domingo, 2 de abril de 2017

Compromisso com o Amor - Joanna de Ângelis

Livro: Nascente de bênçãos
Divaldo Pereira Franco
Espírito Joanna de Angelis

Afirma-se com alguma razão que o Evangelho de Jesus sofreu, através dos tempos, adulterações e interpolações, restando
pouco dos ensinos originais.
Assim sendo, esclarece-se que a herança que d’Ele possuímos é caracterizada pelas interferências maldosas e desonestas dos tradutores, teólogos e demais pessoas interessadas na manutenção da ignorância, para melhor dominar as mentes incultas e desconhecedoras dos Seus postulados de amor.
Retirando-se o excesso de prevenção, resta-nos os conteúdos soberanos que não puderam ser alterados e vêm atravessando os milênios como verdadeiro desafio para a humanidade.
Nesse sentido, as Suas lições morais independem das formulações em que se apresentam, valendo pelo sentido profundo e
revolucionário de que se revestem.
Não há como adulterar-se o ensinamento Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo ou Fazer ao
próximo tudo aquilo que desejaria lhe fosse feito.
Essas duas máximas encerram toda uma filosofia ético-moral de reflexos espirituais inamovíveis, em razão das consequências de que são portadoras.
No amor, fonte inesgotável para todas as necessidades, a criatura se dessedenta, se reabastece de esperança e de alegria, a fim de continuar a áspera caminhada de aperfeiçoamento moral, enfrentando vicissitudes e confrontos, interiormente em paz.
Nessa trilogia proposta, amar a Deus, ao próximo, porém, de forma análoga àquele que se devota a si mesmo, encontramos o convite sem disfarces para o auto-amor como formulação terapêutica para a felicidade. Através desse valioso recurso que se reveste de autoestima e autovalorização, sem as nefastas expressões do egoísmo, da vaidade, da presunção, está embutido o convite ao melhoramento interior, ao enriquecimento espiritual, à luta contra as paixões inferiores, de forma que se torne mais bem equipado de tesouros morais para a superação dos conflitos e das perturbações inerentes aos condicionamentos perversos.
Envolvido pelo sentimento de amor a si mesmo, o indivíduo encontra-se investido de meios que o levam a amar ao seu próximo, sendo menos exigente para com as suas deficiências por identificá-las em si mesmo, sabendo quanto é difícil essa batalha sem tréguas, assim compreendendo-lhe as torpezas e auxiliando-o a tornar-se mais fraterno e gentil.
Graças a esse labor, passa a amar a Deus, nele próprio e no seu irmão de jornada.
O Mestre acentuou com sabedoria que se alguém não ama aquilo que vê, como poderá amar ao Pai a Quem nunca viu?
Nos relacionamentos objetivos e emocionais entre duas ou mais pessoas que se estimam ou se amam, tolerando-se e ajudando-se, apesar das diferenças existentes, muito mais fácil torna-se a dilatação do sentimento que se dirige a Deus, o Magnânimo Pai.
Ao exegeta torna-se indispensável saber o texto, a circunstância e o lugar onde foi enunciado, a fim de o examinar sob vários pontos de vista, desde a etimologia de cada palavra até o conjunto geral.
Certamente ninguém há de esperar que aqueles que ouviram as sublimes palavras do Mestre as haja memorizado com rigor, de
forma a retransmiti-las exatamente conforme foram enunciadas.



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