sábado, 16 de julho de 2016

O Mestre Demostra - Eros

O discípulo acercou-se do Sábio e pediu-Lhe que lhe desvelasse o passado espiritual, por sentir que o conhecimento dos sucessos anteriores poderia auxiliá-lo na edificação do futuro.
O venerando Guru, após reflexionar, informou-o de que o véu do esquecimento, colocado como barreira tênue entre os dois tempos, constitui bênção de misericórdia divina, em razão da fraqueza do homem ante a força das recordações, principalmente daquelas que envilecem o ser e entorpecem o discernimento.
— Todavia — insistiu o imaturo aprendiz — eu desejo interpretar as tendências que me propelem para a ira e a insubordinação, para o fácil rancor e a agressividade. Acredito que já fui poderoso e ímpio, gerando infelicidades e desafetos... Sinto-me confundido entre o que desejo alcançar e o que logro. A minha colheita tem sido de amargura e não de paz. Que fazer?
“— Olvida-te do mal e atua no bem — redarguiu-lhe o Instrutor. — Renuncia ao temperamento atormentado e deixa-te arrastar pela correnteza da bondade de Deus. O que deve ser esquecido, deixa-o, e o tempo te iluminará os espaços nebulosos com serenidade e ternura.”
O jovem ouviu e não aceitou.
Fez exercícios de meditação, inquiriu o inconsciente, desenterrou as lembranças, reviveu acontecimentos infelizes, e, por fim, desequipado de amor, apaixonado e solitário, enveredou pelo corredor escuro da loucura, complicando e perdendo a reencarnação redentora.
*
O passado merece ficar soterrado, constituindo a base para a edificação do presente, com os olhos postos na felicidade do futuro.

De “A um passo da imortalidade”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Eros.


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