terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Chaves Libertadoras - André Luiz

Desgosto
Qualquer contratempo aborrece.
No entanto, sem desgosto, a conquista de experiência
é impraticável.

Obstáculo
Todo empeço atrapalha.
Sem obstáculo, porém, nenhum de nós consegue efetuar a superação das próprias deficiências.

Decepção
Qualquer desilusão incomoda.
Todavia, sem decepção, não chegamos a discernir o certo
do errado.

Enfermidade
Toda doença embaraça.
Sem a enfermidade, entretanto, é muito difícil consolidar a preservação consciente da própria saúde.

Tentação
Qualquer desafio conturba.
Mas, sem tentação, nunca se mede a própria resistência.

Prejuízo
Todo o golpe fere.
Sem prejuízo, porém, é quase impossível construir segurança nas relações uns com os outros.

Ingratidão
Qualquer insulto à confiança estraga a vida espiritual.
No entanto, sem o concurso da ingratidão que nos visite, não saberemos formular equações verdadeiras nas contas de nosso tesouro afetivo.

Desencarnação
Toda morte traz dor.
Sem a desencarnação, porém, não atingiríamos a renovação precisa, largando processos menos felizes de vivência ou livrando-nos da caducidade no terreno das formas.

Compreendamos, à face disso, que não podemos louvar as dificuldades que nos rodeiam, mas é imperioso reconhecer que, sem elas, eternizaríamos paixões, enganos, desequilíbrios e desacertos, motivo pelo qual será justo interpretá-las por chaves libertadoras, que funcionam em nosso espírito, a fim de que nosso espírito se mude para o que deve ser, mudando em si e fora de si tudo aquilo que lhe compete mudar.

Do livro “Paz e Renovação”
Francisco Cândido Xavier

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