morte, lembra-te da ansiedade das “mulheres piedosas de Jerusalém”, a caminho do túmulo, e não recues. A noite precede a aurora e o dia é mais claro quando a sombra é mais densa.
Cercado de problemas e vestido de enfermidades, confia ainda. O problema é divisa a conquistar no cofre da oportunidade, como a enfermidade é imposto que a vida tributa ao homem.
Dominado pela tensão ou chumbado ao desencanto, reanima-te e confia, apesar disso. A tensão que te conduz deveria conduzi-la tu, e o desencanto que te vence é nimbo que o vento da confiança espraia e expulsa, deixando novamente claro o céu da tua alma.
Se a incompreensão e a impiedade forjarem armadilhas perigosas nas quais seja colhido, ora, espera e confia, mesmo assim. Quem visse o Mestre na Cruz não diria que Ele é o Sublime Governador da Terra. No entanto, naquele lugar a Sua causa parecia inútil...
...E, se por fim, a morte, que virá um dia, acercar-se do teu domicílio carnal, rompendo as paredes celulares que te vestem e o medo tentar assenhorear-se dos painéis da tua mente, não temas: confia, confia sempre. Logo depois, resplandecerá invencível madrugada dourada de luz e ressurgirás das cinzas, seguindo o Ressurgido, pelo caminho formoso e perfumado da Excelsa Galiléia Espiritual...

De “Dimensões da verdade”
Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira Franco

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...